O que é O que é Clonagem?
No consultório aqui do SUS e da clínica popular, a palavra “clonagem” costuma aparecer mais em conversas sobre reprodução assistida ou sobre aqueles mitos de “cópia perfeita de pessoas”. A verdade é que clonagem é um termo científico que significa produzir uma cópia genética idêntica de um organismo, de uma célula ou de um fragmento de DNA. Em termos práticos, você já ouviu falar da ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado a partir de uma célula adulta. Isso é um exemplo de clonagem reprodutiva.
No Brasil, a clonagem humana com fins de reprodução (criar um bebê idêntico a um adulto) é proibida pela Lei de Biossegurança (Lei nº 11.105/2005). O Conselho Federal de Medicina (CFM) também é claro: não é ética e não pode ser realizada. Já a clonagem terapêutica – aquela usada para obter células-tronco embrionárias para pesquisas de doenças como diabetes, Parkinson e lesões na medula – é permitida sob controle da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) e da ANVISA. No nosso dia a dia, o que mais aparece é a clonagem de genes em laboratório, usada para testes de paternidade, identificação de criminosos (DNA forense) e diagnósticos de doenças genéticas.
Mesmo que a clonagem de uma pessoa inteira ainda seja ficção científica – e ilegal –, a tecnologia já existe para clonar plantas, animais de fazenda (como vacas e cavalos) e até células humanas para tratamentos futuros. Por isso, quando um paciente pergunta “doutor, clonagem no SUS? Não, não tem.” Mas a genética moderna, que inclui técnicas de clonagem de DNA, está presente em exames como o teste de Zika em grávidas ou o mapeamento de variantes genéticas em câncer hereditário. A prevalência de clonagem natural, aquela que acontece sem qualquer intervenção, são os gêmeos idênticos – cerca de 3 a 4 a cada 1.000 nascimentos no Brasil, segundo dados do IBGE.
Como funciona / Características
Para entender como a clonagem funciona, imagine uma fotocopiadora genética. O processo mais conhecido, chamado de transferência nuclear de células somáticas, funciona assim: pega-se uma célula do corpo de um doador (por exemplo, uma célula da pele), extrai-se o núcleo que contém o DNA, e insere-se esse núcleo dentro de um óvulo que teve o seu próprio núcleo removido. Esse óvulo reconstruído é estimulado a se dividir como se fosse um embrião, e depois implantado em um útero de uma mãe de aluguel (no caso de mamíferos). O resultado é um indivíduo com o mesmo DNA nuclear do doador – não uma cópia exata da pessoa, porque o ambiente e o DNA mitocondrial do óvulo também influenciam.
No cotidiano de uma clínica popular, o que mais aparece não é a clonagem de seres vivos, mas a clonagem molecular. Por exemplo, quando um paciente precisa de um teste de paternidade, o laboratório usa a reação em cadeia da polimerase (PCR) para clonar (copiar) milhões de vezes um trecho específico do DNA da pessoa. Isso permite comparar os genes do suposto pai e do filho. Também usamos clonagem de fragmentos de DNA para identificar bactérias resistentes a antibióticos em infecções hospitalares – uma técnica que a ANVISA recomenda para vigilância de surtos.
Outra característica prática: o SUS não oferece clonagem reprodutiva ou terapêutica como procedimento padrão. No entanto, bancos públicos de cordão umbilical (como o do Instituto Nacional de Câncer – INCA) armazenam células-tronco que podem ser usadas futuramente em terapias celulares. Aqui, a clonagem entra na etapa de multiplicação dessas células em laboratório para transplante de medula óssea, por exemplo. O paciente precisa entender que não se trata de “criar um novo órgão”, mas de cultivar células que têm potencial de regeneração.
Tipos e Classificações
A clonagem é classificada em três grandes categorias, de acordo com o objetivo e a técnica empregada:
- Clonagem molecular: é a mais comum no dia a dia de laboratórios de análises clínicas. Consiste em copiar (amplificar) um segmento de DNA por PCR ou inseri-lo em um plasmídeo bacteriano para produzir proteínas recombinantes, como a insulina humana. No Brasil, a produção de insulina recombinante é feita pela Bio-Manguinhos (Fiocruz) e é distribuída no SUS para pacientes com diabetes tipo 1.
- Clonagem celular: consiste em isolar uma única célula e permitir que ela se multiplique em cultura, gerando uma população de células geneticamente idênticas (clone). Isso é usado na pesquisa de câncer para estudar a evolução de tumores e em terapias celulares, como a produção de linfócitos CAR-T contra leucemia.
- Clonagem reprodutiva: é a que gera um organismo inteiro a partir do DNA de uma célula adulta. No Brasil, essa prática é proibida para humanos (Resolução CFM nº 2.168/2017). Em animais, é permitida sob regulamentação da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança). Há fazendas no Brasil que clonam bovinos de alto valor genético, como o touro “Vale Europeu”.
- Clonagem terapêutica: também chamada de clonagem para pesquisa. É usada para produzir embriões precoces (blastocistos) a partir dos quais se retiram células-tronco embrionárias. Essas células podem se diferenciar em qualquer tecido do corpo, abrindo possibilidades de tratamento para doenças degenerativas. No Brasil, a Lei de Biossegurança autoriza a pesquisa com embriões congelados excedentes de fertilização in vitro (FIV), mas não a criação de embriões específicos para clonagem – isso é proibido.
Quando procurar um médico
Se você é paciente e está lendo este verbete, saiba que a clonagem não é um assunto que exija consulta médica de urgência. Mas há situações em que o termo pode aparecer e você precisa de orientação profissional:
- Dúvidas sobre tratamentos com células-tronco: Muitas clínicas particulares anunciam “terapia com células-tronco” para rejuvenescimento, artrose ou lesões esportivas. Isso não é clonagem propriamente dita, mas pode envolver técnicas de cultura celular. Antes de se submeter, consulte um médico de confiança e verifique se a clínica tem autorização da ANVISA e do Conselho Regional de Medicina. Tratamentos não comprovados podem colocar sua saúde em risco.
- Teste de paternidade ou genético: Se você precisa de um exame de DNA, procure um laboratório credenciado (preferencialmente indicado pelo SUS). O médico da família pode solicitar o exame e explicar os resultados. Lembre-se: o SUS oferece teste de paternidade para casos de registro civil e pensão alimentícia, mas com fila de espera.
- Histórico familiar de doenças genéticas: Caso haja suspeita de uma condição hereditária, o médico pode recomendar um aconselhamento genético. Lá, podem ser usadas técnicas de clonagem de DNA (sequenciamento) para identificar mutações. No SUS, isso está disponível em serviços de referência como os centros de genética médica (ex: Hospital das Clínicas de SP, Unicamp, Fiocruz).
- Gravidez gemelar: Gêmeos idênticos são um exemplo natural de clonagem. Se você está grávida de gêmeos e tem dúvidas sobre os riscos (parto prematuro, restrição de crescimento), o pré-natal de alto risco no SUS pode acompanhar. A taxa de gemelaridade no Brasil é de cerca de 9,5 a cada 1.000 nascimentos (IBGE, 2020), e parte deles são monozigóticos (clones naturais).
- Notícias sobre clonagem humana: Se você ouvir falar que alguém está oferecendo “clonagem de pessoas” ou “bebê sob encomenda”, denuncie ao CRM de seu estado. Isso é crime no Brasil. Procure um médico para esclarecer suas dúvidas e não caia em golpes.
Termos Relacionados
- Células-tronco: Células indiferenciadas que podem se transformar em diferentes tecidos. São usadas em pesquisas de clonagem terapêutica.
- DNA recombinante: Técnica de clonagem molecular que combina DNA de diferentes fontes para produzir proteínas como insulina e hormônio do crescimento.
- Gêmeos monozigóticos: Gêmeos idênticos que se originam de um único óvulo e espermatozoide – um exemplo natural de clonagem.
- Transferência nuclear: Método de clonagem reprodutiva onde o núcleo de uma célula adulta é colocado em um óvulo sem núcleo.
- PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): Técnica de clonagem molecular que amplifica milhões de vezes um segmento de DNA, usada em exames como teste de paternidade e diagnóstico de COVID-19.
- Biossegurança: Conjunto de normas e leis que regulam as pesquisas com organismos geneticamente modificados e clonagem, no Brasil sob responsabilidade da CTNBio e CONEP.
- Terapia gênica: Tratamento que insere genes clonados em células do paciente para corrigir defeitos genéticos (ex: algumas formas de cegueira hereditária).
- Anomalias de clonagem: Problemas de saúde observados em animais clonados (como envelhecimento precoce, síndrome de prole grande, defeitos cardíacos) – justificam a proibição ética em humanos.
Perguntas Frequentes sobre O que é Clonagem
Clonagem é a mesma coisa que fazer uma cópia exata de uma pessoa?
Não. Em nenhum caso a clonagem produz uma cópia exata de uma pessoa, porque o ambiente, as experiências de vida, a epigenética e até o DNA mitocondrial (herdado da mãe doadora do óvulo) influenciam o desenvolvimento. Mesmo a ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado, não era idêntica à ovelha que doou o núcleo: tinha diferenças em alguns genes e morreu mais jovem. Em humanos, clonagem reprodutiva é proibida exatamente por esses riscos e questões éticas.
O SUS oferece algum tratamento com clonagem?
Não diretamente. O SUS não realiza clonagem reprodutiva nem terapêutica. Porém, a rede pública oferece transplante de medula óssea com células-tronco do próprio paciente ou de doadores, e essas células podem ser expandidas (multiplicadas) em laboratório usando princípios de cultura celular – que tem parentesco com as técnicas de clonagem celular. Além disso, exames genéticos que usam PCR (clonagem molecular) estão disponíveis em hospitais públicos, como o teste do pezinho ampliado e o diagnóstico de doenças infecciosas.
A clonagem de animais é permitida no Brasil? Posso clonar meu cachorro?
Sim, a clonagem de animais não-humanos é permitida no Brasil, desde que aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Existem empresas que clonam cães e gatos por altos valores (acima de R$ 100 mil). Do ponto de vista ético e prático, o resultado não será exatamente o mesmo animal: o clone terá o mesmo DNA, mas personalidade e comportamento completamente diferentes. O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) não regulamenta a clonagem de pets como procedimento veterinário padrão. Para o paciente da clínica popular, isso não é uma prioridade de saúde.
Clonagem terapêutica vai curar doenças como câncer e Alzheimer?
É uma esperança, mas ainda em fase experimental. Pesquisas com células-tronco embrionárias clonadas (clonagem terapêutica) buscam regenerar tecidos danificados em doenças como diabetes tipo 1, lesão medular e Parkinson. No Brasil, a Lei de Biossegurança permite o uso de embriões excedentes de fertilização in vitro, mas não a criação de embriões específicos para clonagem. Os tratamentos atuais com células-tronco adultas (como transplante de medula) já estão consolidados. Não caia em promessas de clínicas que anunciam “cura milagrosa” com base em clonagem – sempre consulte um médico e verifique se


