quarta-feira, junho 3, 2026

O que é Coma

O que é O que é Coma?

Coma é um estado de inconsciência profunda e prolongada no qual a pessoa não responde a estímulos externos — como sons, toques ou dor — e não apresenta ciclos normais de vigília e sono. Diferente de um desmaio ou de uma soneca pesada, o coma é uma emergência médica que indica uma lesão ou disfunção grave no sistema nervoso central, especialmente no tronco cerebral e nos hemisférios cerebrais.

Na minha rotina no SUS e em clínicas populares de Fortaleza, atendi dezenas de pacientes que chegam ao pronto-socorro após acidentes de trânsito, quedas, AVCs (acidente vascular cerebral) ou intoxicações. O coma é uma realidade frequente nos grandes hospitais públicos brasileiros. Segundo dados do Ministério da Saúde, o traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma das principais causas de coma no Brasil, especialmente entre jovens adultos vítimas de acidentes de moto. Já entre os idosos, o AVC lidera as estatísticas, com cerca de 100 mil casos por ano no país (fonte: Ministério da Saúde – AVC).

No contexto do SUS, a abordagem inicial ao paciente em coma segue protocolos padronizados, como a Escala de Coma de Glasgow (recomendada pelo CFM), e envolve uma equipe multidisciplinar — médicos emergencistas, neurologistas, intensivistas e enfermeiros treinados. O atendimento rápido é crucial para reduzir sequelas e aumentar as chances de recuperação.

Como funciona / Características

O coma ocorre quando há uma interrupção ou dano nas estruturas cerebrais responsáveis pela consciência. O cérebro é formado por bilhões de neurônios que se comunicam por impulsos elétricos e químicos. Quando uma área vital — como o tronco cerebral (que regula a respiração e os batimentos cardíacos) ou o tálamo (que filtra e envia informações sensoriais) — é lesionada, a pessoa perde a capacidade de despertar e interagir com o ambiente.

No dia a dia de uma clínica popular, é comum familiares perguntarem: “Doutor, por que ele não acorda?” A resposta envolve explicar que o coma não é um estado de sono. No sono, a pessoa pode ser despertada com um toque ou som; no coma, essa resposta não acontece. Além disso, os olhos geralmente ficam fechados, e não há movimentos voluntários. Em alguns casos, podem ocorrer reflexos automáticos, como piscar ou mover os braços diante de um estímulo doloroso, mas isso não significa consciência.

Um exemplo prático que vivenciei no SUS: um paciente jovem, vítima de acidente de moto, chegou com TCE grave. Na avaliação inicial, não respondia a comandos (como “aperte minha mão”), não abria os olhos mesmo com estímulos dolorosos e apresentava extensão dos braços e pernas (postura de descerebração). A Escala de Coma de Glasgow marcava 5 (em 15), indicando coma profundo. Esse escore é fundamental para decidir a conduta — intubação, exames de imagem (TC de crânio) e possível neurocirurgia.

Tipos e Classificações

No Brasil, a classificação mais usada na prática clínica é a Escala de Coma de Glasgow (ECG), que avalia três parâmetros: abertura ocular, resposta verbal e resposta motora. A pontuação vai de 3 (coma mais profundo) a 15 (paciente acordado e orientado). Com base nela, classificamos o coma em:

  • Coma leve (ECG 13–15): geralmente associado a concussão cerebral; o paciente pode estar desorientado, mas não em coma profundo.
  • Coma moderado (ECG 9–12): o paciente não obedece comandos, mas pode abrir os olhos a estímulos dolorosos.
  • Coma grave (ECG 3–8): inconsciência total, sem resposta a estímulos; necessidade de intubação e UTI.

Outra distinção importante é entre coma estrutural (causado por lesão física, como hemorragia, tumor ou traumatismo) e coma metabólico (causado por alterações químicas, como hipoglicemia, insuficiência hepática, intoxicação por álcool ou drogas). No SUS, vemos muitos casos de coma metabólico por overdose de medicamentos ou cetoacidose diabética, principalmente em pacientes sem acompanhamento regular.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) também estabelece critérios rigorosos para o diagnóstico de morte encefálica, que é um estado irreversível e diferente do coma — na morte encefálica, não há mais atividade cerebral, inclusive no tronco cerebral, e a respiração depende totalmente de aparelhos (CFM – Morte Encefálica).

Quando procurar um médico

O coma é uma emergência absoluta. Qualquer pessoa que apresente perda súbita da consciência e não responda a estímulos deve ser levada imediatamente ao pronto-socorro ou chamar o SAMU 192. O tempo entre o início do coma e o atendimento médico é determinante para o prognóstico.

Sinais de alerta que devem levar à busca imediata de ajuda:

  • Acidente de trânsito, queda ou pancada na cabeça seguida de inconsciência.
  • Dificuldade para acordar ou sonolência excessiva após um trauma.
  • Pupilas de tamanhos diferentes ou que não reagem à luz.
  • Convulsões ou movimentos anormais.
  • Vômitos repetidos ou dor de cabeça intensa antes da perda de consciência.
  • Uso recente de medicamentos, drogas ou álcool.

Enquanto espera o socorro, nunca dê líquidos ou alimentos a uma pessoa inconsciente (risco de aspiração). Deite-a de lado (posição de segurança) se não houver suspeita de lesão na coluna, e mantenha as vias aéreas desobstruídas. Se houver suspeita de trauma na cabeça ou pescoço, não mova a pessoa — vire apenas se ela estiver vomitando.

Termos Relacionados

  • Escala de Coma de Glasgow: Sistema de pontuação usado mundialmente para avaliar o nível de consciência. No Brasil, é adotada por todos os hospitais do SUS e recomendada pelo CFM.
  • Estado vegetativo: Condição em que a pessoa abre os olhos e tem ciclos de sono-vigília, mas não demonstra consciência de si ou do ambiente. Diferente do coma, há reflexos automáticos.
  • Morte encefálica: Perda total e irreversível das funções cerebrais, incluindo o tronco cerebral. Legalmente reconhecida como morte no Brasil (Resolução CFM nº 2.173/2017).
  • Traumatismo cranioencefálico (TCE): Lesão no crânio e cérebro causada por impacto. Principal causa de coma em jovens no Brasil (dados do Ministério da Saúde).
  • AVC (Acidente Vascular Cerebral): Interrupção do fluxo sanguíneo para uma área do cérebro. Pode ser isquêmico (entupimento) ou hemorrágico (rompimento). Causa comum de coma em idosos.
  • Coma induzido: Estado de inconsciência provocado artificialmente por medicamentos (por exemplo, propofol ou tiopental) para proteger o cérebro após lesões graves. Usado em UTIs.
  • Hipóxia cerebral: Falta de oxigênio no cérebro, que pode levar ao coma. Exemplo: parada cardiorrespiratória ou afogamento.
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