quinta-feira, maio 28, 2026

O que é Conduta

O que é Conduta?

No dia a dia do consultório, seja em uma unidade básica de saúde (UBS) do SUS ou em uma clínica popular, a palavra conduta aparece o tempo todo. Mas o que ela significa de verdade? Conduta médica é o plano de ação que o profissional de saúde define após avaliar seu caso: o conjunto de decisões sobre exames, medicamentos, orientações, encaminhamentos e até mesmo a decisão de “não fazer nada” e apenas observar. É o “o que fazer” diante de um problema de saúde, baseado em evidências científicas, nos recursos disponíveis e nas suas necessidades individuais.

Como clínico com 15 anos de experiência no SUS e em clínicas populares brasileiras, vejo todos os dias a importância de uma conduta adequada. No Brasil, cerca de 60% dos adultos têm excesso de peso (IBGE, 2020) e mais de 30% são hipertensos (Ministério da Saúde). Esses números mostram que a conduta para doenças crônicas não é apenas prescrever um remédio: envolve orientação alimentar, incentivo à atividade física, acompanhamento regular e, muitas vezes, o encaminhamento para programas como o HiperDia (SUS). Em clínicas populares, onde o tempo de consulta é curto e os recursos são limitados, a conduta precisa ser prática e realista, respeitando o orçamento do paciente e a disponibilidade de medicamentos na Farmácia Popular.

A conduta também está amparada por normas éticas e legais. O Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece no Código de Ética Médica que o médico deve sempre agir com o melhor interesse do paciente, registrando sua conduta em prontuário e justificando suas decisões. No SUS, as condutas são padronizadas por Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), que ajudam a garantir que todos recebam um tratamento de qualidade, independentemente de onde morem. Mas, na prática, a conduta nunca é um “carimbo”: ela é individualizada, levando em conta suas queixas, histórico, condições sociais e até suas crenças.

Como funciona / Características

A conduta não é um momento único, mas sim um processo que começa na sua chegada ao consultório. Primeiro, ouvimos sua história (anamnese), depois realizamos o exame físico e, se necessário, solicitamos exames complementares. Com essas informações, formulamos uma hipótese diagnóstica e, aí sim, definimos a conduta. Ela pode incluir:

  • Prescrição de medicamentos – com nome genérico (para facilitar a compra na Farmácia Popular ou no SUS) e orientações claras sobre horários e efeitos colaterais.
  • Solicitação de exames – desde hemograma simples até exames de imagem, sempre justificando a real necessidade.
  • Orientações não farmacológicas – como mudanças na alimentação, prática de exercícios, técnicas de relaxamento para ansiedade.
  • Encaminhamento para especialistas – quando o caso foge da atenção primária ou exige avaliação de um cardiologista, endocrinologista, etc.
  • Conduta expectante – quando decidimos “observar” por um tempo, sem intervenção imediata, como em uma gripe viral leve.
  • Conduta de urgência – quando há risco iminente, como um infarto ou AVC, e a ação é rápida: pedir ambulância, iniciar protocolo hospitalar.

Uma característica fundamental da conduta em clínica popular é a comunicação clara. Explico sempre: “Olha, seu diagnóstico é hipertensão estágio 1. Minha conduta é começar com um remédio de baixa dose, mas antes quero que você meça a pressão em casa por uma semana e me traga os valores. Também vou pedir um exame de sangue para ver como estão seus rins. Entendido?”. Essa transparência faz o paciente se sentir parte da decisão.

Outro aspecto importante é o registro. No prontuário (físico ou eletrônico), escrevo a conduta detalhadamente: medicamento prescrito, dose, prazo, exames solicitados, orientações dadas. Isso é obrigatório pelo CFM e protege tanto o paciente quanto o médico. No SUS, usamos sistemas como o e-SUS APS, que já têm campos específicos para a conduta.

Tipos e Classificações

Embora não exista uma classificação oficial rígida, na prática organizamos a conduta em algumas categorias que ajudam a pensar e agir:

  • Conduta diagnóstica – foco em identificar a doença: solicitar exames, observar evolução, pedir segunda opinião. Exemplo: paciente com febre há 7 dias – peço hemograma, PCR, sorologias.
  • Conduta terapêutica – visa tratar o problema já diagnosticado: receitar antibiótico para pneumonia, orientar fisioterapia para dor lombar.
  • Conduta profilática – prevenir que a doença apareça ou piore: vacinação, uso de aspirina em prevenção secundária, orientações sobre alimentação saudável.
  • Conduta paliativa – aliviar sintomas e melhorar qualidade de vida quando a cura não é possível, como em estágios avançados de câncer.
  • Conduta expectante – também chamada de “watchful waiting”: não intervir inicialmente, apenas monitorar. Usada em casos como infecções virais autolimitadas, nódulos tireoidianos benignos pequenos.
  • Conduta de emergência – ações imediatas para salvar vidas: reanimação cardiopulmonar, administração de adrenalina em choque anafilático.

No Brasil, o Ministério da Saúde classifica as condutas dentro dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), que estão disponíveis para download no site do gov.br. Por exemplo, o PCDT de Hipertensão Arterial define claramente a conduta inicial, os medicamentos de primeira linha e os critérios para encaminhamento ao especialista.

Quando procurar um médico

Você não precisa saber definir conduta – isso é trabalho do médico. Mas precisa saber quando buscar ajuda. Procure um médico (no SUS ou em clínica popular) se você tiver:

  • Sinais de alarme: dor no peito intensa, falta de ar súbita, desmaio, sangue na urina ou nas fezes, perda de força em um lado do corpo, dor de cabeça muito forte e repentina.
  • Sintomas que persistem por mais de 7 dias: febre, tosse, diarreia, perda de peso sem causa.
  • Doenças crônicas descompensadas: pressão acima de 160/100 mmHg mesmo com medicação, glicemia capilar acima de 300 mg/dL, crises de asma frequentes.
  • Efeitos colaterais de medicamentos: reação alérgica, náuseas intensas, sangramento inesperado.
  • Dúvidas sobre a conduta que foi proposta: você tem todo o direito de pedir uma segunda opinião ou esclarecimentos.

Lembre-se: em clínicas populares, o acolhimento costuma ser rápido e sem agendamento demorado. Não hesite em buscar atendimento se algo não estiver bem. O médico vai avaliar seu caso e definir a melhor conduta para você.

Termos Relacionados

  • Diagnóstico – A identificação da doença ou condição que está causando seus sintomas. É a base para definir a conduta.
  • Prognóstico – A previsão da evolução provável do problema de saúde, com ou sem tratamento. A conduta pode alterar o prognóstico.
  • Prescrição – A parte da conduta que envolve medicamentos, incluindo nome, dose, via e tempo de uso.
  • Encaminhamento – Quando o médico direciona o paciente a outro profissional ou serviço (especialista, exame, internação). É uma conduta comum.
  • Alta – A conduta de encerrar o acompanhamento médico por melhora ou cura, com orientações para seguir em casa.
  • Segunda opinião – Direito do paciente de buscar outro médico para revisar a conduta proposta, sem qualquer impedimento ético.
  • Prontuário – Documento onde o médico registra toda a conduta, exames e evolução. É sigiloso e obrigatório.
  • Aderência – A capacidade do paciente de seguir a conduta prescrita. Fatores como custo dos remédios e entendimento das orientações influenciam muito.

Perguntas Frequentes sobre Conduta

1. O que é conduta médica, exatamente?

Conduta médica é o plano de ação que o profissional de saúde define para o seu caso. Pode incluir desde pedir um exame, receitar um medicamento, orientar uma dieta, até simplesmente recomendar repouso e observar a evolução. Toda consulta termina com uma conduta, mesmo que seja “volte se não melhorar”.

2. A conduta médica é sempre a mesma para todas as pessoas com o mesmo problema?

Não. Embora existam protocolos e diretrizes (como os PCDT do SUS), a conduta é individualizada. Leva em conta sua idade, outras doenças que você tem, seu estilo de vida, suas condições financeiras para comprar remédios, seus medos e preferências. Por exemplo: para hipertensão, posso escolher entre diferentes classes de medicamentos dependendo se você tem diabetes, asma ou se está grávida.

3. Quem define a conduta médica? Posso discordar?

O médico