quarta-feira, maio 27, 2026

O que é Congestão

O que é O que é Congestão?

Congestão é um termo que você provavelmente já ouviu em consultas no posto de saúde ou na clínica popular. No dia a dia, as pessoas chegam dizendo: “Doutor, estou com uma congestão que não passa — o nariz fica entupido, escorre e não consigo dormir”. Na prática clínica brasileira, congestão se refere principalmente à obstrução nasal provocada pelo inchaço das mucosas internas do nariz, com aumento da produção de secreção. Esse quadro é muito comum em infecções virais (resfriados, gripes), crises alérgicas (rinite) e inflamações dos seios da face (sinusite). Segundo dados do Ministério da Saúde, as doenças respiratórias estão entre as três principais causas de procura por atendimento ambulatorial no SUS, e a congestão nasal é um dos sintomas mais frequentes relatados pelos pacientes.

Contudo, o termo “congestão” também pode ser usado na medicina para descrever o acúmulo anormal de sangue ou líquido em órgãos — como na congestão pulmonar (edema agudo de pulmão) ou na congestão hepática (geralmente associada a problemas cardíacos). Mas, em 15 anos de atendimento, posso afirmar que 90% das vezes em que um paciente fala “estou congestionado” ele está se referindo ao nariz entupido, àquela sensação de cabeça pesada e secreção. Essa distinção é importante porque uma congestão que vem acompanhada de falta de ar, cansaço aos pequenos esforços ou inchaço nas pernas pode ser sinal de insuficiência cardíaca — um alerta que exige avaliação médica urgente.

No Brasil, a prevalência de rinite alérgica (principal causa de congestão crônica) chega a 30% da população, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). O SUS oferece tratamentos como lavagem nasal com soro fisiológico, corticoides nasais e, em casos selecionados, cirurgia para correção de desvios de septo. Já a ANVISA regula os descongestionantes nasais, que devem ser usados com cautela — no máximo 3 a 5 dias — para evitar o chamado “efeito rebote” que piora a obstrução. O CFM reforça a importância do diagnóstico correto, pois o uso indiscriminado de spray nasal pode levar a rinite medicamentosa, um problema crescente nas clínicas populares.

Como funciona / Características

A congestão nasal ocorre quando os vasos sanguíneos do revestimento interno do nariz se dilatam, aumentando o fluxo sanguíneo e causando edema (inchaço) da mucosa. Esse inchaço reduz o espaço para a passagem do ar, gerando a sensação de nariz entupido. Simultaneamente, as glândulas da mucosa produzem mais muco, que pode ser claro (viral ou alérgico) ou amarelado/esverdeado (sinal de infecção bacteriana). No cotidiano da clínica popular, os pacientes descrevem: “Acordo com o nariz tampado, espirros, coceira no nariz e nos olhos, e às vezes dor na face”.

Caracteristicamente, a congestão pode ser aguda (instalação rápida, dura poucos dias, ligada a resfriados e gripes) ou crônica (persiste por semanas ou meses, comum em rinite alérgica, desvio de septo ou pólipos nasais). Em crianças, a congestão constante pode atrapalhar o sono, a alimentação e até o desenvolvimento da fala. Já em adultos, a obstrução nasal noturna é uma das principais causas de ronco e apneia leve. Um exemplo prático: seu filho volta da escola com coriza clara, espirros e nariz entupido — provavelmente um resfriado viral. Se os sintomas duram mais de 10 dias, com secreção amarelo-esverdeada e dor facial, pense em sinusite. Nesse cenário, o tratamento no SUS inclui lavagem nasal com soro e, se necessário, antibiótico.

Tipos e Classificações

No Brasil, a classificação mais usada nos ambulatórios de otorrinolaringologia e nas clínicas populares se baseia na duração e na causa:

  • Congestão nasal aguda: dura até 3 semanas. Geralmente viral (resfriado, gripe) ou alérgica (contato com ácaros, poeira, pólen). Autolimitada na maioria dos casos.
  • Congestão nasal crônica: persiste por mais de 12 semanas. Pode ser causada por rinite alérgica persistente, rinite não alérgica, desvio de septo, hipertrofia de cornetos, pólipos nasais ou sinusite crônica.
  • Congestão pulmonar (edema agudo de pulmão): acúmulo de líquido nos alvéolos devido a insuficiência cardíaca. Causa falta de intensa, chiado e expectoração espumosa. É uma emergência médica.
  • Congestão hepática: aumento do volume do fígado por acúmulo de sangue, geralmente relacionado a insuficiência cardíaca direita. Menos frequente no dia a dia da atenção primária.

O Protocolo Clínico do SUS para rinite alérgica classifica a doença em intermitente (sintomas menos de 4 dias por semana ou menos de 4 semanas) e persistente (mais de 4 dias por semana ou mais de 4 semanas). Essa classificação orienta a escolha do tratamento: anti-histamínicos, corticoides nasais e imunoterapia nos casos graves.

Quando procurar um médico

Embora a congestão nasal seja muito comum e geralmente benigna, existem situações que requerem avaliação profissional urgente. Em 15 anos de SUS, aprendi que o que parece simples