O que é O que é Convulsão?
Convulsão é um sintoma provocado por uma descarga elétrica anormal e excessiva no cérebro, que faz com que os neurônios “disparem” de forma desordenada. Na prática do dia a dia de uma clínica popular ou de um Pronto Atendimento do SUS, é comum recebermos pacientes ou familiares bastante assustados, muitas vezes achando que o quadro é um “ataque cardíaco” ou que a pessoa está “morrendo”. Na verdade, a convulsão em si não é uma doença, mas um sinal de que algo está afetando o funcionamento do sistema nervoso central — pode ser uma crise isolada (como em uma febre muito alta em crianças) ou parte de uma condição crônica chamada epilepsia.
No Brasil, estima-se que cerca de 3 milhões de pessoas tenham epilepsia, segundo dados do Ministério da Saúde. Isso significa que a convulsão é um motivo frequente de procura por atendimento nas unidades básicas de saúde, UPAs e hospitais públicos. Muitos desses casos são crises febris em crianças pequenas (entre 6 meses e 5 anos), que costumam ser benignas, mas geram enorme ansiedade nos pais. Outros são crises tônico-clônicas generalizadas, aquelas em que a pessoa cai, fica rígida e depois apresenta abalos musculares rítmicos. Infelizmente, ainda existe muito estigma e desinformação: crenças como colocar a mão na boca da pessoa ou dar água durante a crise são perigosas e podem causar lesões.
O papel do médico clínico geral no SUS é fazer o acolhimento, orientar a família e, quando necessário, encaminhar ao neurologista para investigação complementar (eletroencefalograma, ressonância magnética). A ANVISA regula os medicamentos anticonvulsivantes, e o CFM estabelece protocolos de atendimento. É fundamental que o paciente leigo entenda que a maioria das convulsões dura de poucos segundos a até 5 minutos e cessa espontaneamente — o perigo maior é a crise prolongada (status epilepticus), que requer intervenção médica urgente.
Como funciona / Características
Quando ocorre uma convulsão, os neurônios de uma região (ou de todo o cérebro) disparam simultaneamente em alta frequência, como um curto-circuito elétrico. Isso interrompe as funções normais do cérebro, gerando manifestações motoras (abalos, rigidez), sensoriais (formigamentos, cheiros estranhos), autonômicas (sudorese, taquicardia) ou alterações da consciência. No consultório, o paciente costuma chegar já recuperado, mas confuso, sonolento ou com dor de cabeça (fase pós-ictal).
Exemplos práticos do cotidiano:
- Crise tônico-clônica generalizada: a pessoa cai, emite um grito (por contração do diafragma), fica rígida por cerca de 10–20 segundos (fase tônica) e depois começa a ter abalos rítmicos em braços e pernas (fase clônica). Pode haver liberação de esfíncteres (urina ou fezes) e salivação excessiva (espuma na boca). A crise dura menos de 2 minutos, em geral.
- Crise de ausência (pequeno mal): comum em crianças, parece um “desligar” momentâneo: a criança para de falar, fixa o olhar ou pisca repetidamente, e depois retoma a atividade como se nada tivesse acontecido, sem lembrar do episódio. Muitos pais confundem com desatenção.
- Crise focal (parcial): pode ser motora (movimentos repetidos em um braço, por exemplo) ou sensitiva (sensação de dormência, ouvir sons inexistentes). A pessoa pode ou não perder a consciência.
Uma característica importante é que a convulsão não é a mesma coisa que síncope (desmaio). Na síncope, a pessoa cai mas não tem abalos, e a recuperação da consciência é rápida após deitar. Já na convulsão, geralmente há movimentos involuntários, confusão pós-crise e possível mordedura de língua.
Tipos e Classificações
A classificação das convulsões segue a nomenclatura da Liga Internacional contra Epilepsia (ILAE), adotada no Brasil pela Sociedade Brasileira de Epilepsia e pelos protocolos do SUS. A classificação é prática e orienta o tratamento:
- Convulsões de início focal: antes chamadas de parciais. Começam em um hemisfério cerebral. Podem ser motoras (por exemplo, contrações em um braço) ou não motoras (sensações visuais, auditivas, emocionais). Se a pessoa perde a consciência, chama-se crise focal com alteração da consciência.
- Convulsões de início generalizado: envolvem ambos os hemisférios desde o início. Incluem as crises tônico-clônicas (grande mal), crises de ausência (pequeno mal), crises tônicas, clônicas, mioclônicas (abalos súbitos e breves) e atônicas (queda repentina por perda do tônus muscular).
- Convulsões de início desconhecido: quando não é possível determinar o foco inicial, geralmente por falta de informação sobre o início da crise.
No contexto do SUS, a avaliação inicial é feita pelo clínico geral ou pediatra, que classifica a crise clinicamente. O neurologista solicita o eletroencefalograma (EEG) para confirmar o diagnóstico de epilepsia e classificar o tipo de crise. Também são usados exames de imagem como a ressonância magnética para afastar lesões estruturais.
Quando procurar um médico
Sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata:
- Primeira convulsão em qualquer idade — mesmo que breve, precisa ser investigada.
- Convulsão que dura mais de 5 minutos (status epilepticus) ou crises repetidas sem recuperação completa entre elas.
- Dificuldade para respirar ou pele arroxeada (cianose) durante ou após a crise.
- Convulsão em gestantes, pacientes diabéticos ou com suspeita de trauma craniano recente.
- Crise após engasgo, afogamento ou intoxicação.
- Febre alta em crianças (possível crise febril, mas que precisa ser diferenciada de meningite ou infecção do SNC).
- Crise focal (movimentos em só um lado do corpo) sem perda de consciência — pode indicar lesão cerebral localizada.
Orientação ao paciente: Se você ou um familiar tiver uma convulsão pela primeira vez, procure a UPA ou Pronto-Socorro mais próximo. O médico clínico geral vai fazer uma anamnese detalhada, solicitar exames básicos (glicemia, sódio, cálcio) e, se necessário, encaminhar ao neurologista. Não dirija após uma crise e evite atividades de risco até avaliação médica.
Termos Relacionados
- Epilepsia — condição neurológica crônica caracterizada por duas ou mais convulsões não provocadas, com intervalo maior que 24 horas. Não é sinônimo de convulsão: uma pessoa pode ter uma convulsão isolada sem ter epilepsia.
- Aura — sensação subjetiva (cheiro, visão, mal-estar) que pode preceder uma convulsão focal. Funciona como um “aviso” para o paciente, que às vezes consegue se deitar ou pedir ajuda.
- Status epilepticus — emergência médica definida por convulsão contínua por mais de 5 minutos ou crises repetidas sem retorno da consciência. Exige atendimento hospitalar imediato com medicamentos intravenosos (como diazepam ou midazolam).
- Crise febril — convulsão que ocorre em crianças de 6 meses a 5 anos durante episódio de febre (geralmente acima de 38°C), sem infecção do sistema nervoso. Na maioria dos casos é benigna e não causa danos.
- Eletroencefalograma (EEG) — exame que registra a atividade elétrica cerebral. Essencial para diagnosticar epilepsia e classificar o tipo de crise.
- Anticonvulsivantes — medicamentos que previnem a ocorrência de novas crises. Exemplos: fenitoína, carbamazepina, valproato, levetiracetam. São prescritos por neurologistas e distribuídos pelo SUS através da Farmácia Popular.
- Síncope — perda temporária da consciência por diminuição do fluxo sanguíneo cerebral (desmaio). Diferencia-se da convulsão por não apresentar abalos musculares prolongados e pela recuperação rápida ao deitar a pessoa.
- Espasmos infantis — tipo específico de convulsão em lactentes, geralmente associado a síndromes genéticas. Caracteriza-se por contrações súbitas em flexão do tronco e braços, em salvas.
Perguntas Frequentes sobre O que é Convulsão
O que fazer se alguém estiver tendo uma convulsão?
Mantenha a calma. Afaste objetos perigosos (móveis, vidros). Coloque algo macio debaixo da cabeça da pessoa. Não segure a pessoa nem tente imobilizá-la. Nunca coloque a mão ou objetos na boca — a pessoa não vai engolir a língua, e você pode machucá-la ou ser mordido. Cronometre a duração da crise. Após os abalos, coloque a pessoa de lado (posição de recuperação) para evitar aspiração de saliva. Se a crise durar mais de 5 minutos, chame o SAMU (192) imediatamente.
Qual a diferença entre convulsão e epilepsia?
A convulsão é o evento agudo (a crise em si). A epilepsia é uma doença neurológica crônica em que a pessoa tem predisposição a ter convulsões recorrentes e não provocadas (por exemplo, sem febre ou trauma). Ou seja, toda pessoa com epilepsia pode ter convulsões, mas nem toda convulsão é epilepsia — uma crise febril em criança ou uma convuls


