sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Coqueluche

O que é O que é Coqueluche?

A Coqueluche é uma infecção respiratória altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis. Conhecida popularmente como “tosse comprida” ou “tosse de 100 dias”, ela ataca as vias aéreas superiores e provoca crises de tosse intensa e incontrolável, seguidas de um som agudo ao inspirar (o famoso “guincho”). A doença pode acometer pessoas de qualquer idade, mas é particularmente grave em bebês menores de 6 meses, que ainda não completaram o esquema vacinal.

Na minha prática clínica, tanto no SUS quanto em clínicas populares, vejo que muitos pais confundem a Coqueluche com uma gripe ou bronquite comuns. A diferença está no padrão da tosse: enquanto um resfriado comum melhora em uma semana, a tosse da coqueluche se prolonga por semanas e piora à noite, muitas vezes levando a vômitos, cansaço extremo e, em bebês, pausas na respiração (apneia). No Brasil, o Ministério da Saúde mantém a doença como de notificação compulsória — todo caso suspeito deve ser comunicado à vigilância epidemiológica. Dados recentes do DataSUS indicam que, mesmo com a alta cobertura vacinal, surtos ainda ocorrem, sobretudo em comunidades com baixa adesão à vacina DTP (tríplice bacteriana).

O tratamento é feito com antibióticos (como azitromicina) e, nos casos mais graves, exige internação para suporte respiratório. A boa notícia é que a vacina contra coqueluche está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) como parte do Calendário Nacional de Vacinação. A imunização em gestantes com a dTpa (tríplice acelular) protege o recém-nascido nos primeiros meses de vida, estratégia que reduziu significativamente a mortalidade infantil no país. Para saber mais sobre os números da doença no Brasil, consulte o site oficial do Ministério da Saúde sobre coqueluche.

Como funciona / Características

Após o contato com a bactéria, o período de incubação dura em média de 7 a 10 dias. A doença evolui em três fases clássicas:

  • Fase catarral (1-2 semanas): parece um resfriado comum — coriza, tosse leve, febre baixa. É o período de maior transmissibilidade, pois a pessoa ainda não sabe que tem coqueluche e espalha a bactéria ao tossir ou espirrar.
  • Fase paroxística (2-8 semanas): surgem as crises típicas de tosse em salvas, com 5 a 10 golpes de tosse seguidos, que deixam a criança roxa, os olhos saltados, e muitas vezes terminam com o “guincho” inspiratório. É comum a criança vomitar após a crise. No consultório, as mães descrevem que o bebê “tosse até não conseguir respirar”.
  • Fase de convalescença (semanas a meses): a frequência e intensidade das crises diminuem, mas a tosse pode persistir por meses, especialmente com gatilhos como ar frio, poeira ou choro.

Exemplo prático do dia a dia: uma mãe leva o filho de 4 meses à clínica popular que diz: “Doutor, ele está com tosse há duas semanas, já dei xarope caseiro, mas piora à noite e ele vomita leite”. Durante a consulta, a criança tem uma crise de tosse enquanto mamava e apresentou o guincho. O diagnóstico clínico é claro. No SUS, após a confirmação (por cultura de secreção da nasofaringe ou PCR), inicia-se a antibioticoterapia e orienta-se o isolamento respiratório por 5 dias. A família toda deve ser avaliada e, se necessário, tratada com antibioticoprofilaxia.

Tipos e Classificações

A Coqueluche não possui subtipos clínicos distintos, mas existem classificações baseadas na idade e na gravidade, importantes para a conduta:

  • Classificação por idade:
    • Lactentes (< 6 meses): forma mais grave; sintomas atípicos (apneia sem tosse, cianose). Exigem hospitalização frequente.
    • Crianças maiores e adolescentes: quadro típico com crises paroxísticas.
    • Adultos: tosse persistente sem guincho; muitas vezes não diagnosticada, servindo como fonte de transmissão para bebês.
  • Classificação epidemiológica: o Ministério da Saúde classifica os casos em confirmado (critério clínico-laboratorial ou vínculo epidemiológico), suspeito (tosse ≥ 14 dias com um dos critérios) e descartado.

A classificação usada no SUS segue os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Conitec, que padronizam o manejo e a notificação. No Brasil, não há classificação de “tipos” como em outras doenças (ex.: asma), mas a gravidade é estratificada para definir necessidade de internação: leve (criança maior sem comorbidades), moderada (lactente com crises frequentes) e grave (apneia, insuficiência respiratória, convulsões).

Quando procurar um médico

Sinais de alerta que merecem consulta imediata na UBS, clínica popular ou pronto-atendimento:

  • Tosse que dura mais de 7 dias e piora progressivamente, especialmente se vier em crises.
  • “Guincho” ao inspirar após tossir.
  • Vômitos logo após a tosse.
  • Lábios ou extremidades roxas (cianose) durante crise.
  • Bebês com pausas na respiração (apneia) ou cansaço excessivo para mamar.
  • Febre persistente ou piora do estado geral.

No contexto do SUS, o médico da Atenção Básica pode solicitar o exame de cultura de secreção nasofaríngea ou PCR em tempo real (disponível em laboratórios de referência). Caso haja suspeita em crianças menores de 1 ano, a orientação é encaminhar para o hospital de referência para monitoramento. Lembre-se: a coqueluche é muito contagiosa; enquanto aguarda a consulta, evite contato próximo com outras pessoas e use máscara. O Conselho Federal de Medicina (CFM) reforça que o diagnóstico precoce e a notificação são responsabilidades éticas do médico.

Termos Relacionados

  • Bordetella pertussis — bactéria gram-negativa causadora da coqueluche; também chamada de bacilo de Bordet-Gengou.
  • Vacina DTP — imunizante tríplice bacteriano que protege contra difteria, tétano e coqueluche; faz parte do Calendário Básico de Vacinação do SUS (aos 2, 4, 6 meses e reforços).
  • dTpa (tríplice acelular) — vacina usada em gestantes e adultos para prevenir a coqueluche; tem menor reatogenicidade e é gratuita nas UBS para gestantes a partir da 20ª semana.
  • Imunidade de rebanho — proteção indireta que ocorre quando uma alta proporção da população está vacinada, reduzindo a circulação da bactéria.
  • Apneia — pausa na respiração por mais de 20 segundos; sinal grave em lactentes com coqueluche, que pode levar à hipóxia.
  • Notificação compulsória — obrigatoriedade legal de todo profissional de saúde informar casos suspeitos ou confirmados de coqueluche ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
  • Tosse convulsa — nome alternativo para coqueluche, mais usado em Portugal; no Brasil, mantém-se “coqueluche” como termo oficial.
  • Antibioticoprofilaxia — uso de antibiótico (azitromicina) em contatos domiciliares, mesmo assintomáticos, para evitar novos casos.

Perguntas Frequentes sobre O que é Coqueluche

A coqueluche tem cura? Como é o tratamento?

Sim, a coqueluche tem cura. O tratamento é feito com antibióticos específicos, como azitromicina ou eritromicina, que eliminam a bactéria e reduzem a transmissibilidade. No entanto, as crises de tosse podem persistir por semanas mesmo após o início do antibiótico, pois a inflamação das vias aéreas demora para ceder. Além do remédio, é essencial repouso, hidratação e, nos casos graves, oxigênio e suporte hospitalar. No SUS, o medicamento é gratuito nas farmácias das UBS.

Quanto tempo dura a coqueluche?

Em média, a doença dura de 6 a 10 semanas, mas a tosse pode se estender por 3 meses ou mais (daí o nome “tosse de 100 dias”). A duração depende da idade, estado vacinal e gravidade