O que é Crioterapia?
A crioterapia — do grego kryos (frio) e therapeia (tratamento) — é um procedimento médico que usa temperaturas extremamente baixas para destruir tecidos anormais ou aliviar sintomas inflamatórios. No dia a dia do SUS e das clínicas populares brasileiras, ela é uma das intervenções mais comuns e acessíveis, principalmente para tratar verrugas virais, ceratoses (lesões pré-cancerosas) e pequenos tumores de pele. Diferente da cirurgia convencional, a crioterapia não exige cortes, anestesia geral ou internação, o que a torna uma opção rápida e de baixo custo para a população.
Estima-se que, no Brasil, pelo menos 20% da população adulta apresente alguma lesão de pele tratável por crioterapia ao longo da vida, com destaque para as verrugas causadas pelo HPV (papilomavírus humano). Segundo dados do Ministério da Saúde, as verrugas virais estão entre os motivos mais frequentes de consulta em dermatologia na atenção básica, especialmente em crianças e adolescentes. Em clínicas populares de Fortaleza, por exemplo, realizamos em média 15 a 20 sessões de crioterapia por semana, sendo o congelamento de verrugas plantares e comuns os procedimentos mais solicitados. A técnica também é amplamente empregada na medicina esportiva e na ortopedia para reduzir inchaços, dores musculares e inflamações agudas (como entorses e tendinites).
No contexto regulatório brasileiro, a ANVISA exige que o equipamento de crioterapia (como o cilindro de nitrogênio líquido e os criocautérios) seja registrado e mantido conforme normas de segurança. Já o Conselho Federal de Medicina (CFM) orienta que o procedimento seja realizado exclusivamente por médicos treinados, especialmente em lesões com potencial maligno. Embora existam kits vendidos para uso doméstico, a automedicação com crioterapia é desaconselhada — a avaliação clínica é indispensável para evitar queimaduras, cicatrizes ou diagnóstico incorreto.
Como funciona / Características
A crioterapia age por meio de um resfriamento intenso e controlado, geralmente aplicado com nitrogênio líquido (a -196 °C) ou, em procedimentos mais superficiais, com óxido nitroso ou dióxido de carbono (em torno de -70 °C a -80 °C). Quando o frio extremo entra em contato com o tecido, ocorre uma rápida formação de cristais de gelo dentro das células, levando à ruptura das membranas e à morte celular. Além disso, o frio provoca uma intensa vasoconstrição local (estreitamento dos vasos sanguíneos), seguida de uma resposta inflamatória que ajuda a eliminar os restos celulares.
Na prática clínica, o médico aplica o nitrogênio líquido sobre a lesão com um criocautério (um aparelho parecido com uma caneta spray) ou com um cotonete embebido em nitrogênio. A sensação é de uma queimadura de frio intensa por alguns segundos; depois, a área pode ficar vermelha, inchada e formar uma bolha (como uma queimadura solar). Em 7 a 14 dias, a bolha seca e a lesão cai espontaneamente, deixando a pele renovada. Em clínicas populares, costumamos orientar o paciente a não furar a bolha e a manter a região limpa e seca, para evitar infecções secundárias.
Uma característica marcante da crioterapia é a sua versatilidade. Ela pode ser usada em lesões pequenas (como verrugas de 1–2 mm) ou em áreas maiores, como na criocirurgia de tumores de pele não melanoma (carcinoma basocelular). Durante a sessão, o médico ajusta o tempo de aplicação (de 5 a 30 segundos, geralmente) e o número de ciclos de congelamento/descongelamento conforme o tipo e a profundidade da lesão. Em lesões suspeitas, muitas vezes colhemos uma biópsia antes de congelar, para garantir o diagnóstico.
Tipos e Classificações
Na prática clínica brasileira, classificamos a crioterapia de acordo com a profundidade do tecido alvo e o objetivo do tratamento. As principais categorias são:
- Crioterapia superficial (ou crioterapia dermatológica): foca nas camadas mais externas da pele. É usada para verrugas virais (comuns, plantares, planas), ceratoses seborreicas, molusco contagioso, lentigos (manchas senis) e ceratoses actínicas. O tempo de aplicação é curto (5 a 15 segundos).
- Criocirurgia (ou crioterapia profunda): emprega ciclos mais longos e múltiplos congelamentos para destruir lesões mais profundas, como carcinoma basocelular, doença de Bowen (carcinoma in situ) e tumores vasculares. Pode exigir anestesia local e acompanhamento histológico.
- Crioterapia para dor e inflamação (crioterapia localizada): aplicação de compressas frias ou gelo por 15–20 minutos em músculos, articulações ou regiões pós-operatórias. Embora simples, é uma técnica adjuvante poderosa na ortopedia e na fisioterapia.
Também existe a crioterapia corporal total (câmaras criogênicas), utilizada em clínicas de alto padrão para recuperação esportiva e tratamento de doenças inflamatórias crônicas, mas ainda com acesso restrito no SUS. No Brasil, a ANVISA regula os equipamentos de crioterapia (como os criocautérios e os sistemas de nitrogênio líquido) pela RDC 185/2001, que exige certificação de segurança e eficácia.
Quando procurar um médico
A crioterapia deve ser sempre realizada por um profissional de saúde capacitado — preferencialmente um dermatologista ou um clínico geral com treinamento específico. Você deve consultar um médico nas seguintes situações:
- Lesões suspeitas: verrugas que mudam de cor, sangram, crescem rapidamente ou apresentam bordas irregulares. Nestes casos, pode ser necessário realizar biópsia antes da crioterapia.
- Verrugas recorrentes: após tratamentos caseiros ou outras tentativas, procure orientação para evitar cicatrizes e para investigar a imunidade (por exemplo, infecção por HPV persistente).
- Lesões em áreas sensíveis: ao redor dos olhos, nariz, lábios, genitais ou mucosas. O frio pode causar danos a tecidos nobres.
- Manchas ou lesões pré-cancerosas: pessoas com histórico de exposição solar excessiva, pele clara ou lesões actínicas devem fazer acompanhamento dermatológico regular.
- Dor ou inflamação pós-traumática que não melhora: se após 48 horas de gelo local a dor persistir, pode ser sinal de lesão mais grave (fratura, luxação ou infecção).
- Pacientes com diabetes ou má circulação: a crioterapia exige cuidados extras, pois a cicatrização pode ser prejudicada.
No SUS, o encaminhamento para crioterapia costuma ser feito pela Unidade Básica de Saúde (UBS). Caso a lesão seja suspeita de câncer de pele, o paciente é referenciado para um serviço especializado (como um ambulatório de dermatologia ou cirurgia oncológica). É fundamental não tentar congelar lesões em casa com sprays de uso veterinário ou produtos não regulados — já atendemos diversos casos de queimaduras profundas e cicatrizes inestéticas por automedicação.
Termos Relacionados
- Criocautério: aparelho manual usado para aplicar o frio de forma precisa sobre a lesão, controlado por um gatilho.
- Criocirurgia: técnica que utiliza congelamento profundo para remover tumores de pele, geralmente com auxílio de termômetros ou ultrassom para monitoramento.
- Nitrogênio Líquido: gás liquefeito a -196 °C, o agente mais comum na crioterapia dermatológica. Deve ser armazenado em cilindros especiais.
- Ceratose Actínica: lesão pré-cancerosa causada por exposição solar crônica, muito tratável com crioterapia.
- HPV (Papilomavírus Humano): vírus responsável pela maioria das verrugas virais. A crioterapia elimina as lesões visíveis, mas não cura a infecção latente.
- Vasoconstrição: estreitamento dos vasos sanguíneos induzido pelo frio, reduzindo edema e inflamação.
- Bolha (vesícula) pós-crioterapia: reação normal que forma uma pequena bolha com líquido claro; deve ser deixada intacta até secar naturalmente.
- Ciclo congelamento/descongelamento: repetição do processo para aumentar a destruição tecidual; essencial em criocirurgia.
Perguntas Frequentes sobre O que é Crioterapia
Dói fazer crioterapia?
A sensação é de uma picada de frio intenso que dura alguns segundos. Muitos pacientes descrevem como uma queimadura de gelo. Durante a aplicação, pode ser desconfortável, mas a dor cessa rapidamente após o fim do congelamento. Em áreas mais sensíveis (face, mãos, genitais), o médico pode aplicar anestésico tópico antes. Em clínicas populares, costumamos conversar com o paciente para distraí-lo durante o procedimento.
Quantas sessões de crioterapia são necessárias para remover uma verruga?
Depende do tamanho, localização e tipo da verruga. Verrugas pequenas (1–3 mm) costumam desaparecer


