O que é O que é Criptorquidia?
Criptorquidia é o termo médico para a condição em que um ou ambos os testículos não desceram para a bolsa escrotal (escroto) no momento do nascimento. Em outras palavras, o testículo ficou “escondido” em algum ponto do trajeto que percorre desde o abdômen até a bolsa. No dia a dia de uma clínica popular ou do SUS, essa é uma das queixas mais comuns na primeira infância — é muito frequente uma mãe chegar preocupada dizendo: “Doutor, eu sinto falta de um testículo do meu filho na hora do banho”. E, na maioria das vezes, não há motivo para pânico, porque a natureza costuma resolver sozinha nos primeiros meses de vida.
No Brasil, a prevalência de criptorquidia ao nascimento é de aproximadamente 3% em meninos nascidos a termo (com 40 semanas de gestação) e chega a 30% nos prematuros. Esses números são baseados em dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) e do Ministério da Saúde. A boa notícia é que, em cerca de 70% dos casos, o testículo desce espontaneamente até o terceiro mês de vida corrigido (para prematuros, considera-se a idade gestacional). Quando isso não acontece, o tratamento é simples e bem estabelecido, com altas taxas de sucesso. O SUS cobre todo o acompanhamento — do diagnóstico na Unidade Básica de Saúde ao encaminhamento para a cirurgia pediátrica nos hospitais públicos.
É importante entender que criptorquidia não é uma doença, mas uma condição anatômica que, se não tratada, pode trazer consequências como infertilidade e maior risco de tumor testicular. Por isso, o diagnóstico precoce e o seguimento correto são essenciais. Como clínico geral com anos de experiência, sempre reforço com os pais: a criança não sente dor, não tem febre, e o desenvolvimento geral é normal. A única coisa “diferente” é que o testículo não está no lugar esperado. E isso tem solução.
Como funciona / Características
Para entender a criptorquidia, é útil saber um pouco sobre o desenvolvimento fetal. Durante a gestação, os testículos se formam dentro do abdômen, perto dos rins. Por volta do sétimo mês de gestação, eles iniciam uma “viagem” pela virilha (canal inguinal) em direção ao escroto. Esse movimento é guiado por hormônios e pela pressão abdominal. Na maioria dos meninos, a descida está completa já no nascimento. Quando algo interfere nesse processo — como prematuridade, baixo peso, ou fatores genéticos — o testículo pode parar em qualquer ponto do trajeto: dentro do abdômen, dentro do canal inguinal, ou logo acima da bolsa.
Na prática clínica, a suspeita começa no exame físico. O pediatra ou o médico generalista apalpa a região da virilha e a bolsa escrotal com as mãos aquecidas (para evitar o reflexo de retração). Se o testículo não é palpável, pode ser necessário um ultrassom para localizá-lo. Muitas vezes, o que parece ser criptorquidia na verdade é um testículo retrátil — aquele que sobe quando a criança está com frio, medo ou durante o exame, mas que pode ser “puxado” gentilmente para baixo. Nesse caso, não há necessidade de cirurgia, apenas acompanhamento.
O tratamento cirúrgico, chamado orquidopexia, é feito quando o testículo não desce sozinho até os 6 meses de idade (corrigida). A cirurgia é simples: o cirurgião localiza o testículo, libera as aderências e o fixa dentro da bolsa escrotal, geralmente com pontos absorvíveis. No SUS, a orquidopexia é realizada em ambiente hospitalar, com anestesia geral, e a criança tem alta no mesmo dia ou no dia seguinte. A recuperação é rápida e as complicações, raras. Após a cirurgia, o testículo volta a funcionar normalmente, e o risco de infertilidade e câncer diminui significativamente.
Tipos e Classificações
A criptorquidia


