O que é Cútis?
Cútis é o nome técnico que a medicina dá à pele, o maior órgão do corpo humano. No dia a dia de um clínico geral que atende no SUS e em clínicas populares, essa palavra aparece com frequência em prontuários, receitas e conversas entre médicos. Mas, para o paciente que chega ao consultório com uma mancha, uma coceira ou uma ferida que não cicatriza, o termo mais comum é “pele” mesmo. A cútis é composta por três camadas principais: a epiderme (a mais externa, que vemos e tocamos), a derme (onde estão vasos, nervos e colágeno) e a hipoderme (tecido gorduroso que dá sustentação).
Na prática clínica brasileira, especialmente nas comunidades atendidas pelo SUS, as queixas relacionadas à cútis estão entre as mais frequentes. Segundo dados do Sociedade Brasileira de Dermatologia, cerca de 30% das consultas na atenção primária envolvem problemas de pele, como dermatites, micoses, acne e câncer de pele. O Brasil registra anualmente mais de 170 mil novos casos de câncer de pele não melanoma (INCA), e a exposição solar intensa, típica do nosso clima tropical, é o principal fator de risco. Muitos pacientes trabalhadores rurais, pedreiros e vendedores ambulantes chegam ao consultório com lesões actínicas (provocadas pelo sol) que exigem cuidado e, muitas vezes, cirurgia ambulatorial.
Entender a cútis vai além da estética: ela é a primeira barreira contra infecções, regula a temperatura do corpo, armazena vitamina D e nos dá a sensação do tato. Por isso, alterações na pele podem ser sinal de doenças internas, como diabetes, hanseníase ou lúpus. No SUS, o médico clínico geral é o primeiro a avaliar esses sinais e, quando necessário, encaminhar ao dermatologista. É fundamental que o paciente saiba reconhecer quando uma lesão de pele merece atenção especializada.
Como funciona / Características
A cútis funciona como um escudo dinâmico e inteligente. A epiderme, a camada mais fina e externa, renova-se constantemente: as células nascem na base, sobem até a superfície, morrem e descamam. Esse processo leva cerca de 28 dias em adultos jovens, mas pode demorar mais com o envelhecimento. Já a derme é rica em fibras de colágeno e elastina, que dão firmeza e elasticidade. Com o passar dos anos, a produção dessas fibras diminui, formando rugas e flacidez — um processo natural, mas que pode ser acelerado pela exposição solar sem proteção.
No cotidiano de uma clínica popular, vemos com frequência a cútis ressecada em pessoas que lavam as mãos muitas vezes (profissionais da limpeza, cozinheiras) ou que vivem em ambientes muito secos. Também observamos a cútis oleosa em adolescentes, com acne e poros dilatados, o que gera sofrimento emocional e busca por tratamentos. Uma característica importante é a capacidade de cicatrização: quando a cútis é ferida, inicia-se uma cascata de inflamação e reparo. Mas em pacientes diabéticos ou com insuficiência venosa, esse processo pode falhar, levando a úlceras crônicas que exigem curativos especiais no SUS.
Outro aspecto prático: a cútis reage a alergias. Muitas pessoas chegam ao consultório com vermelhidão, coceira e bolhas após usar um cosmético novo, tomar um medicamento ou ter contato com plantas como a “cansanção”. O clínico geral precisa saber diferenciar uma dermatite de contato de uma urticária ou de uma reação alérgica sistêmica, e isso faz parte do raciocínio clínico diário. No Brasil, a ANVISA regula cosméticos e medicamentos tópicos, e muitas vezes orientamos os pacientes a verificar no rótulo se o produto tem registro na agência.
Tipos e Classificações
Na prática médica brasileira, a classificação mais utilizada para descrever a cútis é a Escala de Fototipos de Fitzpatrick, que vai do tipo I (pele muito clara, sempre queima, nunca bronzeia) ao tipo VI (pele negra, nunca queima). Essa classificação é crucial para avaliar o risco de câncer de pele e orientar sobre proteção solar. Pacientes de fototipos I e II têm maior propensão a queimaduras e melanomas, enquanto os de fototipos V e VI podem apresentar manchas hipercrômicas (melasma) e queloides com mais frequência.
Além do fototipo, a cútis pode ser classificada clinicamente como eudérmica (normal), seborreica (oleosa), alípica (seca) ou mista (oleosa na zona T e seca nas bochechas). Essas categorias ajudam a orientar tratamentos tópicos e hábitos de higiene. No SUS, não há exames caros para essa classificação: ela é feita pela observação clínica e pela história do paciente. Por exemplo, uma paciente com cútis seca e coceira no inverno pode se beneficiar de hidratantes com ureia, disponíveis na farmácia popular.
Outra classificação relevante é a Classificação de Glogau para fotoenvelhecimento, usada em dermatologia estética, mas menos comum na clínica geral. O importante é que o médico saiba reconhecer os diferentes tipos de cútis e suas necessidades específicas, especialmente em um país de enorme diversidade étnica como o Brasil, onde temos uma vasta gama de tons de pele e respostas a agressões externas.
Quando procurar um médico
Muitas alterações na cútis são benignas e autolimitadas, mas alguns sinais merecem atenção médica urgente. Use a regra do ABCDE para avaliar pintas e manchas: A (assimetria), B (bordas irregulares), C (cor variada), D (diâmetro maior que 6 mm, como a ponta de uma borracha de lápis), E (evolução, ou seja, mudança recente). Se uma lesão apresentar qualquer um desses sinais, procure um clínico geral ou dermatologista.
Outros motivos comuns para buscar ajuda: feridas que não cicatrizam em mais de 4 semanas, manchas que coçam, sangram ou crescem rapidamente, erupções em todo o corpo após uso de medicamentos, bolhas extensas, febre associada a lesões de pele (como na dengue ou na meningite) e sinais de infecção (vermelhidão, calor, pus, dor). No SUS, o primeiro atendimento pode ser feito na Unidade Básica de Saúde (UBS). O clínico geral avalia, trata muitas condições e encaminha para o dermatologista nos casos mais complexos ou suspeitos de câncer de pele.
Vale lembrar: a cútis reflete a saúde do corpo como um todo. Pele amarelada pode indicar icterícia (problemas no fígado), palidez pode ser anemia, e coceira generalizada sem lesões visíveis pode estar associada a doenças renais ou hepáticas. Por isso, qualquer alteração persistente deve ser investigada. Não use receitas caseiras ou pomadas sem orientação; o que funciona para um amigo pode piorar o seu caso.
Termos Relacionados
- Dermatose: termo genérico para qualquer doença da cútis, como dermatite, psoríase, micose.
- Melanina: pigmento produzido por células chamadas melanócitos, que determina a cor da cútis e protege contra os raios UV.
- Colágeno: proteína essencial para a firmeza e elasticidade da derme; sua redução causa flacidez e rugas.
- Fâneros: anexos da cútis, como pelos, unhas e glândulas sudoríparas e sebáceas.
- Fototipo: classificação da sensibilidade da cútis à radiação solar, de acordo com a escala de Fitzpatrick.
- Ectoderme: camada embrionária que dá origem à cútis e ao sistema nervoso; por isso, muitas doenças neurológicas têm manifestações cutâneas.
- Dermatite de contato: inflamação da cútis causada pelo contato com substâncias irritantes ou alergênicas, comum em profissionais da limpeza.
- Acne: doença inflamatória das glândulas sebáceas e folículos pilosos, que afeta principalmente a cútis facial e pode deixar cicatrizes.
Perguntas Frequentes sobre Cútis
1. Cútis e pele são a mesma coisa?
Sim, cútis é apenas o nome técnico e erudito para pele. Na medicina, usamos os dois termos indistintamente. Quando escrevo “cútis” num prontuário, estou me referindo exatamente à pele que cobre todo o corpo. A diferença é apenas de linguagem: “pele” é mais popular e “cútis” é mais formal, mas significam a mesma estrutura.
2. O que causa o ressecamento da cútis?
O ressecamento (ou cútis seca) pode ser causado por banhos muito quentes e demorados, uso excessivo de sabonetes agressivos, baixa umidade do ar, envelhecimento, doenças como hipotireoidismo e diabetes, além do uso de alguns medicamentos. No Brasil, o inverno seco da região Centro-Oeste e Sudeste costuma piorar o quadro. Para aliviar, recomendo hidratantes com ureia ou lactato de amônio, beber água e evitar banhos muito quentes.
3. Como saber qual é o meu fototipo de cútis?
O fototipo é determinado pela sua resposta à exposição solar. Se você sempre queima e nunca bronzeia após 30 minutos de sol, provavelmente é fototipo I ou II. Se queima pouco e bronzeia com facilidade, fototipo III ou IV. Se nunca queima e tem pele muito escura, fototipo V ou VI. Essa classificação é útil para saber o risco de câncer de pele e a necessidade de proteção solar. Na dúvida, consulte um dermatologista ou clínico geral na UBS.
4. Cútis oleosa tem mais acne?
Sim, a


