O que é Dacriocistite crônica?
A dacriocistite crônica é uma inflamação de longa duração do saco lacrimal – uma pequena bolsa localizada no canto interno do olho, perto do nariz. Essa inflamação acontece porque o ducto que leva as lágrimas do olho para dentro do nariz (o ducto nasolacrimal) fica obstruído, total ou parcialmente. Quando a lágrima não consegue escorrer, ela fica parada no saco lacrimal, vira um ambiente propício para bactérias crescerem, e daí surge a infecção e a inflamação. É um problema muito comum no dia a dia das clínicas populares e do SUS, especialmente entre mulheres acima dos 40 anos e idosos.
Na prática clínica, recebemos pacientes que se queixam de “olho remelento” há meses, que já usaram vários colírios antibióticos sem melhora, ou que acham que é uma “conjuntivite que não sara”. A diferença é que na dacriocistite crônica a secreção sai principalmente quando se pressiona o cantinho do olho, e o lacrimejamento é constante, não melhora com colírios comuns. Estima-se que, no Brasil, a prevalência de obstrução do ducto nasolacrimal adquirida seja de cerca de 1 a 2% na população geral, chegando a 10% entre mulheres com mais de 60 anos. Embora o Ministério da Saúde não tenha dados específicos para dacriocistite crônica, ela é uma das causas mais frequentes de epífora (lacrimejamento) encaminhada aos serviços de oftalmologia do SUS.
É importante entender que a dacriocistite crônica não é uma emergência, mas pode se agudizar e evoluir para uma infecção grave (celulite periorbital) se não for tratada adequadamente. Por isso, o diagnóstico precoce e o manejo correto são essenciais. O Protocolo Clínico do SUS e as diretrizes do Conselho Federal de Medicina orientam que, uma vez confirmada a obstrução, o tratamento definitivo costuma ser cirúrgico – a dacriocistorrinostomia (DCR) –, mas há opções conservadoras para casos leves ou para quem não pode operar. Vamos entender melhor.
Como funciona / Características
Para entender a dacriocistite crônica, é útil visualizar o sistema de drenagem das lágrimas: a glândula lacrimal, que fica acima do olho, produz lágrimas constantemente. Elas banham a superfície do olho e são drenadas por dois pequenos orifícios (pontos lacrimais) no canto interno, seguem por canalículos até o saco lacrimal e, de lá, pelo ducto nasolacrimal até o nariz. Quando esse ducto está estreitado ou fechado (obstrução), as lágrimas acumulam, o saco lacrimal fica distendido e as bactérias que vivem na região se multiplicam, causando inflamação crônica.
Características clínicas: O paciente chega ao consultório com olho que lacrimeja o tempo todo, especialmente ao vento ou frio, e nota uma secreção amarelada ou esbranquiçada que aparece ao pressionar o canto do olho ou espont


