O que é O que é Dapagliflozina?
A dapagliflozina é um medicamento da classe dos inibidores do SGLT2 (cotransportador de sódio-glicose tipo 2), amplamente utilizado no Brasil para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2. Nos últimos anos, ela também se consolidou como uma importante opção para insuficiência cardíaca e doença renal crônica, independentemente da presença de diabetes. Na minha rotina no SUS e em clínicas populares, a dapagliflozina é uma das medicações que mais geram dúvidas nos pacientes, principalmente por seu mecanismo “diferente” e pelos benefícios além do controle glicêmico.
No contexto brasileiro, a dapagliflozina está disponível na rede pública através do Componente Básico da Assistência Farmacêutica, dentro de protocolos específicos do Ministério da Saúde. Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBEM) indicam que cerca de 10% da população adulta brasileira vive com diabetes, e a dapagliflozina tem sido cada vez mais prescrita principalmente em pacientes com risco cardiovascular elevado. Ela é aprovada pela ANVISA e consta na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) para indicações selecionadas.
Uma das razões da popularidade da dapagliflozina nas clínicas populares é o perfil de efeitos colaterais relativamente leve e a utilidade em pacientes que não toleram bem metformina ou que precisam de proteção renal e cardíaca. Na prática, atendo muitos pacientes hipertensos, obesos e com diabetes que chegam perguntando: “Doutor, esse remédio faz perder peso?” – e a resposta é sim, há uma modesta perda ponderal, mas o grande benefício está na proteção do coração e dos rins.
Como funciona / Características
A dapagliflozina age nos rins, especificamente nos túbulos renais, inibindo a reabsorção de glicose. Em termos simples: ela faz com que o excesso de açúcar seja eliminado na urina, reduzindo a glicemia sem depender da liberação de insulina. Isso é especialmente útil em pacientes com diabetes tipo 2 que ainda produzem insulina, mas não a utilizam adequadamente (resistência insulínica).
No dia a dia de uma clínica popular, eu explico assim: “Imagine que seus rins são uma peneira que filtra o sangue. A dapagliflozina ‘tampa’ o buraco por onde a glicose voltaria para o sangue, então ela sai na urina.” Além de baixar a glicose, a eliminação de glicose e sódio reduz a pressão arterial e diminui a sobrecarga no coração, o que justifica seu uso em insuficiência cardíaca e doença renal crônica.
Uma característica prática importante: a dapagliflozina não costuma causar hipoglicemia (queda de açúcar) quando usada sozinha, pois elimina o excesso, mas não interfere na produção de glicose pelo fígado. Porém, se combinada com insulina ou sulfonilureias (glibenclamida, gliclazida), o risco de hipoglicemia aumenta. Outro ponto que sempre oriento: como elimina açúcar na urina, é comum o paciente relatar maior vontade de urinar e, ocasionalmente, infecções geniturinárias (candidíase, infecção urinária).
Tipos e Classificações
A dapagliflozina pertence à classe farmacológica dos inibidores do SGLT2, também chamados de “gliflozinas”. No Brasil, os principais representantes dessa classe são: dapagliflozina, empagliflozina e canagliflozina. Não existem subtipos de dapagliflozina, mas ela pode ser classificada de acordo com a indicação aprovada pela ANVISA:
- Diabetes mellitus tipo 2 – como monoterapia ou associada a outros antidiabéticos.
- Insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) – mesmo em pacientes sem diabetes.
- Doença renal crônica (DRC) – para reduzir progressão da perda de função renal, em pacientes com ou sem diabetes.
Nas diretrizes do SUS, a dapagliflozina é padronizada na apresentação de comprimidos de 5 mg e 10 mg. A dose usual é de 5 mg ao dia, podendo ser aumentada para 10 mg conforme necessidade e tolerância. Não há versão injetável ou sublingual disponível no mercado brasileiro.
Quando procurar um médico
Mesmo sendo uma medicação segura, a dapagliflozina exige acompanhamento médico. Procure seu médico ou uma unidade de saúde (UBS, clínica popular) se você apresentar:
- Infecções urinárias ou genitais recorrentes – coceira, ardência ao urinar, corrimento vaginal ou peniano.
- Náuseas, vômitos ou dor abdominal intensa – especialmente se associados a mal-estar, cansaço e respiração rápida (podem ser sinais de cetoacidose, uma complicação rara mas grave).
- Urina escura, pele ou olhos amarelados – raros casos de lesão hepática.
- Inchaço nas pernas ou falta de ar – em pacientes com insuficiência cardíaca, pode indicar ajuste de dose ou necessidade de outra terapia.
- Queda de pressão ao levantar – tontura, desmaio, especialmente em idosos ou quem usa diuréticos.
- Gravidez ou amamentação – a dapagliflozina é contraindicada nessas situações; você deve suspender o medicamento e consultar um obstetra.
Na clínica popular, oriento todos os pacientes a não interromperem o tratamento por conta própria, mesmo com efeitos colaterais leves, e a retornarem para avaliação periódica da função renal e eletrólitos a cada 3-6 meses.
Termos Relacionados
- Diabetes mellitus tipo 2: doença crônica caracterizada por resistência à insulina e produção insuficiente do hormônio, levando ao aumento da glicose no sangue.
- Insuficiência cardíaca: condição em que o coração não consegue bombear sangue adequadamente para o corpo, causando cansaço, inchaço e falta de ar.
- Doença renal crônica: perda progressiva e irreversível da função dos rins, avaliada pela taxa de filtração glomerular (TFG) e presença de albumina na urina.
- Inibidor do SGLT2: classe de medicamentos que bloqueiam a reabsorção de glicose nos rins, promovendo sua eliminação na urina e reduzindo a glicemia.
- Cetoacidose: complicação metabólica rara com acúmulo de corpos cetônicos, que pode ocorrer mesmo com glicemia normal em usuários de gliflozinas; exige atendimento de urgência.
- Hipoglicemia: queda da glicose sanguínea abaixo de 70 mg/dL, com sintomas como suor frio, tremores, fome intensa e confusão; incomum com dapagliflozina isolada.
- TFG (Taxa de Filtração Glomerular): exame de sangue que calcula a função renal; valores abaixo de 60 mL/min/1,73 m² indicam doença renal crônica.
- RENAME: Relação Nacional de Medicamentos Essenciais do SUS, que define quais medicamentos são disponibilizados gratuitamente.
Perguntas Frequentes sobre O que é Dapagliflozina
1. A dapagliflozina emagrece? Quantos quilos posso perder?
Sim, a dapagliflozina pode promover uma perda de peso modesta, em média de 2 a 4 kg ao longo de 6 a 12 meses, quando associada a dieta e exercícios. Isso ocorre porque a eliminação de glicose pela urina gera um déficit calórico (cerca de 200-300 calorias por dia). Porém, o principal benefício da medicação não é a perda de peso, mas a proteção cardiovascular e renal. Na minha experiência, pacientes que esperam resultados estéticos grandes ficam desapontados; quem foca na saúde do coração e rins colhe mais vantagens.
2. Posso tomar dapagliflozina junto com metformina?
Sim, é uma combinação muito comum e eficaz. A metformina age reduzindo a produção de glicose pelo fígado e melhorando a sensibilidade à insulina, enquanto a dapagliflozina elimina o excesso de glicose pelos rins. Juntas, elas controlam o diabetes de forma complementar e com baixo risco de hipoglicemia. Sempre recomendo manter a metformina (se tolerada) e adicionar a dapagliflozina conforme orientação médica, pois há associações em comprimido único disponíveis no Brasil (metformina + dapagliflozina).
3. A dapagliflozina causa infecção urinária ou candidíase?
Sim, é um efeito colateral relativamente comum, principalmente em mulheres, devido à maior concentração de glicose na urina, que favorece o crescimento de fungos e bactérias. Estima-se que cerca de 5-10% dos pacientes apresentem infecção genital (candidíase) e 3-5% infecção urinária. As infecções em geral são leves e tratáveis com antifúngicos ou antibióticos, mas se forem recorrentes, converse com seu médico – pode ser necessário reduzir a dose ou trocar de medicamento. Dicas que dou aos meus pacientes: mantenha boa higiene íntima, beba bastante água e urine após as refeições para “lavar” o trato urinário.
4. Preciso de receita para comprar dapagliflozina? Qual o preço?
Sim, a venda da dapagliflozina é controlada pela ANVISA (medicamento de tarja vermelha, tipo sob prescrição médica). Você precisa de receita médica simples (não é tarja preta, como benzodiazepínicos). Nas farmácias populares e privadas, o preço do comprimido de 10 mg varia de R$ 30 a R$ 80 a caixa com 30 comprimidos, dependendo do laboratório (referência versus genérico). No SUS, você pode obter gratuitamente se tiver indicação conforme protocolo clínico – sua UBS ou clínica da família pode orientar sobre o cadastro e a dispensação.
5. Como devo tomar a dapagliflozina: antes ou depois das refeições?
A dapagliflozina pode ser tomada uma vez ao dia, com ou sem alimentos, de preferência no mesmo horário. O ideal é pela manhã, para evitar que o aumento da micção atrapalhe o sono. Costumo orientar: “Tome logo após o café da manhã, junto com seus outros remédios, e mantenha uma garrafa de água por perto para beber mais ao longo do dia.” Se você esquecer uma dose, tome assim que lembrar; se já estiver próximo da próxima dose, pule a esquecida – não dobre a dosagem.
6. Dapagliflozina é segura para idosos ou para quem tem problema nos rins?
Sim, mas com cautela. Em idosos, o risco de infecções geniturinárias e desidratação (devido ao aumento da diurese) é maior, por isso monitoramos a função renal e a pressão arterial. Para quem tem doença renal crônica, a dapagliflozina é indicada justamente para proteger os rins e reduzir a progressão da doença – desde que a taxa de filtração glomerular (TFG) seja superior a 25 mL/min. Abaixo desse valor, a medicação perde eficácia e não é recomendada. Sempre avalio a creatinina e a TFG antes de prescrever, e repito o exame a cada 3-6 meses. Se você tem problemas renais, não inicie a medicação por conta própria; seu médico fará o ajuste adequado.
Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.


