quinta-feira, maio 28, 2026

O que é Dermatite atópica

O que é Dermatite atópica?

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, de origem genética e imunológica, que causa lesões avermelhadas, ressecamento intenso e, principalmente, uma coceira persistente que pode atrapalhar o sono e as atividades do dia a dia. Muitos pacientes chamam essa condição simplesmente de “eczema” ou “alergia na pele”. Na prática do consultório, atender uma criança ou adulto com dermatite atópica é muito comum: ela aparece com frequência nas dobras dos braços, atrás dos joelhos, no pescoço, nas mãos e até no rosto.

No Brasil, estima-se que a dermatite atópica afete cerca de 5% a 20% das crianças e de 1% a 3% dos adultos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). A doença costuma começar nos primeiros anos de vida – muitas vezes antes dos 2 anos de idade – e tende a melhorar com o tempo, mas pode persistir ou reaparecer na vida adulta. Na rotina de uma clínica popular do SUS, é comum vermos mães aflitas trazendo bebês com a pele vermelha e descamando, ou trabalhadores que não conseguem se concentrar por causa da coceira incessante. O grande desafio é que, além do tratamento tópico, precisamos orientar a família sobre os cuidados diários com a hidratação e evitar fatores que pioram o quadro, como sabonetes agressivos e banhos muito quentes.

No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a dermatite atópica é reconhecida como uma condição que requer acompanhamento multidisciplinar. O paciente pode ser atendido na Unidade Básica de Saúde (UBS) pelo clínico geral ou pediatra, e, nos casos mais graves ou resistentes, encaminhado para a dermatologia. A ANVISA regulamenta medicamentos tópicos como corticoides e imunomoduladores, que estão disponíveis na farmácia popular ou em programas de medicamentos de alto custo quando há indicação específica. É importante lembrar que a dermatite atópica não é contagiosa – isso gera muita confusão e até preconceito, por isso a orientação clara ao paciente e à família faz parte do cuidado.

Como funciona / Características

A dermatite atópica acontece porque a barreira da pele não funciona direito. Imagine que a camada mais externa da pele, o estrato córneo, age como um tijolo e cimento: os “tijolos” são as células da pele e o “cimento” são os lipídios (gorduras) que mantêm a água dentro. Em quem tem dermatite atópica, esse “cimento” é mais fraco, fazendo com que a pele perca água facilmente (ressecamento) e permita a entrada de substâncias irritantes e alérgenos – como ácaros, poeira, pelos de animais e até corantes de roupas. Isso ativa o sistema imunológico, que responde com inflamação, vermelhidão e coceira.

Na prática clínica, costumo explicar o ciclo vicioso: o paciente sente coceira, coça, a inflamação piora, a coceira aumenta e a pele vai ficando mais grossa e escurecida. Crianças pequenas, por exemplo, muitas vezes coçam tanto durante a noite que acordam com a fronha manchada de sangue. Adultos relatam que a coceira atrapalha o trabalho e o lazer. Além disso, a dermatite atópica está frequentemente associada a outras condições da chamada “marcha atópica”: asma, rinite alérgica e alergia alimentar. Isso significa que, ao atender um paciente com dermatite atópica, sempre pergunto se ele ou a criança têm chiado no peito, espirros frequentes ou reações a certos alimentos.

Os surtos (crises) alternam com períodos de melhora. Fatores que desencadeiam as crises incluem: clima seco e frio, suor excessivo, estresse emocional, infecções (como resfriados), uso de roupas de lã ou sintéticas, contato com produtos perfumados (sabonetes, amaciantes) e, em alguns casos, alimentos como leite, ovo e trigo. Cada pessoa tem seus próprios gatilhos. Nas clínicas populares brasileiras, é muito comum a associação com o uso de água quente nos banhos – um hábito cultural que piora o ressecamento. Por isso, a orientação de banhos rápidos e mornos, seguidos de hidratação imediata com creme ou pomada, é um dos pilares do tratamento.

Tipos e Classificações

Na prática clínica brasileira, a dermatite atópica é classificada principalmente por duas formas:

  • Por idade:
    • Forma do lactente (até 2 anos): Lesões começam no rosto, especialmente nas bochechas e testa, poupando o nariz e a boca. Podem se espalhar para o couro cabeludo e tronco. Muitas vezes as lesões são exsudativas (com crostas amareladas).
    • Forma infantil (2 a 12 anos): O padrão muda para as dobras dos cotovelos e joelhos, punhos e tornozelos. A pele fica mais seca e espessa (liquenificação) por causa do ato de coçar.
    • Forma do adolescente e adulto: Lesões mais localizadas, geralmente em mãos, pálpebras, pescoço e regiões flexurais. O ressecamento permanece e a coceira é intensa.
  • Por gravidade (classificação clínica):
    • Leve: Pequenas áreas de pele seca e poucas lesões, sem grande impacto no sono.
    • Moderada: Lesões mais espalhadas, coceira que atrapalha o sono e algumas áreas de liquenificação.
    • Grave: Grande extensão da pele comprometida, coceira persistente (inclusive diurna), lesões espessas, infecções secundárias frequentes e impacto significativo na qualidade de vida.

Além disso, muitos dermatologistas no Brasil utilizam o SCORAD (SCORing Atopic Dermatitis) para medir objetivamente a gravidade, o que ajuda a decidir o tratamento e a acompanhar a evolução. No SUS, o SCORAD não é usado de forma rotineira nas UBS, mas é uma ferramenta importante nos ambulatórios de especialidades.

Quando procurar um médico

Qualquer pessoa com suspeita de dermatite atópica deve procurar atendimento médico para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado. Na rede pública, o primeiro passo é ir à UBS (Posto de Saúde) com o clínico geral ou pediatra. Em situações específicas, é necessário buscar ajuda com urgência:

  • Se a coceira for tão intensa a ponto de impedir o sono ou as atividades diárias.
  • Se houver sinais de infecção secundária na pele: crostas amareladas (impetigo), bolhas com pus, aumento da vermelhidão, dor local ou febre.
  • Se a dermatite atópica estiver associada a falta de ar, chiado no peito ou sinais de anafilaxia (inchaço nos lábios, urticária generalizada).
  • Se o tratamento com hidratantes e corticoides tópicos de venda livre não melhorar as lesões após 1 a 2 semanas.
  • Se a criança estiver com perda de peso, recusa alimentar ou dificuldade para crescer (desnutrição associada).

O médico poderá prescrever medicamentos tópicos (corticoides, imunomoduladores como tacrolimo ou pimecrolimo), orientar sobre hidratação intensiva e, nos casos graves, indicar fototerapia ou medicamentos sistêmicos (como ciclosporina, metotrexato ou, mais recentemente, os imunobiológicos dupilumabe). Esses tratamentos de alto custo podem ser solicitados pelo SUS mediante protocolos específicos.

Termos Relacionados

  • Eczema: Termo geral para inflamação da pele com vermelhidão, coceira e descamação. A dermatite atópica é o tipo mais comum de eczema.
  • Barreira cutânea: Camada superficial da pele que protege contra agentes externos e evita a perda de água. Na dermatite atópica, essa barreira está enfraquecida.
  • Prurido: Nome médico para coceira. É o sintoma principal da dermatite atópica e muitas vezes é mais incômodo do que as lesões visíveis.
  • Xerose: Pele anormalmente seca e áspera, quase sempre presente em pessoas com dermatite atópica.
  • Liquenificação: Espessamento da pele com marcas dos sulcos cutâneos, resultado de coçar repetido.
  • Corticoides tópicos: Medicamentos em pomadas ou cremes que reduzem a inflamação e a coceira. São a base do tratamento nas crises.
  • Imunomoduladores tópicos: Cremes como tacrolimo e pimecrolimo, que controlam a inflamação sem os efeitos colaterais de corticoides prolongados.
  • Marcha atópica: Progressão natural de doenças alérgicas na infância: dermatite atópica no bebê, depois asma e rinite alérgica na criança maior.

Perguntas Frequentes sobre O que é Dermatite atópica

Dermatite atópica tem cura?

Não existe uma cura definitiva para a dermatite atópica, mas a boa notícia é que a maioria das crianças melhora com o passar dos anos. Muitos pacientes entram em remissão (desaparecem as lesões) na adolescência ou vida adulta. O tratamento é focado no controle dos sintomas, na prevenção de crises e na melhora da qualidade de vida. Com cuidados diários de hidratação e evitação dos gatilhos, a dermatite atópica pode ficar muito controlada.

Dermatite atópica é contagiosa?

Não, de forma alguma. A dermatite atópica não é transmitida de uma pessoa para outra por contato, tosse ou objetos compartilhados. Ela tem origem genética e imunológica, não é causada por micróbios. Infelizmente, o preconceito ainda existe – muitas crianças são afastadas de creches ou atividades por medo de contágio. É importante esclarecer isso com a escola, a família e os amigos.

O que piora a dermatite atópica?

Diversos fatores podem desencadear crises: banhos


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