O que é O que é Dermatofitose?
Se você já sentiu aquela coceira chata entre os dedos dos pés depois de um dia usando tênis fechado, ou reparou numa mancha avermelhada que vai crescendo em forma de anel no braço ou na virilha, é bem possível que esteja diante de uma dermatofitose. No dia a dia do consultório, a gente chama simplesmente de “micose de pele”. Mas, tecnicamente, a dermatofitose é uma infecção superficial causada por fungos chamados dermatófitos, que se alimentam de queratina — aquela proteína que forma a camada mais externa da pele, os cabelos e as unhas.
No Brasil, com seu clima tropical e úmido, esse tipo de infecção é extremamente comum. Dados do Ministério da Saúde indicam que as micoses superficiais estão entre os principais motivos de consulta nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), especialmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Estima-se que cerca de 20% a 25% da população mundial tenha ou terá algum tipo de dermatofitose ao longo da vida. Na minha prática, em clínicas populares de Fortaleza, atendo pelo menos três ou quatro pacientes por semana com queixas de coceira e descamação — muitos deles trabalhadores que passam o dia com os pés abafados em botas ou tênis, ou pessoas que frequentam academias e vestiários públicos.
A boa notícia é que a dermatofitose tem tratamento eficaz, tanto com cremes de venda livre quanto com medicamentos orais fornecidos pelo SUS. O importante é não ignorar os sintomas e procurar orientação médica logo no início, porque, se não tratada, a infecção pode se espalhar para outras áreas do corpo ou evoluir para uma inflamação mais séria.
Como funciona / Características
Os fungos dermatófitos adoram ambientes quentes e úmidos. Eles se proliferam rapidamente em locais como pisos de banheiro, vestiários, piscinas, toalhas compartilhadas e até dentro do calçado fechado. A transmissão acontece por contato direto com uma pessoa infectada, com um animal (cachorros, gatos, roedores) ou com objetos contaminados (fômites).
No corpo, o fungo começa a crescer na camada mais superficial da pele, causando uma reação inflamatória. Isso gera os sintomas clássicos: coceira intensa, descamação, vermelhidão e, em alguns casos, pequenas bolhas ou fissuras. Uma característica marcante é a lesão em formato de anel (por isso o nome popular “tinha” ou “micose de anel”). A borda da lesão é mais elevada e avermelhada, enquanto o centro tende a clarear.
No meu consultório, vejo muito a dermatofitose nos pés (o famoso “pé de atleta”): a pele entre os dedos fica branca, úmida e descamando, e o paciente se queixa de coceira que piora após tirar o calçado. Outro local comum é a virilha (tinha crural), especialmente em homens que suam muito ou usam roupas apertadas. Já nas crianças, é frequente a tinha do couro cabeludo, que causa falhas circulares no cabelo e descamação parecida com caspa.
Tipos e Classificações
A classificação mais usada na prática brasileira é baseada no local do corpo afetado. Ela é simples e ajuda a orientar o tratamento. Os principais tipos são:
- Tinea pedis (dermatofitose dos pés) – atinge plantas e espaços entre os dedos. Muito comum em adultos que usam calçados fechados.
- Tinea cruris (dermatofitose da virilha) – mais frequente em homens, aparece como manchas avermelhadas na parte interna das coxas, poupando o escroto.
- Tinea corporis (dermatofitose do corpo) – lesões em anel no tronco, braços ou pernas.
- Tinea capitis (dermatofitose do couro cabeludo) – comum em crianças pré‑escolares e escolares.
- Tinea unguium (dermatofitose das unhas, também chamada de onicomicose) – unhas engrossadas, amareladas e quebradiças, geralmente nos pés.
- Tinea barbae – afeta a região da barba em homens, menos comum.
- Tinea manuum – nas mãos, geralmente associada ao pé de atleta (o paciente coça o pé e espalha o fungo para a mão).
No SUS, o tratamento segue protocolos do Ministério da Saúde. Para casos leves, são indicados antifúngicos tópicos como cetoconazol, miconazol ou terbinafina (creme). Já para infecções extensas, crônicas ou que atingem unhas e couro cabeludo, são usados antifúngicos orais como griseofulvina (disponível nas farmácias populares) ou itraconazol. A ANVISA regula todos esses medicamentos, garantindo qualidade e segurança.
Quando procurar um médico
Embora muitas dermatofitoses leves possam ser tratadas com pomadas antifúngicas de venda livre, existem situações que exigem avaliação médica:
- Se a coceira ou a lesão não melhorar após duas semanas de uso do creme.
- Se a lesão estiver muito espalhada ou crescendo rapidamente.
- Se houver pus, feridas abertas, febre ou dor intensa (pode ser infecção bacteriana secundária).
- Se a infecção atingir o couro cabeludo ou as unhas – nesses casos, o tratamento tópico é insuficiente.
- Se você tem diabetes, HIV ou outra doença que enfraquece o sistema imunológico.
- Se a dermatofitose voltar com frequência.
Nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do SUS, o enfermeiro ou o médico da família pode fazer o diagnóstico pelo exame clínico e, se necessário, pedir um exame de raspado de pele (micológico direto) para confirmar. Não precisa de sofisticação – no próprio posto a gente coleta uma amostra da escamação e vê o fungo no microscópio. Se for preciso, encaminhamos para o dermatologista.
Termos Relacionados
- Antifúngico: medicamento que combate fungos. Pode ser tópico (creme, spray) ou oral (comprimido).
- Candidíase: infecção fúngica causada pelo fungo Candida, comum em mucosas (boca, vagina). Diferente da dermatofitose, que atinge pele queratinizada.
- Onicomicose: nome técnico para dermatofitose de unha. É a forma mais resistente de tratar.


