O que é O que é Descolamento da retina?
O descolamento da retina é uma emergência oftalmológica que ocorre quando a retina – a camada sensível à luz localizada na parte interna do fundo do olho – se separa do tecido subjacente, chamado epitélio pigmentar. Essa separação impede que a retina receba oxigênio e nutrientes, levando à morte progressiva das células fotorreceptoras. Se não for tratado rapidamente, o descolamento da retina pode causar perda permanente da visão na área afetada.
No Brasil, estima-se que ocorram cerca de 10 a 15 casos novos por 100 mil habitantes a cada ano, segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). A condição é mais frequente em pessoas acima de 40 anos, míopes graus elevados, após traumas oculares ou cirurgias de catarata. No dia a dia de uma clínica popular ou do SUS, muitos pacientes chegam com queixas de “moscas volantes” (pequenos pontos ou fios que parecem flutuar no campo visual) ou flashes de luz, sinais clássicos de que a retina está sendo tracionada.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento de urgência para descolamento da retina em serviços de oftalmologia de hospitais de referência, mas a procura por vagas costuma ser alta. Em clínicas populares, é comum que o clínico geral faça o primeiro acolhimento e, ao suspeitar do quadro, encaminhe o paciente imediatamente para um centro especializado. O tempo entre o início dos sintomas e o tratamento cirúrgico é crucial: quanto menor, maior a chance de preservar a visão.
Como funciona / Características
Para entender o descolamento da retina, imagine a retina como o “filme” de uma câmera fotográfica. Se esse filme se soltar, a imagem não se forma corretamente. O que provoca essa separação, na maioria dos casos, é a entrada de líquido entre a retina e o tecido de suporte, geralmente através de um rasgo ou buraco na retina – chamado de ruptura retiniana.
Esse rasgo pode acontecer espontaneamente quando o vítreo, substância gelatinosa que preenche o olho, se desprende da retina com a idade (descolamento posterior do vítreo). Em pessoas com miopia alta ou histórico de trauma, o risco é maior. Uma vez que o líquido intraocular passa por esse rasgo, ele se acumula sob a retina e a empurra, como uma bolha de água que descola o papel de parede.
No consultório, o paciente relata sintomas que evoluem em horas ou dias: primeiro surgem flashes de luz (fotopsias) e um aumento súbito de moscas volantes. Depois, uma sombra ou cortina escura pode aparecer na periferia da visão, avançando em direção ao centro. É importante que o clínico geral saiba que a dor não é um sintoma típico – a ausência de dor muitas vezes faz o paciente demorar a procurar ajuda, o que agrava o prognóstico.
Tipos e Classificações
Do ponto de vista clínico, o descolamento da retina é classificado de acordo com a causa e a localização. No Brasil, a classificação mais usada na prática do SUS e em clínicas particulares é:
- Descolamento regmatogênico: o tipo mais comum (cerca de 90% dos casos). Ocorre por um rasgo ou buraco na retina, por onde o líquido vítreo vaza e a descola. Associado a descolamento posterior do vítreo, trauma ou miopia.
- Descolamento tracional: causado por membranas fibrosas que puxam a retina, comum em pacientes com retinopatia diabética avançada ou oclusões vasculares.
- Descolamento exsudativo: raro, decorre do acúmulo de líquido sob a retina sem que haja um rasgo – pode ser causado por inflamações, tumores intraoculares ou malformações vasculares.
Além disso, os oftalmologistas classificam o descolamento da retina quanto à extensão (parcial ou total) e à localização (macular ou não macular). Quando a mácula (região central responsável pela visão detalhada) ainda não está descolada, o prognóstico é muito melhor. Por isso, o exame de fundo de olho feito na urgência é tão decisivo.
Quando procurar um médico
Diante de qualquer sinal suspeito, é fundamental procurar um serviço de oftalmologia com urgência. Os principais sinais de alerta são:
- Aparecimento súbito de moscas volantes (pontos, teias ou fios pretos que se movem com o olhar)
- Flashes de luz (fotopsias) em forma de relâmpagos na visão periférica, especialmente em ambientes escuros
- Sensação de uma cortina ou sombra escura que avança no campo visual, como se algo estivesse tapando a visão
- Visão embaçada ou distorcida que não melhora com piscar os olhos
No contexto do SUS, o paciente deve se dirigir a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou ao pronto-socorro do hospital de referência em oftalmologia. Em clínicas populares, o clínico geral deve realizar uma triagem com exame de acuidade visual e oftalmoscopia direta (quando disponível) e, se houver suspeita, encaminhar com urgência para o especialista. Nunca se deve orientar o paciente a “esperar para ver se melhora” – o descolamento da retina não se resolve sozinho e o tempo é visão.
Termos Relacionados
- Retina: camada fina e sensível à luz que reveste o fundo do olho, responsável por transformar a luz em sinais nervosos enviados ao cérebro.
- Moscas volantes: pequenas opacidades no vítreo que projetam sombras na retina, percebidas como pontos ou fios flutuantes. Podem ser um sinal de alerta quando surgem de repente.
- Fotopsia: sensação de flashes ou pontos de luz no campo visual, geralmente causada por tração mecânica na retina.
- Mácula: região central da retina responsável pela visão de detalhes (leitura, reconhecimento de rostos). Seu descolamento compromete gravemente a visão central.
- Descolamento posterior do vítreo (DPV): processo natural de envelhecimento em que o gel vítreo se separa da retina. Na maioria das vezes é benigno, mas pode causar rasgos retinianos em alguns casos.
- Retinopexia pneumática: procedimento cirúrgico minimamente invasivo que utiliza uma bolha de gás para reposicionar a retina e, em seguida, aplica laser ou crioterapia para selar os rasgos.
- Vitrectomia: cirurgia que remove o vítreo e permite reposicionar a retina, geralmente combinada com laser ou silicone intraocular. É o tratamento mais comum para descolamentos extensos.
- Retinopatia diabética: complicação do diabetes que pode causar sangramentos e membranas fibrosas, levando ao descolamento tracional da retina.
Perguntas Frequentes sobre O que é Descolamento da retina
Descolamento da retina causa dor?
Não. O descolamento da retina geralmente não provoca dor. Isso muitas vezes leva o paciente a demorar a buscar ajuda, achando que o problema é passageiro. A ausência de dor não significa que não seja grave – a perda visual pode ser irreversível mesmo sem desconforto.
É possível ter descolamento da retina nos dois olhos ao mesmo tempo?
É raro, mas possível, especialmente quando há fatores de risco fortes como miopia alta, histórico familiar ou trauma bilateral. Cada olho pode desenvolver a condição em momentos diferentes. Por isso, quem já teve descolamento da retina em um olho deve fazer exames regulares no outro.
O que fazer se suspeitar de descolamento da retina?
A primeira atitude é não demorar. Feche o olho afetado e veja se a sombra ou os flashes permanecem. Se houver qualquer suspeita, vá imediatamente ao pronto-socorro de oftalmologia mais próximo. Não use colírios por conta própria. No SUS, leve seu cartão do SUS e, se possível, exames anteriores. Em clínicas populares, peça encaminhamento urgente.
Descolamento da retina tem cura?
Sim, o descolamento da retina pode ser tratado cirurgicamente com altas taxas de sucesso, desde que diagnosticado a tempo. A cirurgia reposiciona a retina e sela os rasgos. Se a mácula ainda estiver fixada, a recuperação da visão é muito boa. Se a mácula já descolou, a visão central pode ficar comprometida, mas a visão periférica pode ser preservada.
Quem tem maior risco de desenvolver descolamento da retina?
Os principais fatores de risco são: miopia acima de 5 graus, idade acima de 40 anos (devido ao descolamento posterior do vítreo), histórico familiar de descolamento da retina, trauma ocular, cirurgia de catarata prévia e doenças como retinopatia diabética ou inflamações intraoculares. Pessoas com síndrome de Marfan ou Ehlers-Danlos também têm maior predisposição.
É possível prevenir o descolamento da retina?
Não existe prevenção absoluta, mas algumas medidas reduzem o risco. Fazer exames oftalmológicos regulares, principalmente após os 40 anos e em míopes, permite que o oftalmologista identifique áreas de fragilidade (como lesões em “treliça”) que podem ser tratadas com laser antes de evoluírem para um rasgo. Além disso, evitar batidas na cabeça e usar proteção ocular em esportes de contato são cuidados importantes. O acompanhamento de doenças como diabetes também é fundamental.
Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.
Escrito por Ana Beatriz Melo, editora-chefe de Clínica Popular Fortaleza. Fontes consultadas: Ministério da Saúde e Conselho Brasileiro de Oftalmologia.


