sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Desinserção

O que é O que é Desinserção?

No meu dia a dia aqui no SUS e nas clínicas populares de Fortaleza, o termo desinserção aparece com uma frequência que muitos pacientes não imaginam. Para facilitar: desinserção é a separação de um tendão ou ligamento do osso onde ele se fixa naturalmente. Pense num elástico que arrebenta de uma das pontas: uma parte fica presa, a outra se solta. No corpo, isso pode acontecer com os tendões do ombro, do quadril, do joelho ou do tornozelo. Embora menos falado, o termo também é usado na odontologia para descrever a perda da fixação da gengiva no dente, o que chamamos de desinserção gengival.

Na prática clínica brasileira, a maior parte dos casos de desinserção tendinosa está ligada a traumas (quedas, acidentes esportivos) ou ao desgaste natural do corpo, principalmente em pessoas acima dos 40 anos. Quem trabalha com movimentos repetitivos dos braços – como pedreiros, costureiras ou operadores de caixa – também apresenta maior risco. De acordo com o Ministério da Saúde, as Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) são uma das principais causas de afastamento no país, e entre elas as desinserções parciais ou completas dos tendões do manguito rotador são bastante comuns. Estima-se que cerca de 30% das pessoas com mais de 60 anos tenham alguma alteração no manguito rotador, e uma parcela significativa evolui para desinserção.

Já na odontologia, a desinserção gengival está associada à doença periodontal, que atinge mais da metade da população adulta brasileira em algum grau. A boa notícia é que, em boa parte dos casos, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado evitam a progressão. No SUS, o acesso a exames de imagem (como ultrassom de ombro) e a consultas com especialistas costuma ser via regulação, mas nas clínicas populares conseguimos acelerar esse fluxo com preços acessíveis e atendimento humanizado.

Como funciona / Características

Quando um paciente chega ao consultório com dor no ombro que piora ao levantar o braço, especialmente depois de carregar peso ou de uma queda, uma das primeiras hipóteses que levanto é a desinserção do tendão supraespinhoso – o mais vulnerável do manguito rotador. Na desinserção parcial, algumas fibras do tendão se soltam, mas a estrutura ainda mantém uma conexão frágil. Já na desinserção total, o tendão se descola completamente do úmero (osso do braço), o que limita seriamente o movimento.

No exame físico, peço ao paciente para elevar o braço lateralmente contra minha resistência. Se houver desinserção, a força estará reduzida e o movimento pode ser doloroso ou impossível. Além da dor, outros sinais comuns são inchaço local, sensibilidade ao toque e, nos casos crônicos, atrofia muscular do ombro. Em situações de desinserção gengival, o paciente nota retração da gengiva, sangramento ao escovar os dentes e, às vezes, mobilidade dentária.

O mecanismo por trás da desinserção pode ser traumático (queda sobre o braço, levantamento de peso excessivo) ou degenerativo. Neste último, o tendão vai perdendo suas fibras com o envelhecimento, ficando mais frágil. Diabetes, tabagismo e uso crônico de corticoides aceleram esse processo. Por isso, quando atendo um paciente com queixa de ombro, sempre pergunto sobre diabetes e hábito de fumar – são fatores que podem dificultar a cicatrização, mesmo com tratamento.

Na minha rotina, costumo orientar repouso relativo, aplicação de gelo e uso de anti-inflamatórios por curto prazo, enquanto aguardamos a confirmação por ultrassom ou ressonância. Em muitos casos de desinserção parcial, a fisioterapia bem conduzida é suficiente para recuperar a função. Já nas desinserções completas, a cirurgia é geralmente indicada, especialmente em pacientes jovens ou ativos.

Tipos e Classificações

No contexto ortopédico, a classificação mais usada no Brasil para desinserção dos tendões do manguito rotador é a classificação de Ellman, adaptada por DeLee e posteriormente pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Ela divide as lesões em graus:

  • Grau I: desinserção parcial menor que 3 mm de espessura (apenas algumas fibras).
  • Grau II: desinserção parcial entre 3 e 6 mm (envolvimento de até 50% do tendão).
  • Grau III: desinserção completa (ruptura total do tendão, com separação do osso).

Além disso, podemos classificar a desinserção quanto à localização: no ombro (manguito rotador), no quadril (tendão glúteo), no joelho (tendão patelar