sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Desnutrição energético-protéica moderada

O que é O que é Desnutrição energético-protéica moderada?

A desnutrição energético-protéica moderada (DEP moderada) é uma condição de saúde em que o corpo recebe menos calorias e proteínas do que precisa para funcionar bem, mas ainda não chegou ao estágio grave. No meu dia a dia, tanto no SUS de um bairro periférico quanto em clínicas populares, vejo essa situação principalmente em crianças pequenas, idosos acamados e adultos com doenças crônicas (como tuberculose, HIV ou câncer) que não conseguem se alimentar direito. Ao contrário do que muitos pensam, não é só “comer pouco”; é uma deficiência que afeta todo o organismo, desde a imunidade até a cicatrização de feridas.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram que a desnutrição moderada ainda atinge cerca de 2,5% das crianças menores de cinco anos nas regiões Norte e Nordeste, enquanto no Sudeste e Sul os índices são menores, mas ainda preocupantes em populações vulneráveis, como indígenas, quilombolas e moradores de áreas rurais (fonte: Ministério da Saúde – Desnutrição). Na prática clínica, a DEP moderada é um diagnóstico que exige atenção imediata porque, se não tratada, evolui para a forma grave (marasmo ou kwashiorkor), aumentando o risco de morte por infecções simples, como uma diarreia ou pneumonia.

É importante entender que a desnutrição não é uma doença isolada, mas uma síndrome que se instala de forma silenciosa. Por isso, no SUS, usamos a Classificação de Gomez (baseada no déficit de peso para a idade em crianças) e, em adultos, o Índice de Massa Corporal (IMC) abaixo de 18,5 kg/m² com perda de peso involuntária. A DEP moderada é muitas vezes negligenciada porque o paciente “não está tão magro” – mas aí está o perigo: o corpo já está usando suas reservas, e a recuperação exige intervenção precoce.

Como funciona / Características

O corpo humano, quando falta energia e proteínas, entra em um estado de economia de recursos. Primeiro, ele queima a gordura armazenada; depois, começa a consumir a própria musculatura (inclusive dos órgãos). Isso leva a uma série de sinais práticos que observo no consultório:

  • Perda de peso progressiva (mais de 5% em um mês ou 10% em seis meses), sem dieta intencional.
  • Edema (inchaço) nos pés e tornozelos, que pode ser sinal de falta de proteínas (hipoalbuminemia).
  • Fadiga extrema e falta de disposição para tarefas simples, como caminhar ou cuidar da casa.
  • Imunidade baixa – infecções repetidas, como resfriados, candidíase oral ou infecções urinárias, que demoram a sarar.
  • Alterações de pele e cabelo – cabelo fino, quebradiço, pele seca e descamativa.

Em crianças, os pais costumam notar que o filho não ganha peso, fica irritado ou apático, e tem diarreia frequente. Já em idosos, a DEP moderada se disfarça de “fragilidade” – o idoso come pouco, tem dificuldade para mastigar e apresenta perda de massa muscular (sarcopenia). Um caso típico que atendi foi de uma senhora de 78 anos, viúva, que vivia de pão com leite e não tinha apetite; ela chegou ao posto com anemia e infecção urinária, e o IMC era 17,2. A desnutrição estava por trás de tudo.

Tipos e Classificações

No Brasil, as classificações mais usadas no dia a dia da atenção básica são:

  • Classificação de Gomez (para crianças): Leve (grau I: 75-90% do peso esperado), Moderada (grau II: 60-74%), Grave (grau III: abaixo de 60%). A DEP moderada corresponde ao grau II de Gomez.
  • Classificação de Waterlow (altura/idade e peso/altura): Usada para diferenciar desnutrição aguda (perda recente) da crônica (baixa estatura). A forma moderada é quando o déficit de peso para altura está entre -2 e -3 desvios-padrão.
  • Critérios da OMS para adultos: IMC entre 16,5 e 16,9 kg/m² é considerado magreza moderada; abaixo de 16,5 é grave. Na prática, associamos a perda de peso recente e exames laboratoriais (albumina, pré-albumina).

Além disso, diferenciamos a DEP moderada em duas apresentações clínicas clássicas:

  • Marasmo: Predomina a falta de calorias. A criança parece “só pele e osso”, sem inchaço.
  • Kwashiorkor: Predomina a falta de proteínas. Há edema, dermatose e cabelo descolorido. Porém, formas mistas são comuns.

Quando procurar um médico

Qualquer pessoa que apresente perda de peso involuntária, cansaço persistente, inchaço nos pés ou infecções repetidas deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou clínica popular. No SUS, o atendimento é gratuito e a equipe (médico, nutricionista, enfermeiro) pode fazer o diagnóstico e orientar o tratamento. Fique atento a estes sinais de alerta:

  • Perda de mais de 5% do peso em 1 mês (ex: uma pessoa de 70 kg perde 3,5 kg em 30 dias).
  • Dificuldade para engolir (disfagia) ou recusa alimentar.
  • Febre baixa persistente, suores noturnos (podem indicar tuberculose associada).
  • Fraqueza muscular a ponto de não conseguir levantar de uma cadeira.

Se você cuida de uma criança, observe se ela não ganha peso, está irritada ou parou de brincar. O Programa Nacional de Suplementação de Micronutrientes (NutriSUS) e os Suplementos Alimentares do SUS podem ajudar, mas o primeiro passo é uma consulta médica.

Termos Relacionados

  • Desnutrição aguda: Perda rápida de peso e massa muscular, geralmente por doença ou fome recente. A forma moderada pode ser aguda ou crônica.
  • Kwashiorkor: Forma grave de desnutrição proteica, com edema, descamação da pele e fígado gorduroso. Raro no Brasil, mas ainda visto em populações ribeirinhas.
  • Marasmo: Desnutrição calórica grave, com emagrecimento extremo e atrofia muscular. Mais comum em lactentes.
  • Índice de Massa Corporal (IMC): Relação peso/altura². Abaixo de 18,5 indica baixo peso; entre 16,5 e 16,9 é moderado.
  • Sarcopenia: Perda de massa e força muscular associada ao envelhecimento, muitas vezes agravada pela desnutrição moderada.
  • Anemia ferropriva: Deficiência de ferro comum na desnutrição, agravando a fadiga e a imunidade.
  • Hipoalbuminemia: Baixa concentração de albumina no sangue, indicadora de desnutrição proteica.
  • Suplementação nutricional: Uso de fórmulas enterais ou vitaminas, como o suplemento de múltiplos micronutrientes distribuído pelo SUS.

Perguntas Frequentes sobre O que é Desnutrição energético-protéica moderada

A desnutrição moderada tem cura?

Sim, na grande maioria dos casos, com diagnóstico precoce e tratamento adequado. A recuperação envolve alimentação balanceada (com aumento gradual de calorias e proteínas), suplementação de vitaminas e minerais, e tratamento das doenças de base. No SUS, contamos com o apoio de nutricionistas e, em casos mais graves, a internação em hospitais de referência. A chave é o acompanhamento regular, pois a desnutrição moderada pode recidivar se as condições sociais não forem abordadas.

Como é o tratamento no SUS?

O tratamento começa na UBS, com avaliação médica e nutricional. O médico prescreve exames (hemograma, albumina, glicemia) e, se necessário, encaminha para o nutricionista. O SUS oferece suplementos alimentares como o NutriSUS (para crianças de 6 a 24 meses) e fórmulas para adultos em situação de risco, mediante cadastro. Além disso, o Programa de Distribuição de Leite e Fórmulas Infantis atende crianças desnutridas. O paciente também pode receber cesta básica ou auxílio financeiro pelo Bolsa Família, pois a pobreza é a maior causa.

O que uma pessoa com desnutrição moderada deve comer?

Uma dieta hipercalórica e hiperproteica, com alimentos de alto valor nutritivo. Exemplos: arroz com feijão (combinação clássica de proteínas vegetais), carne magra, frango, ovos, leite integral, amendoim, banana, batata-doce. Em idosos, é importante oferecer refeições fracionadas (5 a 6 vezes por dia) e pastosas, se houver dificuldade de mastigação. Evitar alimentos ultraprocessados, que têm poucos nutrientes e muito sódio/açúcar. Consulte sempre um nutricionista para adequar às necessidades individuais.

A desnutrição moderada é perigosa?

Sim, pode ser perigosa se não tratada. Ela enfraquece o sistema imunológico, aumentando o risco de infecções graves (pneumonia, diarreia). Em crianças, pode comprometer o crescimento e o desenvolvimento cerebral. Em adultos, leva à incapacidade funcional e, em idosos, à fragilidade e quedas. Porém, o perigo não é imediato; a desnutrição moderada evolui lentamente e, quando diagnosticada, tem boas chances de reversão.

A desnutrição atinge mais crianças ou adultos?

No Brasil, as crianças menores de 5 anos são o grupo historicamente mais afetado, com taxas maiores no Norte e Nordeste. Segundo o Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, cerca de 3% das crianças brasileiras têm déficit de peso moderado a grave. Porém, nos últimos anos, tem crescido a desnutrição em idosos (devido a doenças crônicas, solidão, dificuldade financeira) e em pacientes internados – a chamada desnutrição hospitalar. Portanto, ambos os grupos mere


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