terça-feira, junho 9, 2026

O que é Desordem de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)

O que é Desordem de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)?

O TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a capacidade de atenção, o controle dos impulsos e o nível de atividade motora. Na prática da clínica popular e do SUS, atendo diariamente crianças, adolescentes e adultos que chegam com queixas como “não consegue prestar atenção na aula”, “é muito agitado”, “parece que vive no mundo da lua” ou “não termina nada do que começa”. O TDAH não é falta de educação ou preguiça — é uma condição neurobiológica que, sem diagnóstico e suporte adequados, pode prejudicar a escola, o trabalho e os relacionamentos.

No Brasil, estima-se que cerca de 5% das crianças em idade escolar e 2,5% dos adultos apresentem o transtorno, números compatíveis com a prevalência mundial (Fonte: Associação Brasileira do Déficit de Atenção – ABDA). Dados do Ministério da Saúde indicam que é um dos diagnósticos mais comuns nos ambulatórios de neuropediatria e psiquiatria infantil. O SUS oferece acompanhamento multiprofissional, e medicamentos como o metilfenidato (Ritalina®) e a lisdexanfetamina (Venvanse®) são distribuídos pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, mediante protocolos clínicos e receita de controle especial (ANVISA, Portaria 344/98). A página do Ministério da Saúde sobre TDAH traz orientações para pacientes e profissionais.

É fundamental entender que o TDAH é uma condição que perdura pela vida, mas com intervenções adequadas — incluindo psicoeducação, terapia comportamental e medicamentos — a pessoa pode aprender a lidar com os sintomas e ter uma vida plena. Muitos pacientes me perguntam: “Doutor, isso tem cura?” A resposta honesta é que não se “cura”, mas se trata com excelentes resultados, assim como se trata hipertensão ou diabetes.

Como funciona / Características

O cérebro de quem tem TDAH funciona com uma regulação diferente dos neurotransmissores (especialmente dopamina e noradrenalina), o que afeta a capacidade de manter o foco, controlar impulsos e regular o movimento. Na prática, isso se manifesta de maneiras que muitas vezes são confundidas com “mau comportamento”.

No consultório, uma mãe descreve: “Meu filho de 8 anos não para quieto na cadeira, levanta durante a aula, interrompe os colegas, esquece o material escolar.” Um adulto relata: “Eu começo várias tarefas ao mesmo tempo, mas não termino nenhuma. Perco prazos, perco objetos, tenho dificuldade de ouvir uma conversa sem me distrair.” Esses são exemplos clássicos. Outros sintomas comuns: dificuldade em organizar tarefas, evitar atividades que exijam esforço mental prolongado, ser facilmente distraído por estímulos externos, falar excessivamente, agir sem pensar nas consequências.

É importante lembrar que os sintomas devem estar presentes em mais de um ambiente (casa, escola, trabalho) e causar prejuízo significativo na vida da pessoa. Não basta ser “agitado de vez em quando”. O diagnóstico diferencial é essencial: transtornos de ansiedade, depressão, problemas de tireoide e até mesmo privação de sono podem mimetizar o TDAH. Por isso, a avaliação médica criteriosa é indispensável.

Tipos e Classificações

O TDAH é classificado em três subtipos principais, de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e a Classificação Internacional de Doenças (CID-10 – código F90), usados no Brasil:

  • Predominantemente desatento: A pessoa apresenta dificuldade maior com atenção, esquecimento, distração, sem hiperatividade intensa. É mais comum em meninas e muitas vezes passa despercebido (“a aluna quieta que sonha acordada”).
  • Predominantemente hiperativo-impulsivo: Predominam a agitação motora, dificuldade de ficar parado, falar demais, interromper, agir sem pensar. É o estereótipo mais conhecido.
  • Tipo combinado: Reúne sintomas significativos dos dois primeiros. É o mais frequente na prática clínica.

Além disso, a classificação considera a gravidade (leve, moderada ou grave) com base no número de sintomas e no impacto funcional. O CFM, em pareceres técnicos, orienta que o diagnóstico deve ser feito por médico (psiquiatra, neuropediatra ou neurologista) com base em entrevista clínica, escalas padronizadas e, se necessário, avaliação neuropsicológica — não apenas em testes de atenção on-line. Veja a nota do CFM sobre TDAH.

Quando procurar um médico

Você deve procurar um médico (clínico geral, pediatra, psiquiatra ou neuropediatra) se perceber que os sintomas de desatenção, hiperatividade ou impulsividade estão atrapalhando a vida da criança ou do adulto de forma consistente. Sinais de alerta incluem:

  • Dificuldade persistente em manter o foco em tarefas, mesmo nas que a pessoa gosta.
  • Agitação motora que incomoda os outros (não consegue esperar a vez, mexe mãos e pés o tempo todo).
  • Baixo rendimento escolar ou profissional, apesar de esforço e inteligência adequados.
  • Problemas de relacionamento devido a atitudes impulsivas ou desatenção.
  • Esquecimento frequente de compromissos, objetos e prazos.
  • Acidentes frequentes (quedas, batidas, pequenos acidentes de trânsito) por agir sem pensar.

No SUS, o primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. O médico da família pode fazer a suspeita diagnóstica, solicitar exames para descartar outras causas (como hemograma, função tireoidiana) e encaminhar ao especialista (psiquiatria ou neuropediatria) para confirmação e tratamento. Não tente automedicar com Ritalina ou outros estimulantes — eles exigem receita controlada (ANVISA) e dosagem individualizada.

Termos Relacionados

  • Hiperfoco: Estado de concentração intensa em algo muito interessante, comum em pessoas com TDAH. Parece contraditório, mas é uma característica do transtorno: a atenção pode ser dificuldade em regular o foco, não falta de atenção.
  • Comorbidades: Condições que frequentemente acompanham o TDAH, como ansiedade, depressão, transtorno desafiador opositivo (TOD), transtorno de aprendizagem (dislexia, discalculia) e transtorno do espectro autista (TEA).
  • Metilfenidato: Medicamento estimulante de ação curta (Ritalina®) ou longa (Ritalina LA®, Concerta®). É o mais prescrito no Brasil para TDAH e exige receituário especial (ANVISA).
  • Lisdexanfetamina: Outro estimulante (Venvanse®), também de uso controlado, com perfil de ação prolongada. Opção quando o metilfenidato não é eficaz ou causa efeitos colaterais.
  • Avaliação neuropsicológica: Processo realizado por psicólogo especializado que testa funções como atenção, memória, funções executivas. Útil para confirmar o diagnóstico e traçar estratégias de intervenção.
  • Terapia cognitivo-comportamental (TCC): Abordagem psicoterápica com evidência científica para TDAH. Ensina técnicas de organização, planejamento, controle de impulsos e regulação emocional.
  • Adaptações escolares: Direito garantido por lei (Lei Brasileira de Inclusão) para alunos com TDAH, como tempo extra em provas, instruções claras e escritas, lugar preferencial na sala (menos estímulos).
  • TDAH em adultos: Cada vez mais diagnosticado. Muitos adultos descobrem o transtorno ao levar os filhos para avaliação. Os sintomas de hiperatividade podem diminuir, mas a desatenção, impulsividade e desregulação emocional persistem.

Perguntas Frequentes sobre o que é Desordem de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)

O TDAH tem cura?

Não existe “cura” no sentido de eliminar definitivamente a condição, pois o TDAH é uma característica do neurodesenvolvimento que acompanha a pessoa por toda a vida. Porém, o tratamento é muito eficaz. Com medicamentos, psicoterapia, orientação familiar e suporte escolar ou profissional, a maioria das pessoas consegue controlar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e alcançar seus objetivos. Pense assim: assim como a miopia não tem “cura”, mas com óculos a pessoa enxerga perfeitamente bem, o TDAH tem “remédios” e estratégias que fazem uma diferença enorme.

Meu filho de 6 anos é muito agitado. Ele pode ter TDAH?

Agitação nessa idade é normal, especialmente em meninos. O TDAH só deve ser considerado se os sint


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