sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Desordem de personalidade histriônica

O que é Desordem de personalidade histriônica?

Desordem de personalidade histriônica é um transtorno mental caracterizado por um padrão persistente de emotividade excessiva, busca intensa de atenção e comportamento dramático. Na minha prática como clínico geral no SUS e em clínicas populares brasileiras, atendo regularmente pacientes que chegam com queixas como “não aguento mais esse nervosismo”, “preciso de um remédio para me acalmar” ou “ninguém me leva a sério”. Muitas vezes, essas pessoas já passaram por vários médicos e receberam diagnósticos de transtorno de ansiedade generalizada, transtorno bipolar ou até “crise de histeria”, sem melhora significativa com o tratamento. O que acontece é que a desordem histriônica é frequentemente confundida com outras condições, especialmente na atenção primária, onde o tempo de consulta é curto e o profissional pode não ter treinamento específico em transtornos de personalidade.

Estima-se que a desordem de personalidade histriônica atinja entre 1% e 3% da população geral, sendo mais comum em mulheres. Embora não existam dados epidemiológicos brasileiros oficiais exclusivos para esse transtorno, estudos da Associação Brasileira de Psiquiatria indicam que os transtornos de personalidade como um todo afetam cerca de 10% dos brasileiros, e a variante histriônica aparece com frequência em ambulatórios de saúde mental do SUS, como nos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial). No dia a dia de uma clínica popular, é comum rotular esses pacientes como “poliqueixosos” ou “difíceis”, o que atrasa o diagnóstico correto e gera sofrimento desnecessário. Por isso, entender essa condição é fundamental para oferecer um acolhimento adequado.

Diferente de um simples jeito expansivo de ser, a desordem de personalidade histriônica causa prejuízos reais na vida da pessoa — nos relacionamentos, no trabalho e na autoestima. O paciente não “faz drama” por vontade própria; há um padrão de funcionamento psíquico que precisa de suporte profissional. No SUS, o diagnóstico é feito por psiquiatras, mas o clínico geral pode suspeitar e encaminhar corretamente. A Portaria GM/MS nº 1.556/2008 do Ministério da Saúde orienta o acolhimento e a referência para esses casos, e o Conselho Federal de Medicina (CFM), pela Resolução 2.217/2018, estabelece critérios rigorosos para o diagnóstico psiquiátrico, evitando banalizações.

Como funciona / Características

A desordem de personalidade histriônica funciona como um padrão de comportamento que começa no final da adolescência ou início da vida adulta e se mantém ao longo dos anos. A pessoa tem uma necessidade constante de ser o centro das atenções, usa a aparência física e o comportamento sedutor para conseguir isso, e expressa as emoções de forma exagerada. Por exemplo, em uma consulta médica, o paciente pode descrever sintomas com uma dramaticidade que parece desproporcional — relatando uma dor de cabeça como “a pior de todos os tempos, estou morrendo” —, mas quando examinamos, não há sinais objetivos de gravidade. Isso não significa que ele esteja mentindo: a vivência subjetiva é intensa, mas a forma de comunicar é estilizada.

Na clínica popular, já atendi pacientes que mudam de roupa várias vezes antes de entrar no consultório, que falam em tom teatral e interrompem frequentemente, contando histórias impressionantes que nem sempre são verdadeiras (não por má-fé, mas pela sugestionabilidade típica do transtorno). Eles podem ser muito manipuladores em relacionamentos, mas ao mesmo tempo são carentes e dependentes da aprovação alheia. Um exemplo comum: a paciente que chega com uma lista enorme de sintomas, diz que “nenhum médico descobriu o que ela tem” e pede exames caros desnecessários. Se o médico não der a atenção esperada, ela pode sair irritada ou procurar outro profissional. Esse padrão gera desgaste tanto para o paciente quanto para a equipe de saúde.

Outra característica marcante é a teatralidade e a sugestionabilidade. A pessoa é facilmente influenciada por outros ou por modismos, e pode mudar de opinião rapidamente. Em relacionamentos afetivos, tende a idealizar o parceiro no início e depois se decepcionar com facilidade, mantendo ligações intensas mas superficiais. Apesar da aparência de confiança, há uma fragilidade na autoestima que depende da validação externa. No ambiente de trabalho, pode ser vista como “manipuladora” ou “dramática”, o que prejudica sua carreira e a leva a sentir-se incompreendida.

Tipos e Classificações

A desordem de personalidade histriônica é classificada principalmente por dois sistemas diagnósticos usados no Brasil: o CID-10 (Classificação Internacional de Doenças, da OMS) e o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da APA). No CID-10, o código é F60.4, e o transtorno faz parte do grupo de “transtornos específicos da personalidade”. O DSM-5 a classifica dentro do “Grupo B” de transtornos de personalidade (dramáticos, emocionais ou erráticos). Não existem subtipos oficiais, mas na prática clínica observa-se variações: alguns pacientes apresentam mais sintomas somáticos (dores, tonturas, “nós na garganta”), enquanto outros focam mais no comportamento sedutor ou na teatralidade pura.

É importante diferenciar a desordem de personalidade histriônica de condições semelhantes, como o transtorno de personalidade borderline (que envolve medo intenso de abandono e impulsividade mais acentuada) e o transtorno de somatização (onde o f


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