O que é O que é Diástole?
Quando falamos em diástole, estamos nos referindo a uma das duas fases principais do ciclo cardíaco — o movimento que o coração faz para bombear sangue. Diástole é o momento de relaxamento do músculo cardíaco (miocárdio), quando as câmaras do coração (principalmente os ventrículos) se enchem de sangue que retorna das veias. Esse período de pausa é essencial para que o coração se prepare para a contração seguinte, chamada sístole, que joga o sangue para o corpo e para os pulmões.
No cotidiano de uma clínica popular brasileira, é muito comum ouvir pacientes dizerem: “Doutor, minha pressão deu 12 por 8”. O número “8” (80 mmHg) corresponde justamente à pressão arterial diastólica. Ou seja, é a pressão medida quando o coração está relaxado. Muita gente só presta atenção no número maior (sistólico), mas a diástole elevada é um sinal importante de alerta para doenças como hipertensão arterial, especialmente em pessoas abaixo dos 50 anos.
O Ministério da Saúde estima que cerca de 30% dos adultos brasileiros tenham hipertensão, e um dos critérios para o diagnóstico é justamente uma diástole igual ou superior a 90 mmHg em mais de uma medição. Nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do SUS, o controle da pressão é uma das principais ações de prevenção cardiovascular. A medição correta da diástole ajuda a evitar infartos, AVC e insuficiência renal. Por isso, entender o que é esse termo pode ajudar você a cuidar melhor da sua saúde.
Como funciona / Características
Para visualizar o que é diástole, imagine o coração como uma bomba que aperta e solta. Durante a diástole, as válvulas do coração se abrem para permitir que o sangue entre nos ventrículos. Ao mesmo tempo, as artérias do corpo têm um momento de menor pressão – é essa pressão mínima que vemos no aparelho de medir pressão. Em condições normais, a diástole de um adulto saudável fica entre 60 e 80 mmHg.
Na prática clínica, muitos pacientes ficam surpresos quando explico que a diástole também pode dar problemas. Por exemplo, uma senhora de 45 anos chega à clínica com queixa de cansaço e “pressão alta só no fim do dia”. Medimos a pressão: 130/95 mmHg. A diástole está 95, acima do normal. Ela não sente nada no momento, mas esse valor elevado, se persistir, vai sobrecarregar o coração e os rins. O tratamento começa com mudanças no estilo de vida e, se necessário, remédios disponíveis gratuitamente no SUS.
Outra situação comum: durante a campanha “Dezembro Vermelho” ou em ações de prevenção nas praças, muitos jovens vêm medir a pressão e ficam satisfeitos com o número “11 por 6”. Uma diástole 60 pode ser normal para um atleta, mas em alguém com tonturas pode indicar pressão baixa (hipotensão). O importante é olhar para os dois números e para os sintomas que a pessoa apresenta.
Tipos e Classificações
No Brasil, a classificação da pressão arterial segue a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (da Sociedade Brasileira de Cardiologia) e os protocolos do Ministério da Saúde. Para a diástole, os valores são categorizados assim:
- Ótima: abaixo de 80 mmHg
- Normal: entre 80 e 84 mmHg
- Pré-hipertensão: entre 85 e 89 mmHg
- Hipertensão estágio 1: entre 90 e 99 mmHg
- Hipertensão estágio 2: entre 100 e 109 mmHg
- Hipertensão estágio 3: 110 mmHg ou mais
Além disso, existe a hipotensão diastólica, quando o valor cai abaixo de 60 mmHg e vem acompanhado de sintomas como tontura, visão escura ou desmaio. Essa condição é menos comum, mas pode ocorrer por desidratação, uso excessivo de remédios para pressão ou problemas cardíacos.
É importante lembrar que uma única medida elevada não significa doença. Para confirmar hipertensão, o médico precisa de pelo menos duas medições em dias diferentes, ou uma monitorização ambulatorial (MAPA) de 24 horas. No SUS, esse exame pode ser solicitado na UBS, embora haja filas em algumas regiões.
Quando procurar um médico
Nem toda alteração na diástole é emergência, mas alguns sinais merecem atenção imediata:
- Diástole acima de 120 mmHg – procure uma emergência, pois há risco de crise hipertensiva (AVC, infarto).
- Diástole persistentemente acima de 90 mmHg mesmo com estilo de vida saudável – agende uma consulta na UBS ou clínica popular.
- Diástole muito baixa (abaixo de 60 mmHg) acompanhada de tontura, fraqueza, desmaio ou cansaço extremo.
- Sintomas associados: dor no peito, falta de ar, dor de cabeça forte, visão borrada ou sangramento nasal sem causa aparente.
Na clínica popular, oriento os pacientes a medir a pressão em casa com aparelhos validados pela ANVISA e anotar os valores. Se houver dúvidas, leve o registro ao médico. O SUS oferece acompanhamento gratuito com clínico geral, enfermeiro e, se necessário, cardiologista. Não espere os sintomas piorarem para procurar ajuda.
Termos Relacionados
- Sístole – Fase de contração do coração, que gera a pressão máxima (número maior da medição).
- Pressão arterial – Força que o sangue exerce contra as paredes das artérias, medida em mmHg.
- Hipertensão arterial – Doença crônica caracterizada por níveis elevados de pressão, incluindo a diástole acima de 90 mmHg.
- Hipotensão – Pressão arterial anormalmente baixa, podendo incluir diástole inferior a 60 mmHg.
- MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) – Exame que registra a pressão por 24 horas, ajudando a diagnosticar hipertensão do jaleco branco ou noturna.
- Crise hipertensiva – Elevação súbita e grave da pressão, geralmente com diástole acima de 120 mmHg, que exige atendimento urgente.
- Válvulas cardíacas – Estruturas que controlam o fluxo de sangue durante a diástole e sístole.
- Colesterol – Gordura que pode obstruir artérias e agravar os efeitos da pressão diastólica elevada.
Perguntas Frequentes sobre O que é Diástole
O que significa ter a diástole alta?
Ter a diástole alta (acima de 90 mmHg) significa que a pressão nas artérias continua elevada mesmo quando o coração está relaxado. Isso pode indicar que as artérias estão mais rígidas ou contraídas, aumentando o risco de danos nos rins, cérebro e coração. É um sinal precoce de hipertensão, principalmente em pessoas mais jovens.
Diástole baixa é perigosa?
Sim, se estiver abaixo de 60 mmHg e vier acompanhada de sintomas como tontura, desmaio, cansaço ou visão escura. Pode ser causada por desidratação, hemorragia, problemas na tireoide ou uso excessivo de medicamentos anti-hipertensivos. Se você sente esses sintomas, procure um médico para ajustar o tratamento.
Qual a diferença entre sístole e diástole?
Sístole é quando o coração se contrai para jogar sangue para o corpo — é o número maior da pressão (ex: 120). Diástole é o relaxamento para o coração se encher de sangue — é o número menor (ex: 80). Ambos são importantes para avaliar a saúde cardiovascular.
Como medir a diástole corretamente?
Em casa, use um aparelho digital validado pela ANVISA (verifique o selo no manual). Sente-se com as costas apoiadas, pés no chão, braço na altura do coração. Descanse 5 minutos antes de medir. O aparelho mostra dois números: o primeiro é a sístole, o segundo é a diástole (ex: 120/80). Faça três medições e tire a média.
Posso baixar a diástole com alimentação?
Sim, principalmente reduzindo o consumo de sal. A dieta DASH (rica em frutas, verduras, legumes e laticínios magros) é recomendada pelo Ministério da Saúde e pode ajudar a reduzir a diástole. Além disso, praticar atividade física (pelo menos 150 minutos por semana), controlar o peso e evitar bebidas alcoólicas em excesso fazem diferença.
Diástole alta sempre precisa de remédio?
Nem sempre. Se a diástole estiver entre 90 e 99 mmHg e não houver outros fatores de risco (como diabetes, colesterol alto ou doença renal), o médico pode recomendar primeiro mudanças no estilo de vida. Se em 3 a 6 meses não houver melhora, aí sim pode iniciar o medicamento, disponível gratuitamente no SUS.
Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.


