O que é Dirofilariose?
Dirofilariose é uma doença parasitária causada por vermes do gênero Dirofilaria, transmitida pela picada de mosquitos infectados. Apesar de ser mais conhecida como “verme do coração” em cães, os seres humanos também podem ser infectados acidentalmente, desenvolvendo quadros que variam de nódulos na pele até, raramente, problemas pulmonares. No Brasil, a forma mais comum em humanos é a dirofilariose subcutânea, provocada pela Dirofilaria repens. Já a Dirofilaria immitis, que afeta o coração dos cachorros, também pode causar infecção pulmonar em pessoas, mas é extremamente rara.
Na rotina de uma clínica popular brasileira, não é incomum um paciente chegar com um nódulo indolor que cresce lentamente, muitas vezes no braço, no tórax ou até na região dos olhos. O diagnóstico, após exames de imagem e biópsia, revela um verme morto encapsulado pelo sistema imunológico. Muitas pessoas ficam assustadas, pensando que é um tumor, mas na maioria das vezes o quadro é benigno e não requer tratamento específico – apenas a retirada cirúrgica do nódulo para alívio e confirmação diagnóstica.
Embora não haja dados oficiais consolidados do Ministério da Saúde sobre a incidência exata em humanos – por ser uma doença de notificação não obrigatória –, artigos científicos e relatos de serviços de referência, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam que o Brasil registra dezenas de casos por ano, especialmente nas regiões litorâneas e de clima quente e úmido, onde a população de mosquitos é maior. A prevenção, portanto, passa pelo controle de vetores e pelo cuidado com a saúde dos animais domésticos.
Como funciona / Características
O ciclo da dirofilariose começa quando um mosquito (geralmente dos gêneros Aedes, Culex ou Anopheles) pica um animal infectado – na maioria das vezes, um cão com dirofilariose canina. O mosquito ingere microfilárias (larvas do verme) que, dentro do inseto, se desenvolvem até a fase infecciosa. Ao picar uma pessoa, o mosquito deposita essas larvas na pele, que penetram através da picada e migram para o tecido subcutâneo ou, eventualmente, para os pulmões.
Diferentemente do que ocorre nos cães, em humanos as larvas raramente conseguem completar o ciclo e se tornar vermes adultos. Elas morrem após algumas semanas ou meses, desencadeando uma reação inflamatória local que forma um nódulo fibroso (granuloma). Esse nódulo é a principal manifestação clínica na pele. Na forma pulmonar, o verme morto pode causar uma pequena área de infarto no pulmão, que aparece como um nódulo em exames de raio-X ou tomografia – muitas vezes confundido com câncer.
No dia a dia de um clínico geral no SUS, um paciente pode relatar ter viajado para uma região de praia, ter contato com cães e, semanas depois, notar um caroço que coça ou dói levemente. O exame clínico, junto com ultrassonografia e, se necessário, biópsia, fecha o diagnóstico. É importante explicar ao paciente que a doença não é contagiosa entre pessoas e que, na maioria dos casos, a remoção do nódulo é curativa.
Tipos e Classificações
Na prática clínica brasileira, classificamos a dirofilariose humana em dois grandes grupos, baseados na espécie do parasita e no local da infecção:
- Dirofilariose subcutânea: causada principalmente pela Dirofilaria repens. É a forma mais frequente no Brasil. Caracteriza-se por nódulos móveis, elásticos e indolores sob a pele, geralmente no tronco, braços, pernas e, ocasionalmente, na região ocular (conjuntiva ou pálpebra).
- Dirofilariose pulmonar: associada à Dirofilaria immitis. Produz nódulos solitários no pulmão (geralmente descobertos em exames de imagem por outros motivos). Pode causar tosse seca, dor torácica ou até expectoração com sangue, mas muitas vezes é assintomática.
Há também relatos raros de dirofilariose em outros órgãos, como o sistema nervoso central, mas são excepcionais. A classificação ajuda o médico a definir a conduta: na forma subcutânea, a exérese cirúrgica é suficiente; na pulmonar, acompanhamento radiológico ou cirurgia, se houver dúvida com neoplasia.
Quando procurar um médico
Você deve procurar um médico – de preferência na Unidade Básica de Saúde (UBS) ou em uma clínica popular – se perceber um nódulo que apareceu depois de uma picada de inseto, especialmente se:
- O caroço cresce lentamente ao longo de semanas ou meses;
- Há vermelhidão, calor ou dor no local;
- O nódulo se move ao toque;
- Aparece próximo aos olhos ou nas pálpebras;
- Você apresenta tosse persistente, falta de ar ou dor no peito sem causa aparente;
- Teve contato com cães (especialmente de rua ou não vermifugados) em regiões litorâneas ou de mata.
Na consulta, o clínico geral poderá solicitar exames de imagem (ultrassom, tomografia) e, em alguns casos, uma punção ou biópsia para confirmar. Lembre-se: a dirofilariose não é uma emergência, mas o diagnóstico correto evita ansiedade e tratamentos desnecessários, como suspeita de câncer. O Sistema Único de Saúde oferece todo o suporte para investigação e tratamento, desde a atenção primária até a referência cirúrgica, quando indicado.
Termos Relacionados
- Dirofilaria immitis: espécie de verme que causa a dirofilariose canina e, raramente, a forma pulmonar humana. Conhecido como “verme do coração”.
- Dirofilaria repens: espécie mais associada a nódulos subcutâneos em humanos no Brasil. Os vermes adultos são finos e podem atingir até 15 cm.
- Filariose linfática: doença diferente, causada por outros vermes (Wuchereria bancrofti), transmitida também por mosquitos, mas que afeta os vasos linfáticos e causa elefantíase. A dirofilariose não provoca esse quadro.
- Zoonose: doença transmitida de animais para seres humanos. A dirofilariose é um exemplo clássico, principalmente de cães para pessoas.
- Mosquito vetor: insetos como pernilongos (Culex, Aedes) que carregam as larvas infecciosas. O controle ambiental é a principal medida preventiva.
- Granuloma: reação inflamatória que forma um nódulo ao redor do verme morto. É o que sentimos como um caroço.
- Eosinofilia: aumento de um tipo de glóbulo branco (eosinófilos) no sangue, comum em infecções parasitárias, mas nem sempre presente na dirofilariose.
- Microfilaremia: presença de larvas (microfilárias) no sangue do animal hospedeiro. Em humanos, é muito rara e geralmente não ocorre.
Perguntas Frequentes sobre O que é Dirofilariose
Posso pegar dirofilariose do meu cachorro?
Não diretamente. A doença não é transmitida pelo contato com o animal (carícias, saliva, fezes). A transmissão ocorre exclusivamente pela picada de um mosquito que picou um cão infectado. Porém, ter um cachorro com dirofilariose aumenta o risco de mosquitos infectados no ambiente, o que pode representar um perigo indireto para a família. Por isso, é fundamental tratar os animais e usar preventivos (como coleiras repelentes ou medicamentos indicados pelo veterinário).
Como é feito o diagnóstico no SUS?
O diagnóstico começa na consulta com o clínico geral, que suspeita diante de um nódulo subcutâneo suspeito. Os exames iniciais podem incluir ultrassonografia (para ver a estrutura do nódulo) e exames de sangue (hemograma, pesquisa de eosinófilos). O diagnóstico definitivo é feito por biópsia do nódulo, analisada no laboratório de patologia. O SUS cobre todo o processo, desde a marcação na UBS até a cirurgia de retirada e o exame anatomopatológico.
Tem tratamento disponível no SUS?
Sim. Na maioria dos casos, o tratamento é cirúrgico: retira-se o nódulo (exérese) e o paciente fica curado. Não há necessidade de medicamentos antiparasitários, pois o verme já está morto. A cirurgia é feita com anestesia local e tem baixo risco. Nos raros casos de sintomas respiratórios, o médico pode optar por acompanhamento ou, se houver dúvida com tumor, também por cirurgia. Tudo é garantido pelo SUS, sem custo para o paciente.
É uma doença grave?
Geralmente não. A dirofilariose humana é considerada uma doença benigna. Os nódulos subcutâneos não se espalham e não causam danos a órgãos vitais. A forma pulmonar, embora possa simular um câncer, também tem bom prognóstico após a remoção. O principal risco é o diagnóstico equivocado, levando a procedimentos invasivos desnecessários. Por isso, a orientação médica correta é essencial.
Como prevenir a doença?
A prevenção se baseia em evitar picadas de mosquito e controlar a doença nos animais. Use repelentes (DEET, icaridina) ao ar livre, instale telas em janelas e elimine água parada. Se você tem cachorro, leve-o ao veterinário regularmente para exames de sangue (teste de Knott) e administre vermífugos ou preventivos específicos para dirofilariose. Tratar cães infectados reduz a circulação do parasita na região.
Posso doar sangue se já tive dirofilariose?
Após o tratamento e a cura, a doação de sangue é permitida, desde que não haja mais sinais da doença ativa e você esteja clinicamente bem. No entanto, é importante informar ao banco de sangue o histórico. A ANVISA não contraindica a doação definitiva para casos de dirofilariose humana, mas cada serviço pode ter seus protocolos. O mais seguro é consultar o médico do hemocentro antes de doar.
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