sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Disfagia esofágica

O que é Disfagia esofágica?

Imagine que você coloca um pedaço de pão na boca, mastiga e, ao engolir, sente que ele “emperrou” no meio do peito. Essa sensação de que o alimento não desce direito, fica parado atrás do osso do peito (esterno) ou causa desconforto na altura do tórax é o principal sinal da disfagia esofágica. Diferente da dificuldade para engolir que começa na garganta (disfagia orofaríngea), aqui o problema está no tubo que liga a faringe ao estômago – o esôfago.

Na minha experiência de 15 anos atendendo no SUS e em clínicas populares, recebo muitos pacientes idosos, principalmente acima dos 65 anos, com essa queixa. No Brasil, a disfagia esofágica atinge cerca de 10% a 20% das pessoas com mais de 60 anos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). É uma condição que pode ter causas simples – como uma inflamação por refluxo – ou mais graves, como tumores. O importante é nunca normalizar o sintoma, especialmente quando vem acompanhado de perda de peso ou engasgos frequentes.

No Sistema Único de Saúde, a investigação começa na Unidade Básica de Saúde (UBS), com o clínico geral ou geriatra. O médico vai perguntar detalhadamente sobre o tipo de alimento que causa o problema, há quanto tempo ocorre e se há outros sinais. Em geral, são solicitados exames como endoscopia digestiva alta (pelo SUS, com fila de espera que varia conforme a região) e, em casos específicos, a manometria esofágica. O acesso ao diagnóstico e ao tratamento tem melhorado nos últimos anos, mas ainda há desafios, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Portal do Ministério da Saúde – Disfagia

Como funciona / Características

Para entender a disfagia esofágica, vale lembrar como a deglutição acontece. Depois que o bolo alimentar passa pela faringe, ele entra no esôfago, um tubo muscular de cerca de 25 centímetros. O esôfago se contrai em ondas (peristalse) e o esfíncter esofágico inferior (anel muscular na entrada do estômago) relaxa para deixar o alimento passar. Quando alguma etapa desse processo falha, surge a disfagia.

No dia a dia do consultório, os pacientes relatam situações bem específicas: “Doutor, a carne parece que não vai, tenho que beber água para empurrar” ou “Sinto que o arroz fica parado aqui (apontando o meio do peito)”. Também é comum a sensação de que o alimento volta à boca depois de engolir (regurgitação) ou dor ao engolir (odinofagia). Em casos mais avançados, a pessoa evita comer em público por vergonha ou medo de engasgar, o que pode levar à desnutrição e isolamento social.

Uma característica importante na disfagia esofágica é que ela costuma aparecer primeiro com alimentos sólidos (pão, carne, arroz) e, com a progressão da doença, também com líquidos. Já na disfagia orofaríngea, é mais comum que líquidos causem engasgo imediato. Essa diferença ajuda o médico a suspeitar da origem do problema. Na clínica popular, oriento os pacientes a mastigarem bem, comerem devagar e manterem um diário dos alimentos que provocam o sintoma – isso ajuda muito na investigação.

Tipos e Classificações

Do ponto de vista prático, a disfagia esofágica é classificada em dois grandes grupos, de acordo com o mecanismo que causa a dificuldade:

  • Disfagia obstrutiva (mecânica): ocorre quando há um estreitamento ou obstrução no interior do esôfago. As causas mais comuns no Brasil são estenose péptica (estreitamento causado por refluxo crônico), anel de Schatzki (membrana na parte inferior) e câncer de esôfago. O paciente sente que o alimento “trava” e, aos poucos, passa a ter dificuldade até com líquidos.
  • Disfagia motora: aqui o problema é na contração muscular ou no relaxamento do esfíncter. O exemplo típico é a acalasia, em que o esfíncter esofágico inferior não relaxa e as ondas peristálticas estão ausentes. Também entram os espasmos esofágicos e a esclerodermia. Nesses casos, a dificuldade pode ser intermitente e vir acompanhada de dor torácica.

Além disso, existe a