quarta-feira, maio 27, 2026

O que é Disfunção renal

O que é Disfunção renal?

Disfunção renal é um termo que usamos no dia a dia do consultório para descrever quando os rins não estão trabalhando direito. Não é uma doença única, mas um sinal de que algo afetou a capacidade desses órgãos de filtrar o sangue, eliminar toxinas e controlar o equilíbrio de água e sais no corpo. Na prática da clínica popular e do SUS, atendo muitos pacientes que descobrem o problema em exames de rotina, muitas vezes sem sentir nada – o que é perigoso, porque a disfunção renal pode avançar silenciosamente.

No Brasil, a doença renal crônica atinge cerca de 10 a 12 milhões de pessoas, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Nefrologia. Dados do Ministério da Saúde mostram que a disfunção renal é mais frequente em quem tem diabetes, hipertensão ou histórico familiar. Infelizmente, muitos só descobrem quando já estão em estágios avançados, precisando de diálise ou transplante. Por isso, na rede pública, reforçamos a importância de exames simples como creatinina e sumário de urina, especialmente após os 40 anos.

O termo “disfunção” é propositalmente amplo: engloba desde pequenas alterações na filtragem até a falência total dos rins. No meu consultório, explico que é como um motor que começa a falhar – às vezes dá para consertar com remédios e mudanças de hábito; outras vezes, o estrago é maior e exige tratamentos mais complexos. A boa notícia é que, com diagnóstico precoce, a progressão pode ser desacelerada ou até controlada.

Como funciona / Características

Os rins são dois órgãos em forma de feijão, localizados na parte de trás do abdômen. Eles filtram cerca de 180 litros de sangue por dia, retirando resíduos, excesso de água e regulando pressão arterial, produção de glóbulos vermelhos e níveis de cálcio e fósforo. Quando falamos em disfunção renal, estamos nos referindo a uma falha nesse sistema de filtração.

Na rotina do SUS, avaliamos a função renal principalmente pela creatinina no sangue e pela taxa de filtração glomerular (TFG), uma conta que relaciona a creatinina com idade e sexo. Por exemplo: uma senhora de 60 anos com TFG abaixo de 60 ml/min já tem disfunção renal moderada, mesmo que não sinta nada. Outro exame comum é o de urina tipo 1 (EAS), que detecta proteínas ou sangue – sinais de que o filtro está “vazando”.

No cotidiano da clínica popular, vejo dois cenários típicos: o paciente chega com inchaço nos olhos e tornozelos, cansaço inexplicável ou urina espumosa (sugerindo perda de proteína). Ou o paciente hipertenso ou diabético que nunca fez exames e descobre a disfunção renal em um mutirão de saúde. Muitos demoram a procurar ajuda porque os sintomas são vagos – falta de apetite, coceira na pele, dificuldade de concentração – e confundem com “estresse” ou “idade”.

Tipos e Classificações

Na prática clínica brasileira, classificamos a disfunção renal em dois grandes grupos:

  • Disfunção renal aguda: ocorre repentinamente, em horas ou dias. Pode ser causada por desidratação grave, infecções, uso de medicamentos tóxicos (como anti-inflamatórios) ou obstrução urinária (pedra nos rins). Geralmente é reversível se tratada a tempo. No SUS, é comum em pacientes internados com infecção ou após cirurgias.
  • Disfunção renal crônica (DRC): desenvolve-se ao longo de meses ou anos, geralmente por diabetes, pressão alta ou glomerulonefrite (inflamação dos filtros renais). A DRC é progressiva e dividida em estágios (1 a 5) conforme a TFG, usando a classificação KDIGO, adotada pelo Ministério da Saúde. No estágio 5 (TFG < 15), o paciente precisa de diálise ou transplante para sobreviver.

Além disso, há disfunção renal associada a doenças sistêmicas, como lúpus, amiloidose ou doenças cardiovasculares. No Brasil, a nefropatia diabética é a principal causa de DRC terminal, seguida pela nefropatia hipertensiva. A ANVISA regula os medicamentos e materiais para diálise, e o CFM estabelece diretrizes para o acompanhamento nefrológico.

Quando procurar um médico

Você deve procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um clínico geral se tiver algum destes sinais:

  • Inchaço nos olhos, mãos, pés ou tornozelos (edema)
  • Urina com espuma persistente ou mudança na cor (escura, avermelhada ou com sangue)
  • Redução no volume de urina (urinar muito menos que o habitual)
  • Cansaço extremo, falta de ar, dificuldade de concentração
  • Pressão arterial descontrolada, mesmo com remédios
  • Coceira na pele, gosto metálico na boca ou náuseas frequentes
  • Histórico de diabetes, hipertensão, infecções urinárias de repetição ou uso prolongado de anti-inflamatórios

Na clínica popular, oriento: se você tem diabetes ou pressão alta, faça exames de sangue e urina pelo menos uma vez por ano, mesmo sem sintomas. O SUS oferece esses exames gratuitamente. Quanto antes detectarmos a disfunção renal, mais chances temos de preservar a função dos rins com medicamentos (como inibidores da ECA ou SGLT2) e orientações alimentares (redução de sal e proteínas).

Termos Relacionados

  • Creatinina: Substância produzida pelos músculos e eliminada pelos rins. Níveis altos no sangue indicam que os rins não estão filtrando bem.
  • Taxa de filtração glomerular (TFG): Medida que estima o quanto de sangue os rins filtram por minuto. Valores abaixo de 60 ml/min por mais de 3 meses indicam doença renal crônica.
  • Proteinúria: Presença de proteínas na urina. Sinal de que os filtros renais estão danificados e “vazando” proteínas que deveriam ficar no sangue.
  • Hemodiálise: Tratamento que substitui a função renal artificialmente, filtrando o sangue por uma máquina. Feito em clínicas credenciadas pelo SUS.
  • Transplante renal: Cirurgia para colocar um rim saudável de um doador (vivo ou falecido). No Brasil, o SUS realiza o maior programa público de transplantes do mundo.
  • Nefrologista: Médico especialista em rins. No SUS, o encaminhamento para nefrologista é feito quando há disfunção renal moderada ou grave (TFG < 30).
  • Diálise peritoneal: Outro tipo de tratamento renal, feito em casa, usando o peritônio (membrana do abdômen) como filtro. O SUS também oferece essa modalidade.
  • Glomerulonefrite: Inflamação dos glomérulos (filtros renais). Pode ser aguda ou crônica e é uma causa importante de disfunção renal em jovens.

Perguntas Frequentes sobre O que é Disfunção renal

Disfunção renal tem cura?

Depende. A disfunção renal aguda muitas vezes é reversível se tratarmos a causa – por exemplo, hidratando o paciente ou suspendendo um medicamento. Já a disfunção renal crônica não tem cura, mas podemos controlar sua progressão com remédios, dieta e acompanhamento. Em estágios avançados, a hemodiálise ou o transplante renal permitem uma vida longa e produtiva. O segredo é o diagnóstico precoce.

Beber bastante água ajuda a prevenir disfunção renal?

Sim, mas não é uma regra absoluta. A hidratação adequada (cerca de 2 a 3 litros por dia para adultos, menos em casos de insuficiência cardíaca) ajuda os rins a eliminar toxinas e previne pedras e infecções. No entanto, se você já tem disfunção renal, o excesso de água pode sobrecarregar os rins. Por isso, sempre pergunto ao paciente sobre seus hábitos e exames antes de recomendar quantidades. Em dúvida, consulte um médico.

Quais exames detectam disfunção renal?

Os principais são: creatinina e ureia no sangue (para calcular a taxa de filtração glomerular) e o sumário de urina (EAS) que avalia presença de proteínas, sangue e infecção. O SUS oferece esses exames em qualquer UBS. Em casos suspeitos, o médico pode pedir ultrassom dos rins para ver obstruções ou tamanho dos rins, e exames mais específicos como microalbuminúria (detecta perda precoce de proteína).

Anti-inflamatórios podem causar disfunção renal?

Sim, e isso é muito comum no Brasil. Medicamentos como ibuprofeno, diclofenaco e nimesulida (AINEs) podem lesar os rins, especialmente em uso prolongado, em altas doses ou em pessoas com desidratação, diabetes, pressão alta ou idosos. Na clínica popular, sempre oriento: nunca tome anti-inflamatórios sem orientação médica, e limite o uso a poucos dias. Se precisar de analgésico, o paracetamol (em doses adequadas) é mais seguro para os rins.

Disfunção renal causa impotência sexual?

Indiretamente, sim. A disfunção renal crônica pode levar a alterações hormonais, anemia, acúmulo de toxinas e uso de medicamentos que afetam a libido e a função erétil. Além disso, a doença e o estresse associado ao tratamento (como a hemodiálise) podem impactar a saúde sexual. É importante conversar com o médico – muitas vezes é possível melhorar com ajustes no tratamento ou suporte psicológico. Não hesite em trazer o assunto à consulta.

Como diferenciar disfunção renal aguda de crônica?

Na prática, a aguda surge rapidamente (dias), geralmente com sintomas claros como diminuição da urina, inchaço súbito e aumento rápido da creatinina. A crônica se desenvolve ao longo de meses/anos, muitas vezes sem queixas, e é descoberta em exames de rotina. Exames de imagem (rins pequenos e enrugados sugerem cronicidade) e o histórico do paciente (diabetes, hipertensão) ajudam a diferenciar. Em qualquer caso, procure atendimento – a conduta é completamente diferente.

Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.

Fontes consultadas:

– Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN): https://www.sbn.org.br

– Ministério da Saúde – Doença Renal Crônica: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/doenca-renal-cronica


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