quarta-feira, maio 27, 2026

O que é Disfunção ventricular

O que é Disfunção ventricular?

Olá, sou o Dr. Carlos, médico clínico geral há 15 anos, e já atendi milhares de pacientes no SUS e em clínicas populares aqui no Brasil. Quando falamos em disfunção ventricular, estamos nos referindo a uma situação em que o coração não está conseguindo bombear o sangue da maneira adequada. Para entender melhor, imagine que o coração é uma bomba – ele tem duas câmaras principais que fazem a força para enviar o sangue para o corpo (ventrículo esquerdo) e para os pulmões (ventrículo direito). A disfunção ventricular é quando uma (ou ambas) dessas bombas não está funcionando com a eficiência esperada. Isso é um dos diagnósticos mais comuns que fazemos em pacientes com falta de ar, cansaço e inchaço nas pernas.

Na minha experiência no SUS e em clínicas populares, essa condição aparece principalmente em pacientes com histórico de hipertensão arterial mal controlada, diabetes, doença de Chagas (ainda muito frequente nas regiões Norte e Nordeste) e após infarto do miocárdio. Dados do Ministério da Saúde mostram que a insuficiência cardíaca, que é a principal consequência da disfunção ventricular não tratada, atinge cerca de 2% da população brasileira, chegando a mais de 10% em pessoas acima de 70 anos. É uma das principais causas de internação pelo SUS, o que representa um enorme desafio para a saúde pública.

O diagnóstico geralmente é feito na atenção primária, nas Unidades Básicas de Saúde, com o auxílio de exames como o ecocardiograma (o famoso “ecocardio”), que é gratuito pelo SUS. A disfunção ventricular pode ser temporária ou crônica, leve ou grave, e o tratamento envolve medicamentos, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, dispositivos como marcapassos. O mais importante é identificar precocemente, pois o acompanhamento regular pela equipe de saúde pode evitar complicações como edema pulmonar e internações de emergência.

Como funciona / Características

Para explicar de forma simples, o coração tem duas fases principais: a contração (sístole) e o relaxamento (diástole). Na disfunção ventricular, uma dessas fases está comprometida. Por exemplo, se o problema é na contração, o coração não tem força para ejetar o sangue – chamamos de disfunção sistólica. Se o problema é no relaxamento, o coração não consegue se encher adequadamente de sangue – é a disfunção diastólica.

No dia a dia da clínica, vejo pacientes que chegam com queixas de cansaço para fazer atividades que antes eram fáceis, como subir um lance de escada ou carregar compras. Outros relatam falta de ar deitar, precisando dormir com dois ou três travesseiros. O inchaço nos tornozelos e pés ao final do dia também é um sinal clássico – a retenção de líquido acontece porque o coração não consegue bombear o sangue de volta ao corpo adequadamente.

Um exemplo real: dona Maria, 68 anos, hipertensa, foi à minha consulta na clínica popular reclamando que estava “acordando sufocada” à noite. Ao exame, notei estertores nos pulmões (aquele barulhinho de água) e pressão elevada. Pedi um ecocardiograma pelo SUS, que mostrou disfunção ventricular esquerda moderada com fração de ejeção reduzida (35% – normal é acima de 50%). Com medicamentos como enalapril, carvedilol e furosemida (todos disponíveis na Farmácia Popular), ela melhorou significativamente em duas semanas. Esse caso é comum e mostra como o diagnóstico precoce e o tratamento dentro do SUS podem mudar a qualidade de vida.

Tipos e Classificações

Na prática clínica brasileira, usamos algumas classificações para entender melhor a disfunção ventricular:

Quanto à fração de ejeção (FE):

  • Disfunção ventricular com fração de ejeção reduzida (ICFEr): FE ≤ 40%. O coração não se contrai bem. É o tipo mais estudado e comum em pacientes pós-infarto.
  • Disfunção ventricular com fração de ejeção preservada (ICFEp): FE ≥ 50%. O coração se contrai bem, mas não relaxa adequadamente. Muito comum em idosos com hipertensão e diabetes.
  • Disfunção ventricular com fração de ejeção intermediária (ICFEi): FE entre 41% e 49%. Uma zona cinzenta que merece atenção.

Quanto ao ventrículo afetado:

  • Disfunção ventricular esquerda: mais frequente; afeta a circulação sistêmica.
  • Disfunção ventricular direita: causa inchaço grande e congestão hepática; comum em doenças pulmonares avançadas.
  • Disfunção biventricular: quando ambos os lados são comprometidos.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) publica diretrizes que recomendam essas classificações para orientar o tratamento. A classificação funcional da NYHA (New York Heart Association) também é muito usada nos prontuários do SUS: classes I (sem limitação) a IV (sintomas em repouso). Essa classificação ajuda a definir a urgência e o tipo de intervenção.

Quando procurar um médico

Se você ou um familiar apresentar qualquer um dos sinais abaixo, é fundamental buscar atendimento médico:

  • Falta de ar progressiva ou aos pequenos esforços (caminhar dentro de casa, conversar)
  • Inchaço nos pés, tornozelos ou pernas que piora ao final do dia e melhora com o repouso
  • Cansaço excessivo sem causa aparente
  • Ganho de peso rápido (mais de 2 kg em uma semana) mesmo sem comer muito
  • Tosse seca ou chiado principalmente à noite ou ao deitar
  • Necessidade de dormir sentado ou com vários travesseiros
  • Palpitações, tonturas ou desmaios

No SUS, o primeiro passo é ir a uma Unidade Básica de Saúde (UBS). O médico de família pode solicitar exames, iniciar o tratamento e encaminhar ao cardiologista se necessário. Em casos de falta de ar intensa, dor no peito ou sensação de desmaio iminente, procure uma emergência (UPA ou Pronto-Socorro). Não espere o quadro piorar – o tratamento precoce da disfunção ventricular reduz drasticamente as complicações e melhora a sobrevida.

Termos Relacionados

  • Fração de ejeção: porcentagem de sangue que o ventrículo ejeta a cada batimento. É o principal parâmetro para avaliar a função sistólica.
  • Insuficiência cardíaca: síndrome clínica resultante da disfunção ventricular, caracterizada por fadiga, dispneia e edema.
  • Miocardiopatia: doença do músculo cardíaco que leva a disfunção ventricular; pode ser dilatada, hipertrófica ou restritiva.
  • Ecocardiograma: ultrassom do coração que mede a função ventricular, tamanho das câmaras e válvulas.
  • BNP (peptídeo natriurético cerebral): exame de sangue que ajuda a diagnosticar insuficiência cardíaca; disponível em alguns serviços do SUS.
  • Edema agudo de pulmão: complicação grave da disfunção ventricular esquerda, com acúmulo de líquido nos pulmões, causando falta de ar intensa e necessidade de oxigênio.
  • Doença de Chagas: infecção parasitária que pode levar a miocardiopatia e disfunção ventricular, comum em áreas rurais do Brasil.
  • Ramo de saúde pública: conjunto de ações do SUS para prevenção e controle da hipertensão, diabetes e outras causas de disfunção ventricular.

Perguntas Frequentes sobre Disfunção ventricular

A disfunção ventricular tem cura?

Em muitos casos, não há uma “cura” definitiva, mas o tratamento adequado pode controlar os sintomas, melhorar a função do coração e permitir uma vida longa e de qualidade. A disfunção ventricular leve pode até regredir com o uso correto de medicamentos e mudanças no estilo de vida. Já em quadros avançados, o objetivo é evitar a progressão e reduzir os riscos de internação.

Qual a expectativa de vida para quem tem disfunção ventricular?

Depende muito da gravidade, da causa e do acompanhamento. Com tratamento moderno (medicamentos, dispositivos e hábitos saudáveis), a maioria dos pacientes vive muitos anos. Estudos brasileiros mostram que a sobrevida em 5 anos para pacientes com insuficiência cardíaca grave gira em torno de 50%, mas com diagnóstico precoce esse número melhora significativamente. Cada caso é único, e por isso é essencial seguir as orientações médicas.

O que não pode comer quem tem disfunção ventricular?

O principal é reduzir o consumo de sódio (sal). Evite alimentos processados, enlatados, embutidos, salgadinhos e temperos prontos. O sal retém líquido e piora a disfunção ventricular. Também é importante controlar o peso e evitar o consumo de bebidas alcoólicas. No SUS, o nutricionista da UBS pode ajudar com um plano alimentar individualizado.

Precisa de cirurgia para tratar disfunção ventricular?

Nem sempre. O tratamento inicial é clínico com medicamentos. A cirurgia pode ser necessária em casos específicos, como quando há obstrução coronariana grave (pontes de safena), defeitos valvares (troca de válvula) ou necessidade de implantar dispositivos como o cardiodesfibrilador implantável (CDI) ou a ressincronização cardíaca. Esses procedimentos são realizados pelo SUS em hospitais de referência.

Pode fazer exercícios físicos com disfunção ventricular?

Sim, e é recomendado! A prática regular de atividade física supervisionada (caminhada leve, bicicleta, hidroginástica) melhora a capacidade funcional e reduz sintomas. O que não pode é exagerar ou fazer exercícios de alto impacto sem orientação. O ideal é participar de programas de reabilitação cardíaca, disponíveis em alguns serviços públicos, ou, ao menos, ter um plano individualizado com o médico.

Quais medicamentos são usados no SUS para tratar disfunção ventricular?

O SUS oferece gratuitamente medicamentos essenciais: inibidores da ECA (como enalapril), betabloqueadores (como carvedilol), diuréticos (furosemida, hidroclorotiazida) e, em alguns casos, espironolactona e sacubitril/valsartana (mais recentes, disponíveis em centros de alta complexidade). A Farmácia Popular também distribui muitos


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