O que é O que é Disgeusia?
Disgeusia é uma alteração no paladar que faz com que a pessoa sinta gostos estranhos, metálicos, amargos, salgados ou azedos sem que haja um alimento ou bebida que justifique isso. Na prática clínica de 15 anos no SUS e em clínicas populares brasileiras, é um dos sintomas mais comuns que aparecem em pacientes depois de infecções virais, como a COVID-19, ou em quem faz uso de medicamentos contínuos, como antibióticos, quimioterápicos e alguns remédios para pressão.
No Brasil, a disgeusia ganhou destaque durante a pandemia de COVID-19. Um estudo do Ministério da Saúde indicou que cerca de 40% dos pacientes infectados relataram algum grau de alteração no paladar, sendo a disgeusia uma das queixas mais frequentes. Além disso, na rotina de clínicas populares, é muito comum atender pacientes idosos que desenvolvem essa condição por conta do uso de múltiplos remédios (polifarmácia) ou por deficiência de zinco e vitaminas do complexo B — problemas frequentes em populações de baixa renda com alimentação restrita.
Na rede pública, o diagnóstico e o acompanhamento da disgeusia são feitos por médicos generalistas, clínicos gerais e otorrinolaringologistas, conforme protocolos do SUS. A Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia (SBORL) também reforça que a avaliação do paladar deve fazer parte da anamnese, principalmente em pacientes diabéticos, hipertensos e oncológicos. É importante deixar claro: disgeusia não é o mesmo que perda total do paladar (ageusia), e na maioria dos casos é reversível com tratamento da causa base.
Como funciona / Características
O paladar é percebido através das papilas gustativas na língua, que enviam sinais para o cérebro. Quando há uma disgeusia, esses sinais chegam distorcidos. Na prática, o paciente relata que a comida “tem gosto de papel”, “sabe a ferro” ou “amarga demais”. Muitos acabam perdendo o apetite, o que pode levar a perda de peso, desnutrição e piora da qualidade de vida.
Um exemplo real do dia a dia: Dona Maria, 62 anos, hipertensa e diabética, chegou ao posto de saúde reclamando que “tudo que come tem gosto de remédio”. Depois de ajustar os medicamentos e suplementar zinco (que estava baixo no exame de sangue), a disgeusia melhorou em duas semanas. Esse caso é típico: a queixa não aparece sozinha — vem acompanhada de perda de olfato, náusea, ou sensação de boca seca.
Outra característica importante é que a disgeusia pode ser intermitente ou constante. Em pacientes que fizeram quimioterapia por câncer de mama ou cabeça e pescoço, a alteração pode durar meses. Em grávidas, é comum no primeiro trimestre, relacionada às mudanças hormonais, e geralmente passa sozinha. Na clínica popular, orientamos o paciente a evitar alimentos muito condimentados, usar temperos naturais (como limão e hortelã) e escovar a língua suavemente para remover resíduos que podem piorar o gosto metálico.
Tipos e Classificações
Na medicina brasileira, a disgeusia é classificada de acordo com o tipo de distorção e a causa subjacente. As principais formas são:
- Disgeusia qualitativa: a pessoa sente gostos diferentes do esperado (ex: gosto metálico, amargo, salgado demais). É a forma mais relatada.
- Disgeusia quantitativa: há redução (hipogeusia) ou perda total (ageusia) da capacidade de sentir gostos. Muitos pacientes confundem com disgeusia, mas a diferença está na intensidade.
- Fantogeusia: a pessoa sente gosto na boca sem ter ingerido nada — é uma alucinação gustativa, comum em distúrbios neurológicos ou psiquiátricos.
- Parageusia: uma distorção específica, como sentir um gosto doce em alimentos salgados.
No SUS, a classificação é feita com base na história clínica e, quando necessário, na testagem olfatogustativa simplificada (utilizando soluções de sal, açúcar, limão e café). Não há um código CID específico só para disgeusia, mas os médicos usam R43.2 (Parageusia) ou R43.8 (Outros distúrbios do paladar). É fundamental que o profissional diferencie disgeusia de problemas dentários, boca seca (xerostomia) e efeitos colaterais de medicamentos.
Quando procurar um médico
Se você está sentindo um gosto estranho na boca que não passa, especialmente se vier acompanhado de perda de peso, falta de apetite, náusea constante ou dificuldade para se alimentar, é hora de procurar um médico. No SUS, você pode ir a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou clínica popular. O clínico geral vai investigar as causas mais comuns:
- Efeito de medicamentos: antibióticos (metronidazol, claritromicina), antifúngicos, quimioterápicos, anti-hipertensivos e antidepressivos.
- Infecções recentes: COVID-19, sinusite, gripe ou candidíase oral.
- Deficiências nutricionais: baixo zinco, ferro ou vitamina B12 — muito comum em idosos e gestantes.
- Doenças neurológicas: Acidente Vascular Cerebral (AVC), esclerose múltipla, Alzheimer.
- Câncer de cabeça e pescoço ou tratamento radioterápico.
O alerta principal: se a disgeusia vier com dormência na face, dificuldade para engolir, tontura forte ou dor de cabeça repentina, vá ao pronto-socorro. Pode ser sinal de AVC ou infecção grave. Lembre-se: a maioria dos casos é benigna, mas a avaliação médica é essencial para descartar doenças sérias.
Termos Relacionados
- Ageusia: perda total do paladar. Muitos pacientes acham que é a mesma coisa que disgeusia, mas ageusia é uma ausência completa, enquanto disgeusia é uma distorção.
- Hipogeusia: redução da capacidade de sentir gostos. Pode evoluir para disgeusia se não tratada.
- Parageusia: tipo de disgeusia em que os gostos são trocados (ex: doce parece salgado).
- Fantogeusia: sensação de gosto sem estímulo — tipo uma “alucinação” do paladar.
- Xerostomia: boca seca, que piora a disgeusia porque a saliva ajuda a limpar as papilas gustativas.
- Olfato: muito ligado ao paladar. Até 80% dos casos de disgeusia vêm com alteração no cheiro (anosmia ou hiposmia).
- Paladar metálico: queixa específica de gosto de ferro ou moeda, comum em grávidas e quem usa suplementos.
- Distúrbio gustativo: termo genérico que inclui disgeusia, ageusia e hipogeusia.
Perguntas Frequentes sobre O que é Disgeusia
Disgeusia é sinal de problema grave?
Na maioria dos casos, não. A disgeusia é temporária e causada por infecções, remédios ou deficiências nutricionais. Porém, se persistir por mais de 2 semanas ou vier com perda de peso, dificuldade para engolir ou alterações neurológicas, pode ser sinal de doenças como diabetes descompensado, AVC ou câncer. Por isso, a avaliação médica é importante para descartar causas sérias.
Quanto tempo dura a disgeusia?
Depende da causa. Na COVID-19, a disgeusia pode durar de 1 a 4 semanas, mas alguns pacientes relatam sintomas por meses. Se for por remédio, melhora ao suspender ou trocar o medicamento (com orientação médica). Em grávidas, passa sozinha após o primeiro trimestre. O acompanhamento no SUS ajuda a acelerar a recuperação com suplementação e ajustes.
Tem tratamento para disgeusia no SUS?
Sim. O SUS oferece atendimento nas UBS e ambulatórios de otorrinolaringologia. O tratamento depende da causa: suplementação de zinco (disponível na farmácia básica), troca de medicamentos (se possível), orientação nutricional e, em casos específicos, reabilitação olfatogustativa. A Secretaria Municipal de Saúde tem protocolos para manejo de distúrbios do paladar pós-COVID.
Disgeusia pode ser sintoma de COVID-19?
Sim, é um dos sintomas mais comuns da COVID-19, junto com a perda de olfato. Estudos brasileiros mostram que até 40% dos infectados relatam disgeusia. Se você sentir gosto estranho na boca, especialmente metálico ou amargo, e tiver outros sintomas gripais, faça o teste pela rede pública ou clínica popular. O site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia também reforça a associação com disfunções hormonais pós-virais.
O que posso fazer em casa para aliviar a disgeusia?
Algumas dicas práticas: use temperos naturais como limão, hortelã e canela; evite alimentos muito condimentados ou gordurosos; mastigue devagar; beba bastante água; escove a língua com cuidado para remover resíduos; e evite fumar e beber álcool. Se o gosto metálico for forte, chupar gelo ou balas de hortelã pode ajudar. Mas não substitui a consulta médica.
Disgeusia afeta a saúde geral?
Sim, indiretamente. A disgeusia pode levar à perda de apetite, desnutrição, perda de peso e até depressão. Em idosos, isso é preocupante porque pode agravar fragilidade e doenças crônicas. Por isso, o tratamento precoce é fundamental. Nas clínicas populares, sempre orientamos os pacientes a manter uma alimentação leve e colorida, mesmo que o gosto esteja alterado, para evitar a desnutrição.
Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.


