sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Dismenorreia

O que é O que é Dismenorreia?

Dismenorreia é o nome técnico para aquela cólica menstrual que atinge milhões de brasileiras todos os meses. Na prática da clínica popular, é uma das queixas mais frequentes: a paciente chega relatando “uma dor que não passa” na parte baixa da barriga, que começa pouco antes ou junto com a menstruação e pode irradiar para as costas e coxas. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 40% a 60% das mulheres em idade fértil apresentam dismenorreia em algum grau, e em aproximadamente 15% dos casos a dor é tão intensa que atrapalha as atividades diárias, como ir à escola ou trabalhar.

No dia a dia do SUS e das clínicas populares, vejo muitas pacientes que normalizam o sofrimento com frases como “toda mulher tem que aguentar”. Mas isso não é verdade. A dismenorreia tem causas concretas – principalmente a liberação excessiva de substâncias chamadas prostaglandinas, que fazem o útero se contrair com força para eliminar o endométrio. Quando essas contrações são muito fortes, pressionam os vasos sanguíneos do útero, reduzindo o fluxo de oxigênio e gerando dor. É como um “aperto” intenso que pode durar de 12 a 72 horas.

É importante que a paciente saiba que existem tratamentos eficazes e acessíveis pelo SUS, como anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) – ibuprofeno, naproxeno – e anticoncepcionais hormonais. A ANVISA libera alguns desses medicamentos sem receita para alívio imediato, mas o ideal é que o uso seja orientado por um profissional de saúde. O CFM recomenda que, em casos de dor que não melhora com medidas simples, a investigação seja aprofundada para descartar doenças ginecológicas.

Como funciona / Características

A dismenorreia funciona como um alarme do corpo. Imagine que o útero é um músculo oco que precisa se contrair para expulsar o sangue menstrual. No início do ciclo, o endométrio (revestimento interno) cresce para receber uma possível gravidez. Se não há fecundação, os níveis de progesterona caem e o corpo libera prostaglandinas, que “mandam” o útero se contrair. Em algumas mulheres, a produção dessas substâncias é exagerada, gerando contrações muito fortes e descoordenadas. A dor costuma ser em cólica (vai e volta) ou constante, na região pélvica, e pode vir acompanhada de náuseas, vômitos, diarreia, cansaço e até desmaios.

Na clínica, percebo que a dismenorreia afeta cada pessoa de um jeito. Uma jovem de 16 anos pode precisar faltar à escola porque a dor não cede nem com bolsa de água quente e repouso. Já uma paciente de 35 anos pode relatar que a cólica piorou nos últimos meses, o que levanta suspeita de doenças como endometriose ou miomas. É comum a dor irradiar para a região lombar e para a parte interna das coxas, e muitas mulheres sentem uma “pressão” no reto, o que pode ser confundido com dor de intestino.

O alívio vem com o tempo: as contrações vão diminuindo à medida que o fluxo sanguíneo se torna mais intenso e o endométrio é eliminado. Mas, para quem sofre de dismenorreia intensa, esse período de espera é um verdadeiro inferno. Por isso, é fundamental que a paciente seja acolhida e orientada a buscar ajuda quando a dor comprometer a qualidade de vida.

Tipos e Classificações

Na ginecologia brasileira, classificamos a dismenorreia em dois grandes grupos, com base na causa:

  • Dismenorreia primária: é a forma mais comum, geralmente começa na adolescência, nos primeiros anos após a menarca. Não há nenhuma doença pélvica identificável. A dor é causada exclusivamente pelo excesso de prostaglandinas. Costuma melhorar com a idade, com o uso de anticoncepcionais hormonais ou após a primeira gestação.
  • Dismenorreia secundária: aparece mais tarde na vida (geralmente após os 25-30 anos) e está associada a condições ginecológicas como endometriose, adenomiose, miomas uterinos, cistos ovarianos, infecções pélvicas ou uso de DIU de cobre. A dor pode ser mais intensa e durar além do período menstrual, e muitas vezes o tratamento da doença de base é necessário.

Além dessa classificação, usamos escalas de intensidade (leve, moderada, grave) e instrumentos como a Escala Visual Analógica (EVA) para quantificar a dor. No SUS, a avaliação inicial é feita pelo médico da atenção básica, que pode solicitar exames de imagem (ultrassom pélvico) e, se necessário, encaminhar para o ginecologista. É essencial que a paciente relate corretamente a intensidade e o padrão da dor para que a classificação seja precisa e o tratamento adequado.

Quando procurar um médico

Procure atendimento médico se você apresenta qualquer um dos seguintes sinais de alerta:

  • Dor menstrual tão forte que impede suas atividades diárias (trabalho, estudo, lazer) por mais de um dia.
  • Dor que começou após os 25 anos de idade, mesmo sem histórico anterior de cólicas fortes.
  • Piora progressiva da cólica a cada ciclo.
  • Dor que não melhora com analgésicos comuns (ibuprofeno, paracetamol) ou com medidas caseiras (bolsa de água quente, repouso).
  • Presença de sangramento menstrual muito intenso (mais de 8 absorventes por dia) ou coágulos grandes.
  • Febre, calafrios, corrimento vaginal com mau cheiro ou dor ao urinar – podem indicar infecção.
  • Dor pélvica que ocorre também fora do período menstrual.
  • Histórico de endometriose, miomas ou doença inflamatória pélvica na família.

No contexto do SUS, muitas pacientes chegam ao posto de saúde com queixas de cólica e são orientadas a fazer um diário menstrual. Se houver suspeita de dismenorreia secundária, o médico pode solicitar ultrassom transvaginal, exames de sangue (como CA-125) e, em casos específicos, indicar uma laparoscopia. Lembre-se: a dor não é normal, e você não precisa sofrer calada. Quanto antes procurar ajuda, mais rápido será o alívio e o diagnóstico de possíveis doenças.

Termos Relacionados

  • Menstruação: processo fisiológico de eliminação do endométrio, que ocorre em ciclos mensais nas mulheres em idade fértil. A dismenorreia é uma dor associada a esse processo.
  • Prostaglandinas: substâncias químicas produzidas pelo útero que causam contrações e inflamação. O excesso delas é a principal causa da dismenorreia primária.
  • Endometriose: doença em que o tecido do endométrio cresce fora do útero (ovários, trompas, peritônio), causando dor intensa, inclusive durante a menstruação. É uma causa comum de dismenorreia secundária.
  • Adenomiose: condição em que o endométrio invade a parede muscular do útero, provocando aumento do órgão e cólicas severas.
  • AINEs (Anti-inflamatórios não esteroides): medicamentos como ibuprofeno, naproxeno e diclofenaco, que inibem a produção de prostaglandinas e são a primeira linha de tratamento para dismenorreia.
  • Anticoncepcional hormonal: pílula, adesivo ou anel que contém estrogênio e progestogênio, usados para suprimir a ovulação e reduzir a espessura do endométrio, aliviando a dismenorreia.
  • Síndrome pré-menstrual (TPM): conjunto de sintomas físicos e emocionais que ocorrem antes da menstruação, podendo incluir dores de cabeça, inchaço e irritabilidade. Embora diferente da dismenorreia, muitas mulheres apresentam ambas.
  • Dor pélvica crônica: dor na região baixa do abdome que persiste por mais de 6 meses, muitas vezes associada a causas ginecológicas, como endometriose, e que pode ter a dismenorreia como um dos componentes.

Perguntas Frequentes sobre O que é Dismenorreia

Dismenorreia é normal? Toda mulher sente cólica?

Não, a dismenorreia não é uma “obrigação” do ciclo menstrual. Cerca de 40% a 60% das mulheres sentem algum desconforto, mas sentir uma dor que atrapalha a vida não é normal. Muitas pacientes esperam anos para buscar ajuda porque acham que é parte do ser mulher, mas o tratamento existe e melhora muito a qualidade de vida.

O que tomar para cólica menstrual forte?

Os medicamentos mais indicados são os AINEs (como ibuprofeno ou naproxeno), que atuam diretamente na produção de prostaglandinas. Tome com um copo de água e, de preferência, após alguma refeição para proteger o estômago. Se a dor não passar com a dose recomendada na bula, procure um médico. Em casos graves, o ginecologista pode prescrever anticoncepcionais hormonais ou outros tratamentos específicos.

Cólica muito forte pode ser endometriose?

Sim, a dismenorreia intensa, que piora com o tempo e que não melhora com analgésicos comuns, pode ser um sinal de endometriose, principalmente se vier acompanhada de dor durante as relações sexuais, dor ao evacuar ou dificuldade para engravidar. O ideal é realizar uma avaliação ginecológica completa, incluindo ultrassom transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética.

Dismenorreia atrapalha a fertilidade?

Geralmente, a dismenorreia primária (sem doença de base) não interfere na fertilidade


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