O que é Displasia coxofemoral?
A displasia coxofemoral (DCF) — também conhecida como displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) — é uma condição ortopédica em que a articulação do quadril (a “bola” da cabeça do fêmur e o “encaixe” do osso da bacia, chamado acetábulo) não se forma adequadamente. Em um quadril normal, a cabeça do fêmur se encaixa perfeitamente dentro do acetábulo, como uma bola em um copo. Na displasia, esse encaixe é frouxo, raso ou instável, podendo levar a luxações (quando a bola sai do encaixe) ao longo do tempo.
No dia a dia de uma clínica popular ou do SUS, a displasia coxofemoral é um dos diagnósticos mais frequentes no primeiro ano de vida, especialmente durante os exames de rotina do recém-nascido. Estima-se que, no Brasil, a incidência seja de cerca de 1 a 2% dos nascidos vivos, com maior prevalência em meninas (cerca de 80% dos casos), em bebês que nasceram na posição pélvica (sentados) e em famílias com histórico da condição. O Ministério da Saúde recomenda a triagem universal por meio do teste de Ortolani e do teste de Barlow na primeira semana de vida, e a ultrassonografia dos quadris (método de Graf) para confirmação diagnóstica entre 4 e 6 semanas de vida.
No contexto das clínicas populares, é comum recebermos pais preocupados que notaram assimetria de pregas na virilha ou nas nádegas do bebê, ou que observaram uma perna mais curta. Muitos casos são identificados tardiamente porque o teste do pezinho ortopédico ainda não é realizado em todas as maternidades do país. Por isso, reforçamos a importância do exame clínico em todas as consultas de puericultura e do encaminhamento precoce ao ortopedista pediátrico. O tratamento com órtese de Pavlik (um tipo de “cinta” que mantém o quadril na posição correta) é oferecido pelo SUS e tem excelentes resultados quando iniciado antes dos 6 meses de idade. Já os casos diagnosticados tardiamente podem exigir cirurgia, gessos e acompanhamento prolongado, o que reforça a necessidade de diagnóstico precoce. Para mais informações, consulte o site do Ministério da Saúde sobre displasia coxofemoral.
Como funciona / Características
O quadril é uma articulação do tipo “bola e soquete”. Na displasia, o acetábulo (encaixe) é mais raso que o normal, e a cabeça do fêmur (bola) pode deslizar parcialmente para fora (subluxação) ou completamente (luxação). Isso acontece porque os ligamentos são mais frouxos e a cápsula articular é mais elástica. Durante o crescimento, se a cabeça do fêmur não estiver bem posicionada, o acetábulo não se desenvolve profundamente, agravando o problema.
Na prática clínica do SUS, o ortopedista realiza as manobras de Ortolani (que reposiciona a cabeça do fêmur no acetábulo) e Barlow (que tenta deslocá-la). No bebê com displasia, o médico sente um “clique” ou “estalo” durante essas manobras. Já em crianças mais velhas (acima de 3 meses), as manobras podem ser negativas, e o diagnóstico é feito por ultrassom (até os 6 meses) ou raio-X (após os 6 meses). Os sinais clínicos incluem: assimetria das pregas glúteas e femorais, encurtamento aparente de uma perna (sinal de Galeazzi), limitação da abdução do quadril (o bebê não consegue abrir bem as pernas quando deitado) e, quando a criança já anda, claudicação (mancar).
Em clínicas populares, recebemos muitas mães que notam que o bebê “estrala o quadril” ao trocar a fralda. Embora nem todo estalo seja displasia, orientamos que procurem avaliação médica. A condição é mais comum em meninas (relação 5:1), em bebês com apresentação pélvica no parto, em primogênitos e em casos de oligoidrâmnio (pouco líquido amniótico). Também há maior risco em famílias com histórico, por isso perguntamos sempre sobre casos na família. O diagnóstico precoce permite tratamento não cirúrgico bem-sucedido em mais de 95% dos casos.
Tipos e Classificações
No Brasil, a classificação mais utilizada é a classificação de Graf, baseada na ultrassonografia do quadril, que divide a condição em quatro tipos principais:
- Tipo I: quadril normal (alfa ≥60°, beta <55°).
- Tipo II: displasia leve/moderada (alfa 50–59°). Pode necessitar de acompanhamento ou tratamento com órtese.
- Tipo III: luxação parcial (cabeça do fêmur deslocada, mas ainda em contato com o acetábulo).
- Tipo IV: luxação completa (cabeça do fêmur totalmente fora do acetábulo).
Além disso, os ortopedistas usam a classificação clínica em:
- Displasia: acetábulo raso, mas quadril estável.
- Subluxação: luxação parcial, com instabilidade.
- Luxação: perda total do contato entre a cabeça femoral e o acetábulo.
O diagnóstico precoce (até 3 meses) geralmente corresponde aos tipos II e III de Graf, que respondem bem ao tratamento com órtese. Já o tipo IV ou casos tardios exigem abordagens mais complexas. No SUS, o protocolo inclui a realização do ultrassom entre 4 e 6 semanas para todos os bebês com fatores de risco ou exame clínico alterado, conforme diretriz da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).
Quando procurar um médico
Os pais devem procurar um pediatra ou ortopedista pediátrico sempre que observarem:
- Assimetria das pregas da virilha ou das nádegas do bebê.
- Uma perna aparentemente mais curta que a outra (sinal de Galeazzi).
- Dificuldade para abrir completamente as pernas do bebê durante a troca de fraldas (limitação da abdução).
- Estalos ou cliques audíveis ao movimentar os quadris do bebê.
- Mancar (claudicação) quando a criança começa a andar.
- Bebê que nasceu na posição pélvica (sentado) ou com histórico familiar de displasia.
Nas clínicas populares, orientamos que o exame clínico dos quadris deve ser feito em todas as consultas de rotina nos primeiros 12 meses de vida, mesmo que o bebê não tenha fatores de risco. Se houver suspeita, o médico solicitará ultrassom (bebês até 6 meses) ou raio-X (após 6 meses). O tratamento com a órtese de Pavlik é simples, indolor e disponível no SUS. Quanto mais cedo começar, melhor: idealmente antes dos 6 meses. Após essa idade, o tratamento pode envolver gesso, tração ou cirurgia.
Sinais de alerta: se o bebê parece ter dor ao movimentar as pernas, chora excessivamente durante a troca de fraldas ou se a perna fica virada para fora em repouso (rotação externa). Nesses casos, a consulta deve ser agendada com urgência.
Termos Relacionados
- Órtese de Pavlik: dispositivo ortopédico (cinta) usado para manter o quadril do bebê na posição correta, permitindo que o acetábulo se desenvolva normalmente. É o tratamento padrão para displasia coxofemoral diagnosticada precocemente.
- Teste de Ortolani: manobra clínica em que o médico tenta recolocar a cabeça do fêmur no acetábulo, ouvindo ou sentindo um “clique”. Usado para diagnosticar luxação do quadril em recém-nascidos.
- Teste de Barlow: manobra que tenta deslocar a cabeça
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