quinta-feira, maio 28, 2026

O que é Diverticulite

O que é O que é Diverticulite?

Imagine que a parede do seu intestino grosso (cólon) começa a formar pequenas bolsas, como se fossem “furos” na parede de uma mangueira. Essas bolsas são chamadas de divertículos. Quando uma ou mais dessas bolsas inflamam, o quadro é chamado de diverticulite. É como se um desses “furinhos” ficasse irritado, inchado e cheio de bactérias, causando dor, febre e alterações no intestino.

Na prática do dia a dia de uma clínica popular, eu vejo muitos pacientes acima dos 50 anos chegarem com queixa de “dor na barriga do lado esquerdo”. Muitas vezes eles acham que é “cólica” ou “gasolina”, mas ao examinar e pedir uma tomografia, descubro a diverticulite. No Brasil, a condição é mais comum em regiões onde a dieta é pobre em fibras – como o consumo excessivo de carnes processadas, farinhas brancas e poucas frutas, verduras e legumes. Dados do Ministério da Saúde indicam que a prevalência de divertículos no cólon aumenta com a idade: cerca de 30% das pessoas entre 50 e 60 anos têm divertículos, e até 60% acima dos 80 anos. Desses, aproximadamente 10 a 25% terão pelo menos um episódio de diverticulite ao longo da vida.

No contexto do SUS, o atendimento inicial geralmente ocorre em Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou prontos-socorros. A conduta segue protocolos do Ministério da Saúde, que recomendam antibioticoterapia e dieta líquida para casos leves. Quando há complicações como abscesso ou perfuração, o paciente é encaminhado para internação hospitalar e, eventualmente, para cirurgia. A ANVISA regula os medicamentos usados – como ciprofloxacino e metronidazol – e o CFM estabelece as diretrizes para a abordagem cirúrgica, sempre buscando o tratamento menos invasivo possível.

Como funciona / Características

O início da diverticulite costuma ser agudo. O paciente sente uma dor constante e localizada no lado inferior esquerdo do abdômen (região da fossa ilíaca esquerda), que piora ao movimentar-se, tossir ou fazer força. A dor pode ser acompanhada de febre (normalmente baixa, mas pode chegar a 39°C), calafrios, náuseas e vômitos. Muitos relatam alteração do hábito intestinal – ora diarreia, ora prisão de ventre. Em alguns casos, há sangue nas fezes, mas isso é menos comum.

No consultório, a primeira coisa que faço é a palpação do abdômen. O paciente sente dor quando aperto o lado esquerdo, e muitas vezes há defesa muscular (a barriga fica “dura” na região). Peço exames de sangue: um hemograma mostra aumento dos glóbulos brancos (leucocitose), sinal de infecção. O exame padrão-ouro é a tomografia computadorizada de abdome com contraste, que mostra a parede do cólon espessada e a presença de divertículos inflamados. Nas clínicas populares, nem sempre há tomografia disponível de imediato; então, muitas vezes encaminhamos o paciente para uma unidade de pronto-atendimento com esse recurso.

O tratamento depende da gravidade. Para casos leves (sem febre alta, sem sinais de peritonite), receito antibióticos por via oral por 7 a 10 dias (geralmente uma combinação de ciprofloxacino + metronidazol, ou amoxicilina + clavulanato). Oriento dieta líquida ou pastosa por 2 a 3 dias, para dar um “descanso” para o intestino, e depois introduzo fibras aos poucos. Também prescrevo analgésicos comuns (dipirona ou paracetamol) – nunca anti-inflamatórios como ibuprofeno, porque eles aumentam o risco de perfuração. Nos casos graves, com febre alta, dor intensa ou impossibilidade de ingerir líquidos, indico internação para antibioticoterapia endovenosa e avaliação cirúrgica.

Tipos e Classificações

Na prática clínica brasileira, a diverticulite é classificada em dois grandes grupos: não complicada e complicada. Essa separação é fundamental para decidir o tratamento.

  • Diverticulite não complicada: é a mais comum. A inflamação fica restrita ao divertículo e à parede do cólon, sem formação de abscessos, fístulas ou perfuração. O paciente tem dor localizada, febre baixa e responde bem ao tratamento clínico com antibióticos orais.
  • Diverticulite complicada: ocorre em cerca de 15% dos casos. Pode evoluir com abscesso (coleção de pus perto do cólon), perfuração (vazamento de conteúdo intestinal para a cavidade abdominal), fístula (comunicação anormal entre o cólon e outro órgão, como bexiga ou vagina) ou obstrução intestinal. Esses casos exigem internação, drenagem do abscesso (por vezes guiada por ultrassom) e, frequentemente, cirurgia.

No Brasil, os cirurgiões usam a classificação de Hinchey, que divide a diverticulite complicada em quatro estágios:

  • Hinchey I: abscesso pericólico pequeno (até 4 cm). Pode ser tratado com antibióticos e/ou drenagem percutânea.
  • Hinchey II: abscesso pélvico ou grande, geralmente requer drenagem.
  • Hinchey III: peritonite purulenta (pus espalhado). Exige cirurgia de urgência.
  • Hinchey IV: peritonite fecal (fezes na cavidade). Cirurgia de emergência com alta mortalidade.

Essa classificação, recomendada pelo CFM e pelas sociedades de coloproctologia, ajuda a equipe médica a decidir a melhor conduta, especialmente nos serviços de emergência do SUS.

Quando procurar um médico

Se você sentir uma dor persistente no lado inferior esquerdo da barriga, associada a febre, calafrios, náuseas ou vômitos, procure uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou um pronto-socorro imediatamente. Também fique atento a sinais de alarme:

  • Dor muito forte que não melhora com analgésicos comuns;
  • Inchaço abdominal ou barriga endurecida;
  • Impossibilidade de eliminar gases ou fezes;
  • Sangramento nas fezes (vermelho vivo ou borra de café);
  • Febre acima de 38,5°C ou calafrios intensos;
  • Fraqueza, tontura ou desmaio (sinais de infecção generalizada).

Nas clínicas populares, costumo orientar os pacientes com histórico de diverticulose (presença de divertículos assintomáticos) a fazerem acompanhamento regular com clínico geral ou gastroenterologista. Se houver um episódio agudo, o atendimento precoce evita complicações graves, como perfuração e peritonite, que podem levar a cirurgias de urgência e internações prolongadas. Lembre-se: diverticulite não tratada pode ser fatal. Não espere a dor passar sozinha.

Termos Relacionados

  • Diverticulose: presença de divertículos no cólon, sem inflamação. É uma condição comum, geralmente assintomática, detectada em exames de rotina como colonoscopia.
  • Divertículo: pequena bolsa ou saculação na parede do intestino grosso, formada por áreas de fraqueza da musculatura.
  • Doença diverticular: termo amplo que inclui diverticulose e diverticulite, além de complicações como sangramento e inflamação crônica.
  • Constipação intestinal (prisão de ventre): fator de risco importante para formação de divertículos, pois o esforço para evacuar aumenta a pressão dentro do cólon.
  • Colonoscopia: exame endoscópico que permite visualizar todo o cólon e diagnosticar divertículos, pólipos e outras lesões. Não é realizada durante a fase aguda da diverticulite, pois pode perfurar o intestino.
  • Colectomia: cirurgia de remoção de parte do cólon, indicada em casos de diverticulite complicada ou recorrente. Pode ser feita por videolaparoscopia (menos invasiva) no SUS, dependendo da complexidade do serviço.
  • Fibra alimentar: componente da dieta (presente em frutas, verduras, legumes, grãos integrais) que ajuda a formar fezes mais volumosas e macias, prevenindo a constipação e, consequentemente, a formação de divertículos.
  • Antibióticos: medicamentos usados no tratamento da diverticulite para combater a infecção bacteriana. No Brasil, os esquemas mais comuns são ciprofloxacino + metronidazol ou amoxicilina + clavulanato, conforme protocolo do Ministério da Saúde.

Perguntas Frequentes sobre O que é Diverticulite

O que causa a diverticulite?

A causa exata não é totalmente conhecida, mas acredita-se que a inflamação ocorre quando fezes ou bactérias ficam presas dentro do divertículo, irritando sua parede. Fatores de risco incluem dieta pobre em fibras, obesidade, tabagismo, uso excessivo de anti-inflamatórios (como ibuprofeno) e