quarta-feira, maio 27, 2026

O que é Doença de Meniere

O que é O que é Doença de Meniere?

A Doença de Meniere é uma condição crônica do ouvido interno que provoca crises recorrentes de tontura intensa (vertigem), zumbido, sensação de pressão no ouvido e perda progressiva da audição. Imagine que seu equilíbrio depende de um sistema hidráulico delicado dentro do labirinto (parte do ouvido interno). Na Doença de Meniere, há um acúmulo anormal de líquido nesse sistema, como se uma torneira ficasse vazando e não houvesse escoamento adequado. Esse inchaço causa os sintomas característicos.

No dia a dia de uma clínica popular, é muito comum o paciente chegar com queixa de “labirintite” ou “tontura que não passa”. Muitas vezes, a Doença de Meniere é confundida com outras causas de vertigem, como a vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) ou a neurite vestibular. A diferença principal está na duração das crises (geralmente de 20 minutos a 12 horas), no zumbido unilateral e na sensação de ouvido entupido. No SUS, o diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história detalhada e no exame físico, e o paciente é encaminhado ao otorrinolaringologista para confirmação.

Dados epidemiológicos indicam que a Doença de Meniere afeta cerca de 0,2% da população mundial, sendo mais frequente em mulheres (3:1) e na faixa etária dos 40 aos 60 anos. No Brasil, não há um registro nacional exato, mas estima-se que milhares de brasileiros convivam com a condição, especialmente em regiões com acesso limitado a exames de imagem e audiometria. O Ministério da Saúde reconhece a doença como um agravo que pode gerar incapacidade temporária, e o tratamento no SUS inclui medicações básicas (diuréticos, betahistina) e, em casos refratários, encaminhamento para serviços de otorrinolaringologia de média complexidade. A ANVISA regula os medicamentos usados, como a betahistina e os diuréticos tiazídicos, que são padronizados na atenção básica.

Como funciona / Características

A Doença de Meniere funciona como uma “bomba de água” desregulada dentro do ouvido interno. O labirinto contém um fluido chamado endolinfa. Em pessoas com a doença, há um excesso desse líquido (hidropisia endolinfática) que distorce as células sensoriais responsáveis pelo equilíbrio e pela audição. As crises ocorrem quando esse acúmulo atinge um ponto crítico, fazendo com que o sistema “transborde” e desencadeie a vertigem.

No consultório, vejo muitos pacientes que descrevem a crise como “o mundo rodando”, acompanhada de náuseas e vômitos. É comum também que durante as crises eles sintam o ouvido “tampado” ou “cheio” e ouçam um zumbido que piora. Entre as crises, a pessoa pode ficar bem, mas a audição tende a piorar a cada episódio. Um exemplo clássico que atendo: uma professora de 45 anos, que começou a ter tonturas ao dar aula, com zumbido no ouvido direito. Ela achava que era estresse, mas depois de um ano, já havia perdido parte da audição nesse ouvido. O diagnóstico de Doença de Meniere explicava por que os episódios vinham em ondas, sempre com o mesmo padrão.

As características que ajudam a identificar no dia a dia são: crises de vertigem com duração entre 20 minutos e 12 horas; zumbido unilateral (geralmente no mesmo ouvido); sensação de plenitude auricular (ouvido cheio); e perda auditiva flutuante no início, mas que se torna permanente com o tempo. O estresse, o consumo excessivo de sal e a cafeína são gatilhos comuns que relatamos nos pacientes das clínicas populares. Diferente da “labirintite” infecciosa, a Doença de Meniere não tem febre nem secreção. Por isso, oriento sempre: se a tontura vem com zumbido e perda de audição, pense em Meniere.

Tipos e Classificações

Na prática clínica brasileira, a Doença de Meniere é classificada de acordo com a fase e a gravidade. Não existem subtipos formais, mas dois critérios são usados:

  • Doença de Meniere definitiva: o paciente apresenta todas as crises típicas (vertigem, zumbido, plenitude e perda auditiva documentada) por pelo menos duas horas, e o exame de audiometria confirma a perda auditiva neurossensorial.
  • Doença de Meniere provável: os sintomas são sugestivos, mas não há documentação completa, ou as crises são atípicas. Nesse caso, o tratamento é iniciado empiricamente.

Na classificação funcional (utilizada no SUS para definir gravidade e necessidade de encaminhamento), temos:

  • Estágio 1 (leve): crises com duração de até 2 horas, sem perda auditiva significativa entre os episódios.
  • Estágio 2 (moderado): crises de 2 a 4 horas, com perda auditiva leve a moderada e zumbido persistente.
  • Estágio 3 (grave): crises prolongadas (>4 horas), perda auditiva moderada a severa, e sintomas incapacitantes para o trabalho e atividades diárias.

No Brasil, o CFM (Conselho Federal de Medicina) orienta que o diagnóstico seja baseado nos critérios da Academia Americana de Otorrinolaringologia, adaptados à realidade local. A classificação ajuda a definir a conduta: para casos leves, medidas dietéticas e medicação oral; para casos graves, injeções intratimpânicas de corticoides (disponíveis em serviços de referência do SUS) ou cirurgia (descompressão do saco endolinfático).

Quando procurar um médico

Você deve procurar atendimento médico, preferencialmente em uma unidade básica de saúde (UBS) ou clínica popular, se apresentar os seguintes sinais de alerta:

  • Crise de vertigem intensa que dura mais de 20 minutos e não melhora com repouso.
  • Zumbido persistente ou que piora junto com a tontura.
  • Sensação de ouvido entupido ou pressão no ouvido, especialmente se for unilateral.
  • Perda auditiva percebida durante as crises (dificuldade para entender conversas, sensação de “abafamento”).
  • Náuseas e vômitos frequentes associados a episódios de tontura.

Procure o médico mesmo se os sintomas forem leves. Um diagnóstico precoce pode retardar a progressão da perda auditiva e evitar complicações como quedas (muito comuns em idosos) ou isolamento social. No SUS, o clínico geral da UBS pode iniciar o tratamento com betahistina e solicitar exames simples como audiometria e impedanciometria. Se necessário, ele encaminha ao otorrinolaringologista. Lembre-se: não é normal ter tonturas repetidas. Muitos pacientes demoram anos até receber o diagnóstico correto, tratando como “labirintite” e usando remédios inadequados como cinarizina, que só mascaram os sintomas.

Sinais de urgência: se a crise de vertigem for muito intensa, com vômitos que impedem a hidratação, ou se houver perda súbita e total da audição, vá a uma emergência. O mesmo vale para sintomas neurológicos associados, como fraqueza, dormência, fala enrolada ou visão dupla — nesses casos pode não ser Meniere, mas sim um AVC (acidente vascular cerebral).

Termos Relacionados

  • Vertigem: Sensação de que o ambiente está girando, principal sintoma da Doença de Meniere. Diferencia-se de tontura (desmaio ou desequilíbrio).
  • Zumbido (acufeno): Som percebido sem estímulo externo. No Meniere, é geralmente unilateral, pode ser agudo ou grave e piora durante as crises.
  • Plenitude auricular: Sensação de ouvido “cheio” ou tampado, como se estivesse dentro de um aquário. Muitas vezes precede a crise vertiginosa.
  • Hidropisia endolinfática: O acúmulo anormal de líquido no labirinto que causa os sintomas. É a base fisiopatológica da doença.
  • Audiometria: Exame que mede a capacidade auditiva. Fundamental para confirmar o diagnóstico e acompanhar a progressão.
  • Betahistina: Medicamento usado no SUS para reduzir a frequência das crises. Melhora a circulação no ouvido interno.
  • Dieta hipossódica: Redução do consumo de sal (sódio), que ajuda a controlar o acúmulo de líquido no labirinto. É a primeira linha de tratamento não farmacológica.
  • Labirintectomia: Cirurgia para remover o labirinto, indicada em casos extremos com perda auditiva total e crises incapacitantes. Raramente realizada no SUS.

Perguntas Frequentes sobre Doença de Meniere

A Doença de Meniere tem cura?

Não, atualmente não há cura definitiva para a Doença de Meniere. Mas ela pode ser controlada com tratamento clínico e mudanças de hábitos. A maioria dos pacientes consegue reduzir a frequência e a intensidade das crises, levando uma vida praticamente normal. O foco é evitar a progressão da perda auditiva e melhorar a qualidade de vida.

Qual a diferença entre labirintite e Doença de Meniere?

“Labirintite” popularmente se refere a qualquer tontura, mas na verdade é uma inflamação do labirinto, geralmente causada por infecção viral ou bacteriana. Ela vem acompanhada de febre, secreção no ouvido e perda auditiva súbita. Já a Doença de Meniere é uma condição crônica, sem infecção, com crises recorrentes e sintomas típicos como zumbido e plenitude. No Brasil, o termo “labirintite” é usado de forma errada até por médicos, o que atrasa o diagnóstico correto.

O que pode desencadear uma crise de Meniere?

Os principais gatilhos são: consumo excessivo de sal (aumenta a retenção de líquido), estresse emocional, cafeína, álcool, tabaco, alterações de pressão atmosférica, privação de sono e mudanças hormonais (como TPM ou menopausa). Muitos pacientes notam que crises vêm após um período de tensão no trabalho. Por isso, o controle dietético e o manejo do estresse são partes essenciais do tratamento.

Qual médico trata a Doença de Meniere?

O especialista é o otorrinolaringologista. Porém, no SUS, o clínico geral ou o médico da família podem iniciar o tratamento e o acompanhamento básico. Casos complexos ou refratários devem ser encaminhados ao otorrino para exames como eletrococleografia ou tratamento com injeções intratimpânicas. Na rede pública, pode levar algum tempo para conseguir a consulta especializada, mas é possível se organizar via regulação.

A Doença de Meniere pode causar surdez total?

Sim, se não tratada, a doença pode levar à perda auditiva neurossensorial bilateral e até à surdez total em um dos ouvidos. No entanto, isso geralmente ocorre após muitos anos de crises repetidas. O tratamento adequado, com dieta, medicação e acompanhamento, retarda esse processo e muitas vezes preserva a maior parte da audição.

Existe algum exame para confirmar a Doença de Meniere?

Não há um exame único que “mostre” a doença. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da história e nos sintomas. O principal exame complementar é a audiometria (para documentar perda auditiva flutuante) e, em alguns casos, o teste de eletrococleografia (que detecta a pressão endolinfática). Ressonância magnética pode ser pedida para descartar


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