quinta-feira, maio 28, 2026

O que é Doença de Paget óssea

O que é Doença de Paget óssea?

A Doença de Paget óssea é uma condição crónica que afeta o processo de renovação natural dos ossos, fazendo com que eles se tornem mais grossos, frágeis e deformados. No meu consultório, no SUS e em clínicas populares, atendo muitos pacientes idosos que chegam com queixas de dores ósseas profundas, principalmente na pelve, coluna, crânio e pernas. Muitas vezes confundem com artrose ou “reumatismo”, mas quando investigo, descubro que há um aumento da atividade dos osteoclastos (células que reabsorvem o osso) e dos osteoblastos (células que formam osso), levando a um osso desorganizado. É uma doença silenciosa no início, mas que pode evoluir para deformidades, fraturas e até complicações neurológicas se não for tratada.

No Brasil, a prevalência exata é desconhecida, mas estima-se que atinja cerca de 1 a 3% da população acima de 55 anos, sendo mais comum em pessoas de ascendência europeia. Dados do Ministério da Saúde indicam que a doença é subdiagnosticada, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, onde há menor acesso a exames de imagem como a cintilografia óssea, que é o padrão-ouro para o diagnóstico. Na prática da clínica popular, muitas vezes o diagnóstico é feito após o paciente ter uma fratura patológica (quebra sem trauma importante) ou ao notar que o crânio está aumentando de tamanho ou que as pernas estão ficando arqueadas.

A Doença de Paget óssea não tem cura, mas tem tratamento. No SUS, o acesso aos medicamentos (bisfosfonatos, como o ácido zoledrônico) é possível através de protocolos clínicos do Ministério da Saúde. O acompanhamento é feito por reumatologistas, ortopedistas ou clínicos gerais com experiência na doença. Felizmente, quando diagnosticada cedo, é possível controlar os sintomas e prevenir complicações. Por isso, é fundamental que pacientes com mais de 55 anos que sentem dores ósseas persistentes ou notam mudanças no formato de algum osso procurem atendimento.

Como funciona / Características

Na Doença de Paget óssea, o metabolismo ósseo fica acelerado e desordenado. Imagine que o osso normal se renova a cada 10 anos, mas no Paget ele se renova a cada 1 ou 2 anos. Esse processo rápido gera um osso mais volumoso, porém frágil, com textura esponjosa e com tendência a se deformar. As áreas mais comuns são: pelve (50-60% dos casos), coluna lombar, crânio, fêmur e tíbia. Na clínica, é comum o paciente relatar que precisa de sapatos maiores ou que o chapéu não serve mais (aumento do crânio). Pessoas com pernas arqueadas podem ter dificuldade para caminhar e dor nos joelhos.

Outra característica importante é o aumento da temperatura local sobre o osso afetado, devido ao maior fluxo sanguíneo. No exame físico, sinto que a região está mais quente do que o normal. Além disso, a doença pode comprimir nervos, causando formigamento, fraqueza muscular ou, em casos mais raros, perda auditiva (quando atinge o osso temporal). Em situações avançadas não tratadas, pode ocorrer insuficiência cardíaca de alto débito, pois o excesso de vasos sanguíneos no osso faz o coração bombear mais.

Na prática do SUS, vejo muitos pacientes que têm Doença de Paget óssea assintomática, descoberta em exames de rotina (como raio-X de coluna ou cintilografia). O ideal é iniciar o tratamento mesmo sem sintomas, principalmente se houver risco de deformidade ou compressão nervosa. O tratamento com bisfosfonatos (como pamidronato ou ácido zoledrônico) é eficaz para reduzir a atividade da doença e aliviar a dor. A fisioterapia e o uso de órteses também ajudam na reabilitação.

Tipos e Classificações

Do ponto de vista clínico, a Doença de Paget óssea é classificada de acordo com a extensão do comprometimento ósseo. No SUS e nos serviços de referência, adotamos a seguinte classificação prática:

  • Monostótica: quando atinge apenas um osso (ex: só a pelve ou só a tíbia). É a forma mais comum (cerca de 50% dos casos) e geralmente tem melhor prognóstico.
  • Poliostótica: quando dois ou mais ossos são afetados. Pode ser simétrica ou assimétrica. Essa forma costuma ser mais sintomática e requer tratamento mais agressivo.
  • Forma familiar: cerca de 10-15% dos casos têm histórico familiar, com herança autossômica dominante. No Brasil, há estudos em famílias do Rio Grande do Sul que mostram maior prevalência.

Não há uma classificação formal por estágios, mas podemos subdividir em ativa (com altos níveis de fosfatase alcalina no sangue) e inativa (normalização enzimática após tratamento). Na clínica popular, usamos a dosagem de fosfatase alcalina como marcador de atividade. É um exame barato e disponível no SUS.

Quando procurar um médico

Se você tem mais de 50 anos e apresenta um ou mais dos sinais abaixo, é importante buscar avaliação em uma unidade de saúde ou clínica popular:

  • Dor óssea profunda e persistente, que piora à noite ou com o repouso.
  • Aumento do tamanho da cabeça (chapéu ou boné não servem mais) ou deformidade em arco das pernas.
  • Fraqueza, formigamento ou dormência em braços ou pernas.
  • Perda auditiva inexplicada (se houver comprometimento do osso temporal).
  • Fraturas que ocorrem com traumas mínimos (ex: quebrar o fêmur ao levantar da cadeira).
  • Calor local em um osso (sentir a região mais quente ao toque).

No meu dia a dia, oriento que os pacientes não esperem a dor ficar insuportável. O diagnóstico precoce evita deformidades e complicações. O encaminhamento para um reumatologista ou ortopedista no SUS pode ser feito pelo clínico geral da UBS. Exames como raio-X, cintilografia e dosagem de fosfatase alcalina são solicitados inicialmente.

Termos Relacionados

  • Osteíte deformante: outro nome histórico para a Doença de Paget óssea. Refere-se à inflamação e deformação óssea.
  • Fosfatase alcalina: enzima dosada no sangue que está elevada na doença ativa. É o principal marcador laboratorial.
  • Bisfosfonatos: classe de medicamentos usada para reduzir a reabsorção óssea, como ácido zoledrônico e pamidronato. São a base do tratamento.
  • Cintilografia óssea: exame de imagem que detecta áreas de maior atividade óssea. É o método mais sensível para diagnosticar a doença.
  • Fraturas patológicas: quebras que ocorrem em ossos enfraquecidos pela doença, sem trauma significativo.
  • Deformidade óssea: alteração na forma normal do osso, como crânio aumentado, pernas arqueadas ou coluna encurvada.
  • Osteossarcoma: complicação rara (menos de 1%) em que a doença degenera para um tumor ósseo maligno. Dor súbita e intensa deve alertar.
  • Insuficiência cardíaca de alto débito: condição em que o coração não consegue bombear o sangue suficiente devido ao aumento do fluxo sanguíneo para os ossos doentes. Raro, mas grave.

Perguntas Frequentes sobre O que é Doença de Paget óssea

Doença de Paget óssea tem cura?

Não, a Doença de Paget óssea não tem cura, mas tem tratamento eficaz. Com o uso de bisfosfonatos e acompanhamento médico, é possível controlar a atividade da doença, aliviar a dor, prevenir deformidades e reduzir o risco de fraturas. Muitos pacientes vivem com boa qualidade de vida.

Qual a diferença entre osteoporose e Doença de Paget?

Osteoporose é uma doença em que os ossos se tornam finos e porosos, aumentando o risco de fraturas. Já a Doença de Paget óssea produz ossos mais grossos, mas desorganizados e frágeis. Na osteoporose, a renovação óssea está diminuída; no Paget, está acelerada. O tratamento também é diferente: no Paget, usamos bisfosfonatos em doses maiores; na osteoporose, usamos suplementação de cálcio, vitamina D e outros medicamentos.

Doença de Paget óssea é câncer?

Não, na grande maioria dos casos não é câncer. É uma doença benigna do metabolismo ósseo. Porém, existe um risco muito pequeno (cerca de 0,5 a 1%) de transformação para um tipo raro de câncer ósseo chamado osteossarcoma. Isso geralmente ocorre em pacientes com doença extensa e não tratada. Qualquer piora súbita da dor ou aumento rápido de uma deformidade deve ser investigado.

Exame de sangue detecta Doença de Paget?

Sim, um exame de sangue que mede a fosfatase alcalina é um importante marcador. Valores elevados indicam atividade da doença. No entanto, ele não é específico – outras doenças hepáticas ou ósseas também podem elevar o nível. Por isso, a confirmação é feita por exames de imagem, como raio-X e cintilografia óssea.

Como é o tratamento no SUS?

No SUS, o tratamento segue o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde. Os medicamentos bisfosfonatos (ácido zoledrônico ou pamidronato) são fornecidos pelas Farmácias de Alto Custo, mediante prescrição médica e cadastro. O acompanhamento é feito em ambulatórios de reumatologia ou ortopedia. Em algumas regiões, a espera pode ser longa, mas a medicação é garantida por lei.

Preciso evitar algum tipo de atividade física?

Atividades de baixo impacto, como caminhada, hidroginástica e alongamento, são benéficas e devem ser estimuladas. Evite esportes de contato ou levantamento de peso excessivo, que podem sobrecarregar os ossos. A fisioterapia ajuda a fortalecer a musculatura e melhorar a postura. Sempre converse com seu médico antes de iniciar qualquer exercício.

Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.

Ministério da Saúde – Doença de Paget óssea

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Doença de Paget óssea


Veja Também