O que é O que é Drenagem pleural?
A drenagem pleural é um procedimento médico realizado para retirar ar, líquido ou pus que se acumulam de forma anormal no espaço pleural — a fina cavidade que existe entre os dois folhetos que revestem o pulmão (pleura visceral) e a parede interna do tórax (pleura parietal). No dia a dia de uma clínica popular brasileira ou de um pronto‑atendimento do SUS, esse quadro aparece com frequência: o paciente chega com falta de ar progressiva, dor torácica do tipo “facada”, muitas vezes referindo que “o peito está pesado” ou “não consigo respirar fundo”. Após ausculta pulmonar reduzida de um lado e confirmação por radiografia de tórax, identificamos um derrame pleural ou pneumotórax. É nesse momento que a drenagem se torna necessária.
No Brasil, as principais causas que levam à drenagem pleural são os derrames parapneumônicos (complicações de pneumonias), a tuberculose pleural (ainda muito prevalente, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde a incidência chega a 35–40 casos por 100 mil habitantes), e o pneumotórax espontâneo ou traumático. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 15% das internações por pneumonia evoluem com derrame pleural, e a tuberculose pleural corresponde a aproximadamente 5% dos casos novos de tuberculose no país. Realizar a drenagem correta e no tempo certo é essencial para evitar complicações como empiema (pus na pleura) ou insuficiência respiratória.
A drenagem pleural é um procedimento de média complexidade, previsto na tabela do SUS (procedimento 03.01.03.001-2 – Drenagem torácica fechada), e segue as diretrizes do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) quanto à esterilização dos materiais e ao uso de descartáveis. Em clínicas populares, geralmente o paciente é estabilizado e encaminhado para um hospital de referência, pois o procedimento exige ambiente estéril, monitorização e material específico (dreno de tórax, válvula de selo d’água, sistema de aspiração). Contudo, em unidades de saúde bem equipadas e com profissional treinado, pode ser realizado no próprio serviço.
Como funciona / Características
O princípio é simples: inserir um tubo (dreno) no espaço pleural, conectado a um sistema de drenagem fechada que permite a saída do conteúdo acumulado e impede a entrada de ar de volta. O procedimento é feito com anestesia local e, em geral, o paciente fica acordado, podendo sentir uma pressão ou desconforto, mas não dor intensa. O médico identifica o ponto de punção (normalmente no 5º ou 6º espaço intercostal, na linha axilar média ou anterior do lado afetado) e introduz o dreno através de uma pequena incisão. O dreno é fixado à pele e conectado a um frasco com água (selo d’água) que funciona como uma válvula unidirecional.
Na prática do SUS, o dreno permanece em média de 2 a 7 dias, dependendo da causa e da velocidade de melhora. A cada plantão, a equipe de enfermagem avalia o volume e aspecto do líquido drenado, a presença de bolhas (indicando vazamento de ar) e a oscilação do nível da água (que mostra se o sistema está funcionando). Quando a drenagem cessa e o pulmão reexpande, o dreno é retirado — procedimento rápido, feito à beira do leito. É importante que o paciente entenda que, durante o período com o dreno, ele pode sentir um “chiado” ou “burburinho” no peito, o que é normal, e que precisa evitar movimentos bruscos ou puxar o tubo acidentalmente.
Características principais:
- Alívio rápido da falta de ar: muitos pacientes relatam melhora imediata após a saída do líquido ou ar.
- Redução do risco de infecção: a drenagem impede que o pus ou líquido infectado permaneça comprimindo o pulmão.
- Necessidade de cuidados pós‑procedimento: radiografia de controle, fisioterapia respiratória e, se houver derrame purulento, antibioticoterapia adequada.
Tipos e Classificações
A drenagem pleural pode ser classificada de acordo com o material a ser drenado e o tipo de sistema utilizado. No Brasil, as classificações mais usadas na rotina clínica são:
- Quanto ao conteúdo:
- Drenagem de ar (pneumotórax): indicada quando há acúmulo de ar no espaço pleural, seja espontâneo (em pacientes jovens, altos e magros, ou por doença pulmonar) ou traumático (acidentes, ferimentos).
- Drenagem de líquido seroso ou sanguinolento (derrame pleural): pode ser transudato (ex.: insuficiência cardíaca, cirrose) ou exsudato (infecção, câncer, tuberculose).
- Drenagem de pus (empiema pleural): normalmente secundário a pneumonia ou abscesso pulmonar, exige drenagem mais ampla e, às vezes, lavagem pleural.
- Quanto ao sistema:
- Sistema fechado com selo d’água: o mais comum no SUS. O dreno fica imerso em água, formando uma vedação que impede a entrada de ar.
- Sistema com aspiração contínua: utilizado quando o pulmão não reexpande adequadamente, aplicando pressão negativa (geralmente -20 cmH₂O).
- Válvula de Heimlich (unidirecional): usada em pneumotórax simples, como opção ambulatorial ou em pacientes que precisam de drenagem prolongada. É uma válvula que permite a saída de ar, mas não a entrada.
- Quanto ao calibre do dreno:
- Drenos finos (cateteres 14–16 Fr): indicados para derrames líquidos não‑purulentos.
- Drenos médios (20–28 Fr): para a maioria dos casos de pneumotórax ou derrames volumosos.
- Drenos grossos (32–40 Fr): para empiemas ou hemotórax, pois necessitam de maior calibre para drenar material espesso.
Na prática, a escolha do tipo e calibre depende da avaliação do médico, baseada no exame clínico, na radiografia e, muitas vezes, na ultrassonografia torácica – exame cada vez mais disponível nas unidades de urgência do SUS.
Quando procurar um médico
Os sinais que indicam a necessidade de avaliação médica e possível drenagem pleural são:
- Falta de ar que surge ou piora rapidamente, mesmo em repouso.
- Dor torácica aguda, do tipo “pontada”, que piora ao respirar fundo ou tossir.
- Febre alta associada a tosse produtiva (suspeita de pneumonia complicada).
- História de trauma torácico (acidente de carro, queda, agressão) seguido de dificuldade para respirar.
- Lábios ou pontas dos dedos arroxeados (cianose).
- Diminuição dos movimentos respiratórios de um lado do peito.
Orientação ao paciente: se você apresentar qualquer um desses sintomas, procure imediatamente um pronto‑socorro ou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O diagnóstico precoce de derrame pleural ou pneumotórax salva vidas. Não tente “esperar passar” ou fazer remédios caseiros. A drenagem pleural, quando indicada, é um procedimento seguro e que proporciona alívio significativo.
Termos Relacionados
- Derrame pleural: acúmulo anormal de líquido no espaço pleural. Pode ser causado por infecção, câncer, insuficiência cardíaca, entre outros. É a principal indicação de drenagem pleural.
- Pneumotórax: presença de ar no espaço pleural, que colapsa o pulmão. Pode ser espontâneo, traumático ou hipertensivo (emergência médica).
- Empiema pleural: infecção purulenta do espaço pleural, geralmente consequência de pneumonia. Exige drenagem e antibióticos.
- Hemotórax: acúmulo de sangue no espaço pleural, comum em traumas torácicos. O tratamento é drenagem e, se volumoso, cirurgia.
- Selo d’água: sistema de drenagem que utiliza um frasco com água para vedar a entrada de ar no tórax, permitindo a saída do conteúdo pleural.
- Toracocentese: punção aspirativa do espaço pleural com agulha, realizada para diagnóstico (retirada de uma pequena amostra) ou para alívio temporário. Difere da drenagem porque não deixa dreno permanente.
- Pleurodese: procedimento que provoca aderência entre as pleuras para evitar recidiva de derrame ou pneumotórax. Pode ser química (com talco ou outros agentes) ou mecânica.
- Fisioterapia respiratória: conjunto de técnicas (como a espirometria de incentivo) que ajudam a reexpandir o pulmão após a drenagem e melhoram a ventilação.
Perguntas Frequentes sobre O que é Drenagem pleural
1. A drenagem pleural dói muito?
O procedimento é feito com anestesia local, portanto a pele e o tecido subcutâneo ficam dormentes. O que o paciente sente é uma sensação de pressão ou “beliscão” quando o dreno atravessa a pleura. Após a colocação, há um desconforto leve, controlado com analgésicos comuns. A maioria dos pacientes relata que a melhora da respiração compensa qualquer incômodo inicial.
2. Quanto tempo fico com o dreno?
Depende da causa. No pneumotórax simples, em média de 2 a 4 dias; em um derrame parapneumônico, pode levar de 5 a 7 dias. O médico avalia diariamente o volume drenado, a expansão pulmonar na radiografia e o aspecto do líquido. Quando o pulmão está completamente expandido e a drenagem cessa, o dreno é retirado.
3. Posso tomar banho com o dreno?
Não. É preciso manter o curativo seco e o sistema de drenagem sempre abaixo do nível do tórax para evitar refluxo. A equipe de enfermagem orienta a realização de banho de leito ou uso de toalhas umedecidas. O curativo protetor (geralmente um plástico transparente) permite uma higiene limitada. Após a retirada do dreno, você poderá tomar banho normalmente no dia seguinte.
4. A drenagem pleural pode ser feita em clínica popular?
Em geral, não. O procedimento exige ambiente estéril, materiais específicos (dreno, sistema de selo d’água, aspirador) e suporte para complicações. As clínicas populares costumam realizar o diagnóstico e, se necessário, encaminham o paciente para um hospital de referência do SUS. Algumas unidades de saúde da família bem equipadas podem realizar a toracocentese de alívio, mas a dren


