quarta-feira, junho 17, 2026

O que é Drenagem postural

O que é Drenagem postural?

A drenagem postural é uma técnica de fisioterapia respiratória que utiliza a força da gravidade para auxiliar a eliminação de secreções acumuladas nos pulmões e nas vias aéreas. No meu dia a dia como médico clínico geral no SUS e em clínicas populares, vejo essa técnica sendo amplamente indicada para pacientes com doenças respiratórias crônicas, como DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), asma, bronquiectasias e fibrose cística, além de casos de pneumonia e no pós-operatório de cirurgias torácicas ou abdominais. O objetivo principal é facilitar a remoção do catarro (secreção) que fica “preso” nos brônquios, melhorando a oxigenação e prevenindo infecções.

No Brasil, a drenagem postural é uma prática consolidada dentro da rede pública de saúde. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a asma atinge cerca de 6,4 milhões de brasileiros, e a DPOC é responsável por aproximadamente 40 mil internações por ano no SUS (fonte: Ministério da Saúde – Asma). Muitas dessas internações poderiam ser evitadas ou encurtadas com o uso correto da drenagem postural, associada a outras terapias respiratórias. Nas clínicas populares, frequentemente atendo pacientes que chegam com queixas de “peito cheio” e dificuldade para tossir, e a drenagem postural, quando ensinada de forma adequada, torna-se uma ferramenta poderosa para o autocuidado.

É importante destacar que a drenagem postural não deve ser confundida com a drenagem linfática (usada para reduzir inchaços). Trata-se de uma manobra que, combinada com tapotagem (percussão com as mãos em concha), vibração e tosse dirigida, potencializa a limpeza dos pulmões. No SUS, essa técnica é realizada por fisioterapeutas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), hospitais e centros de reabilitação, mas também pode ser adaptada para o ambiente domiciliar, desde que o paciente seja devidamente treinado.

Como funciona / Características

A drenagem postural funciona posicionando o corpo de forma que o segmento pulmonar afetado fique mais alto do que a traqueia, permitindo que a gravidade ajude a mover a secreção em direção às vias aéreas superiores, onde pode ser expelida pela tosse ou aspiração. Na prática clínica, utilizamos diferentes inclinações do leito ou superfície: desde o decúbito lateral (deitado de lado) até a posição de Trendelenburg (cabeça mais baixa que os pés), dependendo do lobo pulmonar que precisa ser drenado.

Vou dar um exemplo real: seu João, 65 anos, com DPOC, chega ao consultório com falta de ar e chiado no peito. Depois de avaliar a ausculta pulmonar (ouvir com estetoscópio), identifico que há acúmulo de secreção no lobo inferior direito. Oriento a esposa dele a colocá-lo em decúbito lateral esquerdo, com um travesseiro sob o quadril e os pés elevados cerca de 20 cm, e realizar tapotagens leves por 5 a 10 minutos, seguidas de tosse controlada. Isso, repetido duas vezes ao dia, já traz alívio visível em poucos dias.

No cotidiano das clínicas populares, a grande vantagem da drenagem postural é ser uma técnica de baixo custo, sem necessidade de equipamentos sofisticados. Muitas vezes, ensinamos o paciente e um familiar a realizá-la em casa, usando apenas travesseiros e uma cama ou colchonete. Porém, é essencial que o profissional de saúde avalie antes a condição cardiorrespiratória do paciente, pois em certos quadros (como insuficiência cardíaca descompensada, hipertensão intracraniana ou herniação de disco aguda) a drenagem postural é contraindicada.

Tipos e Classificações

Embora a drenagem postural seja uma técnica única em seu princípio, ela pode ser classificada de acordo com o segmento pulmonar a ser drenado e o método utilizado. No Brasil, a classificação mais adotada na fisioterapia respiratória segue a anatomía dos lobos e segmentos pulmonares, baseada nos brônquios segmentares. As principais posições incluem:

– **Drenagem do lobo superior (segmento apical, posterior e anterior):** paciente sentado ou semissentado, inclinado para frente ou para trás, conforme o segmento.
– **Drenagem do lobo médio (pulmão direito) e da língula (pulmão esquerdo):** decúbito lateral com inclinação de 30° a 45° e rotação do tronco.
– **Drenagem do lobo inferior (segmentos basal lateral, basal posterior, basal anterior e superior):** posição de Trendelenburg (cabeça baixa) com diferentes rotações.

Além disso, existem variações que incorporam dispositivos como o Flutter® ou o Acapella®, que geram vibração e resistência expiratória para potencializar a drenagem. No SUS, esses dispositivos são disponibilizados em alguns centros de referência para fibrose cística, mas a técnica manual ainda é a mais comum.

É válido mencionar que a drenagem postural também pode ser classificada quanto à duração: geralmente sessões de 15 a 30 minutos, uma a duas vezes por dia, ajustadas conforme a tolerância e a necessidade do paciente. A periodicidade deve ser definida por um fisioterapeuta ou médico, baseada na gravidade da doença e na quantidade de secreção.

Quando procurar um médico

A drenagem postural é geralmente segura, mas é fundamental que seja orientada e supervisionada por um profissional de saúde, especialmente no início. Procure um médico (clínico geral, pneumologista ou fisioterapeuta) nas seguintes situações:

– **Secreção com sangue ou de coloração amarelada/esverdeada:** pode indicar infecção respiratória ativa que necessita de tratamento com antibióticos.
– **Falta de ar que não melhora ou piora após a drenagem:** sinal de possível obstrução grave ou insuficiência respiratória.
– **Febre persistente (acima de 38°C por mais de 24 horas):** pode ser pneumonia ou exacerbação de doença crônica.
– **Dor torácica aguda ao tossir ou durante as manobras:** requer investigação para descartar derrame pleural ou fratura de costela.
– **Tontura, desmaio ou náuseas durante a drenagem:** pode ser efeito da posição (hipotensão postural) ou de outra condição subjacente.
– **Histórico de hipertensão intracraniana, aneurisma cerebral, glaucoma ou hérnia de disco cervical/lombar grave:** a drenagem postural pode ser contraindicada nesses casos.

Nas clínicas populares, muitas vezes o paciente chega com dúvidas sobre como fazer em casa. Por isso, sempre reforço: a drenagem postural não substitui o tratamento médico de base (como broncodilatadores, corticoides inalatórios ou antibióticos, quando indicados). Ela é uma terapia complementar, e qualquer piora dos sintomas deve ser comunicada ao profissional de saúde.

Termos Relacionados

  • Fisioterapia respiratória: conjunto de técnicas manuais e instrumentais que visam melhorar a ventilação pulmonar e a eliminação de secreções. A drenagem postural é uma das técnicas mais utilizadas.
  • Tapotagem: percussão rítmica com as mãos em concha sobre a região torácica, aplicada durante a drenagem postural para desprender secreções das paredes brônquicas.
  • Vibração: manobra de compressão e vibração manual da parede torácica durante a expiração, que ajuda a mobilizar o catarro.
  • Tosse assistida: técnica em que o profissional ou o próprio paciente realiza uma tosse direcionada, após a drenagem, para expelir a secreção mobilizada.
  • Bronquiectasia: dilatação anormal dos brônquios, geralmente causada por infecções repetidas, que leva a acúmulo crônico de secreção. A drenagem postural é essencial no tratamento.
  • DPOC: sigla para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, condição progressiva que causa obstrução ao fluxo aéreo. A drenagem postural ajuda no controle dos sintomas.
  • Inaloterapia: administração de medicamentos por via inalatória (nebulização) para dilatar os brônquios e fluidificar a secreção, muitas vezes combinada com a drenagem postural.
  • Segmento pulmonar: subdivisão anatômica dos lobos dos pulmões, cada um ventilado por um brônquio segmentar. A drenagem postural visa segmentos específicos.

Perguntas Frequentes sobre Drenagem postural

1. Drenagem postural é dolorosa?

Na maioria das vezes, não. Pode causar um leve desconforto, principalmente se houver muita secreção acumulada ou se a posição não for bem ajustada. Em pacientes com osteoporose, artrose ou dor torácica prévia, o profissional deve adaptar as posições e a intensidade das manobras. Sempre comunique ao seu fisioterapeuta se sentir dor durante o procedimento.

2. Posso fazer drenagem postural em casa sozinho?

Sim, desde que você seja orientado por um profissional de saúde (médico ou fisioterapeuta) e treinado para reconhecer as posições corretas e os sinais de alerta. Muitos pacientes com doenças crônicas realizam a drenagem postural diariamente em casa com ótimos resultados. No entanto, a primeira sessão deve ser supervisionada para evitar erros de posicionamento e garantir a segurança.

3. Para que serve a drenagem postural?

Serve para ajudar o organismo a eliminar o catarro (secreção) dos pulmões de forma mais eficiente. Isso melhora a respiração, reduz o risco de infecções (como pneumonia), diminui a falta de ar e pode reduzir a necessidade de internações hospitalares. Também é útil para pacientes que têm dificuldade para tossir, como idosos ou pessoas debilitadas.

4. Quando a drenagem postural NÃO deve ser feita?

É contraindicada em casos de hemorragia pulmonar ativa, pneumotórax não tratado, hipertensão intracraniana, aneurisma cerebral, instabilidade hemodinâmica (pressão baixa severa), fraturas instáveis da coluna ou costelas, e em pacientes com insuficiência cardíaca descompensada. Sempre faça uma avaliação médica antes de iniciar a técnica.

5. Quanto tempo dura cada sessão de drenagem postural?

Geralmente cada posição é mantida de 5 a 15 minutos, totalizando de 15 a


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