sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Drenagem torácica

O que é O que é Drenagem torácica?

A drenagem torácica é um procedimento médico de urgência ou eletivo que consiste na inserção de um tubo (dreno) no espaço pleural – a cavidade entre o pulmão e a parede torácica – para retirar ar, líquido, pus ou sangue que estejam comprimindo o pulmão e dificultando a respiração. No Brasil, essa intervenção é realizada diariamente nos prontos-socorros do SUS, em clínicas populares e hospitais de referência, sendo uma das manobras mais importantes na emergência pneumológica e traumática.

Na minha experiência de 15 anos como clínico geral, especialmente no SUS de Fortaleza e em clínicas populares, a drenagem torácica aparece principalmente em três cenários: pneumotórax espontâneo (quando o pulmão “murcha” sem causa aparente, comum em jovens altos e magros), derrame pleural (acúmulo de líquido, frequente em tuberculose – doença ainda endêmica no Brasil) e hemotórax (sangue no tórax após acidentes de trânsito ou ferimentos por arma branca/fogo). Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 70 mil novos casos de tuberculose são diagnosticados por ano no país, e 10 a 15% deles cursam com derrame pleural que pode necessitar de drenagem.

O procedimento é feito com anestesia local, inserindo um tubo de silicone ou polietileno entre as costelas, conectado a um sistema de selo d’água ou a vácuo. Muitas vezes o paciente chega ao consultório ou à UPA com falta de ar intensa, dor no peito e tosse seca; o diagnóstico é confirmado com um Raio-X de tórax simples, disponível até nas unidades básicas de saúde. Realizar a drenagem corretamente, com técnica estéril e monitoramento contínuo, salva vidas e evita complicações graves como o enfisema subcutâneo ou a infecção pleural.

Como funciona / Características

A drenagem torácica funciona basicamente como uma válvula de escape. O espaço pleural normalmente tem uma pressão negativa que mantém o pulmão insuflado. Quando há ar (pneumotórax) ou líquido (derrame), essa pressão se equilibra e o pulmão colapsa. O dreno, posicionado no local correto, permite que o ar ou líquido saia para o exterior, restabelecendo a pressão negativa e permitindo que o pulmão re-expanda.

No dia a dia de uma clínica popular, costumo orientar os pacientes assim: “O senhor vai sentir uma agulhada na costela, mas a anestesia local diminui muito a dor. Depois de colocar o tubinho, o ar ou o líquido vai escorrer para um frasco. Em algumas horas o pulmão volta a funcionar melhor e a falta de ar melhora.” O dreno fica conectado a um sistema de selo d’água (um frasco com soro fisiológico e um canudo submerso) que impede a entrada de ar de volta. Em hospitais do SUS, usamos também sistemas a vácuo com pressão controlada para acelerar a expansão pulmonar.

As características técnicas incluem: diâmetro do dreno (varia de 12 a 36 French – quanto maior, mais eficaz para líquidos viscosos como pus), local de inserção (geralmente 5º ou 6º espaço intercostal na linha axilar média), e fixação com pontos de sutura e curativo oclusivo. Após a colocação, é fundamental fazer um Raio-X de controle para confirmar a posição. O paciente fica internado em enfermaria ou UTI, dependendo da gravidade, e o dreno é retirado quando o volume drenado cai para menos de 100-150 mL/dia e o pulmão está totalmente expandido.

Tipos e Classificações

No Brasil, as drenagens torácicas são classificadas de acordo com a indicação, o tipo de material e o sistema de coleta:

  • Drenagem por toracostomia com tubo: a mais comum, usada em pneumotórax, derrame pleural, empiema (pus) e hemotórax. O tubo é inserido cirurgicamente ou por punção.
  • Drenagem por cateter de pequeno calibre (pigtail): menos invasiva, indicada para derrames pleurais livres e pneumotórax pequenos. Muito usada em clínicas e hospitais do SUS pela facilidade.
  • Drenagem a vácuo (sistema fechado): utiliza um frasco com vácuo regulável, preferida em hospitais com UTI para controle preciso da pressão.
  • Drenagem aberta (valva de Heimlich): sistema portátil, válvula unidirecional, usada em ambientes pré-hospitalares ou para tratamento ambulatorial de pneumotórax espontâneo.
  • Toracocentese de alívio: punção com agulha para retirar ar ou líquido em caráter emergencial, antes da drenagem definitiva.

A escolha do tipo depende da quantidade e natureza do conteúdo, do estado clínico do paciente e dos recursos disponíveis. No SUS, a toracostomia com tubo de silicone (dreno de tórax) é padronizada e fornecida pelo Ministério da Saúde, seguindo as diretrizes da ANVISA para material médico-hospitalar.

Quando procurar um médico

Se você ou alguém próximo apresentar os seguintes sinais, procure imediatamente um pronto-socorro ou uma clínica popular com capacidade de urgência:

  • Falta de ar súbita ou progressiva, mesmo em repouso
  • Dor torácica aguda (em pontada, que piora ao respirar fundo)
  • Tosse seca persistente acompanhada de cansaço
  • Chiado no peito ou diminuição dos sons respiratórios
  • Febre alta + dor no tórax (pode ser empiema – pus na pleura)
  • Trauma torácico recente (queda, acidente de carro, agressão) com qualquer desconforto respiratório
  • Cianose (lábios e pontas dos dedos arroxeados)

Lembre-se: a drenagem torácica é um procedimento médico que só deve ser indicado após avaliação clínica e de imagem. Nunca tente furar ou mexer no tórax em casa. Em clínicas populares, muitas vezes encaminhamos pacientes com suspeita de derrame pleural diretamente para a unidade de referência (UPA ou hospital) para realizar o procedimento, se necessário.

Termos Relacionados

  • Derrame pleural – acúmulo de líquido no espaço pleural, podendo ser inflamatório (tuberculose, pneumonia) ou tumoral. A drenagem é o tratamento de escolha quando há sintomas respiratórios.
  • Pneumotórax – presença de ar na cavidade pleural, causando colapso pulmonar. Pode ser espontâneo, traumático ou iatrogênico.
  • Hemotórax – acúmulo de sangue no tórax, geralmente após trauma ou cirurgia. Necessita drenagem para evitar fibrose e infecção.
  • Empiema pleural – infecção bacteriana na pleura, com pus. A drenagem é essencial, associada a antibióticos.
  • Toracocentese – punção aspirativa do tórax com agulha, para diagnóstico ou alívio imediato. Geralmente precede a drenagem definitiva.
  • Pleurodese – procedimento que colapsa a pleura contra o pulmão para evitar recidivas de pneumotórax ou derrame. Feito com talco ou substância irritante.
  • Enfisema subcutâneo – ar que se infiltra sob a pele do tórax, pescoço ou face, complicação de drenagem mal colocada ou vazamento. Desaparece com a correção do dreno.
  • Selamento torácico – sistema que impede a entrada de ar durante a drenagem. Inclui selo d’água e válvula de Heimlich.

Perguntas Frequentes sobre O que é Drenagem torácica

1. A drenagem torácica dói muito?

Resposta: A anestesia local (lidocaína) é feita antes da incisão e da passagem do dreno. Você sente uma picada e depois um desconforto, mas a dor forte dura poucos segundos. Durante a permanência do dreno, pode haver incômodo na costela, mas a melhora da falta de ar compensa. Analgésicos comuns (dipirona, paracetamol) são usados para controle.

2. Quanto tempo fico com o dreno no tórax?

Resposta: Em média, de 2 a 7 dias. Retiramos o dreno quando o pulmão está totalmente expandido (visto no Raio-X) e o volume drenado cai para menos de 100-150 mL ao dia. Em casos de empiema ou hemotórax grande, pode levar até 2 semanas.

3. Posso tomar banho com o dreno torácico?

Resposta: Não. O curativo deve permanecer seco e estéril. A equipe de enfermagem faz a limpeza diária com gaze e soro fisiológico. Se precisar de higiene, use toalhas umedecidas ou peça ajuda para um banho com saco plástico vedado. Nunca molhe a entrada do dreno.

4. Existe risco de infecção na drenagem torácica?

Resposta: Sim, como em qualquer procedimento invasivo, mas o risco é pequeno se a técnica estéril for seguida. No SUS, seguimos protocolo da ANVISA para antissepsia com clorexidina e uso de materiais descartáveis. A troca do frasco de drenagem é feita a cada 24-48 horas. Fique atento: febre, vermelhidão ou saída de pus no local são sinais de infecção e devem ser comunicados imediatamente.

5. A drenagem torácica deixa cicatriz?

Resposta: Deixa uma pequena cicatriz entre as costelas, geralmente de 1 a 2 centímetros, que com o tempo fica esbranquiçada. A maioria dos pacientes não se incomoda. Em alguns casos, usamos pontos intradérmicos para minimizar a marca.

6. O que acontece se o dreno sair do lugar?

Resposta: É uma emergência. Se o dreno sair acidentalmente, comprima o local com gaze estéril e chame o médico imediatamente. Pode ser necessário repor o dreno. O ar que entra pelo orifício pode causar pneumotórax hipertensivo, que é grave. Por isso, o dreno é fixado com pontos e o paciente é orientado a não puxá-lo.

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