sexta-feira, junho 12, 2026

O que é Dreno

O que é O que é Dreno?

No dia a dia de um clínico geral no SUS ou em uma clínica popular, o termo “dreno” aparece com frequência – e muitas vezes assusta quem nunca ouviu falar. De forma simples, um dreno é um tubo ou dispositivo médico usado para retirar líquidos, pus, sangue ou ar que se acumulam dentro do corpo após uma cirurgia, infecção ou trauma. Pense nele como uma “saída de emergência” para substâncias que não deveriam ficar paradas dentro de você, evitando complicações como infecções generalizadas, dor intensa ou dificuldade para respirar.

Na prática brasileira, especialmente nas emergências e centros cirúrgicos das unidades públicas, os drenos são essenciais. Segundo dados do DATASUS, milhares de procedimentos de drenagem são realizados todos os meses – desde drenagem de abcessos (furúnculos grandes e infectados) até drenos torácicos colocados em casos de pneumotórax (ar no peito) ou derrame pleural (líquido no pulmão). Uma pesquisa rápida no site da ANVISA mostra que os drenos são classificados como dispositivos médicos de uso único ou reutilizável, com normas rígidas de fabricação e esterilização para evitar contaminações.

É importante que o paciente entenda que um dreno não é um castigo, mas um aliado do tratamento. Na minha experiência, muitos chegam ao consultório com medo de “um cano no corpo”, mas quando explico que ele vai tirar a “sujeira” que impede a cicatrização, a adesão melhora. O dreno pode ficar de algumas horas a várias semanas, e sua remoção é feita pelo médico assim que o problema é resolvido.

Como funciona / Características

O princípio de funcionamento é simples: um tubo (de silicone, borracha, plástico ou até mesmo uma tira de gaze) é inserido dentro de uma cavidade ou ferimento, conectado a um sistema que coleta o líquido. No caso dos drenos fechados, uma bolsa ou frasco coleta o material e permite medir a quantidade exata – algo crucial em pós-operatórios de cirurgias de abdômen, mama ou tórax. Já os drenos abertos, como a tradicional “cigarrete” (uma tira de gaze envolta em borracha), deixam o líquido escorrer para um curativo, que precisa ser trocado com frequência.

Exemplos práticos do cotidiano:

  • Dreno de Penrose – muito usado em clínicas populares para drenar abcessos superficiais. É uma tira fina de borracha que fica parcialmente dentro do ferimento e parcialmente fora, permitindo a saída do pus.
  • Dreno torácico – colocado no espaço entre o pulmão e a costela para retirar ar ou líquido. No SUS, é comum em pacientes com traumatismo torácico ou complicações de pneumonia.
  • Dreno de Jackson-Pratt (com bolsa compressível) – usado em cirurgias de grande porte (mama, abdômen) para sugar líquidos aos poucos. O paciente aprende a “esvaziar a bolsinha” em casa.

Uma característica que sempre destaco: a saída do dreno costuma ser um pouco dolorida, mas suportável. A equipe de enfermagem orienta sobre os cuidados básicos – manter o curativo limpo, não puxar o dreno, observar a coloração do líquido (sanguinolento, amarelado, esverdeado) e avisar se houver febre ou vermelhidão no local. No contexto do SUS, a orientação é reforçada por materiais impressos e, em muitos casos, pela visita domiciliar do Agente Comunitário de Saúde.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) recomenda que a indicação, o tipo e o tempo de permanência do dreno sejam registrados no prontuário, garantindo a segurança do paciente. Dados da ANVISA apontam que a infecção relacionada a drenos é uma das principais causas de complicações em hospitais brasileiros, por isso é tão importante seguir à risca as orientações de higiene.

Tipos e Classificações

No Brasil, a classificação mais usada no dia a dia é entre drenos passivos (que funcionam por gravidade ou capilaridade) e drenos ativos (que usam sucção, como uma bombinha ou vácuo). Veja os principais tipos que você pode encontrar:

  • Dreno de Penrose: tira de borracha plana, aberta, sem sucção. Comum em pequenas cirurgias e atendimentos de emergência.
  • Dreno de Kehr: tubo em T usado na vesícula biliar, após cirurgia de colédoco.
  • Dreno torácico (tubo de tórax): calibre grosso, com válvula unidirecional (sistema de selo d’água). Essencial em pneumotórax e derrame pleural.
  • Dreno de Jackson-Pratt: com bulbo compressível que gera vácuo, muito usado em mastectomias e cirurgias abdominais.
  • Dreno de Blake: similar ao JP, mas com ponta ranhurada, comum em cirurgias cardíacas.
  • Dreno de silicone com fio guia: usado em drenagens percutâneas guiadas por ultrassom, comuns em abscessos hepáticos ou renais.
  • Dreno de gaze (mecha ou laminar): improvisado em situações de baixa complexidade, como furúnculos grandes – uma tira de gaze esterilizada é introduzida na cavidade e trocada a cada curativo.

Uma classificação funcional importante: dreno aberto (o líquido sai para o curativo) versus dreno fechado (sistema estéril, com bolsa coletora). No SUS, os fechados são preferíveis quando há grande volume ou risco de contaminação do ambiente.

Quando procurar um médico

Se você ou um familiar está com um dreno, fique atento a estes sinais de alerta. Eles indicam que algo não vai bem e exigem avaliação médica urgente – vá ao pronto-socorro mais próximo ou entre em contato com a equipe que acompanha o caso:

  • Febre (acima de 38°C) associada a calafrios, suor frio ou mal-estar geral – pode ser infecção no dreno ou na cavidade.
  • Vermelhidão, inchaço, calor ou pus amarelo/esverdeado na saída do dreno – sinal claro de infecção local.
  • Dor que piora em vez de melhorar, principalmente no local onde o dreno está inserido.
  • Diminuição súbita da drenagem (o líquido para de sair) ou aumento excessivo, com sangue vivo ou coágulos grandes.
  • Dreno que sai do lugar, cai ou é puxado acidentalmente – não tente recolocar; cubra com gaze limpa e vá ao médico.
  • Dificuldade para respirar, tosse ou dor no peito em pacientes com dreno torácico.

Na atenção básica, o clínico geral ou o enfermeiro faz a troca de curativos e avalia se o dreno pode ser retirado. Em hospitais, a remoção é feita pelo cirurgião ou médico intensivista. Lembre-se: nunca mexa no dreno por conta própria – cada tipo tem uma técnica de remoção e um tempo mínimo de permanência.

Termos Relacionados

  • Drenagem: ato de retirar líquidos de uma cavidade ou ferida por meio de um dreno ou punção.
  • Abscesso: coleção de pus dentro do tecido (ex.: furúnculo infectado, abscesso dentário). Para drenar, usa-se um dreno.
  • Pneumotórax: presença de ar no espaço pleural (entre pulmão e costela). O tratamento é a drenagem torácica.
  • Derrame pleural: acúmulo de líquido no mesmo espaço – pode ser água, pus ou sangue. Dreno torácico resolve.
  • Curativo: cobertura estéril sobre a saída do dreno, que deve ser trocada regularmente para evitar infecção.
  • Selo d’água: sistema usado no dreno torácico que permite a saída de ar/líquido, mas impede a entrada de ar de volta.
  • Fístula: comunicação anormal entre dois órgãos ou entre um órgão e a pele. Às vezes um dreno é usado para desviar o fluxo.
  • Granulação: tecido novo que se forma na ferida enquanto o dreno está presente – sinal de cura.

Perguntas Frequentes sobre O que é Dreno

O dreno dói? Vou sentir dor enquanto ele estiver no lugar?

A colocação do dreno costuma ser feita com anestesia local ou geral, por isso você não sente dor no momento. Durante o tempo em que ele está no corpo, pode haver um desconforto leve, especialmente nos movimentos. A dor mais intensa geralmente ocorre na retirada – mas é rápida. Se você sentir dor forte, ardência ou latejamento, informe a equipe. Pode ser sinal de infecção ou mau posicionamento.

Quanto tempo o dreno fica? Posso ir para casa com ele?

Depende do motivo. Drenos de abscesso podem ficar de 2 a 5 dias. Drenos cirúrgicos (como na mama ou abdômen) podem permanecer de 1 a 3 semanas. Sim, muitos pacientes vão para casa com o dreno – você receberá orientações sobre como cuidar, medir a drenagem e identificar sinais de alerta. No SUS, há suporte da atenção básica e, em alguns casos, visita de enfermagem domiciliar.

O que significa a cor do líquido que sai pelo dreno?

  • Vermelho vivo: sangramento ativo – avise o médico.
  • Marrom ou amarronzado: sangue velho (normal nos primeiros dias).
  • Amarelo claro ou palha: soro ou líquido inflamatório – comum e esperado.
  • Amarelo escuro, esverdeado ou com cheiro forte: pus – sugere infecção e precisa de avaliação.
  • Líquido leitoso: quilo (linfa) – visto em alguns pós-operatórios, requer tratamento específico.

Anote a cor e a quantidade diariamente para mostrar ao médico.

Posso tomar banho com o dreno?

Depende do tipo. Se o dreno for fechado (com bolsa) e a saída estiver bem vedada com curativo impermeável, você pode tomar banho rápido, evitando molhar diretamente. O ideal é usar plástico filme e fita para proteger. Drenos abertos (com gaze) devem ficar secos – nesse caso, só banho de esponja. Pergunte ao seu médico ou enfermeiro qual a orientação no seu caso.

O dreno pode entupir? O que fazer?

Sim, coágulos ou pus espesso podem obstruir o dreno. Se a drenagem parar de repente e houver dor ou distensão no local, procure o serviço de saúde. Não tente desentupir com agulhas ou seringas – pode piorar. O médico pode lavar o dreno com soro fisiológico ou substituí-lo.

Quando o dreno é retirado, fica cicatriz? O buraco fecha?

Na maioria dos casos, a saída do dreno forma um pequeno orifício que cicatriza em 1 a 2 semanas. A cicatriz costuma ser pequena e clareia com o tempo. O médico orienta a fazer curativo compressivo por alguns dias até o fechamento. Infecções ou drenos por muito tempo podem deixar uma cicatriz mais evidente, mas


Veja Também