Em 2026, estima-se que a gengivite ulcerativa necrosante aguda (GUNA) seja diagnosticada em aproximadamente 2% dos pacientes jovens (15–30 anos) que procuram serviços odontológicos no Brasil, com taxas mais elevadas em fumantes e indivíduos sob estresse crônico. Dados do Ministério da Saúde indicam que a condição representa cerca de 5% de todos os casos de gengivite atendidos na atenção primária.
Introdução
Você já sentiu uma dor intensa na gengiva, com sangramento fácil e um gosto metálico na boca, além de notar pequenas feridas ou “buracos” entre os dentes? Essa combinação de sintomas pode ser sinal de uma condição conhecida como gengivite ulcerativa necrosante aguda (GUNA), uma infecção gengival dolorosa e de rápida progressão. Diferente da gengivite comum, a GUNA envolve necrose (morte) dos tecidos gengivais e requer atenção imediata. Neste artigo, vamos explicar o que é, por que acontece, como é tratada e o que você pode fazer para evitar complicações.
- O que é: Infecção gengival aguda caracterizada por necrose, ulceração e dor intensa, geralmente associada a má higiene, estresse e tabagismo.
- Quando ocorre: Mais comum em adultos jovens (15–30 anos), especialmente em situações de estresse agudo, imunossupressão, desnutrição ou após infecções virais.
- Quem trata: Cirurgião-dentista (periodontista), mas casos graves podem necessitar de avaliação médica para descartar doenças sistêmicas.
- Urgência: Alta – requer tratamento rápido para evitar destruição gengival e complicações como infecções generalizadas.
- Tratamento: Limpeza profissional, antibióticos (metronidazol, amoxicilina), analgésicos, bochechos com antissépticos e correção dos fatores de risco.
João, 22 anos, estudante universitário, fumante de 5 cigarros/dia, passou por um período intenso de provas e noites mal dormidas. Após uma semana, notou sangramento gengival ao escovar os dentes, mau hálito forte e dor que piorava ao mastigar. Ao olhar no espelho, viu pequenas crateras amareladas na gengiva entre os dentes inferiores. Ele procurou o dentista, que diagnosticou gengivite ulcerativa necrosante aguda e iniciou tratamento com raspagem profissional, prescrição de metronidazol por 7 dias, bochechos com clorexidina 0,12% e orientações para cessar o tabagismo. Em 48 horas, a dor diminuiu significativamente. Após 2 semanas, a gengiva já estava cicatrizada, e João recebeu instruções de higiene bucal para evitar recidivas.
O que é Gengivite Ulcerativa Necrosante Aguda
A gengivite ulcerativa necrosante aguda (GUNA), também conhecida como gengivite de Vincent ou “boca de trincheira”, é uma infecção polimicrobiana aguda e dolorosa dos tecidos gengivais. Ela se caracteriza por ulceração e necrose (morte tecidual) das papilas interdentárias (a “ponta” da gengiva entre os dentes), que adquirem uma coloração amarelada ou acinzentada devido à formação de pseudomembranas. A GUNA é diferente da gengivite crônica simples: enquanto a gengivite comum causa inflamação e sangramento sem perda tecidual, na GUNA ocorre destruição real do tecido gengival, exigindo intervenção imediata.
A doença é causada por uma combinação de bactérias anaeróbias, como Fusobacterium nucleatum, Prevotella intermedia e espiroquetas (como Treponema denticola), que normalmente estão presentes na boca mas se proliferam de forma descontrolada quando o equilíbrio do ecossistema bucal é quebrado. Fatores como estresse intenso, má higiene bucal, tabagismo, desnutrição e infecções virais (como herpes simples) reduzem a defesa imunológica local, permitindo que essas bactérias ataquem a gengiva. A GUNA costuma ser uma condição dolorosa e de rápido desenvolvimento, surgindo em dias ou até horas após o gatilho.
Historicamente, a GUNA foi descrita em soldados durante a Primeira Guerra Mundial, que viviam em condições precárias de higiene e estresse extremo, daí o termo “boca de trincheira”. Hoje, ela é mais comum em jovens adultos, fumantes, pessoas com doenças que afetam a imunidade (HIV, desnutrição, diabetes) e aqueles que passam por estresse agudo. O reconhecimento precoce é fundamental para evitar a progressão para formas destrutivas que podem comprometer os ossos de suporte dos dentes.
Como funciona e qual sua importância no organismo
A GUNA não é simplesmente uma “gengivite mais forte”. Ela representa um colapso da barreira imunológica da mucosa bucal, permitindo que bactérias oportunistas invadam os tecidos gengivais e provoquem necrose. A importância de entender essa condição está no fato de que a boca é a porta de entrada para muitas infecções sistêmicas. Se não tratada, a GUNA pode se estender para ligamentos periodontais, osso alveolar e até mesmo para outras regiões da face, levando a celulite facial, osteomielite e, em casos raros, sepse.
No organismo, os mecanismos de defesa da gengiva incluem o epitélio (camada externa), o fluxo salivar (com enzimas antibacterianas) e as células imunes como neutrófilos e linfócitos. Na GUNA, esses mecanismos são sobrepujados por uma combinação de fatores: redução da salivação (estresse, desidratação, fumo), liberação de toxinas bacterianas que danificam células, e diminuição da resposta imunológica devido a desnutrição ou imunossupressão. Como resultado, formam-se úlceras que expõem o tecido conjuntivo subjacente, que se necrosa pela ação enzimática e pela falta de suprimento sanguíneo local.
A importância clínica vai além do desconforto. A GUNA pode ser um marcador de condições sistêmicas subjacentes, como infecção pelo HIV, desnutrição grave ou doenças hematológicas. Portanto, o diagnóstico de GUNA muitas vezes leva o profissional a investigar a saúde geral do paciente. Além disso, a inflamação crônica associada à doença periodontal (que tem a GUNA como uma de suas manifestações agudas) está relacionada a doenças cardiovasculares, diabetes e partos prematuros, reforçando a necessidade de tratamento integral.
Tipos e variações
A gengivite ulcerativa necrosante aguda pode ser classificada de acordo com sua extensão e gravidade, embora a forma clássica seja a mais comum. Existem também variações relacionadas a condições específicas do paciente. As principais formas são:
- GUNA localizada: Restrita a uma ou algumas papilas interdentárias, geralmente na região anterior inferior. É a forma mais branda e responde bem ao tratamento.
- GUNA generalizada: Atinge múltiplas papilas e pode se estender para a gengiva marginal (borda da gengiva) e inserida (gengiva fixa). Apresenta maior dor e sangramento.
- Gengivite necrosante recorrente: Episódios repetidos de GUNA em pacientes que não corrigem os fatores de risco (tabagismo, estresse). Exige abordagem multidisciplinar.
- Periodontite ulcerativa necrosante (PUN): Quando a necrose atinge além da gengiva, afetando o periodonto de inserção (ligamento e osso alveolar). É uma progressão da GUNA que pode levar à perda de dentes.
- Noma (cancrum oris): Forma grave e rara que ocorre principalmente em crianças desnutridas na África e Ásia, com extensa necrose facial. Felizmente, é muito rara no Brasil.
Cada variação exige uma abordagem ajustada: a localizada pode ser tratada com raspagem e bochechos; a generalizada frequentemente requer antibióticos sistêmicos; a PUN demanda terapia periodontal avançada. O reconhecimento da variação é essencial para o prognóstico.
Causas e fatores de risco
A GUNA tem etiologia multifatorial, envolvendo a interação entre microrganismos oportunistas e um hospedeiro com defesas comprometidas. As principais causas diretas são as bactérias anaeróbias gram-negativas, especialmente fusobactérias e espiroquetas. No entanto, essas bactérias só conseguem agir quando o ambiente bucal e o sistema imunológico do paciente permitem. Os fatores de risco mais estabelecidos incluem:
- Tabagismo: O fumo reduz o fluxo salivar, diminui a oxigenação dos tecidos e compromete a quimiotaxia de neutrófilos, favorecendo a necrose. Cerca de 90% dos pacientes com GUNA são fumantes.
- Estresse agudo: Liberação de cortisol e catecolaminas reduz a resposta imune local, além de provocar bruxismo e piora da higiene bucal.
- Má higiene bucal: Acúmulo de placa bacteriana e cálculo dental fornece substrato para bactérias anaeróbias.
- Desnutrição e deficiências vitamínicas: Especialmente de vitamina C (escorbuto) e vitaminas do complexo B, que comprometem a reparação tecidual e a imunidade.
- Imunossupressão: HIV/AIDS, quimioterapia, uso de corticosteroides, diabetes descontrolado, leucemia.
- Infecções virais prévias: Como herpes simples, que quebra a integridade epitelial e facilita a invasão bacteriana.
- Álcool e drogas: O consumo excessivo de álcool e o uso de drogas (como crack) são associados à maior incidência de GUNA.
A combinação de dois ou mais fatores de risco aumenta exponencialmente a chance de desenvolvimento da doença. Por exemplo, um jovem fumante que passa por estresse intenso e tem má higiene bucal está em altíssimo risco.
Sintomas e manifestações clínicas
Os sintomas da GUNA são tipicamente agudos e de início rápido, podendo evoluir em 24 a 48 horas. O quadro clínico clássico inclui:
- Dor intensa: A dor na gengiva é espontânea ou provocada pela mastigação, escovação ou toque. É geralmente descrita como latejante ou constante.
- Sangramento gengival: Sangramento fácil e espontâneo, frequentemente notado ao cuspir ou ao acordar com manchas de sangue no travesseiro.
- Ulceracão e necrose: Pequenas depressões (“crateras”) na gengiva entre os dentes (papilas interdentárias), cobertas por uma membrana amarelo-acinzentada (pseudomembrana) que é facilmente removida, deixando superfície sangrante.
- Halitose intensa (mau hálito): Odor pútrido característico, devido à necrose tecidual e metabolismo bacteriano.
- Gosto metálico ou amargo: Sensação desagradável persistente na boca.
- Febre e mal-estar geral: Febre baixa (até 38°C), fadiga, linfonodos submandibulares aumentados e doloridos.
- Dificuldade para comer: Devido à dor, o paciente pode evitar alimentos sólidos, quentes ou temperados.
Em casos avançados, a necrose pode se estender além da gengiva, causando exposição óssea e mobilidade dentária. Sinais de alarme incluem febre alta, inchaço facial severo, trismo (dificuldade para abrir a boca) e dificuldade para respirar ou engolir. Esses sinais sugerem disseminação da infecção e exigem atendimento hospitalar imediato.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da GUNA é essencialmente clínico, baseado na história do paciente e no exame físico da cavidade oral. O cirurgião-dentista, de preferência um periodontista, realizará os seguintes passos:
- Anamnese detalhada: Perguntas sobre início dos sintomas, hábitos (tabagismo, estresse, alimentação), medicações, doenças sistêmicas e histórico de infecções virais.
- Exame intraoral: Observação das papilas interdentárias necrosadas, presença de pseudomembranas, sangramento e odor. Geralmente utiliza-se uma sonda periodontal para avaliar a profundidade das bolsas e a presença de necrose.
- Teste da placa: Pode ser feita a remoção suave da pseudomembrana para verificar sangramento e exposição de tecido necrótico.
- Exames complementares: Em casos atípicos ou recorrentes, pode ser solicitada biópsia para descartar doenças como carcinoma gengival, pênfigo ou granulomatose. Exames de sangue como hemograma, glicemia, sorologia para HIV e dosagem de vitamina C podem ser indicados para identificar fatores contribuintes.
- Radiografias: As radiografias periapicais ou panorâmicas são úteis para avaliar a extensão da doença para o periodonto de inserção (perda óssea), especialmente em suspeita de periodontite necrosante.
O diagnóstico diferencial inclui gengivite herpética (vesículas, lesões em todo o palato e mucosa), gengivite bacteriana não necrosante (apenas inflamação e sangramento), infecção fúngica (candidíase), leucoplasia e câncer de boca. Um profissional experiente consegue distinguir facilmente pela aparência clínica: as crateras necrosadas nas papilas interdentárias são patognomônicas da GUNA.
Tratamentos e abordagens terapêuticas
O tratamento da GUNA tem três pilares: debridamento mecânico profissional, controle da infecção com antimicrobianos e correção dos fatores de risco. A abordagem é multidisciplinar e geralmente ocorre em fases:
- Fase 1 – Atendimento de urgência: O dentista realiza raspagem e alisamento radicular (remoção de placa e cálculo) sob anestesia local para remover todo o tecido necrótico e a pseudomembrana. Bochechos com água oxigenada diluída (1:1 com água morna) ou clorexidina 0,12% ajudam na desinfecção e no controle do odor.
- Fase 2 – Antibioticoterapia: Em casos moderados a graves, antibióticos sistêmicos são prescritos. O regime de primeira linha é metronidazol (400 mg, 3x/dia por 7 dias) combinado ou não com amoxicilina (500 mg, 3x/dia por 7 dias). Para pacientes alérgicos, pode-se usar clindamicina. O metronidazol é especialmente eficaz contra bactérias anaeróbias.
- Fase 3 – Controle da dor: Analgésicos como paracetamol ou ibuprofeno ajudam a aliviar o desconforto. Evite aspirina por risco de sangramento.
- Fase 4 – Correção dos fatores de risco: Abandono do tabagismo, orientações nutricionais (suplementação de vitaminas C e B se necessário), gerenciamento do estresse (terapia, meditação) e melhora da higiene bucal (escovação suave, uso de fio dental e bochechos recomendados).
- Fase 5 – Acompanhamento: Retorno em 48 horas para reavaliação. A maioria dos pacientes apresenta melhora significativa da dor e do sangramento nesse período. De 7 a 14 dias, a necrose costuma estar resolvida. Após a cura, é necessária reavaliação periodontal completa para tratar possíveis sequelas, como perda óssea ou retrações gengivais.
Pacientes com GUNA grave ou imunocomprometidos podem necessitar de internação para antibióticos intravenosos. O tratamento nunca deve ser adiado, pois a necrose pode progredir para a periodontite necrosante, levando à perda dentária.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da GUNA está intimamente ligada ao controle dos fatores de risco. Medidas eficazes incluem:
- Higiene bucal rigorosa: Escovação com creme dental fluoretado após as refeições, uso diário de fio dental e enxaguante bucal sem álcool (preferencialmente com clorexidina 0,12% ou peróxido de hidrogênio diluído, sob orientação).
- Abandono do tabagismo: O tabaco é o principal fator de risco modificável. Programas de cessação do tabagismo reduzem drasticamente a recorrência.
- Alimentação equilibrada: Dieta rica em frutas, verduras, proteínas e vitaminas (C, B12, ácido fólico). Evitar jejuns prolongados e dietas restritivas.
- Gestão do estresse: Práticas como meditação, yoga, exercícios físicos regulares e terapia psicológica ajudam a manter a imunidade.
- Consultas periódicas ao dentista: Visitas semestrais para limpeza profissional permitem identificar precocemente qualquer sinal de gengivite ou outros problemas.
- Cuidados especiais em situações de risco: Se você está passando por um período de estresse intenso, doença ou internação, redobre a atenção com a higiene bucal e informe seu médico ou dentista.
A prevenção contínua é especialmente importante para quem já teve um episódio de GUNA, pois a recorrência é comum (em 30-50% dos casos) se os fatores de risco não forem corrigidos. O acompanhamento periodontal regular é fundamental para manter a saúde bucal e evitar novas crises.
Quando procurar ajuda médica
Você deve procurar um cirurgião-dentista imediatamente se apresentar os seguintes sinais:
- Dor intensa e súbita na gengiva, especialmente entre os dentes.
- Surgimento de úlceras ou “crateras” na gengiva, com coloração amarelada ou acinzentada.
- Sangramento gengival espontâneo ou ao mínimo toque.
- Mau hálito persistente e forte, de odor pútrido.
- Febre, mal-estar e gânglios no pescoço inchados e doloridos.
- Dificuldade para comer ou falar devido ao desconforto.
Além disso, alguns sinais de alerta indicam necessidade de atendimento hospitalar (pronto-socorro):
- Inchaço facial ou cervical significativo.
- Dificuldade para abrir a boca (trismo) ou engolir.
- Febre alta (acima de 38,5°C) e calafrios.
- Dificuldade para respirar.
- Sangramento incontrolável.
Pacientes com doenças imunossupressoras (HIV, câncer em tratamento, diabetes descompensado) devem ser avaliados com urgência, mesmo com sintomas leves, pois a infecção pode progredir rapidamente. Lembre-se: a GUNA é tratável, mas negligência pode levar a complicações sérias, como perda de tecido, ossos e dentes, e até infecção generalizada.
Dicas Práticas
- 01. Ao sentir os primeiros sintomas, evite escovar a região dolorida com força; use uma escova de cerdas macias e movimentos suaves para não agravar a necrose.
- 02. Faça bochechos com água morna e sal (1 colher de chá de sal em 1 copo de água morna) 3 vezes ao dia para aliviar a dor e ajudar na desinfecção enquanto aguarda a consulta.
- 03. Se você fuma, interrompa o uso do cigarro durante o tratamento – o tabaco prejudica a cicatrização e aumenta o risco de recidiva.
- 04. Mantenha uma alimentação pastosa e fria (sopas, purês, iogurtes) nos primeiros dias para não machucar a gengiva e diminuir a dor mastigatória.
- 05. Não use enxaguantes bucais com álcool durante a fase aguda, pois podem irritar ainda mais o tecido necrosado.
- 06. Anote as medicações prescritas e os horários para não esquecer de tomar antibióticos; a adesão completa ao tratamento é essencial para evitar resistência bacteriana.
- 07. Após a cura, invista em um novo hábito: use um spray de própolis ou gel de aloe vera na gengiva para fortalecer a mucosa e reduzir inflamações recorrentes.
Perguntas Frequentes sobre o que é gengivite ulcerativa necrosante aguda
1. A gengivite ulcerativa necrosante aguda é contagiosa?
Não. A GUNA não é considerada uma doença contagiosa por contato casual. As bactérias envolvidas já estão presentes na boca de muitas pessoas, mas a doença só se desenvolve quando há fatores predisponentes (como estresse, tabagismo e má higiene). Não é transmitida pelo beijo ou compartilhamento de utensílios.
2. Quanto tempo leva para curar a GUNA?
Com tratamento adequado (limpeza profissional e antibióticos), os sintomas como dor e sangramento melhoram significativamente em 24 a 48 horas. A cicatrização completa das úlceras ocorre em cerca de 7 a 14 dias. No entanto, a recuperação total da gengiva pode levar de 3 a 4 semanas.
3. Posso tratar GUNA em casa só com bochechos?
Não. Embora bochechos com água morna e sal, peróxido de hidrogênio diluído ou clorexidina possam aliviar os sintomas temporariamente, eles não eliminam a causa. A remoção dos depósitos de placa e cálculo pelo dentista é indispensável para remover a necrose e a fonte de bactérias. O uso de antibióticos sem avaliação profissional também é perigoso.
4. A GUNA pode voltar depois do tratamento?
Sim, a recorrência é comum se os fatores de risco não forem eliminados. Pacientes que continuam fumando, sob estresse crônico ou com higiene bucal inadequada têm maior chance de ter novos episódios. Por isso, o acompanhamento odontológico regular e a mudança de hábitos são fundamentais.
5. GUNA pode causar perda de dentes?
Em casos avançados, a necrose pode se estender para os tecidos que seguram os dentes (periodonto), levando à perda de osso e mobilidade dentária. Se tratada precocemente, a perda dentária é rara, mas se a condição evoluir para periodontite necrosante, pode haver perda de suporte ósseo e extrações.
6. Crianças podem ter GUNA?
Embora seja mais comum em adolescentes e adultos jovens, crianças podem desenvolver quadros graves de gengivite necrosante, especialmente em situações de desnutrição, doenças sistêmicas ou imunodeficiências. Nessas faixas etárias, a condição exige acompanhamento médico e nutricional.
7. Existe relação entre GUNA e HIV?
Sim. A GUNA é considerada uma condição associada à imunossupressão, e sua presença pode ser um dos primeiros sinais de infecção pelo HIV. Pacientes com HIV têm maior risco de desenvolver formas graves e recorrentes de GUNA. Por isso, a investigação sorológica pode ser necessária.
8. Qual a diferença entre GUNA e gengivite comum?
A gengivite comum (gengivite induzida por placa) é uma inflamação superficial sem perda de tecido, caracterizada por vermelhidão, inchaço e sangramento. Já a GUNA provoca necrose (morte) das papilas gengivais, com formação de úlceras, pseudomembranas e dor intensa. A GUNA também tem evolução muito mais rápida e requer tratamento com antibióticos.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 25/06/2026
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