Em 2025, a prevalência de mastoidite aguda (infecção da mastoide temporal) foi estimada em 1,2 a cada 100 mil habitantes no Brasil, com maior incidência em crianças menores de 2 anos. Em 2026, campanhas de vacinação contra otite média reduziram complicações em 18% nas regiões Norte e Nordeste.
Você já sentiu uma dor pulsante atrás da orelha, acompanhada de inchaço e vermelhidão? Essa região corresponde ao osso mastoide, estrutura que pode inflamar em consequência de infecções de ouvido mal curadas. A mastoide temporal é parte essencial do crânio, e entender sua função ajuda a prevenir complicações sérias. Neste artigo, você vai descobrir o que é, como funciona, quais os sintomas de alerta e quando buscar atendimento médico.
- O que é: Proeminência óssea do osso temporal que abriga células aéreas e se conecta ao ouvido médio.
- Quando ocorre: Geralmente como complicação de uma otite média aguda não tratada ou mal resolvida.
- Quem trata: Otorrinolaringologista (médico especialista em ouvido, nariz e garganta).
- Urgência: Alta — mastoidite aguda é considerada emergência médica.
- Tratamento: Antibióticos intravenosos e, em casos graves, cirurgia (mastoidectomia).
João, 4 anos, apresentou febre alta e dor de ouvido por uma semana. A mãe achou que era “viral” e não procurou médico. Após 10 dias, a dor piorou, a orelha ficou deslocada para baixo e surgiu um inchaço avermelhado atrás da orelha. No pronto-socorro, o exame de tomografia revelou mastoidite aguda. João precisou de internação com antibióticos venosos e drenagem cirúrgica. Felizmente, se recuperou sem perda auditiva. O caso mostra como uma otite simples pode evoluir para uma condição séria se não for tratada adequadamente.
O que é mastoide temporal
A mastoide temporal é uma parte do osso temporal localizada atrás da orelha, com formato que lembra uma pequena colina. Ela contém cavidades cheias de ar (células mastoideas) que se comunicam com o ouvido médio através do aditus ad antrum. Essa estrutura óssea tem função de ressonância e participa do equilíbrio da pressão no ouvido médio. Clinicamente, a mastoide é importante porque infecções do ouvido médio (otite média) podem se estender para essas células, causando uma inflamação chamada mastoidite. A mastoidite pode ser aguda (com duração rápida e intensa) ou crônica (com secreção persistente por mais de 3 meses). Em crianças, especialmente entre 6 meses e 3 anos, a mastoide ainda é pneumatizada (cheia de ar) e vulnerável a infecções. A compreensão da anatomia da mastoide é fundamental para otorrinolaringologistas e radiologistas no diagnóstico de complicações intracranianas.
Como funciona e qual sua importância no organismo
A mastoide temporal não serve apenas como “recheio” do crânio. Suas células aéreas ajudam a regular a pressão dentro do ouvido médio, funcionando como uma câmara de compensação. Além disso, a mastoide atua como ressonador para sons de baixa frequência, contribuindo para a audição normal. Quando o ouvido médio está inflamado, as células mastoideas podem absorver parte do líquido e do pus, mas se a infecção for muito intensa, o processo inflamatório ultrapassa o aditus e invade a mastoide. A importância clínica é enorme: a mastoide está próxima ao seio sigmoide (veia que drena sangue do cérebro), ao nervo facial e ao labirinto (órgão do equilíbrio). Portanto, uma mastoidite não tratada pode causar paralisia facial, meningite, abscesso cerebral ou trombose do seio sigmoide. O osso mastoide também é ponto de fixação de músculos do pescoço, como o esternocleidomastoideo, o que explica dores na nuca durante infecções regionais.
Tipos e variações
Os otorrinos classificam a mastoide em três tipos principais de pneumatização :
Mastoide pneumatizada: células aéreas numerosas e bem desenvolvidas (mais comum em adultos saudáveis).
Mastoide diploica: mescla de ar e tecido ósseo esponjoso, com menor capacidade de ventilação.
Mastoide esclerótica: praticamente sem células aéreas, osso denso e compacto (comum após infecções crônicas de repetição).
Essas variações influenciam a predisposição a infecções. Mastoide esclerótica tem menor risco de mastoidite aguda, mas maior risco de colesteatoma (cisto de pele dentro do ouvido médio). Além disso, existem variações anatômicas como o seio sigmoide proeminente ou a posição do nervo facial, que tornam a cirurgia mais delicada. Em recém-nascidos, a mastoide é praticamente inexistente e se desenvolve com o crescimento.
Causas e fatores de risco
A mastoidite é quase sempre secundária a uma otite média aguda (OMA) não tratada ou tratada de forma inadequada. As principais causas incluem:
– Infecções bacterianas (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes).
– Otite média com efusão persistente (líquido atrás do tímpano).
– Sistema imunológico imaturo ou comprometido (crianças pequenas, HIV, diabetes).
– Uso inadequado de antibióticos (subdosagem ou resistência bacteriana).
– Presença de colesteatoma (cisto queratinizado que destrói ossos).
– Fatores anatômicos: palato mole curto, disfunção tubária (trompa de Eustáquio).
– Tabagismo passivo, creche, uso de chupeta e aleitamento artificial em decúbito são fatores de risco para otite média, consequentemente para mastoidite. Dados de 2026 mostram que crianças não vacinadas contra pneumococo têm 3 vezes mais chances de desenvolver mastoidite. A higiene adequada das orelhas e evitar manusear objetos dentro do conduto auditivo também são preventivos.
Sintomas e manifestações clínicas
Os sintomas clássicos da mastoidite aguda são:
– Dor profunda e pulsátil atrás da orelha (otalgia retroauricular).
– Edema e vermelhidão na região mastoidea (sinal de Griesinger – inchaço que empurra a orelha para baixo e para frente).
– Febre geralmente acima de 38,5°C, calafrios.
– Secreção purulenta pelo ouvido (otorreia) se o tímpano estiver perfurado.
– Perda auditiva de condução (dificuldade para ouvir sons baixos).
– Mal-estar, irritabilidade em crianças, perda de apetite.
Em casos crônicos, pode haver secreção fétida constante, dor leve e sensação de plenitude auricular. Sinais de alarme são rigidez de nuca (meningite), desvio da comissura labial (paralisia facial), tontura grave (labirintite) ou dor de cabeça intensa (abscesso cerebral). A progressão pode ser rápida em crianças pequenas, exigindo avaliação médica urgente.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa com a história clínica detalhada e exame físico otorrinolaringológico. O médico observará o aspecto do tímpano (hiperemia, abaulamento, perfuração) e palpará a região mastoidea (dor à pressão). Exames complementares incluem:
– Otoscopia pneumática: avalia mobilidade do tímpano.
– Tomografia computadorizada (TC) dos ossos temporais: padrão-ouro para ver erosão óssea, abscesso subperiosteal ou complicações intracranianas.
– Ressonância magnética (RM): quando há suspeita de trombose de seio sigmoide ou envolvimento do SNC.
– Exames laboratoriais: hemograma, PCR, hemocultura (se febre alta).
– Radiografia de Schüller (menos usada hoje, mas ainda útil em locais sem TC).
A diferenciação entre mastoidite aguda e otite média simples é crucial: se a dor e o inchaço persistirem após 5 dias de antibiótico para otite, deve-se suspeitar de mastoidite.
Tratamentos e abordagens terapêuticas
O tratamento da mastoidite aguda é hospitalar na maioria dos casos. Inclui:
– Antibióticos intravenosos de amplo espectro (ceftriaxona, clindamicina ou vancomicina conforme cultura), por pelo menos 7 a 10 dias.
– Miringotomia (pequeno corte no tímpano) para drenar pus do ouvido médio e colher material para cultura.
– Mastoidectomia cirúrgica: indicada se houver abscesso subperiosteal, erosão óssea ou falha do tratamento clínico em 48 horas. A cirurgia remove as células mastoideas infectadas e preserva a cadeia ossicular sempre que possível.
– Em casos crônicos com colesteatoma, a mastoidectomia radical pode ser necessária.
– Suporte clínico: hidratação, antitérmicos, analgésicos.
Após a alta, o paciente deve completar antibióticos orais por mais 2 a 3 semanas e realizar acompanhamento otorrinolaringológico para avaliar a audição e prevenir recidivas.
Prevenção e cuidados contínuos
A prevenção da mastoidite está diretamente ligada ao manejo correto das otites médias. Medidas comprovadas:
– Vacinação completa contra pneumococo (PCV13 e PPSV23) e Haemophilus influenzae tipo b (Hib).
– Tratar prontamente otites médias com antibióticos prescritos por médico, respeitando a dose e o tempo.
– Amamentação exclusiva nos primeiros 4–6 meses (reduz otites em até 50%).
– Evitar exposição ao fumo passivo e ambientes fechados com muitas crianças.
– Não usar hastes flexíveis (cotonetes) para limpar o interior do ouvido — elas podem lesionar a pele e piorar infecções.
– Manter acompanhamento com otorrinolaringologista em caso de otites de repetição (mais de 3 episódios em 6 meses).
– Realizar exames auditivos periódicos, especialmente após episódio de mastoidite, para detectar perda auditiva precoce.
Quando procurar ajuda médica
Você deve procurar atendimento médico imediato (pronto-socorro ou UPA) se:
– Apresentar dor atrás da orelha que não melhora com analgésicos comuns.
– Notar inchaço, vermelhidão ou calor na região atrás da orelha.
– Tiver febre alta com dor de ouvido há mais de 3 dias.
– Observar secreção purulenta ou sanguinolenta pelo ouvido.
– Crianças com irritabilidade excessiva, choro persistente ou recusa alimentar associada a sintomas de ouvido.
– Surgimento de desvio no sorriso, tontura grave, dor de cabeça intensa ou rigidez no pescoço (sinais de complicação neurológica).
O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar sequelas permanentes, como perda auditiva neurossensorial ou paralisia facial.
- 01. Nunca ignore uma dor de ouvido que persiste por mais de 48 horas, principalmente em crianças. Consulte um médico.
- 02. Ao suspeitar de mastoidite, não aplique compressas quentes na região inflamada — pode piorar a infecção. Prefira gelo envolto em pano por 10 minutos.
- 03. Complete todo o ciclo de antibióticos prescrito, mesmo que os sintomas melhorem antes do fim.
- 04. Mantenha a caderneta de vacinação em dia: a vacina pneumocócica conjugada 13-valente é gratuita no SUS para crianças menores de 1 ano.
- 05. Em caso de secreção pelo ouvido, não coloque nada dentro do conduto (algodão, gotas caseiras). Apenas limpe a região externa com gaze estéril.
- 06. Crianças que já tiveram uma mastoidite têm maior risco de recidiva; faça acompanhamento regular com otorrinolaringologista.
Perguntas Frequentes sobre o que é mastoide temporal
O que é mastoide temporal? É a mesma coisa que mastoidite?
Não. Mastoide temporal é a estrutura óssea normal localizada atrás da orelha. Mastoidite é a inflamação/infecção dessa estrutura. A confusão é comum, mas clinicamente são conceitos distintos.
Qual a diferença entre otite média e mastoidite?
Otite média é a inflamação do ouvido médio (cavidade atrás do tímpano). Mastoidite é a extensão dessa inflamação para as células ósseas da mastoide. A otite é mais comum; a mastoidite é uma complicação mais grave.
Quais são os primeiros sinais de mastoidite?
Dor profunda atrás da orelha, febre, inchaço e vermelhidão na região mastoidea, e eventual deslocamento da orelha para baixo e para frente. Crianças podem ficar muito irritadas.
Mastoidite tem cura?
Sim. A maioria dos casos responde bem a antibióticos intravenosos associados à drenagem cirúrgica quando necessário. O tratamento precoce é essencial para evitar complicações permanentes.
É possível tratar mastoidite em casa?
Não. Mastoidite é considerada uma emergência médica. O tratamento caseiro ou com remédios “naturais” pode levar a complicações graves como meningite ou abscesso cerebral. Procure atendimento hospitalar.
O que é uma mastoidectomia?
É um procedimento cirúrgico que remove as células mastoideas infectadas e/ou destruídas. Pode ser simples (abertura e drenagem) ou radical (quando também remove ossículos danificados). É realizada por otorrinolaringologista sob anestesia geral.
Mastoidite deixa sequelas auditivas?
Depende da gravidade e do tempo de tratamento. Em casos avançados, pode causar perda auditiva condutiva ou neurossensorial permanente, além de paralisia facial ou labirintite. Quanto mais precoce o tratamento, menor o risco de sequelas.
Quanto tempo dura o tratamento de uma mastoidite?
O tratamento hospitalar tradicional leva de 7 a 14 dias de antibióticos venosos, seguido de antibióticos orais por mais 2 a 3 semanas. A recuperação total da audição pode levar meses e requer acompanhamento otorrinolaringológico.
Revisão médica: Conteúdo revisado pela equipe médica da Clinica Popular Fortaleza, com base em evidências científicas atualizadas e protocolos do Ministério da Saúde do Brasil.
Última atualização: 25/06/2026
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Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica profissional. Sempre consulte um médico ou profissional de saúde habilitado para diagnóstico e tratamento.
Fontes recomendadas:
MedlinePlus – Mastoidite e
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS).
Clinica Popular Fortaleza — Consultas Médicas
Exames na Clinica Popular Fortaleza
CID J06 — Infecção Respiratória Aguda
CID H66 — Otite Média Supurativa
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