O que é Adenocarcinoma gástrico?
O adenocarcinoma gástrico é o tipo mais comum de câncer de estômago. Ele se origina nas células da mucosa que reveste o estômago, responsáveis pela produção de muco e sucos digestivos. Esse tumor maligno costuma crescer de forma lenta e silenciosa, o que faz com que muitos pacientes só descubram a doença em estágios avançados. No meu dia a dia como clínico geral no SUS e em clínicas populares, atendo pessoas que chegam com queixas de “azia que não passa”, “estômago empachado” ou “emagrecimento sem motivo” – sintomas que muitas vezes são confundidos com gastrite ou má digestão.
No Brasil, o adenocarcinoma gástrico é um problema relevante de saúde pública. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados cerca de 21 mil novos casos por ano (13 mil em homens e 8 mil em mulheres), sendo o terceiro tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros e o quinto entre as mulheres. As regiões Norte e Nordeste apresentam taxas mais elevadas, o que está relacionado a fatores como infecção crônica pela bactéria H. pylori, dieta rica em sal e alimentos defumados, baixo consumo de frutas e verduras, além do tabagismo. O Ministério da Saúde e o SUS oferecem diretrizes para diagnóstico precoce, tratamento e acompanhamento, mas o acesso ainda é um desafio, principalmente nas áreas mais remotas.
É fundamental entender que adenocarcinoma gástrico não é uma sentença. Muitos pacientes podem ser tratados com cirurgia, quimioterapia e, em alguns casos, radioterapia. A chance de cura é muito maior quando a doença é diagnosticada nos estágios iniciais, antes de se espalhar para outros órgãos. Por isso, conhecer os sinais de alerta e buscar atendimento médico o quanto antes é essencial. Mais informações você pode conferir no site do INCA – Câncer de Estômago e na página do Ministério da Saúde – Câncer de Estômago.
Como funciona / Características
O adenocarcinoma gástrico se desenvolve a partir de alterações genéticas nas células da mucosa gástrica. Essas células começam a se multiplicar sem controle, formando um tumor que pode invadir camadas mais profundas da parede do estômago e, eventualmente, atingir gânglios linfáticos ou outros órgãos. O processo é geralmente lento: a lesão pode começar como uma gastrite crônica ou úlcera, evoluir para metaplasia intestinal (uma alteração pré-cancerosa) e, depois de anos, transformar-se em câncer.
Na prática ambulatorial, percebemos que muitos pacientes demoram a procurar ajuda porque os sintomas iniciais são vagos. Dona Maria, por exemplo, veio à clínica popular com “uma anemia que não melhorava”, cansaço e falta de apetite. Depois de vários meses tratando suplementação de ferro sem sucesso, pedi uma endoscopia digestiva alta – e o resultado mostrou um pequeno tumor na região do antro gástrico. O diagnóstico precoce permitiu que ela fizesse uma cirurgia curativa. Já seu João, que esperou quase um ano com “dor na boca do estômago” e perda de 15 kg, chegou ao hospital com o tumor já avançado, infelizmente com metástases.
O tumor pode se localizar em diferentes partes do estômago: na cárdia (próximo ao esôfago), no corpo gástrico, no antro ou no piloro (saída para o intestino). Isso influencia os sintomas e as opções de tratamento. O estadiamento, que avalia o tamanho do tumor, o comprometimento de linfonodos e a presença de metástases, é feito com exames como tomografia computadorizada, ultrassom endoscópico e, em alguns casos, laparoscopia diagnóstica. No SUS, essas avaliações são oferecidas nos centros de referência em oncologia, embora haja filas de espera.
Tipos e Classificações
No dia a dia, os patologistas e oncologistas brasileiros utilizam principalmente duas classificações para o adenocarcinoma gástrico:
- Classificação de Lauren: divide em tipo intestinal (células formam estruturas semelhantes a glândulas, tende a ser mais bem diferenciado e responde melhor ao tratamento) e tipo difuso (células isoladas que infiltram a parede do estômago, geralmente mais agressivo e associado a maior risco de metástases precoces). Muitos casos no Brasil são mistos.
- Classificação TNM (Tumor, Linfonodos, Metástase): usada para estadiamento. T1 a T4 indica profundidade de invasão na parede do estômago; N0 a N3 indica comprometimento de gânglios linfáticos; M0 indica ausência de metástases, M1 presença. Essa classificação orienta a escolha entre cirurgia, quimioterapia ou paliação.
Além disso, o médico pode avaliar o grau de diferenciação celular (bem, moderadamente ou pouco diferenciado). No SUS, essas classificações são registradas nos laudos anatomopatológicos e discutidas em reuniões de equipe multidisciplinar para definir o melhor plano terapêutico.
Quando procurar um médico
Muitos pacientes me perguntam: “Doutor, quando devo me preocupar?”. O adenocarcinoma gástrico geral


