O que é O que é Adenoidectomia?
A adenoidectomia é uma cirurgia simples e muito comum no Brasil, realizada para remover as adenoides (também chamadas de “carne esponjosa” ou “tonsila faríngea”). Essas são pequenas glândulas localizadas atrás do nariz, na parte superior da garganta. Embora façam parte do sistema de defesa do corpo (sistema linfático), em algumas crianças — e raramente em adultos — as adenoides podem crescer demais e causar problemas respiratórios, infecções repetidas ou complicações nos ouvidos.
Na prática diária de um clínico geral no SUS e em clínicas populares de Fortaleza, a queixa mais comum vem de mães e pais angustiados: “Meu filho respira pela boca, ronca alto, dorme mal e vive com o nariz entupido”. Muitas vezes a criança já passou por tratamentos com antialérgicos e antibióticos, mas os sintomas persistem. Aí entra a avaliação do otorrinolaringologista e, quando necessário, a indicação da adenoidectomia – uma cirurgia que muda a qualidade de vida da família inteira.
Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 10% das crianças brasileiras entre 2 e 6 anos apresentam hipertrofia (aumento) de adenoides com repercussão clínica. No Nordeste, onde as infecções de vias aéreas superiores são frequentes por conta do clima e das condições de moradia, esse número pode ser ainda maior. A cirurgia é coberta pelo SUS e, quando bem indicada, resolve problemas que duravam anos em poucas semanas de recuperação. É uma das operações mais realizadas na faixa etária pediátrica no Brasil, atrás apenas da amigdalectomia (retirada das amígdalas).
Como funciona / Características
A adenoidectomia é feita sob anestesia geral – a criança fica dormindo durante todo o procedimento, sem sentir nada. O cirurgião acessa as adenoides pela boca ou pelo nariz, usando um instrumento chamado de adenótomo ou, mais modernamente, um coblador ou microdebridador. Essas técnicas mais recentes causam menos sangramento e dor no pós-operatório. A cirurgia leva de 20 a 45 minutos, e na maioria dos casos a criança recebe alta no mesmo dia (cirurgia ambulatorial).
No ambulatório de uma clínica popular, é comum o médico tranquilizar os pais explicando que a retirada das adenoides não enfraquece o sistema imunológico. Pelo contrário: após a cirurgia, a criança passa a respirar melhor, dormir profundamente, ter menos infecções de ouvido e nariz, e muitas vezes para de roncar completamente. “Meu filho parecia outra pessoa depois da cirurgia, começou a comer melhor e até o rendimento na escola melhorou”, é uma fala que escuto quase toda semana no consultório.
A recuperação leva de 7 a 14 dias. Nos primeiros dias a criança pode sentir dor de garganta (como uma amigdalite leve), mau hálito, um pouco de febre baixa e secreção nasal com pequenos coágulos. Recomenda-se repouso relativo, alimentação fria ou pastosa (sorvete, iogurte, purê) e evitar esforços físicos. O SUS oferece acompanhamento ambulatorial e medicação para dor. Em clínicas populares, orientamos os pais com um passo a passo simples e entregamos um folheto ilustrado.
Tipos e Classificações
Na prática clínica brasileira, os otorrinolaringologistas classificam o tamanho das adenoides por meio de uma endoscopia nasal (um exame com uma câmera fina) ou radiografia de cavum. A classificação mais usada é a de Grado I a IV:
- Grau I: adenoides ocupam até 25% da via aérea nasal posterior. Geralmente não operam.
- Grau II: ocupam 25% a 50%. Podem operar se houver sintomas persistentes (infecções de ouvido de repetição, ronco intenso).
- Grau III: ocupam 50% a 75%. Indicação cirúrgica frequente, principalmente se associada a apneia obstrutiva do sono.
- Grau IV: ocupam mais de 75%, praticamente obstruindo a respiração nasal. Cirurgia quase sempre indicada.
Outra forma de classificar é quanto à técnica cirúrgica:
- Adenoidectomia clássica (com cureta/adenótomo) – ainda usada em muitos hospitais públicos, eficaz e de baixo custo.
- Adenoidectomia com microdebridador – técnica mais precisa, com menos sangramento e dor.
- Adenoidectomia a laser – menos comum no SUS, mas disponível em algumas clínicas particulares.
No Brasil, a ANVISA regula os equipamentos usados nas cirurgias, e o CFM (Conselho Federal de Medicina) normatiza a prática segura. A cirurgia deve ser feita em ambiente hospitalar ou centro cirúrgico habilitado, mesmo que o paciente vá para casa no mesmo dia.
Quando procurar um médico
Os pais devem buscar avaliação médica (clínico geral, pediatra ou otorrino) quando a criança apresenta um ou mais destes sinais:
- Respiração bucal persistente – a criança vive de boca aberta, mesmo acordada.
- Ronco alto e frequente – especialmente se houver pausas na respiração durante o sono (apneia).
- Infecções de ouvido repetitivas (otite média) – mais de 3 episódios em 6 meses.
- Acúmulo de líquido no ouvido (otite secretora) – pode causar perda auditiva e atraso na fala.
- Dificuldade para engolir ou sensação de “algo na garganta”.
- Voz anasalada (como se estivesse falando com o nariz entupido).
- Disfunção da tuba auditiva – criança que “não escuta bem” e precisa aumentar o volume da TV.
Adultos raramente precisam de adenoidectomia, mas quando as adenoides não regridem (ou até aumentam devido a infecções crônicas ou refluxo), os sintomas são semelhantes: congestão nasal crônica, sinusites de repetição, ronco e apneia. Também devem ser avaliados por um especialista.
No contexto das clínicas populares, oriento os pais: “Se seu filho ronca todas as noites, respira pela boca e acorda cansado, não normaliza. Procure um posto de saúde ou clínica. Muitas vezes, uma cirurgia rápida pode resolver anos de sofrimento.”
Termos Relacionados
- Amigdalectomia – cirurgia de retirada das amígdalas (palatinas). Muitas vezes é feita junto com a adenoidectomia (adenoamigdalectomia).
- Hipertrofia de adenoides – aumento anormal do tamanho das adenoides, a principal razão para a cirurgia.
- Apneia obstrutiva do sono (AOS) – condição em que a respiração para por alguns segundos durante o sono, comum em crianças com adenoides grandes.
- Otite média secretora – acúmulo de líquido no ouvido médio, causado pela obstrução da tuba auditiva pelas adenoides.
- Endoscopia nasal – exame com uma câmera fina para visualizar as adenoides e o nariz por dentro. Padrão-ouro para diagnóstico.
- Radiografia de cavum – raio-X simples usado para medir o tamanho das adenoides, ainda muito utilizado em postos de saúde.
- Cateterismo de Orelha (tubo de ventilação) – colocação de pequenos tubos no tímpano para drenar líquido; pode ser indicado junto com a adenoidectomia.
- Pós-operatório de adenoidectomia – período de 2 semanas de cuidados: repouso, alimentação fria, evitar aspirina e esforços.
Perguntas Frequentes sobre O que é O que é Adenoidectomia
A cirurgia de adenoidectomia dói?
Durante a cirurgia você ou seu filho estarão sob anestesia geral – não sente dor alguma. Nos primeiros dias após o procedimento, é comum haver dor de garganta leve a moderada (como uma gripe forte), que é controlada com analgésicos comuns (paracetamol, ibuprofeno) prescritos pelo médico. Em geral, a dor melhora bastante após 3 a 4 dias. Alimentação fria (sorvete, iogurte) ajuda a aliviar e ainda acalma a região operada.
Quanto tempo dura a recuperação?
A maioria das crianças volta às atividades normais em 7 a 10 dias. Jovens e adultos podem levar até 14 dias para se sentir 100%. No SUS, o afastamento escolar ou do trabalho é concedido normalmente com atestado médico. É importante evitar esportes, atividades físicas intensas e exposição a poeira ou fumaça por 2 a 3 semanas após a cirurgia.
É possível fazer a cirurgia pelo SUS?
Sim, a adenoidectomia é ofertada pelo SUS em todo o Brasil. O paciente precisa passar por avaliação com otorrinolaringologista (muitas vezes encaminhado pela Unidade Básica de Saúde) e realizar exames (endoscopia nasal ou radiografia de cavum). A cirurgia é marcada em hospital público ou conveniado. O tempo de espera varia conforme a região, mas em Fortaleza e Região Metropolitana a fila costuma girar em torno de 3 a 8 meses. Clínicas populares também oferecem o procedimento com preços acessíveis, parcelados e em parceria com hospitais de pequeno porte.
O que acontece se não fizer a cirurgia?
Se as adenoides são muito grandes e atrapalham a respiração, o nariz e os ouvidos, a criança pode desenvolver complicações sérias: apneia do sono com baixa oxigenação (prejudica o crescimento e o aprendizado), otites de repetição com perda auditiva (que atrasa a fala e o desenvolvimento escolar), sinusites crônicas e até alterações no formato do rosto (“fácies adenoideana” – rosto alongado, boca aberta, olheiras). A cirurgia é segura e, quando indicada, evita todos esses problemas.
Depois de retirar as adenoides, a imunidade da criança fica fraca?
Não. As adenoides são apenas uma das muitas partes do sistema imunológico. O corpo ainda tem amígdalas, gânglios linfáticos, baço e outros tecidos de defesa. Estudos clínicos mostram que, após a cirurgia, a imunidade geral não é prejudicada; pelo contrário, a criança fica mais saudável porque para de ter infecções repetidas no nariz e ouvido. O alívio dos sintomas respiratórios acaba até melhorando a qualidade do sono e a disposição, o que fortalece o organismo como um todo.
Adultos também podem precisar de adenoidectomia?
Sim, embora seja muito menos comum. Em adultos, o aumento das adenoides pode ser causado por rinites alérgicas graves, sinusites crônicas, refluxo gastroesofágico ou infecções recorrentes (como HIV ou fungos). Os sintomas são os mesmos: congestão nasal persistente, ronco, apneia e infecções de ouvido. A cirurgia em adultos é um pouco mais delicada (as adenoides podem estar aderidas aos tecidos), mas também é segura e eficaz quando bem indicada.
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Fontes confiáveis:


