terça-feira, junho 9, 2026

O que é O que é Adenoma adrenal

O que é Adenoma adrenal?

O adenoma adrenal é um tumor benigno (não canceroso) que se forma nas glândulas adrenais, também chamadas de suprarrenais – dois pequenos órgãos em formato de chapéu que ficam em cima de cada rim. No meu consultório, tanto no SUS quanto em clínicas populares de Fortaleza, vejo esse diagnóstico com crescente frequência, principalmente em pacientes acima dos 50 anos que fazem exames de imagem por outros motivos, como uma ultrassom de abdômen para investigar dores na barriga ou um check-up.

Na prática clínica brasileira, a maioria dos adenomas adrenais é descoberta de forma incidental – ou seja, o paciente não tem sintoma algum e o achado aparece “de surpresa” em uma tomografia ou ressonância. Estima‑se que cerca de 3% a 7% da população adulta tenha um incidentaloma adrenal, sendo o adenoma a causa mais comum. Embora não exista um levantamento nacional exato, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) reforça que a prevalência no Brasil segue esse padrão internacional, especialmente entre pessoas com sobrepeso, hipertensas ou diabéticas.

É importante deixar claro: adenoma adrenal não é câncer. Menos de 5% dos nódulos adrenais são malignos. No dia a dia de uma clínica popular, costumo tranquilizar o paciente dizendo que “na grande maioria das vezes, é um caroço benigno que não precisa de cirurgia, apenas de acompanhamento”. O grande segredo está em descobrir se esse nódulo está produzindo hormônios em excesso – e é aí que entra o papel do clínico e do endocrinologista.

Como funciona / Características

As glândulas adrenais são fábricas de hormônios essenciais: cortisol (que regula o estresse e o açúcar no sangue), aldosterona (que controla a pressão arterial e o sódio), adrenalina e noradrenalina (resposta de luta ou fuga) e pequenas quantidades de hormônios sexuais. Um adenoma adrenal pode ser “quieto” (não funcionante) ou “ativo” (funcionante), quando começa a produzir um desses hormônios em quantidade anormal.

Vou dar um exemplo real que atendi semana passada: Seu João, 58 anos, pedreiro, veio à clínica popular porque a pressão não baixava mesmo tomando três remédios. Ele havia feito uma tomografia de abdômen por dor nas costas e lá estava um nódulo de 2 cm na adrenal direita. Após exames de sangue e urina, descobrimos que o nódulo estava produzindo aldosterona em excesso – um quadro chamado hiperaldosteronismo primário. Com o tratamento adequado (um medicamento específico), a pressão do seu João melhorou drasticamente. Esse é o tipo de situação que mostra como o adenoma pode estar “escondido” por trás de problemas comuns.

Do ponto de vista físico, o adenoma é geralmente arredondado, bem delimitado, medindo entre 1 e 4 cm. Na ultrassom, aparece como uma “bolinha” mais clara ou mais escura que o tecido normal. Na tomografia, os radiologistas usam a densidade (unidades Hounsfield) para ajudar a diferenciar o adenoma benigno de outras lesões. Se o nódulo tiver baixa densidade (menos de 10 UH), é forte suspeita de adenoma rico em gordura – o tipo mais frequente e de comportamento benigno.

Tipos e Classificações

No Brasil, a classificação mais usada na prática combina a função hormonal e o tamanho, seguindo as diretrizes da SBEM e do Colégio Brasileiro de Radiologia. Veja os principais:

  • Adenoma não funcionante (incidentaloma simples): Não produz hormônios em excesso. É o mais comum (cerca de 70-80% dos casos). Não causa sintomas e geralmente só precisa de acompanhamento com exames de imagem a cada 1-2 anos.
  • Adenoma produtor de cortisol (síndrome de Cushing subclínica ou franca): Produz cortisol em excesso. Pode causar ganho de peso central, rosto arredondado (“lua cheia”), estrias roxas, diabetes e osteoporose. No SUS, muitas vezes é diagnosticado tardiamente.
  • Adenoma produtor de aldosterona (hiperaldosteronismo primário): Causa hipertensão arterial de difícil controle e níveis baixos de potássio no sangue. Estima-se que até 10% dos casos de hipertensão resistente tenham essa causa.
  • Adenoma produtor de andrógenos ou estrogênios: Raros, podem causar pelos excessivos, queda de cabelo ou alterações menstruais em mulheres.

Quanto ao tamanho, nódulos menores que 4 cm são considerados de baixo risco para malignidade. Acima de 4 cm, aumenta a chance de carcinoma adrenal, e o encaminhamento para cirurgia é mais discutido. Essa é uma regra geral, mas cada caso é avaliado individualmente com exames de imagem e, se necessário, biópsia.

Quando procurar um médico

Muitos adenomas adrenais não dão sinais de alerta. Porém, você deve procurar um clínico geral ou endocrinologista se:

  • Recebeu o resultado de algum exame de imagem (ultrassom, tomografia, ressonância) que menciona “nódulo” ou “tumor” na adrenal – mesmo sem sintomas.
  • Apresenta hipertensão arterial de difícil controle, principalmente se precisa de 3 ou mais remédios para baixar a pressão.
  • Tem episódios de coração acelerado, sudorese intensa, dor de cabeça forte e ansiedade – isso pode ser sinal de feocromocitoma (outro tipo de tumor adrenal que libera adrenalina).
  • Ganhou peso sem motivo aparente, principalmente na barriga, com estrias violáceas, fraqueza muscular ou diabetes que piorou.
  • Sente cãibras frequentes, fraqueza nas pernas ou batimentos cardíacos irregulares – pode indicar potássio baixo por excesso de aldosterona.

No SUS, o primeiro passo é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS). O médico da família pode solicitar exames iniciais (dosagem de cortisol, aldosterona, renina, metanefrinas) e, se necessário, encaminhar para o endocrinologista ou para o serviço de referência em suprarrenais. Não entre em pânico com o diagnóstico – a imensa maioria dos adenomas é benigna e tratável.

Termos Relacionados

  • Incidentaloma adrenal: Qualquer massa na adrenal descoberta acidentalmente em exames de imagem feitos por outros motivos. O adenoma é a causa mais frequente.
  • Feocromocitoma: Tumor (geralmente benigno) que produz catecolaminas (adrenalina/noradrenalina), causando crises de hipertensão, taquicardia e suor. Pode ser maligno em 10% dos casos.
  • Carcinoma adrenal: Tumor maligno raro das adrenais. Geralmente é grande (>4-6 cm), pode produzir hormônios e tem alto risco de metástases.
  • Síndrome de Cushing: Conjunto de sintomas causados pelo excesso de cortisol, seja por adenoma, tumor hipofisário (doença de Cushing) ou uso de corticoides.
  • Hiperaldosteronismo primário (síndrome de Conn): Produção excessiva de aldosterona por um adenoma (ou hiperplasia), levando a hipertensão e baixo potássio.
  • Teste de supressão com dexametasona: Exame usado para ver se o cortisol está sendo produzido de forma autônoma pela adrenal. Ajuda a diagnosticar adenoma funcionante.
  • TC de abdômen com contraste: Tomografia computadorizada que permite avaliar a densidade e o realce do nódulo, ajudando a diferenciar adenoma de outras lesões.
  • Ressonância magnética de adrenais: Exame mais detalhado, útil quando a tomografia não é conclusiva ou em pacientes com contraindicação ao contraste.

Perguntas Frequentes sobre Adenoma adrenal

1. Adenoma adrenal pode virar câncer?

Raríssimo. O adenoma é um tumor benigno e não se transforma em câncer. O que pode acontecer é surgir um nódulo maligno (carcinoma adrenal) do zero, mas é uma condição muito menos comum. O acompanhamento periódico com exames de imagem serve justamente para monitorar se o nódulo cresce ou muda de características – se isso ocorrer, aí sim a suspeita de malignidade aumenta.

2. Preciso operar todo adenoma adrenal?

Não. A maioria dos adenomas (especialmente menores que 4 cm e sem produção hormonal) não precisa de cirurgia. A conduta padrão no SUS e nas clínicas particulares é o seguimento com tomografia a cada 1-2 anos. A cirurgia (adrenalectomia) é reservada para: nódulos >4 cm com suspeita de malignidade, adenomas funcionantes que causam sintomas (ex: Cushing, hiperaldosteronismo) ou crescimento progressivo ao longo do tempo.

3. O adenoma adrenal causa dor?

Geralmente não. A maioria dos adenomas é assintomática. Se a pessoa sente dor na região do abdômen ou nas costas, ela costuma ser devida a outras causas (pedra no rim, coluna, etc.). Porém, nódulos muito grandes (acima de 5-6 cm) podem eventualmente causar desconforto por compressão de órgãos vizinhos.

4. Como é feito o diagnóstico no SUS?

Quando um nódulo adrenal é achado em um exame de imagem (ultrassom, tomografia ou ressonância), o médico da UBS solicita exames hormonais: cortisol basal e após dexametasona, aldosterona e renina, metanefrinas urinárias e andrógenos, conforme o caso. Esses exames estão disponíveis na rede pública, embora possam ter filas. Se houver necessidade de cirurgia, o paciente é encaminhado para um hospital de referência. O importante é não interromper o acompanhamento.

5. O adenoma adrenal pode voltar depois de operado?

Raríssimo. A cirurgia retira toda a glândula afetada. Como o adenoma é benigno, não costuma recorrer. O paciente fica com a outra adrenal funcionando normalmente. Apenas em casos de doença bilateral (ambas as adrenais com adenomas) ou de síndromes genéticas (como MEN1) há risco de novos nódulos na glândula remanescente.

6. Tenho adenoma adrenal e estou grávida. O que fazer?

O acompanhamento deve ser multidisciplinar, com obstetra de alto risco e endocrinologista. A maioria dos adenomas não funcionantes não causa problemas na gestação. Se houver produção hormonal (especialmente cortisol ou aldosterona), o tratamento pode precisar de ajustes. A cirurgia durante a gravidez é evitada, a menos que haja complicações graves. O mais seguro é planejar a gestação já com o nódulo conhecido e controlado.

Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica. Em caso de dúvidas, procure um profissional de saúde.