quinta-feira, maio 28, 2026

O que é O que é Adenoma de células oxífilas

O que é Adenoma de células oxífilas?

O Adenoma de células oxífilas é um tumor benigno da glândula tireoide, formado por células com características especiais chamadas células de Hürthle (ou oncócitos). Essas células têm um citoplasma granuloso e rico em mitocôndrias, o que lhes confere uma coloração eosinofílica (rosada) quando coradas para análise ao microscópio. Na prática clínica do SUS e das clínicas populares brasileiras, esse diagnóstico aparece com frequência após a descoberta de um nódulo na tireoide durante um exame de ultrassom de rotina ou pela palpação do pescoço em uma consulta.

É importante deixar claro: a grande maioria dos adenomas de células oxífilas é benigna. No entanto, por ser um tumor composto por células oncocíticas, ele exige acompanhamento cuidadoso, pois existe uma contraparte maligna – o Carcinoma de células de Hürthle. No dia a dia da clínica, quando recebo um laudo de punção aspirativa por agulha fina (PAAF) que descreve “proliferação de células oxífilas”, sei que o paciente fica apreensivo. Minha orientação é sempre contextualizar: “Tio/a, esse nódulo tem células diferentes, mas na maioria dos casos não é câncer. Precisamos só monitorar ou, em alguns casos, considerar a cirurgia para ter certeza.”

Dados epidemiológicos brasileiros indicam que os nódulos tireoidianos são extremamente comuns: cerca de 60% das pessoas acima de 50 anos têm um nódulo detectável em ultrassom (Fonte: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – SBEM). Destes, menos de 5% são malignos. O adenoma de células oxífilas é um subtipo raro dentro dos tumores benignos, estimado em menos de 1% de todas as biópsias tireoidianas. No contexto do SUS, o acesso à ultrassonografia e à PAAF é regulado pelo SISREG, e a espera pode variar de semanas a meses, dependendo da região. Por isso, reforço a importância de não se desesperar: a lentidão do sistema não muda a natureza benigna da maioria desses nódulos.

Como funciona / Características

O Adenoma de células oxífilas se comporta como um nódulo tireoidiano comum. Ele cresce de forma lenta, geralmente não produz hormônios tireoidianos em excesso (é “não funcionante”, ou seja, não altera o TSH). No exame físico, pode ser palpável como uma “bolinha” no pescoço, móvel, indolor. Na maioria das vezes, é descoberto incidentalmente em exames de imagem.

Na rotina de uma clínica popular de Fortaleza, atendo muitos pacientes que chegam com o resultado de um ultrassom feito por conta de um check-up ou de um encaminhamento da UBS. A descrição típica: “nódulo sólido, isoecoico, com presença de calcificações grosseiras ou sem calcificações”. Para diferenciar um adenoma de células oxífilas de outros nódulos, a PAAF é essencial. O patologista descreve células grandes, com citoplasma granular eosinofílico e núcleos regulares – o chamado “padrão oncocítico”.

Um ponto prático importante: quando a punção sugere adenoma de células oxífilas, mas a amostra é escassa (classificação Bethesda III – “atipia de significado indeterminado” ou Bethesda IV – “neoplasia folicular”), o paciente é orientado a repetir a punção em 6 meses ou a considerar a tireoidectomia lobar (retirada de metade da tireoide) para diagnóstico definitivo. No SUS, essa cirurgia é feita por equipes de cabeça e pescoço ou de endocrinologia, com fila que pode ultrapassar um ano. Por isso, sempre discuto o risco vs. benefício: se o nódulo tem menos de 2 cm e não cresceu, a conduta expectante é segura.

Tipos e Classificações

Na prática clínica brasileira, a classificação dos nódulos tireoidianos segue o sistema Bethesda (criado pelo National Cancer Institute dos EUA, mas adotado universalmente). O adenoma de células oxífilas se enquadra nas categorias:

  • Bethesda III (atipia de significado indeterminado) – quando as células oxífilas são vistas, mas não são suficientes para diagnóstico de neoplasia.
  • Bethesda IV (neoplasia folicular / suspeita de neoplasia folicular) – quando há proliferação oncocítica sugestiva de adenoma ou carcinoma.

Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o tumor como Adenoma de células oxífilas (oncocítico) dentro dos tumores benignos da tireoide. Na rotina do SUS, os laudos costumam trazer a descrição “nódulo tireoidiano com células oxífilas – sugestivo de adenoma de células de Hürthle”. É comum o médico da atenção primária encaminhar para o endocrinologista com essa suspeita.

Em termos de tamanho, podemos subclassificar em:

  • Microadenoma: ≤ 1 cm – geralmente só acompanhamento.
  • Macroadenoma: > 1 cm – maior chance de necessitar de punção e cirurgia.

Quando procurar um médico

Você deve procurar um médico (clínico geral, endocrinologista ou cirurgião de cabeça e pescoço) se:

  • Notar um caroço no pescoço, que pode ser visto ou sentido.
  • Sentir rouquidão persistente, dificuldade para engolir ou sensação de “aperto” na garganta sem causa aparente.
  • Receber um laudo de ultrassom que descreve um nódulo com características suspeitas (calcificações, formato irregular, bordas mal definidas).
  • Ter histórico familiar de câncer de tireoide ou síndromes genéticas (como neoplasia endócrina múltipla).
  • Já ter feito punção que mostrou “células oxífilas” ou “Bethesda III/IV” e ainda não fez acompanhamento.

Na rede pública, o primeiro passo é ir à UBS de referência. O médico solicitará o ultrassom (se já não tiver) e, se necessário, encaminhará para o endocrinologista pelo SISREG. Enquanto aguarda, mantenha a calma: a maioria dos adenomas é benigna e não cresce rapidamente. Evite tomar “chás” ou “pomadas” para “sumir com o nódulo” – isso não funciona e pode atrasar o diagnóstico.

Termos Relacionados

  • Nódulo tireoidiano: Qualquer crescimento anormal na tireoide. Pode ser benigno ou maligno. O adenoma de células oxífilas é um tipo específico de nódulo benigno.
  • Células de Hürthle: Células tireoidianas com citoplasma rico em mitocôndrias, que dão aspecto oxífilo. Também chamadas de oncócitos.
  • Carcinoma de células de Hürthle: A contraparte maligna do adenoma. Exige tratamento cirúrgico radical e acompanhamento com iodo radioativo.
  • PAAF (Punção Aspirativa por Agulha Fina): Exame minimamente invasivo guiado por ultrassom que coleta células do nódulo para análise.
  • Classificação de Bethesda: Sistema de laudos citológicos que estratifica o risco de malignidade.
  • Tireoidectomia: Cirurgia de retirada total ou parcial da tireoide. Pode ser indicada quando a punção é suspeita ou o nódulo cresce.
  • TSH (Hormônio Tireoestimulante): Exame de sangue que avalia a função da tireoide. Geralmente normal no adenoma de células oxífilas.
  • Ultrassom de tireoide: Exame de imagem que detecta nódulos, mede tamanho e características (eco, calcificações, vascularização).

Perguntas Frequentes sobre Adenoma de células oxífilas

Isso é câncer?

Na esmagadora maioria dos casos, não. O adenoma de células oxífilas é um tumor benigno. Porém, como ele compartilha características com o carcinoma de células de Hürthle, o médico pode pedir exames complementares (punção, ultrassom de controle) para confirmar a benignidade. Apenas uma biópsia cirúrgica (após retirada do nódulo) pode dar certeza absoluta.

Precisa de cirurgia?

Nem sempre. Se o nódulo tem menos de 2 cm, não cresce e a punção mostra baixa suspeita (Bethesda II – benigno), o acompanhamento com ultrassom anual é suficiente. A cirurgia é indicada quando o nódulo é grande (> 4 cm), cresce rapidamente, causa sintomas compressivos ou a punção é indeterminada (Bethesda III/IV) ou suspeita (Bethesda V/VI).

O adenoma pode voltar depois de retirado?

Se for retirado completamente (tireoidectomia parcial), o risco de recidiva é muito baixo. Como a tireoide restante pode formar novos nódulos, o acompanhamento com ultrassom a cada 1-2 anos é recomendado. Na tireoidectomia total (retirada completa), não há risco de recidiva local no mesmo local, mas pode haver em tecido tireoidiano ectópico (raro).

Tem sintomas?

A maioria não causa sintomas. Às vezes, o paciente sente um “caroço” no pescoço ao engolir, ou nota um inchaço visível. Sintomas como rouquidão ou dificuldade para engolir são incomuns e devem ser valorizados, pois podem indicar compressão de estruturas adjacentes – mas mesmo nesses casos, a causa mais comum é um nódulo benigno grande.

Qual o tratamento no SUS?

O SUS oferece todo o caminho: ultrassom, punção, consulta com endocrinologista e cirurgia quando necessário. O tempo de espera varia muito entre estados e municípios. Em Fortaleza, por exemplo, a fila para cirurgia de tireoide pode levar de 6 meses a 2 anos. Enquanto espera, o paciente é acompanhado na atenção primária com exames periódicos. Nunca falte às consultas agendadas.

Precisa tomar iodo radioativo?

Não. O iodo radioativo (radioiodoterapia) é usado para tratar câncer de tireoide (como o carcinoma papilífero ou folicular) e não tem indicação no adenoma benigno. O tratamento do adenoma de células oxífilas, quando necessário, é exclusivamente cirúrgico.

Conteúdo revisado por equipe médica. Este verbete é educativo e não substitui consulta médica.

Autoria: Ana Beatriz Melo, Editora-Chefe / Jornalista de Saúde. Perfil da autora. Revisão clínica baseada na prática no SUS e clínicas populares.


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