terça-feira, junho 2, 2026

O que é O que é Adenoma de paratireoide atípico

O que é Adenoma de paratireoide atípico?

O adenoma de paratireoide atípico é um tumor benigno das glândulas paratireoides que apresenta características histológicas “no meio do caminho” entre um adenoma comum (totalmente benigno) e um carcinoma de paratireoide (maligno). Na prática do dia a dia de uma clínica popular aqui no Brasil, esse diagnóstico costuma surgir após a investigação de um quadro de hiperparatireoidismo primário – ou seja, quando o paciente chega com cálcio alto no sangue, osteoporose inexplicada, pedras nos rins ou dores ósseas. A atipicidade está no exame anatomopatológico (a biópsia da peça cirúrgica), que mostra algumas alterações sugestivas de malignidade, mas sem critérios definitivos para fechar carcinoma. É um achado que sempre gera um frio na barriga, tanto para o médico quanto para o paciente, porque apesar de ser considerado benigno, tem um potencial de recorrência local um pouco maior e exige acompanhamento mais rigoroso.

No contexto do SUS, a maioria desses casos é descoberta em exames de rotina ou durante internações por complicações do hiperparatireoidismo. Infelizmente, o acesso a dosagens de PTH (paratormônio) e a exames de imagem de alta resolução (como a cintilografia das paratireoides) ainda é desigual entre as regiões. Nas clínicas populares de Fortaleza, por exemplo, vejo muitos pacientes encaminhados da atenção básica com exames antigos e sem diagnóstico definitivo. O adenoma de paratireoide atípico corresponde a cerca de 1% a 3% dos adenomas de paratireoide operados, segundo dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (sbem.org.br). Não há estatísticas oficiais consolidadas pelo Ministério da Saúde, mas estima-se que no Brasil ocorram entre 500 e 800 casos por ano, considerando a população de aproximadamente 213 milhões de habitantes.

É fundamental que o paciente entenda: o termo “atípico” não significa câncer. É um alerta para que o médico e o paciente redobrem a atenção, mas na grande maioria dos casos a evolução é favorável após a cirurgia de remoção da glândula afetada. A palavra-chave aqui é seguimento. Quem recebe esse diagnóstico precisa de acompanhamento endocrinológico e, em alguns casos, de exames de imagem periódicos para garantir que não haja recidiva local.

Palavras-chave relacionadas: adenoma de paratireoide, paratireoide atípica, hiperparatireoidismo primário, tumor de paratireoide, carcinoma de paratireoide, PTH, cálcio sérico, osteoporose secundária.

Como funciona / Características

As paratireoides são quatro glândulas minúsculas (do tamanho de um grão de arroz) localizadas atrás da tireoide, no pescoço. Elas produzem o paratormônio (PTH), que regula o cálcio e o fósforo no sangue. No adenoma de paratireoide atípico, uma dessas glândulas cresce de forma descontrolada e começa a secretar PTH em excesso, independentemente dos níveis de cálcio. Isso leva ao hiperparatireoidismo primário.

As características que fazem um patologista classificar o tumor como “atípico” são vistas ao microscópio:
– Aumento da celularidade e atipia nuclear (núcleos maiores e mais escuros);
– Presença de figuras de mitose (células se dividindo), mas sem invasão de cápsula ou vasos sanguíneos;
– Fibrose (tecido cicatricial) dentro do tumor;
– Necrose focal (áreas de morte celular).

Nenhum desses achados isoladamente define malignidade; é o conjunto e a ausência de invasão franca que levam ao diagnóstico de adenoma atípico. Na prática clínica, o que importa para o paciente é o comportamento biológico: a maioria não metastatiza, mas pode recidivar localmente se não for completamente removido. Por isso, a cirurgia padrão é a paratireoidectomia (retirada da glândula doente) com margem ampla. No SUS, a técnica mais empregada é a exploração cervical bilateral, pois nem sempre há acesso a métodos de localização pré-operatória como a cintilografia com sestamibi.

Em clínicas populares, atendo muitos pacientes que chegam com queixas vagas como cansaço, fraqueza muscular, depressão, perda de memória ou dores articulares. O cálcio alto no sangue é o primeiro sinal de alerta. Quando peço um PTH elevado e excluo outras causas (como uso de lítio, doença renal ou hipercalcemia familiar), encaminho para cirurgia. O diagnóstico de atipicidade só é feito após a retirada da peça, então o paciente geralmente não sabe de antemão que seu adenoma é atípico. A comunicação desse achado precisa ser clara e acolhedora, sem gerar pânico.

Tipos e Classificações

Na literatura médica, os tumores de paratireoide são classificados em três grandes grupos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e os consensos da Sociedade Brasileira de Patologia:

1. **Adenoma típico (benigno comum):** tumor bem encapsulado, sem atipias significativas, com células principais ou oxífilas. Representa mais de 80% dos casos de hiperparatireoidismo primário.
2. **Adenoma atípico** (o foco deste verbete): apresenta características borderline, mas sem invasão de cápsula, vasos ou tecidos adjacentes. Pode ter comportamento mais agressivo localmente.
3. **Carcinoma de paratireoide:** maligno, com invasão capsular, vascular ou de estruturas vizinhas, podendo metastatizar. É raríssimo (menos de 1% dos casos).

No Brasil, a classificação histológica segue as diretrizes do Colégio Brasileiro de Patologistas e é revisada por patologistas experientes. Não há subtipos oficiais de adenoma atípico, mas alguns autores dividem em:
– **Atípico de baixo grau:** apenas atipia nuclear leve e mitoses esporádicas.
– **Atípico de alto grau:** pleomorfismo nuclear mais acentuado, maior número de mitoses, necrose focal. Esse subtipo tem risco maior de recorrência e pode exigir acompanhamento ainda mais rigoroso.

Vale lembrar que nem todos os laboratórios de patologia do SUS têm patologistas especializados em tumores endócrinos. Quando o laudo inicial sugere atipicidade, o ideal é solicitar uma segunda opinião em serviço de referência, como o Hospital das Clínicas, o Instituto do Câncer (INCA) ou laboratórios credenciados pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia. O CFM recomenda que laudos de tumores raros sejam revisados em centros de excelência, garantindo maior precisão diagnóstica (cfm.org.br).

Quando procurar um médico

Qualquer pessoa com sintomas persistentes que possam estar ligados ao cálcio alto deve procurar um clínico geral ou endocrinologista. Os principais sinais de alerta para o hiperparatireoidismo primário, que pode esconder um adenoma de paratireoide atípico, são:

– **Pedras nos rins** repetidas (nefrolitíase) ou depósitos de cálcio nos rins (nefrocalcinose);
– **Osteoporose** ou fraturas por fragilidade (especialmente em mulheres na pós-menopausa e homens acima de 50 anos);
– **Dores ósseas** difusas, principalmente na coluna, quadril e costas;
– **Fraqueza muscular** proximal (dificuldade para levantar de uma cadeira ou subir escadas);
– **Cansaço extremo**, falta de energia, depressão, dificuldade de concentração;
– **Náuseas, vômitos ou constipação** inexplicados;
– **Pressão alta** (hipertensão arterial) de difícil controle.

Nos atendimentos de clínica popular, muitas vezes o paciente vem por causa de um exame de sangue de rotina que mostrou cálcio total ou iônico elevado. Isso já é motivo para investigar. O médico pode pedir a dosagem de PTH, vitamina D, função renal e exames de imagem (cintilografia ou ultrassom do pescoço). Se houver suspeita de adenoma, o encaminhamento ao cirurgião de cabeça e pescoço ou endocrinologista é o próximo passo.

Não espere ter todos os sintomas. O hiperparatireoidismo primário muitas vezes é assintomático ou oligossintomático, e é descoberto em exames de rotina. Em populações vulneráveis, como as que atendemos no SUS, a doença costuma ser diagnosticada mais tardiamente, quando já há complicações renais ou ósseas. Por isso, fazer check-ups anuais com dosagem de cálcio sérico é uma recomendação do Ministério da Saúde para pessoas com fatores de risco (história familiar de hiperparatireoidismo, doenças endócrinas, uso prolongado de lítio).

Termos Relacionados

  • Adenoma de paratireoide – Tumor benigno mais comum das paratireoides, produtor de PTH em excesso, sem características atípicas.
  • Carcinoma de paratireoide – Tumor maligno raro que invade cápsula e vasos, podendo metastatizar; requer cirurgia radical e acompanhamento oncológico.
  • Hiperparatireoidismo primário – Doença causada pelo excesso de PTH devido a adenoma (na maioria dos casos), hiperplasia ou carcinoma das paratireoides.
  • PTH (paratormônio) – Hormônio que regula o metabolismo do cálcio e fósforo; seus níveis elevados são o principal marcador do hiperparatireoidismo.
  • Cálcio sérico (calcemia) – Exame de sangue que mede a concentração de cálcio; valores acima de 10,2 mg/dL (ou 5,0 mEq/L) merecem investigação.
  • Cintilografia de paratireoides – Exame de medicina nuclear que identifica glândulas hiperfuncionantes (adenomas) usando o radiofármaco sestamibi.
  • Paratireoidectomia – Cirurgia de remoção de uma ou mais paratireoides; é o tratamento padrão para adenomas e carcinomas.
  • Osteoporose secundária – Perda de massa óssea causada por hiperparatireoidismo, uso de corticoides, doenças absorptivas ou outras condições; difere da osteoporose primária (pós-menopausa).

Perguntas Frequentes sobre Adenoma de paratireoide atípico

Adenoma de paratireoide atípico é câncer?

Não. O termo “atípico” indica que o tumor tem características microscópicas que lembram um câncer, mas não preenche todos os critérios para ser classificado como carcinoma. Na maioria dos casos, o comportamento é benigno, embora haja um risco maior de recorrência local em comparação com adenomas típicos. O tratamento é cirúrgico, e o prognóstico é excelente quando a remoção é completa.

Quais os sintomas mais comuns desse tipo de adenoma?

Os sintomas são os mesmos do hiperparatireoidismo primário: cansaço, fraqueza muscular, dores ósseas, pedras nos rins, aumento da sede e da vontade de urinar, além de alterações de humor. Muitas pessoas, porém, não apresentam sintomas e o achado é incidental em exames de rotina. O adenoma atípico em si não causa sintomas específicos – o que chama a atenção são os efeitos do excesso de PTH.

Qual o tratamento para adenoma de paratireoide atípico?

O padrão é a remoção cirúrgica da glândula afetada (paratireoidectomia). Durante a cirurgia, o cirurgião tenta identificar todas as quatro paratireoides e retirar apenas a doente. No caso de adenoma atípico, muitos cirurgiões preferem fazer uma ressecção mais ampla, incluindo um pequeno fragmento de tecido ao redor, para garantir margens livres. Depois da cirurgia, é necessário acompanhamento com dosagens periódicas de cálcio e PTH por pelo menos 5 anos, para detectar precocemente qualquer recidiva.

O SUS cobre o tratamento para adenoma de paratireoide atípico?

Sim. O tratamento (cirurgia, exames pré-operatórios e acompanhamento) está na tabela do SUS e é oferecido nos centros de referência em cirurgia de cabeça e pescoço e endocrinologia. O acesso pode variar conforme a região; nas capitais e grandes centros, há maior disponibilidade de exames de imagem como cintilografia e ultrassom com Doppler colorido. É importante que o paciente busque a Unidade Básica de Saúde (UBS) para ser referenciado ao serviço especializado.

É possível prevenir o adenoma de paratireoide atípico?

Não existem medidas específicas de prevenção, pois a causa exata do adenoma atípico ainda não é totalmente conhecida. Sabe-se que fatores genéticos (como mutações no gene MEN1, CDC73 e outros) podem estar envolvidos, assim como exposição à radiação na infância. O que se recomenda é manter uma alimentação equilibrada em cálcio e vitamina D, evitar o uso indiscriminado de suplementos de cálcio sem orientação médica, e realizar exames de rotina para detectar precocemente alterações no cálcio e PTH.

Depois da cirurgia, preciso tomar algum remédio para sempre?

Na maioria dos casos, a retirada de uma única paratireoide não causa hipoparatireoidismo permanente (falta de PTH). Porém, como medida de segurança, o médico pode prescrever cálcio oral e/ou vitamina D por algumas semanas ou meses após a cirurgia, até que as glândulas remanescentes se adaptem. Em situações raras (remoção inadvertida de múltiplas