quinta-feira, maio 28, 2026

O que é O que é Adenoma de paratireoide

O que é Adenoma de Paratireoide?

Imagine que o seu corpo tem quatro pequenas glândulas chamadas paratireoides, localizadas atrás da tireoide, no pescoço. Elas são do tamanho de um grão de arroz e têm uma função vital: controlar a quantidade de cálcio no sangue. O adenoma de paratireoide é um tumor benigno (não canceroso) que se forma em uma dessas glândulas e faz com que ela produza hormônio da paratireoide (PTH) em excesso. Esse excesso de PTH “rouba” cálcio dos ossos e aumenta a quantidade de cálcio no sangue, condição chamada de hiperparatireoidismo primário. Na prática clínica brasileira, especialmente no SUS e nas clínicas populares, esse é o diagnóstico mais comum entre os problemas das paratireoides.

Dados do Ministério da Saúde indicam que o hiperparatireoidismo primário afeta cerca de 1 a 4% da população adulta, sendo mais frequente em mulheres acima dos 50 anos. No Brasil, estima-se que até 2% das mulheres na pós-menopausa possam ter a doença, muitas vezes sem saber. Nas clínicas populares de Fortaleza e de outras capitais, é comum receber pacientes que chegam com queixas vagas — cansaço, dores nas juntas, fraqueza — e que, após exames simples de sangue, descobrem o cálcio alto e, depois, um adenoma na paratireoide. “Doutora, sinto que estou ficando velha antes do tempo”, é uma frase que ouço com frequência. O adenoma é um achado que, embora assuste, tem tratamento e, na maioria dos casos, cura.

O adenoma de paratireoide é uma condição benigna e, ao contrário do que muitos pensam, não é câncer. A palavra “adenoma” significa tumor de glândula, mas com comportamento benigno. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) reforça que apenas em menos de 1% dos casos esse tipo de tumor pode se transformar em carcinoma (câncer). Portanto, o diagnóstico precoce é a chave para evitar complicações como osteoporose, cálculos renais e até problemas cardíacos. No SUS, o acesso ao diagnóstico é feito pela Atenção Básica e, quando necessário, o paciente é encaminhado para a cirurgia (paratireoidectomia) em hospitais de referência. O tratamento cirúrgico é o único definitivo e, nas mãos de uma equipe experiente, tem altas taxas de sucesso.

Como funciona / Características

Para entender o adenoma, precisamos lembrar como as paratireoides funcionam. Elas são como “sensores” que detectam o nível de cálcio no sangue. Quando o cálcio está baixo, as glândulas liberam PTH para “pedir” mais cálcio aos ossos, aos rins e ao intestino. No adenoma, uma das glândulas “desregula” e passa a produzir PTH sem parar, como se um alarme falso estivesse sempre ligado. O resultado: o nível de cálcio no sangue sobe, enquanto os ossos vão perdendo cálcio, ficando frágeis. Esse processo é lento e silencioso, muitas vezes levando anos para dar sintomas.

No dia a dia de uma clínica popular, o adenoma aparece principalmente em duas situações. A primeira: uma paciente (geralmente mulher, acima de 50 anos) que chega com uma fratura por queda boba ou com diagnóstico de osteoporose e, ao investigar, descobre o cálcio elevado. A segunda: alguém que já teve pedras nos rins (cálculo renal) e, ao repetir exames, o médico percebe que o cálcio está sempre no limite superior. “Sempre tive problema de rins, mas ninguém nunca falou em paratireoide”, é um relato comum. Por isso, todo paciente com cálculos renais de repetição deve dosar o cálcio e o PTH no sangue.

O adenoma costuma ser único (em 85% dos casos), mas pode ocorrer em mais de uma glândula ou até em localizações atípicas (no pescoço ou no mediastino). O tamanho varia de 0,5 cm a 3 cm, sendo que tumores maiores tendem a causar sintomas mais evidentes. No exame físico, a maioria das vezes não se consegue palpar o nódulo — ele só é visto em exames de imagem como ultrassom de pescoço ou cintilografia das paratireoides. O diagnóstico é confirmado pela combinação: cálcio sérico elevado, PTH inadequado (não suprimido) e imagem compatível. No SUS, a ultrassonografia de tireoide/paratireoide é o exame de primeira linha, disponível na maioria dos serviços de referência.

Tipos e Classificações

O adenoma de paratireoide é classificado de acordo com seu tamanho, localização e características celulares. Na prática clínica brasileira, a classificação mais usada é baseada no laudo anatomopatológico após a cirurgia. Veja as principais categorias:

  • Adenoma típico: o mais comum, composto por células principais (chief cells) e, às vezes, por células oxífilas. Corresponde a cerca de 90% dos adenomas.
  • Adenoma atípico: apresenta algumas características suspeitas (como atipias celulares), mas sem critérios para câncer. Exige acompanhamento mais rigoroso.
  • Adenoma duplo ou múltiplo: quando duas ou mais glândulas são comprometidas. Mais raro, ocorre em até 5% dos casos.
  • Adenoma ectópico: localizado fora do pescoço, como no mediastino (atrás do osso do peito) ou dentro da tireoide. Exige técnicas de imagem específicas para localização.

Além disso, há a classificação funcional: o adenoma pode ser classificado como produtor exclusivo de PTH (a grande maioria) ou, muito raramente, associado a outras neoplasias endócrinas (como na Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 1 – NEM1). No contexto do SUS, a investigação de NEM1 é feita em casos de adenomas múltiplos, história familiar ou presença de outros tumores (hipófise, pâncreas). A SBEM recomenda que todo paciente com adenoma de paratireoide com menos de 30 anos ou com histórico familiar seja rastreado para síndromes genéticas.

Quando procurar um médico

Muitos pacientes convivem com adenoma de paratireoide por anos sem saber. Porém, alguns sinais merecem atenção e indicam a necessidade de uma consulta médica:

  • Dor óssea persistente: principalmente nos ossos longos (pernas, braços) e na coluna. É um sintoma comum em mulheres na menopausa e pode ser confundido com artrose ou reumatismo.
  • Fraqueza muscular: dificuldade para levantar objetos, subir escadas ou sentir as pernas “pesadas”. Muitas vezes é atribuído ao envelhecimento ou ao estresse.
  • Pedras nos rins de repetição: quem já teve dois ou mais episódios de cálculo renal deve dosar o cálcio sérico. O adenoma é uma causa frequente.
  • Fadiga crônica: cansaço sem causa aparente, que não melhora com descanso e não se explica por anemia ou problemas de tireoide.
  • Alterações gastrointestinais: náuseas, vômitos, prisão de ventre ou dor abdominal, especialmente se associados a níveis muito altos de cálcio.
  • Alterações psiquiátricas: depressão, irritabilidade, confusão mental – mais comuns em idosos e muitas vezes mal diagnosticadas.

Na Atenção Básica, o médico da família pode solicitar exames de sangue simples (cálcio total e albumina, ou cálcio iônico, PTH e vitamina D) para triagem. Se o cálcio estiver elevado e o PTH não estiver suprimido, há suspeita de hiperparatireoidismo primário. O encaminhamento para um ambulatório de endocrinologia ou cirurgia de cabeça e pescoço é o passo seguinte. Nas clínicas populares, muitos pacientes chegam já com laudos de ultrassom pedidos na rede privada, mas é possível fazer todo o acompanhamento pelo SUS, embora com filas de espera que variam de 3 a 12 meses para a cirurgia, dependendo da região.

Termos Relacionados

  • Hiperparatireoidismo primário: condição causada pelo excesso de PTH, geralmente por um adenoma. É a doença que o adenoma provoca.
  • Hormônio da paratireoide (PTH): substância produzida pelas paratireoides que regula o cálcio e o fósforo no sangue.
  • Cálcio iônico: forma ativa do cálcio no sangue. É mais preciso que o cálcio total para diagnosticar hiperparatireoidismo.
  • Osteoporose: enfraquecimento dos ossos por perda de cálcio. É a principal complicação do adenoma a longo prazo.
  • Cálculo renal (nefrolitíase): pedra nos rins formada por excesso de cálcio na urina, consequência comum do hiperparatireoidismo.
  • Cintilografia das paratireoides: exame de medicina nuclear que localiza o adenoma, usando marcadores radioativos.
  • Paratireoidectomia: cirurgia para remoção do adenoma. É o tratamento definitivo na maioria dos casos.
  • Hipocalcemia pós-operatória: queda do cálcio no sangue após a cirurgia, que pode exigir reposição temporária com cálcio e vitamina D.

Perguntas Frequentes sobre Adenoma de Paratireoide

1. O adenoma de paratireoide é câncer?

Não, a grande maioria dos adenomas é benigna. O câncer de paratireoide (carcinoma) é extremamente raro, correspondendo a menos de 1% dos casos. Seu médico pedirá exames de imagem e, após a cirurgia, a análise do tumor (anatomopatológico)