O que é Adenoma de próstata?
O adenoma de próstata é uma condição benigna e extremamente comum entre os homens brasileiros acima dos 50 anos. Tecnicamente chamado de hiperplasia prostática benigna (HPB), ele nada mais é do que um crescimento natural e não canceroso da glândula prostática. Imagine a próstata como uma castanha que, com o passar dos anos, vai aumentando de tamanho. Esse crescimento comprime a uretra – o canal que leva a urina da bexiga para fora – e começa a atrapalhar o fluxo urinário.
Na minha prática diária, tanto no SUS quanto em clínicas populares de Fortaleza, atendo homens que chegam com queixas do tipo: “Doutor, acordo umas três vezes por noite para urinar”, “O jato está fraco, demoro para começar” ou “Sinto que não esvazio completamente a bexiga”. Muitos ficam assustados, achando que é câncer. A primeira coisa que faço é tranquilizá-los: o adenoma de próstata não é câncer e não se transforma em câncer. Mas precisa ser tratado para evitar complicações sérias, como infecção urinária, pedras na bexiga ou até retenção urinária aguda – aquela situação em que o homem simplesmente não consegue urinar e precisa de uma sonda de emergência.
Dados do Ministério da Saúde mostram que cerca de 50% dos homens com mais de 50 anos apresentam algum grau de HPB. Aos 60 anos, esse número sobe para 60%, e aos 80, chega a impressionantes 80% a 90%. Com o envelhecimento da população brasileira – a expectativa de vida já ultrapassa 76 anos (IBGE) – o diagnóstico e o manejo dessa condição se tornam cada vez mais frequentes nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos consultórios de urologia. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece desde medicamentos gratuitos (como a finasterida e a tansulosina) até cirurgias (RTU de próstata) nos hospitais credenciados, seguindo protocolos do Ministério da Saúde e recomendações da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).
Como funciona / Características
Para entender como o adenoma de próstata age, vale fazer uma analogia simples. A próstata normal tem o tamanho de uma noz e envolve a uretra como um anel. Quando ela cresce – e pode chegar ao tamanho de uma laranja ou mais – ela aperta esse cano. O resultado é uma obstrução gradual que o paciente sente no dia a dia.
Os sintomas mais comuns que ouço no consultório incluem:
- Jato urinário fraco – o homem nota que o xixi sai mais fino e demora mais para terminar.
- Hesitação – dificuldade para iniciar a micção, mesmo com vontade.
- Noctúria – acordar várias vezes à noite para urinar (normal é zero ou uma vez).
- Sensação de bexiga cheia – mesmo depois de urinar, a pessoa sente que não esvaziou por completo.
- Gotejamento terminal – aquelas gotas que insistem em cair depois de já ter guardado o órgão.
- Urgência – vontade súbita e forte de urinar, às vezes sem conseguir segurar.
É importante destacar que nem todo homem com próstata aumentada terá sintomas. Muitos convivem com o adenoma sem incômodo e só descobrem em exames de rotina. Outros, porém, desenvolvem sintomas que atrapalham o sono, o trabalho e a vida social. Por isso, a avaliação médica é essencial para individualizar o tratamento.
Na clínica popular, muitas vezes o paciente chega após meses ou anos de sofrimento, às vezes por vergonha ou por achar que “é coisa da idade”. Já atendi senhores de 65 anos que deixavam de viajar ou de ir ao futebol com os amigos com medo de não encontrar banheiro. O tratamento adequado – seja com remédio ou cirurgia – pode mudar completamente a qualidade de vida.
Tipos e Classificações
Na prática clínica brasileira, classificamos o adenoma de próstata principalmente por dois critérios: volume prostático (medido por ultrassom transretal ou abdominal) e a gravidade dos sintomas, avaliada pelo questionário IPSS (International Prostate Symptom Score).
O IPSS é um escore de 7 perguntas sobre frequência urinária, noctúria, jato fraco e outros sintomas. A pontuação total classifica o quadro em:
- Leve (0 a 7 pontos) – geralmente apenas acompanhamento e mudanças no estilo de vida.
- Moderado (8 a 19 pontos) – indica uso de medicação.
- Grave (20 a 35 pontos) – muitas vezes requer cirurgia.
Quanto ao volume, o ultrassom da próstata permite dividir em:
- Pequeno (até 30 g)
- Médio (30 a 60 g)
- Grande (acima de 60 g)
Essas classificações são usadas nos protocolos do SUS e na literatura médica para decidir qual terapêutica adotar. Por exemplo, próstatas muito grandes (acima de 80 g) costumam responder menos a medicamentos e podem precisar de cirurgia aberta ou a laser.
Existe ainda uma subclassificação anatômica (lobo médio, predominância de lobo lateral), mas no dia a dia da atenção primária o foco é no IPSS e no volume ecográfico.
Quando procurar um médico
O ideal é que todo homem, a partir dos 40-45 anos, faça um check-up anual com exame de toque retal e dosagem de PSA. Mas, na prática, muitos só procuram ajuda quando os sintomas já estão avançados. Oriento meus pacientes a buscar atendimento nas seguintes situações:
- Acordar mais de duas vezes por noite para urinar.
- Jato urinário nitidamente mais fraco que antes.
- Dificuldade para iniciar a micção ou sensação de esvaziamento incompleto.
- Sangue na urina (hematúria) – sinal de alerta que exige investigação imediata.
- Infecção urinária de repetição (ardência, febre, pus na urina).
- Incapacidade total de urinar (retenção urinária) – vá ao pronto-socorro.
- Dor ou desconforto na região da bexiga ou períneo.
O primeiro passo pode ser na Unidade Básica de Saúde (UBS) perto da sua casa. O clínico geral ou médico de família irá fazer a anamnese, solicitar exames iniciais (PSA, urina, ultrassom) e, se necessário, encaminhar ao urologista. Nas clínicas populares, esse atendimento também é acessível e rápido, com consultas a preços populares.
Não deixe de ir por vergonha. O exame de toque retal, embora desconfortável, dura segundos e pode salvar vidas – aliás, ele é indolor na maioria dos casos. No SUS, esse exame é realizado rotineiramente e faz parte do Protocolo Nacional de Atenção à Saúde do Homem.
Termos Relacionados
- Próstata – Glândula do sistema reprodutor masculino, localizada abaixo da bexiga, que produz parte do líquido seminal.
- HPB (Hiperplasia Prostática Benigna) – Nome técnico do adenoma de próstata. Mesma condição, sem relação com câncer.
- PSA (Antígeno Prostático Específico) – Exame de sangue usado para rastrear problemas na próstata, incluindo HPB e câncer. Valores elevados podem indicar aumento benigno ou maligno.
- Toque retal – Exame físico em que o médico introduz o dedo enluvado no ânus para avaliar tamanho, textura e consistência da próstata.
- RTU de Próstata (Ressecção Transuretral da Próstata) – Cirurgia minimamente invasiva realizada pelo SUS para remover o excesso de tecido prostático, aliviando a obstrução.
- IPSS (International Prostate Symptom Score) – Questionário padronizado utilizado mundialmente para classificar a gravidade dos sintomas urinários.
- Finasterida – Medicamento que reduz o tamanho da próstata ao inibir a conversão da testosterona em DHT. Disponível no SUS.
- Tansulosina – Medicamento que relaxa a musculatura da próstata e da bexiga, melhorando o fluxo urinário. Também disponível na rede pública.
Perguntas Frequentes sobre O que é Adenoma de próstata
1. O adenoma de próstata pode virar câncer?
Não. O adenoma de próstata (HPB) é uma condição benigna. Ele não se transforma em câncer. No entanto, um homem pode ter tanto HPB quanto câncer de próstata ao mesmo tempo – são doenças independentes. Por isso, mesmo com diagnóstico de adenoma, é importante manter o acompanhamento com exames anuais (PSA e toque retal). A boa notícia é que ter HPB não aumenta o risco de desenvolver câncer.
2. Todo homem com adenoma precisa de cirurgia?
Não. A cirurgia (como a RTU de próstata) é reservada para casos graves, quando os medicamentos não funcionam, quando há retenção urinária de repetição, infecções constantes ou sangramento significativo. Cerca de 70% dos homens com sintomas moderados conseguem controle adequado apenas com medicação e mudanças de hábitos (evitar café e bebidas alcoólicas à noite, urinar antes de dormir, etc.). A decisão é sempre individualizada, baseada no IPSS, no volume prostático e na preferência do paciente.
3. Os remédios para adenoma de próstata são fornecidos pelo SUS?
Sim. Tanto a finasterida quanto a tansulosina estão na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) e são distribuídos gratuitamente nas farmácias das Unidades Básicas de Saúde e nas Farmácias Populares. Basta apresentar a receita médica (pode ser do clínico geral ou do urologista) e o CPF. Nem sempre todas as dosagens estão disponíveis em todos os postos, mas a rede pública cobre a maioria dos casos. Converse com o farmacêutico da UBS ou ligue para o 136 (Disque Saúde) para confirmar a disponibilidade na sua região.
4. O exame de toque retal é obrigatório? Dói?
O toque retal é fortemente recomendado para qualquer homem acima de 45 anos ou com sintomas urinários, mas você pode recusá-lo. Porém, ele é o exame mais barato e rápido para avaliar a próstata. Na prática, a maioria dos pacientes descreve uma sensação de pressão ou desconforto, não de dor. Dura menos de 30 segundos. Eu sempre explico: “É a parte mais curta da consulta, mas que dá as informações mais importantes”. Se houver dor intensa ou sangramento, é sinal de que algo pode estar errado (como prostatite), e isso também é


