quarta-feira, maio 27, 2026

O que é O que é Adenoma eosinofílico

O que é Adenoma eosinofílico?

O adenoma eosinofílico é um tipo de tumor benigno que se forma na glândula hipófise (também conhecida como pituitária), localizada na base do cérebro, dentro de uma estrutura óssea chamada sela túrcica. O nome “eosinofílico” vem da coloração que essas células tumorais adquirem quando coradas com eosina, um corante usado na análise do tecido ao microscópio – elas ficam com um tom rosado característico. Na prática clínica, esse achado histológico geralmente está associado a tumores que produzem hormônio do crescimento (GH) ou prolactina em excesso, sendo a causa mais comum de acromegalia e de alguns casos de hiperprolactinemia.

No dia a dia de um clínico geral que atende no SUS ou em clínicas populares brasileiras, o paciente com adenoma eosinofílico raramente chega com o diagnóstico pronto. O que vemos são pessoas que vêm por outros motivos – dores de cabeça persistentes, alterações na visão, cansaço, dores articulares – e, durante a anamnese e o exame físico, começamos a suspeitar de um problema na hipófise. Por exemplo, uma mulher jovem que relata atraso menstrual e saída de leite pelos mamilos (galactorreia) pode ter um adenoma eosinofílico produtor de prolactina; um homem de meia-idade que notou que o anel não serve mais no dedo ou que o sapato apertou pode estar com acromegalia causada por um adenoma eosinofílico secretor de GH.

Dados epidemiológicos brasileiros mostram que os adenomas hipofisários têm uma prevalência estimada em cerca de 1 a cada 1.000 pessoas na população geral, sendo que os adenomas eosinofílicos representam aproximadamente 20% a 30% desses tumores. Não existem números oficiais do Ministério da Saúde específicos para essa variante, mas a acromegalia – principal consequência dos adenomas eosinofílicos secretores de GH – tem uma incidência estimada de 3 a 4 casos por milhão de habitantes por ano no Brasil. Muitos desses pacientes são diagnosticados tardiamente, o que reforça a importância da suspeita clínica na atenção primária. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece acesso a exames como dosagem hormonal e ressonância magnética da sela túrcica, além de tratamento medicamentoso e cirúrgico regulamentado pela ANVISA e pelo CFM.

Como funciona / Características

O adenoma eosinofílico funciona como uma pequena “fábrica” descontrolada de hormônios. Dependendo do tipo celular que o originou, ele pode produzir:

Hormônio do crescimento (GH): leva à acromegalia (em adultos) ou gigantismo (em crianças). O excesso de GH faz os ossos crescerem de forma anormal, principalmente nas mãos, pés, face e mandíbula. O paciente pode relatar que o chapéu não cabe mais, que a aliança precisa ser alargada ou que o queixo está “crescendo”.
Prolactina (PRL): causa hiperprolactinemia, com sintomas como galactorreia (saída de leite pelas mamas fora do período de amamentação), irregularidade menstrual nas mulheres, queda da libido e disfunção erétil nos homens.
Hormônio tireoestimulante (TSH): mais raro, leva ao hipertireoidismo secundário.
Não funcionante (silencioso): uma minoria dos adenomas eosinofílicos não secreta hormônios em quantidades suficientes para causar sintomas, mas pode crescer e comprimir estruturas adjacentes.

Na prática ambulatorial, quando atendo um paciente com suspeita de adenoma eosinofílico, costumo perguntar: “Você notou alguma mudança no formato do seu rosto, como o nariz mais largo ou o queixo mais para frente?”, “Suas mãos ou pés aumentaram de tamanho recentemente?”, “A senhora está com leite no peito mesmo sem estar amamentando?”. Essas perguntas simples, feitas em uma consulta de 15 minutos em uma clínica popular, podem levantar a suspeita que levará ao diagnóstico precoce. O crescimento do tumor também pode comprimir o nervo óptico, causando perda de visão periférica (hemianopsia bitemporal) – um sintoma que o paciente pode descrever como “não enxergar direito dos lados” ou “bater em portas”.

O diagnóstico é confirmado com exames de sangue para dosagens hormonais (GH, IGF-1, prolactina, TSH, T4 livre) e ressonância magnética de sela túrcica com contraste, que mostra o tamanho e a localização exata do adenoma. No SUS, a ressonância é regulada por protocolos de acesso e pode ter fila de espera, mas a prioridade é dada a casos com suspeita de compressão do quiasma óptico.

Tipos e Classificações

Existem várias formas de classificar os adenomas eosinofílicos, e as principais usadas no Brasil seguem as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM):

– **Quanto ao tamanho:**
Microadenoma: menor que 1 cm de diâmetro. Geralmente são assintomáticos ou causam apenas sintomas hormonais leves.
Macroadenoma: igual ou maior que 1 cm. Podem comprimir estruturas vizinhas (quiasma óptico, hipotálamo) e causar déficits neurológicos.

– **Quanto à secreção hormonal:**
Secretor de GH (somatotrófico): mais comum entre os eosinofílicos. Responsável pela acromegalia.
Secretor de prolactina (lactotrófico): também chamado de prolactinoma. Muitos prolactinomas são eosinofílicos.
Secretor de TSH (tireotrófico): raríssimo, menos de 1% dos adenomas.
Misto (GH + prolactina): tumores que produzem ambos os hormônios.
Não funcionante (silencioso): não secreta hormônios ativos, mas pode crescer e causar sintomas compressivos.

– **Quanto à agressividade (classificação histopatológica):**
– A OMS classifica os adenomas hipofisários em típico, atípico (com proliferação aumentada) e carcinoma (raro, com metástases). A maioria dos adenomas eosinofílicos é típica e benigna.

No Brasil, a classificação por tamanho é a mais usada na prática clínica do SUS, pois define a conduta: microadenomas geralmente são tratados com medicamentos (dopaminérgicos para prolactinomas, análogos de somatostatina para acromegalia), enquanto macroadenomas podem necessitar de cirurgia transesfenoidal.

Quando procurar um médico

A suspeita de adenoma eosinofílico deve ser levantada quando houver um ou mais dos seguintes sinais ou sintomas:

– Mudanças progressivas no rosto (nariz mais largo, lábios grossos, mandíbula proeminente, espaçamento entre os dentes).
– Aumento do tamanho de mãos e pés (mudança de número de sapato ou anel).
– Dores de cabeça persistentes, principalmente na região frontal ou atrás dos olhos.
– Alterações na visão, como visão embaçada, perda da visão lateral ou visão dupla.
– Saída espontânea de leite pelos mamilos (galactorreia).
– Irregularidade menstrual, infertilidade ou diminuição da libido.
– Intolerância ao calor, sudorese excessiva ou palpitações (suspeita de hipertireoidismo secundário).
– Aumento de peso inexplicado, fadiga, dores articulares.

O paciente deve procurar primeiro a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou o clínico geral em uma clínica popular. Após avaliação inicial, se houver suspeita, o médico solicitará exames hormonais básicos (prolactina, IGF-1, TSH) e encaminhará para um endocrinologista e, se necessário, para neurocirurgia. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações irreversíveis, como a perda permanente da visão ou deformidades ósseas.

Sinais de alerta que exigem atendimento de urgência:
– Perda súbita ou rápida da visão.
– Dor de cabeça intensa e súbita (suspeita de apoplexia hipofisária – sangramento dentro do tumor).
– Alteração do nível de consciência ou confusão mental.

Termos Relacionados

  • Adenoma hipofisário: Tumor benigno da glândula hipófise. O adenoma eosinofílico é um subtipo histológico.
  • Acromegalia: Síndrome causada pelo excesso crônico de GH, geralmente por um adenoma eosinofílico secretor de GH. Caracteriza-se por crescimento anormal de extremidades e órgãos.
  • Prolactinoma: Adenoma hipofisário que secreta prolactina. Muitos prolactinomas são eosinofílicos. É o tipo mais comum de tumor hipofisário funcionante.
  • Hipopituitarismo: Deficiência de um ou mais hormônios da hipófise, que pode ocorrer pela compressão do tumor ou após cirurgia.
  • Ressonância magnética de sela túrcica: Exame de imagem padrão-ouro para identificar e dimensionar adenomas hipofisários.
  • Cirurgia transesfenoidal: Procedimento neurocirúrgico minimamente invasivo para remover o adenoma pelo nariz e seios da face. É o tratamento de escolha para macroadenomas que não respondem a medicamentos.
  • Dopaminérgicos (cabergolina, bromocriptina): Medicamentos que reduzem a secreção de prolactina e podem diminuir o tamanho dos prolactinomas.
  • IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1): Exame laboratorial usado para rastrear e monitorar a acromegalia, refletindo a média de GH nos últimos dias.

Perguntas Frequentes sobre Adenoma eosinofílico

1. Adenoma eosinofílico é câncer?

Não. A grande maioria dos adenomas eosinofílicos é benigna, ou seja, não invade outros tecidos nem se espalha para outras partes do corpo. Eles são classificados como tumores de baixo risco. Em casos muito raros (menos de 0,2%), pode ocorrer transformação maligna, chamada de carcinoma hipofisário, mas isso é excepcional. O termo “adenoma” já indica que é um tumor benigno.

2. Preciso operar se tiver um adenoma eosinofílico?

Nem sempre. A decisão depende do tamanho, da produção hormonal e dos sintomas. Microadenomas assintomáticos ou com sintomas leves muitas vezes podem ser tratados apenas com medicamentos ou até acompanhados com exames periódicos. Macroadenomas que comprimem o nervo óptico ou causam sintomas importantes geralmente requerem cirurgia. O tratamento é individualizado e discutido entre endocrinologista e neurocirurgião.

3. O SUS oferece tratamento para adenoma eosinofílico?

Sim. O SUS disponibiliza todo o arsenal diagnóstico e terapêutico, incluindo exames hormonais, ressonância magnética, medicamentos (cabergolina, octreotida, pegvisomanto) e cirurgia transesfenoidal em hospitais de referência. O acesso é regulado por protocolos clínicos e diretrizes do Ministério da Saúde. O paciente deve ser encaminhado pela UBS para serviços especializados.

4. Como é feito o diagnóstico? Dói?

O diagnóstico começa com a suspeita clínica durante a consulta. Depois, são feitos exames de sangue (dosagens hormonais) e uma ressonância magn