O que é Adenoma pleomórfico?
O adenoma pleomórfico é um tumor benigno que se origina nas glândulas salivares, sendo o tipo mais comum desse grupo de tumores. Ele também é conhecido como “tumor misto” porque, ao microscópio, apresenta uma mistura de células epiteliais (que revestem glândulas) e tecido conjuntivo (como cartilagem ou muco). Na prática clínica do SUS e de clínicas populares brasileiras, é uma queixa frequente em pacientes que notam um caroço indolor na região do rosto, perto da orelha, no pescoço ou na boca. Muitas vezes, o paciente descobre o nódulo ao fazer a barba, ao pentear o cabelo ou ao sentir um desconforto ao mastigar. O adenoma pleomórfico não é câncer, mas precisa ser tratado porque pode crescer lentamente e, em raros casos, se transformar em tumor maligno se deixado por muitos anos sem acompanhamento.
No Brasil, os tumores de glândulas salivares representam cerca de 2% a 3% de todas as neoplasias de cabeça e pescoço, e o adenoma pleomórfico é responsável por aproximadamente 60% a 70% desses casos. A glândula mais afetada é a parótida (a maior glândula salivar, localizada na frente da orelha), seguida pelas glândulas submandibulares e as glândulas salivares menores do palato (céu da boca). Dados do Ministério da Saúde e do INCA mostram que a incidência é ligeiramente maior em mulheres, especialmente entre 30 e 50 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade. No contexto do SUS, o diagnóstico é feito inicialmente na atenção primária — postos de saúde e clínicas da família — por meio de exame clínico e encaminhamento para ultrassonografia ou punção aspirativa por agulha fina (PAAF), um procedimento simples e acessível na rede pública. O tratamento padrão é a remoção cirúrgica completa, geralmente realizada em hospitais de referência ou serviços de cirurgia de cabeça e pescoço conveniados ao SUS.
É importante destacar que, apesar de ser benigno, o adenoma pleomórfico pode gerar grande ansiedade nos pacientes, que associam qualquer nódulo a câncer. Na clínica popular, é comum o paciente chegar preocupado, contar que o caroço “cresce devagar há anos” e que já passou por vários médicos sem um diagnóstico definitivo. Por isso, o acolhimento e a informação clara são fundamentais. A Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) orientam que todo nódulo de glândula salivar com mais de 1 cm ou que persista por mais de 4 semanas deve ser investigado. O tratamento cirúrgico, quando bem indicado, resolve o problema na maioria dos casos, com baixo risco de recidiva (reaparecimento) se a remoção for completa.
Como funciona / Características
O adenoma pleomórfico se comporta como um nódulo de crescimento lento, geralmente indolor e móvel à palpação. Ele é bem delimitado, mas não possui uma cápsula verdadeira em toda a sua extensão — isso significa que, se a cirurgia não for completa, podem ficar “dedos” microscópicos do tumor no tecido ao redor, aumentando o risco de recidiva. Na prática do dia a dia, o paciente relata que sente um “caroço” que vem crescendo há meses ou anos, sem dor, febre ou vermelhidão. Dependendo do tamanho e da localização, pode causar assimetria facial, sensação de pressão ou dificuldade para mover a mandíbula. Quando atinge as glândulas salivares menores do palato, o paciente pode notar um abaulamento no céu da boca, às vezes confundido com uma bolha ou afta que não sara.
O diagnóstico clínico é reforçado por exames de imagem e citologia. Em uma clínica popular, o médico de família pode solicitar uma ultrassonografia de partes moles, que mostra uma massa hipoecoica (mais escura) e bem delimitada. A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) é um procedimento ambulatorial, barato e disponível em muitos ambulatórios do SUS, no qual uma agulha fina coleta células do nódulo para análise patológica. O laudo da PAAF tem alta acurácia para diferenciar o adenoma pleomórfico de outros tumores, como o tumor de Warthin ou carcinomas. Na rede pública, o tempo médio entre a suspeita e a confirmação diagnóstica pode variar de 30 a 90 dias, dependendo da demanda local. O CFM recomenda que o paciente seja referenciado a um cirurgião de cabeça e pescoço ou cirurgião bucomaxilofacial assim que o diagnóstico for firmado, especialmente se o nódulo tiver mais de 2 cm ou crescimento rápido.
Após a cirurgia, a peça retirada é enviada para exame anatomopatológico completo, que confirma o diagnóstico e avalia a margem cirúrgica (se o tumor foi removido por inteiro). A maioria dos pacientes se recupera bem, mas podem ocorrer complicações como lesão do nervo facial (paralisia temporária ou permanente), hematoma ou infecção. No SUS, o acompanhamento pós-operatório é feito com consultas periódicas e exames de imagem para monitorar possíveis recidivas, que ocorrem em cerca de 2% a 5% dos casos quando a cirurgia é adequada.
Tipos e Classificações
Na prática clínica brasileira, o adenoma pleomórfico é classificado principalmente com base na localização anatômica e no padrão histológico (microscópico). As classificações mais usadas nos laudos patológicos do SUS seguem a Classificação Internacional de Doenças em Oncologia (CID-O) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a OMS, o adenoma pleomórfico é classificado como tumor epitelial benigno das glândulas salivares, código M8940/0 na CID-O. Não existem subtipos formais dentro do adenoma pleomórfico, mas os patologistas descrevem variações como predomínio de componente epitelial ou estromal (tecido conjuntivo), o que não altera o tratamento.
Quanto à localização, os adenomas pleomórficos são divididos em:
- Parotídeo (mais comum, cerca de 80% dos casos) — localizado na parótida, geralmente no lobo superficial, facilmente palpável.
- Submandibular (10% a 15%) — na região do pescoço, abaixo da mandíbula, podendo ser confundido com linfonodos aumentados.
- Glândulas salivares menores (5% a 10%) — mais frequentes no palato duro, mas também podem surgir no lábio, língua, mucosa jugal ou seios da face.
Essa classificação é importante para o planejamento cirúrgico: tumores de parótida exigem cuidado especial com o nervo facial; os de glândulas menores do palato, por vezes, podem ser removidos em nível ambulatorial. No Brasil, o Ministério da Saúde, por meio da Portaria de Diretrizes Diagnósticas e Terapêuticas (DDT), orienta que o tratamento cirúrgico seja realizado em serviços especializados, com suporte de anestesia e patologia intraoperatória quando possível.
Quando procurar um médico
Qualquer nódulo ou caroço na região do rosto, pescoço, próximo à orelha, abaixo da mandíbula ou no céu da boca que persista por mais de 3 a 4 semanas merece avaliação médica. No adenoma pleomórfico, os sinais de alerta incluem:
- Nódulo indolor que cresce lentamente (ao longo de meses ou anos).
- Assimetria facial perceptível.
- Dificuldade para mastigar, engolir ou mover o pescoço.
- Sensação de pressão ou desconforto local.
- Aparecimento de um abaulamento no céu da boca que não desaparece.
Procure imediatamente um médico se o nódulo apresentar crescimento rápido (em semanas), dor intensa, dormência na face, paralisia facial (dificuldade de fechar o olho ou sorrir) ou ferida na pele sobre o nódulo. Esses sinais podem indicar transformação maligna ou outra condição mais grave. No SUS, o primeiro atendimento pode ser feito na Unidade Básica de Saúde (UBS) ou em clínicas populares. O médico clínico geral ou da família irá palpar o nódulo, avaliar a mobilidade, consistência e presença de linfonodos cervicais, e solicitar exames iniciais (ultrassom). Se houver suspeita de tumor de glândula salivar, o paciente é referenciado para um serviço de cirurgia de cabeça e pescoço, conforme o fluxo regulatório do SUS. O CFM disponibiliza orientações sobre diagnóstico e tratamento que podem ser consultadas por médicos e pacientes.
Não ignore um caroço que não dói. Muitos pacientes adiam a consulta por falta de sintomas, mas o diagnóstico precoce permite uma cirurgia menos invasiva e com melhores resultados estéticos e funcionais.
Termos Relacionados
- Tumor de Warthin: Outro tumor benigno de glândula salivar, mais comum em homens fumantes, geralmente bilateral e de crescimento lento.
- Parótida: A maior glândula salivar, localizada na frente da orelha; é o local mais frequente do adenoma pleomórfico.
- Punção aspirativa por agulha fina (PAAF): Exame minimamente invasivo que coleta células do nódulo para análise, fundamental para o diagnóstico.
- Ressonância magnética (RM): Exame de imagem mais detalhado, indicado para avaliar a extensão do tumor e relação com o nervo facial.
- Nervo facial: Nervo que controla os músculos da expressão facial; sua preservação é crucial durante a cirurgia de parótida.
- Recidiva: Reaparecimento do tumor após tratamento cirúrgico, mais comum se a remoção não foi completa.
- Carcinoma ex-adenoma pleomórfico: Transformação maligna rara de um adenoma pleomórfico, que pode ocorrer após muitos anos de evolução.
- Sialoadenectomia: Nome técnico da cirurgia de remoção de uma glândula salivar, geralmente parcial na parótida para tumores superficiais.
Perguntas Frequentes sobre Adenoma pleomórfico
O adenoma pleomórfico é câncer?
Não, ele é um tumor benigno, ou seja, não invade tecidos vizinhos e não se espalha para outros órgãos (metástase). Porém, se não for tratado, pode crescer muito e, em casos raros (menos de 5%), sofrer transformação maligna após décadas. Por isso, a cirurgia é indicada mesmo que o nódulo seja assintomático.
Quais exames são necessários para diagnosticar?
O primeiro exame geralmente é a ultrassonografia de partes moles, que mostra o tamanho e a localização do nódulo. Na sequência, a punção aspirativa por agulha fina (PAAF) coleta células para análise. Em casos mais complexos, pode ser solicitada ressonância magnética. O diagnóstico definitivo vem da análise da peça cirúrgica (anatomopatológico).
O tratamento é sempre cirúrgico?
Sim, o único tratamento curativo é a remoção completa do tumor por cirurgia. Não existem medicamentos ou radioterapia que façam o tumor regredir. A cirurgia é feita com anestesia geral ou local dependendo do tamanho e localização. No SUS, o procedimento é garantido pela tabela de procedimentos ambulatoriais e hospitalares.
A cirurgia deixa cicatriz? Pode afetar o movimento do rosto?
Sim, há uma cicatriz próxima à orelha ou no pescoço, que geralmente fica escondida pelas dobras naturais da pele. O risco de lesão do nervo facial depende da localização do tumor. Em cirurgias para tumores superficiais da parótida, a chance de paralisia facial permanente é baixa (menos de 2%). O cirurgião toma cuidado para identificar e preservar o nervo. No pós-operatório, pode haver fraqueza temporária que melhora em semanas ou meses.
Depois da cirurgia, o tumor pode voltar?
Sim, existe um pequeno risco de recidiva (cerca de 2% a 5% quando a cirurgia é completa). Por isso, o acompanhamento com exames de imagem e consultas periódicas é recomendado por pelo menos 5 anos. Se houver suspeita de recidiva, uma nova cirurgia pode ser necessária.
Preciso me afastar do trabalho? Quanto tempo dura a recuperação?
O tempo de recuperação varia. Cirurgias pequenas (glândulas salivares menores) podem permitir retorno ao trabalho em 3 a 5 dias. Cirurgias da parótida geralmente exigem repouso de 7 a 14 dias, com cuidados para evitar esforço físico. No SUS, o paciente tem direito ao auxílio-doença se precisar de afastamento superior a 15 dias, mediante perícia médica do INSS


