O que é Adenoma viloso?
No dia a dia de uma clínica popular ou de um posto do SUS, o termo adenoma viloso aparece principalmente depois de uma colonoscopia de rastreamento ou de investigação de sangramento intestinal. É um tipo de pólipo (crescimento anormal da mucosa) que se forma no intestino grosso – cólon e reto – e tem como principal característica uma arquitetura com pequenas projeções finas e alongadas, parecidas com dedos de luva ou “vilos”. Embora a maioria dos pólipos colorretais seja benigna, o adenoma viloso chama a atenção do médico porque carrega um risco maior de evoluir para câncer colorretal se não for removido a tempo.
Na prática clínica brasileira, é comum atender pacientes assintomáticos, geralmente acima dos 50 anos, que fizeram uma colonoscopia de rotina – oferecida pelo SUS dentro do programa de rastreamento de câncer de intestino – e recebem o diagnóstico de “adenoma viloso” no laudo. Muitos ficam assustados ao ouvir a palavra “adenoma”, imaginando que já é um câncer. Por isso, explico sempre: adenoma é uma lesão pré‑cancerígena, não é câncer, mas precisa ser tratada para não se transformar. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o câncer colorretal é o segundo mais comum entre homens e mulheres no Brasil, e a detecção e remoção de adenomas, especialmente os vilosos, é uma das formas mais eficazes de prevenção. (Veja mais em site do INCA).
No contexto do SUS, a colonoscopia está disponível na atenção secundária através dos sistemas de regulação (como o SISREG), mas ainda há filas e desigualdades regionais. Por isso, pacientes de clínicas populares muitas vezes buscam exames particulares com valor acessível. Independentemente do local, a orientação é a mesma: remover o pólipo assim que identificado e manter seguimento regular. A Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SBED) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) endossam diretrizes que indicam a polipectomia (retirada por colonoscopia) como tratamento padrão e o acompanhamento conforme o número, tamanho e tipo dos adenomas.
Como funciona / Características
O adenoma viloso se forma a partir de uma alteração no crescimento das células da mucosa intestinal. Ao contrário dos adenomas tubulares, que crescem como “pequenas bolinhas”, o padrão viloso apresenta projeções alongadas que aumentam a superfície de contato com o conteúdo intestinal. Essa característica está associada a uma chance maior de abrigar displasia (células anormais) e, eventualmente, progressão para câncer.
Na prática, recebo muitos pacientes com laudo que descreve “adenoma viloso com displasia de baixo grau” ou “alto grau”. Explico que a presença de displasia é o sinal de que as células estão começando a se tornar atípicas, mas ainda não invadiram a camada muscular. O tratamento é a remoção completa do pólipo, geralmente durante a própria colonoscopia (polipectomia). Os fragmentos são enviados para análise anatomopatológica – exame feito por patologista no laboratório de patologia, que pode ser do SUS ou conveniado.
Exemplo real do cotidiano: uma senhora de 62 anos, sem sintomas, trouxe o laudo de colonoscopia de rastreio. O médico descreve “pólipo séssil de 2,5 cm no cólon sigmoide, biópsia: adenoma viloso com displasia de baixo grau”. A paciente ficou preocupada. Orientei que a chance de cura é praticamente 100% se o pólipo for retirado por completo. Marcamos a polipectomia (que no SUS pode levar algumas semanas, mas em clínicas populares costuma ser feita no mesmo ato se o equipamento e o endoscopista forem experientes). Resultado: remoção sem complicações, sem evidência de malignidade. Repetimos colonoscopia em 1 ano, conforme protocolo. Em muitos casos, se houver múltiplos adenomas vilosos ou displasia de alto grau, o intervalo pode ser reduzido para 3 a 6 meses.
É importante lembrar que nem todo adenoma viloso sangra. Quando causa sintomas, os mais comuns são sangramento retal (às vezes oculto, detectado só no exame de fezes), anemia, alteração do hábito intestinal (diarreia ou constipação) ou dor abdominal. Por isso, muitos pacientes descobrem o pólipo em exames de rotina, mesmo sem queixas.
Tipos e Classificações
No Brasil, os adenomas colorretais são classificados principalmente pelo seu padrão histológico e pelo grau de displasia. As classificações mais usadas seguem as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e são adotadas pelo CFM e pelas sociedades de patologia e endoscopia:
- Adenoma tubular – o mais comum (cerca de 80% dos adenomas), com crescimento glandular tubular. Risco baixo de malignização.
- Adenoma viloso – menos frequente (cerca de 5 a 15%), mas com alto potencial de transformação maligna (até 40% em lesões > 2 cm).
- Adenoma tubuloviloso – mistura dos dois padrões anteriores. O risco é intermediário, dependendo da proporção de componente viloso.
Além disso, os patologistas avaliam o grau de displasia:
- Displasia de baixo grau – células com alterações leves; risco baixo de progressão em curto prazo.
- Displasia de alto grau – alterações mais acentuadas, consideradas lesão pré‑cancerígena de alto risco. Exige remoção imediata e seguimento mais rigoroso.
Classificação endoscópica (Paris Classification) também é usada: pólipos sésseis (base larga), pediculados (com haste) ou planos. Adenomas vilosos são frequentemente sésseis ou planos, o que pode tornar a remoção mais desafiadora, especialmente se grandes (> 2 cm). Nesses casos, técnicas avançadas como a mucosectomia endoscópica podem ser necessárias, procedimento disponível em centros de referência do SUS e em clínicas especializadas.
Quando procurar um médico
Qualquer pessoa com fatores de risco para câncer colorretal deve conversar com seu médico sobre a necessidade de rastreamento com colonoscopia. Os principais fatores são:
- Idade ≥ 50 anos (no Brasil, o rastreamento populacional é recomendado a partir dos 50, mas pode ser iniciado mais cedo em grupos de risco).
- História pessoal ou familiar de adenomas colorretais ou câncer de intestino.
- Doenças inflamatórias intestinais (retocolite ulcerativa, doença de Crohn).
- Síndromes hereditárias (como Síndrome de Lynch, Polipose Adenomatosa Familiar).
- Sangramento nas fezes (visível ou oculto), anemia sem causa aparente, mudança recente no ritmo intestinal, dor ou desconforto abdominal persistente.
Na minha experiência com pacientes do SUS, muitos vêm ao consultório por causa de sangue nas fezes ou anemia refratária. Uma vez identificado um adenoma viloso, a indicação de tratamento é remoção endoscópica. Se o pólipo for muito grande ou suspeito de invasão, pode ser necessário encaminhamento para cirurgia colorretal, mas isso é minoria.
Orientacão ao paciente: se você recebeu o laudo de adenoma viloso, não entre em pânico. Agende uma consulta para discutir os próximos passos. A maioria dos casos é resolvida com a polipectomia e o acompanhamento. Evite chás, suplementos ou dietas restritivas sem orientação – não há comprovação de que isso reverta o pólipo. O tratamento é mecânico: retirar a lesão.
Termos Relacionados
- Pólipo – crescimento anormal da mucosa que pode ser hiperplásico, inflamatório ou adenomatoso. A maioria não é câncer.
- Colonoscopia – exame endoscópico que permite visualizar todo o cólon e o reto, diagnosticar e remover pólipos. É o padrão‑ouro para rastreamento.
- Displasia – alteração celular que indica risco de malignização. Pode ser de baixo ou alto grau.
- Adenoma tubular – tipo mais frequente de pólipo adenomatoso, com baixo risco de câncer.
- Câncer colorretal – tumor maligno que pode se originar de adenomas não tratados. O rastreamento reduz a mortalidade.
- Polipectomia – procedimento de remoção do pólipo durante a colonoscopia, com alça de cautério ou bisturi.
- Rastreamento – realização de exames (colonoscopia, pesquisa de sangue oculto nas fezes) em pessoas sem sintomas, para detectar lesões precoces.
- Síndrome de Lynch – condição hereditária que aumenta o risco de câncer colorretal e outros tumores, associada a adenomas vilosos e displasia de alto grau.
Perguntas Frequentes sobre Adenoma viloso
1. Adenoma viloso é câncer?
Não. Adenoma viloso é uma lesão pré‑cancerígena, não é câncer. Ele tem potencial de se transformar em câncer se não for removido, mas a grande maioria dos adenomas vilosos é tratada com sucesso pela colonoscopia. O termo “pré‑câncer” assusta, mas pense assim: detectar um adenoma é uma oportunidade de prevenir o câncer. Uma vez removido por completo, o risco desaparece. O acompanhamento é fundamental para evitar novas lesões.
2. Quantas vezes preciso repetir a colonoscopia após a retirada de um adenoma viloso?
Depende do número, tamanho e grau de displasia dos pólipos removidos. Em geral, para um adenoma viloso único, com displasia de baixo grau e removido completamente, a recomendação é repetir a colonoscopia em 1 a 3 anos. Se houver múltiplos adenomas (≥ 3) ou displasia de alto grau, o intervalo pode ser de 6 meses a 1 ano. Sempre siga a orientação do seu médico, que considerará seu histórico


