O que é Adenomatose adrenal?
Adenomatose adrenal é o termo usado quando há dois ou mais nódulos benignos (adenomas) nas glândulas suprarrenais (adrenais), que ficam em cima dos rins. Na prática do dia a dia do SUS e das clínicas populares brasileiras, é um achado cada vez mais comum, principalmente porque o acesso a exames de imagem como ultrassom e tomografia aumentou nos últimos anos. O paciente geralmente descobre a condição sem sentir nada — ele fez um exame por outro motivo (dor abdominal, check-up, suspeita de cálculo renal) e o laudo traz a frase “nódulo adrenal”. Aí começa a preocupação: “É câncer? Vou precisar de cirurgia?”. Como médico, meu papel é acalmar e explicar que, na maioria dos casos, não há risco imediato.
Segundo dados da literatura e da prática clínica brasileira, a prevalência de adenomatose adrenal aumenta com a idade: cerca de 1% da população abaixo de 30 anos tem algum nódulo, mas esse número sobe para 5 a 7% após os 50 anos. No Brasil, com o envelhecimento populacional e a maior realização de exames, estima-se que milhões de pessoas tenham o achado sem saber. Felizmente, mais de 90% desses nódulos são benignos e não produzem hormônios em excesso — são chamados de “não funcionantes”. Apenas uma minoria está associada a síndromes como a de Cushing (excesso de cortisol) ou de Conn (excesso de aldosterona), que merecem tratamento específico.
No contexto do SUS, o paciente com adenomatose adrenal costuma ser acompanhado na Atenção Primária (posto de saúde) ou encaminhado ao endocrinologista após avaliação inicial. O Ministério da Saúde não possui um protocolo específico para a condição, mas as diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) são amplamente seguidas. O fundamental é individualizar cada caso: tamanho do nódulo, densidade na tomografia, histórico do paciente e exames hormonais básicos.
Como funciona / Características
As glândulas adrenais produzem hormônios essenciais: cortisol (regula estresse e metabolismo), aldosterona (controle da pressão e do sódio), adrenalina e noradrenalina (resposta de luta ou fuga). Na adenomatose adrenal, os nódulos podem ser “silenciosos” (não produzem hormônios extras) ou “funcionantes” (liberam quantidades anormais). No meu consultório, já atendi senhoras com hipertensão de difícil controle que, após investigação, descobriram um adenoma produtor de aldosterona (síndrome de Conn). Também vi pacientes com diabetes descontrolado e obesidade central que, na verdade, tinham um adenoma produtor de cortisol subclínico (síndrome de Cushing leve). Mas esses casos são minoria.
Na clínica popular, o cenário mais comum é o paciente chegar com o laudo e dizer: “Doutor, meu exame deu um nódulo na adrenal. O que faço?”. Aí explico que o primeiro passo é repetir a imagem (se possível, uma tomografia com contraste) e pedir exames de sangue simples: cortisol após supressão com dexametasona, dosagem de aldosterona e atividade de renina, além de catecolaminas urinárias. Se esses exames vierem normais e o nódulo tiver menos de 4 cm, com características benignas na tomografia (baixa densidade, washout rápido), podemos apenas acompanhar com nova imagem em 6 a 12 meses e repetir exames hormonais anualmente. Isso é perfeitamente factível no SUS, embora haja filas para exames especializados em algumas regiões.
Tipos e Classificações
A classificação da adenomatose adrenal na prática clínica brasileira leva em conta três aspectos principais:
- Número e lateralidade: unilateral (apenas uma glândula) ou bilateral (as duas adrenais). A adenomatose bilateral é menos comum e às vezes está associada a síndromes genéticas (ex.: hiperplasia macronodular).
- Tamanho: nódulos menores que 4 cm têm risco muito baixo de malignidade; acima de 4 cm merecem avaliação cirúrgica, pois o risco de câncer adrenal, embora pequeno, aumenta. Na ponta do lápis, nódulos > 6 cm têm risco de malignidade de 25% ou mais.
- Função hormonal: não funcionantes (incidentalomas) vs. funcionantes (produtores de cortisol, aldosterona ou catecolaminas). Essa é a classificação mais importante para definir tratamento.
A Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS) e as sociedades médicas recomendam que todo nódulo adrenal maior que 1


