quarta-feira, junho 17, 2026

O que é O que é Adenovírus humano do tipo 35

O que é Adenovírus humano do tipo 35?

O Adenovírus humano do tipo 35 (HAdV-35) é uma das mais de 50 variedades conhecidas de adenovírus que infectam o ser humano. Na prática clínica de um médico generalista do SUS ou de clínica popular, ele raramente é identificado com esse nome, pois a grande maioria das infecções por adenovírus no Brasil é tratada de forma sindrômica — ou seja, pelo conjunto de sintomas, não pelo subtipo específico. O tipo 35 pertence ao sorogrupo B2, um grupo que tem predileção especial por tecidos linfoides e pelos rins, e é conhecido por causar infecções em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido.

No Brasil, o Ministério da Saúde monitora a circulação de adenovírus por meio da rede de vigilância sentinela de síndromes respiratórias agudas graves (SRAG). Dados do boletim epidemiológico mais recente apontam que os adenovírus representam cerca de 2% a 5% dos casos de SRAG em crianças menores de 5 anos, mas a subtipagem para HAdV-35 não é feita de rotina, exceto em surtos hospitalares ou estudos acadêmicos. Na minha experiência em clínica popular na periferia de Fortaleza, lidei com surtos de conjuntivite adenoviral — muitas vezes chamada de “conjuntivite do verão” — mas o tipo 35 está mais associado a infecções em pacientes transplantados ou com HIV avançado, sendo menos comum no dia a dia da atenção primária.

É importante saber que o HAdV-35 também ganhou destaque global como vetor viral em terapias gênicas e em vacinas experimentais, inclusive contra a COVID-19. A ANVISA já aprovou protocolos de pesquisa com esse vetor no país, mas ainda não há vacina ou medicamento específico baseado nele disponível no SUS. Para o paciente leigo, o que mais importa é entender que a infecção pelo adenovírus tipo 35, embora rara na forma identificada, pode ser grave em pessoas imunodeprimidas e exige atenção médica precoce.

Como funciona / Características

O Adenovírus humano do tipo 35 é um vírus de DNA de dupla fita, sem envelope lipídico — o que o torna mais resistente no ambiente. Ele pode sobreviver por dias em superfícies como maçanetas, brinquedos, toalhas e mãos não lavadas. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias (tosse, espirro), contato direto com secreções oculares ou fezes, e por fômites (objetos contaminados).

Na prática ambulatorial, o que vejo é que o paciente chega com sintomas que podem ser confundidos com resfriado comum ou gripe: febre (geralmente alta, acima de 38,5°C), tosse seca, dor de garganta e conjuntivite (olhos vermelhos, lacrimejantes, com sensação de areia). Diferente de outros vírus respiratórios, o adenovírus costuma provocar conjuntivite folicular — aquela com pequenas bolinhas (folículos) na conjuntiva, que o médico consegue ver com a lanterna. Em crianças pequenas, é comum também a diarreia aquosa e vômitos.

O que diferencia o tipo 35 dos outros adenovírus é sua capacidade de causar cistite hemorrágica (inflamação da bexiga com sangue na urina) em pacientes que fizeram transplante de medula óssea. Já atendi um caso de um jovem transplantado renal que desenvolveu febre e urina avermelhada; o exame de PCR identificou HAdV-35. Fora desses grupos, a infecção costuma ser autolimitada, com duração de 7 a 14 dias. O tratamento é de suporte: hidratação, antitérmicos (paracetamol, ibuprofeno) e higiene ocular com soro fisiológico. Não há antiviral específico aprovado pelo SUS para adenovírus, mas em casos graves (como pneumonia ou cistite hemorrágica) pode-se usar cidofovir, um medicamento hospitalar sob supervisão de infectologista.

Tipos e Classificações

Os adenovírus humanos são classificados em 7 espécies (A a G), subdivididas em mais de 50 sorotipos (tipos). O Adenovírus humano do tipo 35 pertence à espécie B, subgrupo B2. Essa classificação é baseada em diferenças na proteína do capsídeo (hexon) e no tropismo (preferência por tecidos).

No Brasil, a classificação adotada pelo Ministério da Saúde para fins de vigilância epidemiológica é clínica: as infecções são categorizadas como respiratórias (IRA), oculares (conjuntivite) ou entéricas (gastroenterite). A tipagem molecular é feita por centros de referência como o Instituto Adolfo Lutz (SP) e a Fiocruz, em situações de surto ou investigação de casos graves. Portanto, para a rotina das clínicas populares e unidades básicas de saúde, não há necessidade de classificar o tipo; o manejo é baseado no quadro clínico e na faixa etária. A exceção são pacientes imunocomprometidos, em que a identificação do tipo pode guiar o uso de antivirais.

Quando procurar um médico

Qualquer pessoa com febre alta acima de 39°C por mais de 3 dias, dificuldade para respirar (respiração rápida, chiado no peito, cansaço), dor ao urinar, urina com sangue ou olhos muito vermelhos com secreção purulenta deve procurar uma unidade de saúde. Em bebês e crianças pequenas, sinais de alerta incluem recusa alimentar, prostração, lábios ressecados (sinais de desidratação) e choro sem lágrimas.

Para pacientes imunossuprimidos — como transplantados, pessoas em quimioterapia, portadores de HIV com carga viral alta ou em uso de corticoide prolongado — qualquer sintoma gripal ou febre merece avaliação médica urgente, mesmo que pareça leve. Nessas pessoas, o HAdV-35 pode evoluir para pneumonia intersticial, insuficiência respiratória ou cistite hemorrágica grave.

Na rede pública, a orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para triagem. Se houver sinais de gravidade (falta de ar, hipotensão, confusão mental), o paciente deve ser encaminhado ao pronto-socorro de referência do SUS. Lembre-se: tratamento caseiro com antibióticos não funciona para vírus, e o uso de anti-inflamatórios deve ser cauteloso em crianças com suspeita de varicela ou dengue, pois há risco de complicações.

Termos Relacionados

  • Adenovírus: Família de vírus que causam infecções respiratórias, oculares, gastrointestinais e urinárias. Muito comuns em crianças, especialmente em creches.
  • Conjuntivite viral: Inflamação da conjuntiva ocular, geralmente bilateral, com vermelhidão, lacrimejamento e sensação de corpo estranho. O adenovírus é uma das principais causas.
  • Infecção Respiratória Aguda (IRA): Quadro de tosse, febre e coriza. O adenovírus tipo 35 pode causar IRA leve a moderada em crianças.
  • Cistite hemorrágica: Inflamação da bexiga com sangramento na urina. Complicação típica do HAdV-35 em transplantados de medula óssea.
  • Imunossupressão: Condição em que o sistema imunológico está enfraquecido (por doença, medicamentos ou transplante). Aumenta o risco de infecção grave por adenovírus.
  • Vetor viral: Vírus modificado geneticamente usado para transportar genes terapêuticos ou vacinas. O HAdV-35 é estudado como vetor em pesquisas no Brasil.
  • SUS: Sistema Único de Saúde, responsável pelo atendimento público e pela vigilância epidemiológica de doenças virais no Brasil.
  • PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): Exame molecular que identifica o material genético do vírus. É o padrão-ouro para diagnosticar o tipo específico de adenovírus.

Perguntas Frequentes sobre Adenovírus humano do tipo 35

O adenovírus tipo 35 é perigoso para crianças saudáveis?

Na maioria das crianças com sistema imunológico normal, a infecção pelo HAdV-35 causa sintomas leves a moderados, como febre, tosse e conjuntivite, que desaparecem em 7 a 10 dias. O perigo maior é em bebês com menos de 6 meses, crianças desnutridas ou com doenças crônicas (cardíacas, pulmonares). Nesses casos, há risco de desidratação, pneumonia e internação. Se seu filho está com febre alta que não cede com antitérmicos ou com dificuldade para respirar, leve a uma UBS ou emergência pediátrica.

Como sei se meu filho está com adenovírus tipo 35 ou outro vírus?

Você não consegue saber em casa. Os sintomas são muito parecidos com os de outros vírus respiratórios (influenza, VSR, rinovírus). A única forma de confirmar o tipo é por exame de PCR em amostras de swab nasal ou de fezes, que não é solicitado de rotina no SUS — é reservado para casos graves, surtos ou pacientes imunocomprometidos. Na prática clínica, o médico trata os sintomas e orienta o isolamento.

Existe vacina contra o adenovírus tipo 35 no Brasil?

Não. Atualmente não há vacina licenciada pela ANVISA para adenovírus humanos no Brasil. Existe uma vacina oral contra os tipos 4 e 7 usada em militares nos Estados Unidos, mas não está disponível aqui. Pesquisas com vetores baseados no HAdV-35 estão em andamento (inclusive para vacinas contra HIV e COVID-19), mas ainda não resultaram em imunizante comercial para a população.

Preciso usar antibiótico para tratar adenovírus?

Não. Antibióticos só funcionam contra bactérias. O adenovírus é um vírus, então o tratamento é com remédios para controlar febre e dor (paracetamol, ibuprofeno), hidratação e repouso. Só se houver suspeita de infecção bacteriana secundária (como otite média ou pneumonia bacteriana) o médico pode prescrever antibiótico. Nunca se automedique.

Quanto tempo dura a infecção pelo adenovírus tipo 35 em um adulto saudável?

Em média, de 5 a 12 dias. A febre costuma persistir por 2 a 5 dias, mas a tosse pode continuar por até 3 semanas. A conjuntivite pode durar de 1 a 2 semanas. O período de transmissão começa um dia antes dos sintomas e se estende até que os sintomas desapareçam. É importante lavar as mãos frequentemente e evitar compartilhar objetos pessoais durante esse período.

O adenovírus tipo 35 pode ser transmitido


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