quinta-feira, maio 28, 2026

O que é O que é Adenovírus humano do tipo 37

O que é Adenovírus humano do tipo 37?

O adenovírus humano do tipo 37 é um sorotipo específico de adenovírus que, no Brasil, tem grande importância clínica principalmente por causar ceratoconjuntivite epidêmica – uma infecção ocular altamente contagiosa. Na prática diária de uma clínica popular ou no SUS, é muito comum atender pacientes que chegam com olho vermelho, inchado e sensibilidade à luz, achando que se trata de uma alergia ou de uma conjuntivite bacteriana simples, mas que na verdade estão com esse vírus. O tipo 37 também pode provocar infecções respiratórias e gastrointestinais, mas seu papel principal é mesmo nos surtos de conjuntivite viral que ocorrem anualmente em todo o país.

Dados epidemiológicos brasileiros mostram que os adenovírus são responsáveis por boa parte dos casos de conjuntivite infecciosa, especialmente entre crianças em idade escolar e profissionais de saúde. O Ministério da Saúde registra picos de transmissão no verão e em períodos de maior aglomeração, como o retorno às aulas. Na minha experiência em clínicas populares, já atendi famílias inteiras com os mesmos sintomas oculares, pois a transmissão acontece muito facilmente pelo contato direto com secreções ou objetos contaminados. O diagnóstico é essencialmente clínico – não precisa de exames caros – e o tratamento é de suporte, já que não existe antiviral específico para o tipo 37 aprovado pela ANVISA para uso rotineiro.

No contexto do SUS, a abordagem é centrada na orientação ao paciente sobre medidas de higiene, isolamento temporário e uso de colírios lubrificantes. A vigilância epidemiológica municipal costuma ser acionada quando há surtos em escolas ou creches, para evitar a disseminação. O adenovírus humano do tipo 37 é um dos sorotipos mais frequentemente associados a grandes epidemias de conjuntivite no Brasil, sendo monitorado pelo Ministério da Saúde e por centros de referência como o Instituto Evandro Chagas (PA).

Como funciona / Características

O adenovírus humano do tipo 37 é um vírus de DNA que infecta as células da conjuntiva (membrana que reveste o olho e a parte interna das pálpebras) e, em alguns casos, a córnea. A transmissão ocorre por contato direto com secreções oculares ou respiratórias de uma pessoa infectada, ou indiretamente por meio de mãos, toalhas, maçanetas, brinquedos e equipamentos médicos contaminados. Aí está o grande desafio no dia a dia: muitas pessoas não lavam as mãos com frequência, e o vírus pode sobreviver por horas em superfícies.

Após a exposição, o período de incubação varia de 2 a 14 dias, mas em média é de 5 a 7 dias. Os sintomas começam com vermelhidão, lacrimejamento, sensação de areia nos olhos, inchaço das pálpebras e fotofobia (incômodo com a luz). Em muitos casos aparece uma secreção aquosa ou mucoide. A infecção costuma começar em um olho e, em poucos dias, atinge o outro. O que diferencia o tipo 37 de outros adenovírus é a maior propensão a causar ceratite (inflamação da córnea), que pode deixar manchas e levar a uma visão embaçada por semanas. Por isso, pacientes com esses sinais merecem atenção redobrada.

Em crianças pequenas, o vírus também pode provocar febre, dor de garganta e diarreia. No entanto, na prática clínica brasileira, a manifestação ocular é a mais frequente. Como não existe tratamento antiviral específico, o manejo se baseia em alívio sintomático: compressas frias, colírios lubrificantes sem conservantes, e analgésicos orais se houver dor. Antibióticos não funcionam, pois é um vírus, mas podem ser prescritos erroneamente quando não se faz a distinção correta. Por isso, oriento sempre: não use colírios com corticoide sem orientação médica, pois podem piorar a infecção viral.

Tipos e Classificações

Os adenovírus humanos são classificados em sete espécies (A a G) e mais de 60 sorotipos, baseados em diferenças na estrutura da proteína do capsídeo. O adenovírus humano do tipo 37 pertence à espécie D, que agrupa sorotipos com forte tropismo pelo tecido ocular. No Brasil, os sorotipos mais comuns em surtos de conjuntivite são o 3, 4, 7, 8, 11, 19 e 37. O tipo 37 é particularmente conhecido por seu potencial epidêmico e por causar ceratoconjuntivite de evolução mais prolongada.

Do ponto de vista clínico, classificamos as infecções por adenovírus de acordo com o sítio afetado:

  • Conjuntivite folicular aguda – a forma mais comum, com olho vermelho, lacrimejamento e folículos na conjuntiva.
  • Ceratoconjuntivite epidêmica – quando a córnea é afetada, com opacidades punctiformes e maior risco de sequelas visuais; o tipo 37 é um dos principais agentes.
  • Febre faringoconjuntival – combinação de febre, faringite e conjuntivite, mais comum em crianças.

Para o diagnóstico diferencial no SUS, o médico se baseia na história clínica, exame com lâmpada de fenda (quando disponível) e, em casos de surto, coleta de swabs para confirmação laboratorial (PCR) em laboratórios de referência. A ANVISA monitora a qualidade de colírios e produtos oftálmicos, mas não há vacina ou medicamento específico para o tipo 37 no Sistema Único de Saúde.

Quando procurar um médico

Você deve procurar atendimento médico se apresentar:

  • Olho vermelho com duração superior a 48 horas, especialmente se acompanhado de dor ocular intensa, sensibilidade à luz ou redução da visão.
  • Inchaço importante das pálpebras ou presença de secreção purulenta (amarelada/esverdeada) – o que pode indicar infecção bacteriana associada.
  • Febre alta (acima de 38,5°C) em crianças, ou sintomas respiratórios como falta de ar ou chiado no peito.
  • Piora rápida dos sintomas ou aparecimento de lesões na córnea (sensação de “areia” persistente, visão embaçada).
  • Exposição a alguém com diagnóstico confirmado de conjuntivite viral e aparecimento de sintomas nos dias seguintes.

Na rede pública, procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou, se houver sinais de gravidade, uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Em clínicas populares, o atendimento costuma ser rápido e acessível. Leve sempre seus dados pessoais e o cartão do SUS. Não compre colírios por conta própria – muitos contêm corticoides que podem agravar a infecção viral. Lembre-se: o adenovírus humano do tipo 37 é autolimitado na maioria dos casos, mas requer acompanhamento médico para evitar complicações e orientar o afastamento de atividades (escola, trabalho) por pelo menos 7 a 10 dias enquanto houver sintomas.

Termos Relacionados

  • Ceratoconjuntivite epidêmica: inflamação grave da conjuntiva e da córnea, geralmente causada por adenovírus, como o tipo 37. Caracteriza-se por olho vermelho intenso, fotofobia e opacidades na córnea que podem durar semanas.
  • Conjuntivite viral: infecção da conjuntiva por vírus, com sintomas de vermelhidão, lacrimejamento e secreção aquosa. Diferencia-se da bacteriana pela ausência de pus e pela alta contagiosidade.
  • Fotofobia: sensibilidade excessiva à luz, comum em inflamações oculares como a ceratoconjuntivite. Pode ser um sinal de envolvimento da córnea.
  • Quimioterapia ocular: termo usado para descrever o uso de medicamentos tópicos (colírios) para tratamento de infecções virais, embora não haja agente específico para adenovírus. Lubrificantes e anti-inflamatórios não esteroidais são usados para alívio.
  • Surto de conjuntivite: ocorrência de múltiplos casos numa comunidade, como escolas ou creches. No Brasil, o Ministério da Saúde define critérios para notificação e controle, incluindo isolamento e higiene das mãos.
  • Lavagem das mãos: medida mais eficaz para prevenir a transmissão do adenovírus. O uso de álcool em gel 70% também é recomendado, mas a lavagem com água e sabão é superior para remover partículas virais.
  • Isolamento: recomendação para que o paciente evite contato próximo com outras pessoas, especialmente em ambientes fechados, até que os sintomas oculares desapareçam (geralmente 7 a 10 dias).
  • Adenovírus geral: família de vírus que causam infecções respiratórias, gastrointestinais e oculares. Existem mais de 60 sorotipos, sendo o tipo 37 um dos principais agentes de conjuntivite no Brasil.

Perguntas Frequentes sobre Adenovírus humano do tipo 37

Como se pega o adenovírus tipo 37?

O contágio ocorre principalmente pelo contato direto com as secreções dos olhos ou do nariz de uma pessoa infectada. Também é possível pegar ao tocar em superfícies contaminadas (como maçanetas, toalhas, brinquedos) e depois levar as mãos aos olhos. Por isso, em tempos de surto, é essencial lavar as mãos com frequência e evitar compartilhar objetos pessoais. O vírus pode sobreviver por horas em superfícies secas e até dias em objetos úmidos.

Quanto tempo dura a infecção?

Na maioria dos casos, os sintomas oculares duram de 7 a 14 dias. O olho vermelho e a sensibilidade à luz podem persistir por até três semanas, especialmente


Veja Também