sexta-feira, junho 12, 2026

O que é O que é Agressividade

O que é O que é O que é Agressividade?

A agressividade é um comportamento ou estado emocional caracterizado por ações, palavras ou pensamentos que têm a intenção de causar dano, dor ou intimidação a outra pessoa, a si mesmo ou a objetos. No dia a dia de uma clínica popular ou do SUS, é uma queixa que aparece com frequência: pacientes que dizem “não estou me aguentando”, “explodo por qualquer coisa”, “briguei feio com meu filho” ou “perdi a cabeça no trabalho”. Muitas vezes, a pessoa não entende por que está agindo assim e sente vergonha ou medo de estar “ficando louca”. Como médico, explico que a agressividade em si não é uma doença, mas um sintoma que pode sinalizar condições subjacentes – desde estresse extremo, transtornos de humor (como depressão ou transtorno bipolar), ansiedade, uso abusivo de álcool ou drogas, até problemas neurológicos, como demências ou lesões cerebrais.

No Brasil, a agressividade está inserida em um contexto epidemiológico preocupante. De acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do Ministério da Saúde, em 2022 foram notificadas mais de 1,5 milhão de violências interpessoais, sendo uma parcela significativa relacionada a comportamentos agressivos não controlados. A prevalência de transtornos mentais associados à agressividade, como o Transtorno Explosivo Intermitente (TEI), é estimada em cerca de 2 a 3% da população adulta brasileira (dados do MS). A maioria desses casos chega primeiro às Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou a clínicas populares, onde o médico generalista precisa fazer o acolhimento inicial. O SUS conta com uma rede de apoio, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que podem oferecer tratamento multidisciplinar para esses pacientes – mas o primeiro passo é reconhecer a agressividade como um sinal de alerta.

Do ponto de vista clínico, é fundamental diferenciar a agressividade como sintoma (que requer avaliação e, muitas vezes, tratamento) daquela que ocorre em situações de estresse agudo pontual, como uma briga de trânsito. O que define a necessidade de cuidado médico é a frequência, a intensidade e os prejuízos que o comportamento causa na vida da pessoa e de quem está ao redor. No consultório, oriento que o paciente não deve se culpar ou julgar, mas sim buscar ajuda para entender as causas e aprender estratégias de controle. Afinal, a agressividade tratável tem solução, e o acompanhamento correto pode transformar completamente a qualidade de vida.

Como funciona / Características

A agressividade pode ser desencadeada por fatores biológicos, psicológicos e sociais. No cérebro, áreas como a amígdala (centro das emoções) e o córtex pré-frontal (controle dos impulsos) estão envolvidas. Quando há um desequilíbrio químico – por exemplo, níveis baixos de serotonina – a pessoa fica mais propensa a reagir com explosividade diante de situações que outras pessoas considerariam normais. Além disso, o histórico de vida, como ter sofrido violência na infância, e fatores ambientais (desemprego, estresse financeiro, problemas conjugais) atuam como gatilhos.

Características comuns no consultório de clínica popular:

  • Reativa: surge como resposta a uma provocação real ou percebida. Exemplo: o paciente que grita com o atendente por um erro na receita “porque já estava estressado”.
  • Proativa ou instrumental: é planejada para atingir um objetivo, como intimidar alguém para conseguir vantagem – menos frequente em queixas clínicas, mas presente em transtornos de personalidade.
  • Verbal e física: vai desde xingamentos, gritos e ameaças até agressões físicas (empurrões, tapas, quebra de objetos). A autoagressão (bater a cabeça na parede, se cortar) também é uma forma de agressividade dirigida a si mesmo.

Na prática, percebo que muitos pacientes descrevem uma “explosão” seguida de arrependimento: “Não sei o que deu em mim, depois fiquei mal.” Esse padrão é típico do Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) e também pode aparecer no transtorno bipolar, na depressão irritável ou no uso de substâncias como crack e álcool. O contexto do SUS é importante: muitas vezes o paciente chega encaminhado do pronto-socorro após uma briga, ou vem por insistência da família. Acolho sempre com escuta ativa, sem julgamento, pois a vergonha e o estigma afastam as pessoas do tratamento.

Tipos e Classificações

No Brasil, as classificações oficiais usadas são a CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) e o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). A agressividade não é um diagnóstico isolado, mas um sintoma que pode fazer parte de várias condições. Os principais tipos e classificações que identifico no dia a dia:

  • Transtorno Explosivo Intermitente (TEI) – F63.8: episódios recorrentes de agressividade impulsiva, desproporcional ao gatilho, que causam sofrimento ou prejuízo. Comum em adultos jovens.
  • Transtorno de Conduta (F91): mais frequente em crianças e adolescentes, com padrão persistente de violação de regras e agressividade a pessoas ou animais.
  • Transtorno de Personalidade Antissocial (F60.2): padrão de desrespeito aos direitos dos outros, com agressividade instrumental e falta de remorso.
  • Transtorno de Personalidade Borderline (F60.3): instabilidade emocional, medo de abandono e explosões de raiva intensa, muitas vezes seguidas de autoagressão.
  • Transtornos por uso de substâncias (F10 a F19): álcool, cocaína, crack e anfetaminas podem desencadear ou exacerbar a agressividade.
  • Transtornos do humor: na depressão (especialmente em homens) a irritabilidade e a agressividade podem ser os sintomas principais; no transtorno bipolar, durante a fase maníaca, pode haver agressividade expansiva.
  • Demências (F00 a F03): em idosos, a agressividade pode surgir por confusão mental, medo ou dor não comunicada.
  • Autoagressão (X60 a X84): comportamento deliberado de causar dano a si mesmo, muitas vezes associado a ideação suicida.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) orienta que o médico deve realizar uma avaliação biopsicossocial completa, descartando causas orgânicas (ex.: tumores, infecções, epilepsia) antes de atribuir o comportamento a uma causa psiquiátrica. Exames como hemograma, função tireoidiana e testes toxicológicos são comuns na investigação inicial.

Quando procurar um médico

Nem toda explosão de raiva exige consulta médica. Mas você deve procurar atendimento se:

  • A agressividade for frequente (várias vezes por semana) e desproporcional às situações.
  • Estiver causando prejuízos no trabalho, nos relacionamentos ou em casa (brigas constantes, perda de emprego, separações).
  • Você ou outras pessoas estiverem em risco físico – ameaças, empurrões, quebra de objetos, ou qualquer ato violento.
  • Houver automutilação ou pensamentos de suicídio.
  • Após o episódio, você se sente extremamente arrependido, confuso ou com “branco”.
  • Estiver associado a outros sintomas como insônia, tristeza profunda, euforia excessiva, alucinações ou uso de drogas.

No SUS, você pode buscar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para avaliação inicial. O clínico geral ou médico de família pode solicitar exames, fazer o diagnóstico e, se necessário, encaminhar ao CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) para acompanhamento com psiquiatra, psicólogo e