quinta-feira, maio 28, 2026

O que é O que é Aletectasia

O que é O que é O que é Aletectasia?

Na minha prática diária como clínico geral no SUS e em clínicas populares do Brasil, frequentemente atendo pacientes que chegam com falta de ar, tosse seca ou chiado no peito e dizem: “Doutor, o outro médico falou que eu tenho ‘aletectasia’.” Primeiro, uma correção importante: o termo correto é atelectasia, e não “aletectasia”. Esse erro de pronúncia é muito comum entre os pacientes, e explico sempre que a diferença é só na fala, mas o problema é o mesmo: uma parte do pulmão que não está se expandindo direito, ficando como que “murcha”.

Do ponto de vista clínico, atelectasia é o colapso total ou parcial de um pulmão ou de uma região pulmonar. Isso acontece quando os pequenos sacos de ar (alvéolos) perdem o ar que deveria mantê-los abertos. No Brasil, a atelectasia é frequente em dois grupos grandes de pacientes: aqueles que acabaram de passar por uma cirurgia (especialmente abdominal ou torácica) e os idosos acamados por longo período, muito comuns na atenção básica do SUS. Estima‑se que cerca de 5% a 10% dos pacientes internados em enfermarias de hospital público desenvolvam algum grau de atelectasia no pós‑operatório, número que sobe para até 40% em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Dados do Ministério da Saúde apontam que a atelectasia é uma das causas mais frequentes de hipóxia (falta de oxigênio) em pacientes internados, gerando custos adicionais ao sistema e prolongando o tempo de internação.

Por que isso importa na clínica popular? Porque muitas vezes o paciente não tem acesso a exames de imagem de alta complexidade de imediato. Reconhecer os sinais de atelectasia – como falta de ar progressiva, respiração superficial, dor no peito que piora ao respirar fundo e tosse persistente – e saber orientar o tratamento correto no SUS (fisioterapia respiratória, exercícios de respiração profunda, incentivos ao movimento) evita complicações sérias como pneumonia e insuficiência respiratória.

Como funciona / Características

Para entender a atelectasia, imagine o pulmão como uma bexiga que se enche e esvazia. Quando um pedaço da bexiga perde ar e as paredes colam uma na outra, aquela parte não consegue mais participar da troca de oxigênio. É exatamente isso que ocorre nos alvéolos: sem ar lá dentro, eles colapsam e o sangue que passa por aquela região não recebe oxigênio direito.

No cotidiano do consultório, vejo três situações típicas:

  • Pós‑operatório: após uma cirurgia de vesícula ou cesariana, por exemplo, o paciente tem dor ao respirar fundo e evita tossir. Isso leva à respiração superficial e ao fechamento dos alvéolos da base do pulmão.
  • Idoso acamado: uma senhora de 80 anos que fraturou o quadril e fica três semanas na cama. Sem mudar de posição e sem fazer exercícios respiratórios, a gravidade comprime as áreas posteriores dos pulmões, gerando atelectasia.
  • Obstrução por corpo estranho ou secreção: crianças que aspiram um grão de feijão ou idosos com pneumonia que não conseguem eliminar catarro grosso podem ter um brônquio entupido. O ar preso depois do entupimento é absorvido e o tecido colapsa.

Na prática da clínica popular, muitos desses pacientes não têm acesso imediato a uma tomografia. O diagnóstico é feito com base na história clínica, no exame físico (ausculta pulmonar com diminuição do murmúrio vesicular na área afetada) e, quando disponível, no raio‑X de tórax, que mostra opacidade na região colapsada. O tratamento começa já na consulta: orientamos o paciente a deitar‑se sobre o lado sadio e respirar fundo, usamos técnicas de percussão torácica (tapar as costas com a mão em concha) e incentivamos a tosse dirigida. Caso não haja melhora, encaminhamos para fisioterapia respiratória na rede SUS, que é gratuita e eficaz.

Tipos e Classificações

A atelectasia é classificada de acordo com a causa e com a extensão do colapso. No Brasil, os pneumologistas e cirurgiões torácicos usam principalmente a classificação etiológica, que é prática no dia a dia:

Tipo Causa principal Exemplo no SUS
Atelectasia obstrutiva Obstrução de um brônquio (tampão de muco, corpo estranho, tumor) Paciente pós‑AVC com dificuldade de engolir e aspiração de saliva
Atelectasia compressiva Compressão externa do pulmão (derrame pleural, pneumotórax, tumor da pleura) Pneumonia grave com derrame pleural que aperta o pulmão
Atelectasia por adesão Falta de surfactante (substância que mantém os alvéolos abertos) Recém‑nascidos prematuros – síndrome do desconforto respiratório, frequente em UTIs neonatais do SUS
Atelectasia cicatricial Fibrose pulmonar que retrai o tecido Pacientes com tuberculose tratada que deixam sequelas

Além disso, classificamos quanto à extensão: atelectasia laminar (fina faixa na base do pulmão), atelectasia segmentar (atinge um segmento pulmonar) e atelectasia total (colapso de um pulmão inteiro – emergência médica). No ambiente da clínica popular, as formas mais comuns são a laminar (assintomática, descoberta em raio‑X de rotina) e a segmentar pós‑operatória.

Quando procurar um médico

Você deve procurar um clínico geral ou uma Unidade Básica de Saúde (UBS) se apresentar os seguintes sinais de alerta:

  • Falta de ar que piora ao deitar ou ao fazer esforço mínimo.
  • Dor no peito que aumenta com a respiração funda ou com a tosse.
  • Tosse persistente, seca ou com pouca secreção, por mais de três dias após uma cirurgia ou período de imobilização.
  • Sensação de que “falta ar” ou de que um lado do peito não expande igual ao outro.
  • Febre baixa acompanhada de desconforto respiratório, pois pode indicar pneumonia secundária à atelectasia.

No SUS, o acolhimento é feito pelo médico da família ou clínico geral. Se houver suspeita de atelectasia obstrutiva ou de grande volume, o paciente é encaminhado para a urgência hospitalar para realização de tomografia e possível broncoscopia (exame que retira o tampão de muco). Importante: não espere a falta de ar se tornar intensa. Procure atendimento logo nos primeiros sintomas, principalmente se você for idoso, diabético, fumante ou tiver doença pulmonar crónica (como DPOC).

Termos Relacionados

  • Derrame pleural: acúmulo de líquido entre as membranas que revestem o pulmão, comprimindo o tecido e podendo causar atelectasia compressiva.
  • Broncoscopia: exame com um tubo fino e flexível que entra pelas vias aéreas para visualizar